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THE LAW

A. Damage

O termo “característica de qualidade” pode ser definido como fator, elemento ou medida que define e diferencia processo, função, produto, serviço ou outra entidade (ASQ,

2017). Na garantia e no controle da qualidade, medições e medidas são relevantes. Medições podem ser realizadas sobre produto, processo, recurso (item usado por processo) (BASILI; CALDIERA; ROMBACH, 1994). O termo medição pode ser definido como processo de comparação quantitativa entre resultados e requisitos (ASQ,2017).Archer e Stinson(1995) definem medida como valor numérico calculado a partir de dados de entrada e observam que o termo métrica é usado em certos contextos. Segundo ASQ (2017), métrica é padrão para medição. Para ISO (2010), métrica é medida quantitativa do grau com o qual um

sistema, componente, ou processo possui um dado atributo. Por fim, em PMI (2013), o termo “métrica de qualidade” é definido como “descrição de atributo de projeto ou de produto e como o medir”.

Archer e Stinson (1995) relacionam as seguintes características como relevantes para que medidas sejam úteis: medida é robusta (o cálculo da medida poder ser repetido e o resultado não é sensível a pequenas mudanças no ambiente, ferramenta ou observador); medida é precisa; processo de coleta de dados para medida é objetivo; escala para realizar comparações entre medidas de mesmo tipo; e medida é significativa. Archer e Stinson

(1995) também sugerem que existem situações nas quais é necessário um grupo de medidas para caracterizar aquilo que é medido. Orr (1979) relaciona os seguintes critérios a serem considerados na decisão sobre adequação de determinada medida a uma aplicação e sobre determinada medida ser preferível a outras medidas: adequação, informatividade, validade, reprodutibilidade, comparabilidade e praticidade.

8.5.1

Goal Question Metrics

Existem métodos que podem ser usados no planejamento de medições, por exemplo, o método Goal Question Metrics (GQM), descrito em Basili, Caldiera e Rombach(1994) e

Solingen e Berghout (1999). Segundo esse método, para que uma medida tenha propósito, é necessário definir os objetivos a alcançar. O GQM engloba os níveis conceitual (objetivo), operacional (questão) e quantitativo. O GQM inclui atividades responsáveis por identificar objetivos, elaborar questões que definam objetivos de medições e especificar medições. A figura 29 apresenta elementos do GQM. Para cada objetivo, é registrada a seguinte informação: questão, objeto (produto, processo, recurso), ponto de vista e propósito. Essa informação pode ser registrada em formulário que apresente estrutura similar àquela no quadro 8. Figura 29 – Elementos do GQM QUESTÃO MÉTRICA MÉTRICA OBJETIVO QUESTÃO MÉTRICA MÉTRICA

Quadro 8 – Exemplo de formulário

Analisar Vocabulário controlado Para o propósito de Medição

Com respeito à Estrutura Do ponto de vista do Pesquisador

No contexto de Pesquisa sobre qualidade de vocabulário controlado

Fonte: Adaptado de Basili, Caldiera e Rombach(1994)

8.5.2

Características e medidas de qualidade da informação

Em Arouck (2011), Lee et al. (2002), Miller (1996) e Wand e Wang (1996), são propostas definições de dimensões e características de qualidade da informação. No quadro9, são apresentados termos que designam diversas características de qualidade da informação. Com o objetivo de minimizar mal-entendidos, nesse quadro, são apresentados os termos em inglês e português. Os termos nesse quadro foram identificados em Wand e Wang

(1996) e a tradução segue Arouck(2011) ou fontes sobre o tema qualidade.Eppler e Wittig

(2000) relacionam dimensões e características de qualidade da informação identificadas em arcabouços de qualidade (quality framework). Segundo Wand e Wang (1996), não há consenso sobre o conjunto de características de qualidade da informação e de quais são as definições mais apropriadas para essas características. Wang, Pierce e Madnick (2014) consideram que, embora existam diversas definições para características de qualidade da informação, existem dificuldades para se obter definições rigorosas. Miller (1996) observam que as características de qualidade da informação dependem das perspectivas dos usuários e que os usuários mudam suas necessidades de qualidade da informação com o passar do tempo. Por fim, vale destacar que, além do termo “característica de qualidade”, os termos “dimensão de qualidade” e “critério de qualidade” são usados em algumas fontes sobre

qualidade da informação.

Quadro 9 – Características de qualidade da informação

TERMOS EM INGLÊS TERMOS EM PORTUGUÊS TERMOS EM INGLÊS TERMOS EM PORTUGUÊS

Accuracy Acurácia Level of detail Pormenorização

Comparability Comparabilidade Precision Precisão

Completeness Completude Quantitativeness Mensurabilidade

Conciseness Concisão Relevance Relevância

Consistency Coerência Reliability Confiabilidade

Currency Atualidade Scope Escopo

Flexibility Flexibilidade Timeliness Oportunidade

Freedom from bias Livre de preconceitos Understandability Compreensibilidade Informativeness Valor informativo

