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Um bom professor, para ser considerado como tal, deve trazer qualidades que advêm de duas características fundamentais: compromisso político e competência técnica. Esses conceitos foram amplamente discutidos na década de 1980, quando o debate sobre os dois termos agitava os educadores que polarizavam a discussão colocando, de um lado, a neutralidade técnica do fazer docente e, de lado oposto, os que defendiam que qualquer atividade pedagógica carecia de compromisso político.

Nosella (1983) discutiu essa dicotomia que vinha sendo assim apresentada, no sentido de tangenciar a questão a partir da cultura que se estabelece em cada época e a partir de cada experiência:

A competência técnica não é uma categoria em si, universal, acima dos interesses de classe, mas, pelo contrário, competência e/ou incompetência são qualificações atribuídas no interior de uma visão de cultura historicamente determinada, pois existe o competente e o incompetente para certa concepção de cultura, como existe o competente e o incompetente para uma nova concepção de cultura. (NOSELLA, 1983, p.92).

Sobre a politicidade do ato de educar, muito já tem sido dito e Paulo Freire, especialmente, debateu amplamente essa característica. O compromisso político é fruto das escolhas que se faz quando se adentra o universo da educação: de que lado estamos, a favor do que ou de quem, e contra o quê / quem se pretende trabalhar.

O compromisso político determina todo o percurso de um educador na medida em que explicita suas escolhas. Além disso, os frutos de seu trabalho resultam em leituras absolutamente diferentes do mundo em que se vive. Essas leituras têm efeitos práticos na vida social.

Pensar no amanhã é fazer profecia, mas o profeta não é um velho de barbas longas e brancas, de olhos abertos e vivos, de cajado na mão, pouco preocupado com suas vestes, discursando palavras alucinadas. Pelo contrário, o profeta é o que, fundado no que vive, no que vê, no que escuta, no que percebe [...] fala, quase adivinhando, na verdade, intuindo, do que pode ocorrer nesta ou naquela dimensão da experiência histórico-social. (FREIRE, 2000, p. 118)

A educação, à luz das reflexões de Freire, tem caráter libertador e não domesticador, como o que se traduz no modelo tradicional da educação. Nesse sentido, é uma práxis educativa capaz de libertar o homem de toda situação de opressão à qual se encontra sujeitado, por meio do desenvolvimento e libertação de sua consciência, possibilitando torná- lo um sujeito crítico, reflexivo e emancipado, que seja capaz de transformar sua realidade e inserir-se na sociedade de forma efetiva, participando ativamente de suas determinações.

Por sua face crítica, a prática educativa pode servir de importante instrumento de emancipação do homem e da mulher diante da opressão, pois se preocupa com a realidade vivida pelo educando propondo intervenção prática no ambiente cotidiano escolar, de forma transformadora e, considerando, a todo o momento, a realidade concreta, singular e peculiar de cada educando.

Dentro da perspectiva de se construir uma educação libertadora, Freire (2000) enfatiza que é preciso que se compreenda a educação como um processo de formação humana. Ele afirma que ensinar não é somente transmitir conhecimento e sim proporcionar que o aluno aprenda de dentro para fora, onde a leitura de mundo precede a leitura da palavra através da

figura do professor-problematizador que discute as questões do mundo e da sociedade em que vivem, observando-a e intervindo nela sob diversos pontos de vista.

Nesse sentido, a questão do trabalho da professora polivalente se aproxima muito do conceito de educação aportado pelo posicionamento de Freire pois, para além de se pensar na polivalência enquanto a organização do trabalho da professoras dos anos inicias que necessita dominar diversas áreas do conhecimento e responsabilizar-se por desenvolver esses conteúdos junto a seus educandos, a perspectiva da polivalência implica em formação do ser humano na medida em que um único profissional permanece junto a um mesmo grupo de alunos, diariamente, estabelecendo com eles uma relação que, no plano do ideal, deve ser baseada em princípios que estejam voltados para a educação com vistas à emancipação dos seres. Para tanto, o trabalho interdisciplinar faz-se obrigatório pois essa formação humana é constituída de várias dimensões, que solicita um olhar cuidadoso e multirreferencial.

