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Scott (2008 apud KIRSCHBAUM; CRUBELLATE, 2009, p. 109) assevera que a teoria neo-institucional enfim alcançou sua maioridade, refletida em aspectos como

a maior coerência do conceito de instituições nos estudos neo-institucionalistas recentes; a mudança de explicações dos fenômenos como produto de mecanismos deterministas em prol de explicações que incluem a capacidade de agência das organizações em relação ao ambiente institucional; o foco no campo como nível analítico, em contraste com a ênfase no nível organizacional; ênfase na mudança institucional, em comparação com a concepção de estruturas estáticas; e a mudança de entendimento das instituições como contraponto à racionalidade instrumental, para a sua concepção enquanto pano de fundo para a ação racional

Outros autores, como Peci (2006), discordam desta posição, pois entendem que o neo- institucionalismo é uma corrente sem comprometimento com aspectos teóricos e empíricos dos processos de mudança e transformação organizacional e institucional, chegando ao ponto de negarem a esta corrente teórica o qualificativo de escola.

De certo, tem-se que à teoria neo-institucional são imputadas contribuições teóricas relevantes.

A burocracia, na visão dessa teoria, é responsável pela gradual transformação das instituições políticas, sociais e econômicas. Na proporção de seu crescimento, adquire maior parcela de poder, complexidade e eficácia. March e Olsen (1993, p. 2 apud CARVALHO; VIEIRA; GOULART, 2005a, p. 8) afirmam que “a maioria dos principais agentes nos modernos sistemas políticos e econômicos são organizações formais, e as instituições legais e burocráticas desempenham um papel dominante na vida contemporânea”.

Essa visão coaduna com aquela de Max Weber, o qual assevera ser a burocracia o tipo de sistema social dominante nas sociedades modernas. Para ele, mais que um sistema social, a organização burocrática é um sistema de dominação, um instrumento ideológico (MOTTA; PEREIRA, 1980) e, por isso mesmo, impregnado de elementos simbólicos.

Quando o motor da racionalização e de burocratização sofre modificações em sua origem, do mercado para o Estado e as organizações burocráticas, a concorrência por recursos

e clientes é complementada (não eliminada) pela concorrência por legitimidade institucional e aceitação do ambiente.

Neste sentido, a distinção entre ambiente técnico e institucional foi seminal, pois adicionou nova perspectiva à análise das organizações. Em conjunto com uma produção eficiente (ambiente técnico), a organização necessita da legitimidade dos principais interessados (ambiente institucional). Desta forma, as empresas só funcionam bem quando percebidas pelo ambiente como tendo o direito legítimo de existir (DAFT, 2006).

A perspectiva institucional, ao propor uma visão dupla do ambiente, traz em seu bojo duas formas de observar os fatores que produzem e mantêm a estrutura organizacional: (a) a estrutura organizacional é criada em resposta às pressões ambientais, sendo que estas pressões variam de acordo com o ambiente; e (b) o ambiente se estende além do fluxo de recursos e energia, sendo formado também por sistemas culturais que definem e legitimam a estrutura organizacional, assegurando sua criação e manutenção (PACHECO, 2001).

Visto desta forma, a sobrevivência organizacional, em certos casos, passa a depender muito mais das demandas do ambiente institucional, passando ao largo da eficiência. Por isso, muitas decisões são tomadas à semelhança de outras organizações do mesmo campo institucional, acarretando homogeneização em estruturas e processos (PACHECO, 2001).

Como salientado por Carvalho, Vieira e Lopes (1999, p. 11), “as estruturas formais das organizações parecem surgir como reflexos de valores e normas institucionais num processo; a pressão do ambiente institucional posiciona-se numa atitude isomórfica”.

O resultado é um determinismo ambiental, pois as organizações adotam estruturas semelhantes mesmo defronte a localidades e aspectos estruturais diferentes. As formas estruturais refletem a busca de estabilidade e legitimidade em face do ambiente (CARVALHO; VIEIRA; GOULART, 2005a). A semelhança estrutural resulta de uma procura de soluções para problemas cujas soluções próprias sejam inviáveis (CARVALHO; 2000).

Diante do exposto, a teoria neo-institucional é uma posição intermediária entre as orientações determinista e voluntarista da ação organizacional (MACHADO-DA-SILVA; FONSECA; CRUBELLATE, 2005).

Contudo, nem tudo são flores. Tendo em vista o fenômeno pesquisado, torna-se essencial o resgate de algumas deficiências metodológicas e conceituais imputadas pela literatura especializada ao neo-institucionalismo.

O primeiro aspecto que vem merecendo críticas recorrentes é o que Oliver (1991, p. 146 apud ZUCKER; TOLBERT, 2004, p. 202) descreve como “descrição abertamente

passiva e conformista das organizações”. Como visto, a abordagem institucional mantém elevada preocupação pela forma como os atores acabam sendo condicionados pelas exigências e convenções institucionais vigentes, mas acaba sendo negligente no que toca à explicação de como tais exigências e condições emergem, são mantidas e modificadas (ZUCKER; TOLBERT, 2004).

Peci (2006), nesta direção, afirma que o neo-institucionalismo considera as instituições um elemento fornecido e que, conseqüentemente, atribui pouca ou nenhuma importância à compreensão dos processos de institucionalização. Não há questionamentos acerca dos motivos de certas práticas institucionalizarem-se e outras não.

Uma segunda crítica é atribuída à conceitualização de campo organizacional, que privilegia interações e fluxos internos em detrimento das relações do campo (ou das organizações do campo) com atores externos. Para Mariz (2009), tal entendimento pode contribuir para a criação de um antolho, visto que obstrui a análise de campo que se estende por ambientes institucionais diferentes. Ademais, pode mesmo restringir as perspectivas de aplicação empírica do conceito, ao impor limites à definição das fronteiras de um campo organização

Uma terceira crítica recorre sobre a subvalorização da variável poder nos estudos neo- institucionais. Na visão de Peci (2006), tal fato pode refletir uma posição premeditada, visto que o interesse é manter a predominância do status quo nos estudos desta teoria.

A última crítica tem sua raison d’être na lacuna existente entre a aparente inovação de

algumas idéias teóricas do neo-institucionalismo e o tradicionalismo de seu programa empírico, apoiado em grande parte no estudo do isomorfismo estrutural (ZUCKER; TOLBERT, 2004). Como afirma Hall (2004), quando para as características estruturais não são concebidas explicações satisfatórias de outro modo, recai-se na análise das forças institucionais e seu potencial caráter de homogeneização.