Em fontes de informação onde são propostas definições de características de qua- lidade da informação, as características são frequentemente agrupadas em classes. Em algumas fontes, o termo “dimensão de qualidade” designa classe de características relacio- nadas. Em Wang e Strong (1996) é proposto arcabouço onde características de qualidade da informação são agrupadas nas seguintes classes: intrínseca, contextual, representacional e acessibilidade. A classe intrínseca engloba características de qualidade que dependem da própria informação. A classe contextual engloba características de qualidade que dependem de aspectos como preferências de usuários. A classe representacional engloba características relacionadas à representação da informação. A classe acessibilidade engloba características relacionadas ao acesso à informação. Em Stvilia et al.(2007), é proposto arcabouço onde as características de qualidade da informação são agrupadas nas classes intrínseca, relacio- nal/contextual e reputacional. Em Wand e Wang (1996), as características de qualidade são intrínsecas à informação ou relacionadas ao sistema de informação. Segundo Naumann e Rolker (2000), a qualidade da informação depende da percepção do usuário, da própria informação e do processo de acesso à informação. Existem características de qualidade que são determinadas por usuários, pois dependem de suas experiências. Essas características são classificadas como critério de sujeito, por exemplo, compreensibilidade. Por sua vez, existem características de qualidade que são determinadas por análise da informação. Essas características são classificadas como critério de objeto, por exemplo, completude. Finalmente, existem características de qualidade que são determinadas por processo de acesso à informação. Nessa fonte, essas características são classificadas como critério de processo, por exemplo, disponibilidade e tempo de resposta.

Na literatura, existem diversas propostas de medidas de qualidade da informação. No arcabouço descrito em Stvilia et al.(2007), são propostas medidas como número de instâncias com diferentes formatos de um mesmo elemento. Wang, Pierce e Madnick(2014) observam que medir qualidade da informação não é simples. Uma vez que qualidade da informação tem natureza multidimensional, geralmente são necessárias diversas medidas para se caracterizar a qualidade da informação. Finalmente, Naumann e Rolker (2000) relacionam os seguintes aspectos a serem considerados na atribuição de valores a caracte- rísticas de qualidade da informação: precisão, praticidade, unidade de medida e faixa de medida (range).

8.5.3

Características e medidas de qualidade de modelo conceitual

As características e medidas de qualidade de modelo conceitual variam entre domí- nios de aplicação, assim como variam entre tipos de modelos conceituais. Por exemplo, no contexto de modelos conceituais de software, são propostas diversas características e medidas de qualidade. Em Piattini et al. (2005), são propostas medidas de qualidade de completude de modelo conceitual, caso de uso (use case), diagrama de classe e dia-

grama de estado representados na linguagem de modelagem UML, modelos conceituais de

datawharehouse e modelos de processos de software.

8.5.4

Características e medidas de qualidade de vocabulário controlado

Existem diversas propostas de características de qualidade de vocabulário contro- lado. Algumas características de qualidade dependem da percepção do usuário. Outras são inerentes à informação. Algumas características de qualidade propostas podem ser medidas independentemente do uso do vocabulário controlado. Outras dependem do contexto de uso (NEUHAUS et al., 2013). Sobre vocabulário controlado estruturado como tesauro, Kless e Milton (2010) relacionam as seguintes características de qualidade: pureza conceitual, exaustividade conceitual, exaustividade de ponto de vista, especificidade, ausência de redundância conceitual, clareza conceitual, nível de pré-coordenação, comprimento de representação de conceito, exaustividade terminológica, ausência de redundâncias termino- lógicas, correção sintática, correção estrutural, completeza estrutural, pureza estrutural, navegabilidade, comprimento de trajeto até conceitos, profundidade de navegação, comple- teza de documentação, qualidade de documentação, complexidade e consistência. Por fim,

Pinto (2008) constatou a importância dos seguintes fatores na qualidade de vocabulário controlado estruturado como tesauro: arcabouço conceitual, desempenho (performance), formato e sistema de auxílio.

Sobre vocabulário controlado estruturado como ontologia, emStvilia(2007), são rela- cionadas as seguintes características de qualidade: acurácia/validade, coesão, complexidade, consistência semântica, consistência estrutural, atualidade, redundância, naturalidade, precisão/completude, verificabilidade, volatilidade e autoridade. Apesar de destacarem que a variedade de possíveis usos de ontologias faz com que não exista uma lista única de características, Neuhaus et al.(2013) relacionam as seguintes características: inteligibili- dade, fidelidade, craftmanship, fitness e implantabilidade. A essas características, associam perguntas que questionam entendimento correto da ontologia por seres humanos, acurácia da representação do domínio, boa construção da ontologia, consistência da construção em relação a desenho (design), atendimento da representação do domínio a requisitos de uso e atendimento da ontologia implantada a requisitos do sistema de informação do qual ela é parte. Por fim, o quadro 10 contém termos que designam características de qualidade de vocabulários controlados e referências para as fontes onde foram identificados. Com o objetivo de minimizar mal-entendidos, nesse quadro, os termos que designam as características de qualidade foram mantidos no idioma adotado nas fontes referenciadas. As características de qualidade em Duque-Ramos et al. (2013) são descritas em Breis, Duque-Ramos e Martinez (2016). O quadro 11 contém traduções de inglês para português dos termos que designam as características. Essas traduções seguem Arouck (2011) ou fontes sobre qualidade.

Assim como existem diversas características de qualidade de vocabulário controlado, também existem diversas propostas de medidas para caracterização da qualidade de vocabulário controlado. Em Martínez et al. (2011), são descritas medidas de qualidade de vocabulário controlado estruturado como tesauro. Essas medidas foram definidas levando-se em consideração normas sobre sistemas de organização do conhecimento e de teoria da classificação da informação. As medidas propostas são: percentual de termos preferidos que designam mais de um conceito, percentual de termos preferidos que carecem de relações hierárquicas, percentual de termos preferidos com dois ou mais termos genéricos, percentual de termos preferidos com um só termo específico. Sobre medidas de qualidade de vocabulário controlado estruturado como ontologia, além de diversas propostas, existem diversas ferramentas para medição da qualidade de ontologias (LANTOW, 2016).