Para além da discussão sobre compromisso político do educador, que necessita estar presente no fazer docente do professor polivalente, pretende-se aqui suscitar a análise de questões sobre a dimensão técnica da prática docente, que se manifesta também nas escolhas das educadoras, mas das escolhas refletidas no trabalho prático com os alunos nos diversos ambientes onde se dá a aprendizagem escolar.

Candau (2011, p.14) afirma que o processo de ensino e aprendizagem é multidimensional e que “para ser adequadamente compreendido precisa ser analisado de tal modo que articule consistentemente as dimensões humana, técnica e político-social”. Essa ideia vem ao encontro das definições e conceitos de Gatti (2008) explicitados anteriormente, que posicionam a perspectiva polivalente do trabalho dos professores e professoras dos cinco anos inicias do ensino fundamental.

Nesse sentido, com foco na didática de sala de aula, Candau (2011) aponta a necessidade da compreensão e da articulação dessas três dimensões, tornando possível organizar o processo de ensino, fundamentada nas ciências que apoiam a educação, como a psicologia, especialmente a psicologia social, a biologia e a sociologia e, igualmente relevante, a filosofia como aportes para as decisões e execução sobre a prática cotidiana dos educadores.

Cabe, então, nesse momento, pensar que a interdisciplinaridade, como uma prática e uma postura em relação ao conhecimento, não pode prescindir da disciplinaridade, posto que necessita das diversas áreas do conhecimento como embasamento para que suscite o entrosamento entre elas e se estabeleçam conexões, reflexões e o diálogo.

Para além da interdisciplinaridade ser compreendida como a interação de duas ou mais disciplinas no sentido de buscar superar a fragmentação do conhecimento, a interdisciplinaridade implica numa nova postura, numa nova atitude da professora polivalente diante da questão do conhecimento, numa profunda relação entre educador e educandos, que obriga o professor a olhar mais acuradamente para seus alunos, para seus colegas, para o conhecimento, e acima de tudo, para o processo que se efetiva diariamente em sua prática docente polivalente.

Em relação ao trabalho docente e as instituições escolares, vale discutir a profissão docente polivalente e buscar compreender todas as variáveis aí envolvidas através da percepção das práticas dos educadores, com toda sua complexidade e identificando as dificuldades existentes no exercício da profissão. É necessário que se compreenda todas as mediações que estão presentes no trabalho da professora polivalente para evitar, assim, reduzir sua ação educativa ou, pior ainda, evitar a culpabilização das educadoras pela má qualidade da educação pública de base.

Para Tardif e Lessard (2005) o trabalho docente é extremamente relevante para a economia na sociedade moderna avançada e se constitui em uma das chaves para a compreensão das transformações atuais das sociedades do trabalho.

Os autores destacam em vários momentos a importância de se refletir sobre o lugar que a docência ocupa e qual o significado da atividade dos professores em relação aos modelos clássicos de trabalho, como o “trabalho industrial produtor de bens materiais como paradigma do trabalho” (TARDIF e LESSARD, 2005, p.16).

Assim, alocam a centralidade da docência na organização do trabalho e posicionam a educação no status de portadora de função estratégica para o desenvolvimento de pessoas e, consequentemente, para o desenvolvimento de uma Nação. Justifica-se, pois, a reflexão sobre os aspectos que permeiam e condicionam o trabalho do professor na sociedade contemporânea.

Mészáros (2005), a propósito dessa discussão, imputa à educação a manutenção da ordem, do controle social e da hegemonia burguesa, na qual a escolarização “é entendida como essencial à conservação das relações sociais capitalistas contemporâneas por conjugar a conformação política e econômica das futuras gerações” (p.89). Haja vista, o conceito de polivalência sendo utilizado no contexto do mundo do trabalho que veio se colocando como base do discurso neoliberal e que tende, ideologicamente, a exigir do trabalhador uma flexibilização funcional capaz de inseri-lo em atividades diversas, através de suas “competências profissionais” variadas que, certamente, ele carrega. Esse discurso carrega

uma carga ideológica enorme no sentido de desqualificar o trabalhador caso ele não tenha desenvolvido todas as habilidades e saberes que o mercado de trabalho dele solicita.

Segundo o parecer nº. 16/1999, das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica, que tange sobre as tais competências multifuncionais solicitadas aos trabalhadores da atualidade, a polivalência é entendida como:

um atributo de um profissional possuidor de competências que lhe permitam superar os limites de uma ocupação ou campo circunscrito de trabalho para transitar para outros campos ou ocupações da mesma área profissional ou de áreas afins. (BRASIL, 1999, p.37)

Assim, o caráter polivalente do trabalhador da contemporaneidade denota a necessidade de adaptação a contextos diversos, gerando eficiência e, finalmente, aumentando a produtividade de um mercado que intenta lucros, ainda que isso represente a desigualdade em última análise. Ou, especialmente isso!

No atual mercado de formação profissional, tanto em nível técnico quanto em termos de formação universitária, dadas as condições precárias do ensino, especialmente da iniciativa privada, exigir essa polivalência dos trabalhadores beira a desumanidade e segue na contramão das finalidades sociais da educação já apontadas nesse estudo.

A polivalência, especialmente entendida como organização do trabalho da professora que atua nos anos inicias do ensino fundamental, aproxima-se muito desta noção de trabalho multifuncional pois, em função de características que serão melhor explicitadas adiante, estão deveras distante de um ensino voltado para o posicionamento crítico baseado nos fundamentos da ciência, das relações humanas e da igualdade.

Em principio, há a necessidade de se considerar que a profissão docente se mostra diferente de tantas outras em função de seu objeto de trabalho: o humano, em processo de humanização e de aprendizagem.

Esta peculiaridade aponta para a necessidade de um olhar cuidadoso sobre os conceitos e as concepções aparentes, e outras nem tanto, mas que se manifestam em seus desdobramentos, tais como: a divisão e especialização do trabalho, a burocracia, o controle administrativo que recai sobre o trabalho de sala de aula, os recursos disponíveis, o tempo de trabalho dos professores, a natureza do conhecimento, as relações interpessoais, os conteúdos a se desenvolver nas aulas, a maneira de apropriação dos objetivos, além de outras questões relevantes que se colocam nessa análise.

Ainda, Tardif e Lessard (2005) apontam que o conceito de cidadania, largamente discutido na modernidade, envolve a possibilidade de os indivíduos tomarem atitudes e fazerem escolhas

que sejam éticas. O conceito de cidadania traz implícito o de instrução: para se alcançar a chamada cidadania, faz-se necessário ter instrução, ou seja, a atividade social intitulada de instrução está intimamente ligada à noção de cidadania, o que impacta diretamente sobre os aspectos da vida coletiva. Essa construção social – a instrução – fica em grande parte sob responsabilidade da educação escolar.

Discutir a profissão docente, considerando que esse profissional é responsável pela instrução dos indivíduos que constroem a sociedade é essencial e urgente. Destaque deve ser feito ao professor polivalente, responsável pela instrução de crianças em primeiro momento de escolarização, o que pode ser definidor, em vários aspectos, do futuro desses educandos e da sociedade.

Assim, o processo de escolarização tem como foco o trabalho dos atores que o realizam no cotidiano: os professores, em sua interação com sua própria atividade, com seus alunos e com os demais atores escolares, considerando, ainda, toda a organização envolvida, observando a docência no âmbito escolar, compreendida como uma forma particular de trabalho sobre o humano, numa necessária interação entre sujeitos e conhecimento.

São várias as questões em pauta: em quais condições o trabalho docente se realiza? Como ele é vivenciado pelos professores polivalentes, especialmente? De que modo alguns aspectos, como divisão do trabalho, tempo e burocracia afetam os professores e seu trabalho? Quais são as pressões sofridas por esses profissionais?

Dentre as várias indagações é possível destacar: quais são os fins do trabalho docente polivalente e de que maneira as professoras se apropriam e desenvolvem os objetivos propostos durante sua prática educativa na perspectiva da polivalência?

Nesta direção, Tardif e Lessard (2005) abordam a questão do trabalho docente indicando que sua atividade é orientada por finalidades e objetivos que emergem dos programas de ensino.

Os programas de ensino constituem o quadro no qual os professores se dedicam. Tal quadro é muito exigente, pois determina horas de ensino, objetivos, aprendizagens, avaliações etc. Por isso, eles pertencem ao mandato dos professores, pois ensinar na escola, naturalmente, é seguir um programa e tentar realizar seus objetivos. Esses quadros impõem, ainda certas ideologias, uma vez que veiculam, bem ou mal, valores pedagógicos, culturais, intelectuais, sociais. (TARDIF, M. e LESSARD, 2005 p.207).

É possível perceber como os docentes se apropriam dos objetivos e quais as consequências e impactos de suas decisões e opções sobre sua própria atividade cotidiana, além da relação de pertencimento com a disciplina que lecionam e com sua própria profissão.

Vale pontuar que, no caso das professoras polivalentes, sua identidade profissional certamente vai além da relação de pertencimento com a disciplina, posto que são responsáveis por ensinar todas as áreas do conhecimento para seus alunos e alunas. A profissionalidade docente das professoras polivalentes é constituída por outros tantos fatores que as ligam a sua atuação e que dão sentido a sua função.

Silva Cruz e Batista Neto (2012), na perspectiva da pedagogia comparada, estabeleceram relações entre os conceitos de polivalência entre as realidades do Brasil, França e Portugal, com base em uma pesquisa brasileira, uma francesa e na experiência portuguesa. Nesse trabalho observaram quais as práticas e as concepções que estão sendo alicerçadas para a efetivação da polivalência nas classes dos anos iniciais do processo de escolarização formal nesses países, pesquisando, inclusive, o sentido do trabalho para seus educadores e educadoras.

A referida pesquisa, que tange sobre a perspectiva polivalente do trabalho dos anos primários,11 comprova que os motivos pessoais que levam as professoras e professores permanecerem trabalhando na perspectiva da polivalência estão ligados à compreensão que têm sobre seu papel de formação humana junto a seus educandos “dando acesso a uma cultura geral e criando motivação ligada a uma quebra de rotina constante”. Os motivos de sua permanência tangem “sobre a avaliação que constroem em relação ao que é positivo para si e para seus alunos”. (SILVA CRUZ; BATISTA NETO, 2012, p.4)

Desse modo, julgamos importante mencionar esse trabalho no sentido de ressaltar o interesse de demais países sobre o mesmo tema, a polivalência, demonstrando, assim, o vasto campo que existe de pesquisa, bem como considerar que em todas as realidades pesquisadas, a questão da polivalência enquanto formação humana, acima de tudo, está presente.

Como todo trabalho humano, a educação possui fins que se manifestam sob variadas formas no decorrer de sua ação: intenções, motivos, programas, planejamentos, objetivos, dentre outros. No contexto das instituições escolares, a questão dos fins educativos está absolutamente ligada à lógica que modela essas organizações, pois envolvem pessoas, sujeitos do ensino e da aprendizagem, além de outros atores que se inter-relacionam direta e cotidianamente, o que demanda negociações, conflitos e tomada de decisão. Os professores trabalham em escolas, as quais perseguem diferentes objetivos e intencionalidades em relação ao processo e aos resultados da escolarização (produto direto do trabalho dos docentes).

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Os programas escolares são estabelecidos, tanto em nível macro quanto no nível de micro planejamento, mas nem sempre esse planejamento conta com a participação direta dos docentes. A esses, cabe a tarefa de executar as políticas, programas e projetos dos quais não participaram em sua elaboração e criação.

Essa realidade aparece fortemente marcada nas falas das professoras polivalentes participantes desta pesquisa: sentem-se, invariavelmente, sobrecarregadas de trabalho, especialmente porque trabalham na perspectiva da polivalência que lhes é imputada, mas para a qual não foram preparadas/instrumentalizadas durante a formação inicial universitária, e isso se agrava quando sentem que têm que adaptar suas atividades pedagógicas cotidianas no sentido de cumprir com o que as políticas e programas oficiais solicitam, muitas vezes sem nenhuma relação com a polivalência real que vivenciam.12 Nos programas, projetos e políticas oficiais, estabelecem-se objetivos que devem ser perseguidos e, mais do que isso, que precisam ser alcançados, pois indicam as metas determinadas pelo próprio estabelecimento escolar e que, em última análise, são de responsabilidade do professor.

No entanto, quando se planeja nem sempre são considerados aspectos importantes e que condicionam toda a ação do professor, como: características dos alunos, tempo da aprendizagem dos diferentes sujeitos, contextos em que a atividade pedagógica ocorrerá, fatores ligados a administração escolar, o tempo disponível, dentre tantos outros fatores que condicionam ou modificam o curso do fazer docente. Ou seja, os objetivos escolares definem uma tarefa coletiva, complexa e temporal com efeitos incertos e ambíguos.

Os fins do trabalho docente podem ser formalmente declarados e apresentados, ou podem nascer no curso da ação, mas, independente disso são, por natureza, temporários e se situam entre a antecipação e a realização. Posto que o objeto de trabalho docente seja o próprio ser humano, os fins mudam com o tempo da ação e na interação com os sujeitos.

Esses mesmos fins também tendem a ir se transformando com a experiência adquirida pelo trabalhador e até com a experiência vivenciada em sua própria formação profissional: conhecimentos adquiridos geralmente modificam as pessoas e, consequentemente, sua própria identidade e sua relação com o trabalho e com os indivíduos. Espera-se, entretanto, que essas mudanças ocorram para melhorar as próprias pessoas e, como consequência, a sociedade em que vivem. Mas, para tanto, somente os conhecimentos significativos e discutidos a partir do que faz sentido para os partícipes do processo, e quando há reflexão crítica sobre o que se vive e o que se aprende, é que as mudanças se operam.

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Silva Cruz (2012) aponta que há uma ambivalência entre a dita polivalência oficial e a polivalência real, tanto na realidade brasileira, quanto se verifica em estudos realizados na França e em Portugal.

Invariavelmente, os fins constituem um modo fundamental de estruturação do trabalho do professor e, no caso da docência, se manifestam por meio dos objetivos de ensino, escolares e de sala de aula. E é nesse ínterim que se dão as relações de socialização e de instrução. Nesse sentido, vale pontuar a aproximação com a teoria dos Saberes Docentes de Tardif, (2005) a qual demonstra que os professores são formados pela união e sinergia de pilares que sustentam e criam seus saberes e sua prática profissional: saberes disciplinares, curriculares, de formações profissionais e experienciais.

A maneira como os educadores se apropriam dos objetivos escolares e o modo como os desenvolve em sala de aula depende em grande parte da maneira como foram formados e pela ótica que enxergam as disciplinas e os currículos.

Sobre a divergência entre os fins do trabalho docente e os objetivos das instituições escolares, convém observar que o nó das relações se estreita quando há divergências entre os objetivos da organização de ensino e os objetivos da docência, pois esses nem sempre estão em sintonia e, por muitas vezes, manifesta-se um descompasso entre os objetivos a serem perseguidos por ambos, o que cria as tensões que afetam e implicam diretamente no trabalho do professor.

Como nem sempre, ou quase nunca, professores são convidados a participar da elaboração dos Projetos Eco-Político-Pedagógicos das unidades escolares onde atuam, segundo fala das professoras participantes, o descompasso entre os objetivos da Instituição e da docência, nesse contexto, é grande e marcante. Ademais, o trabalho dos professores, especialmente das professoras polivalentes que atuam nos cinco anos iniciais do ensino fundamental, é bastante influenciado/mediado por orientações oficias (avaliações externas, índices, programas etc.) que quase nunca são, de fato, apropriadas pelas referidas professoras, causando ainda maior descompasso entre objetivos do ensino e da docência.

Professoras participantes desta pesquisa apontaram que as avaliações oficiais, tais