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8 Analyse

8.1 Basert på teori av Hellesnes

8.1.3 Daglige verden og faglige verden

Para Bogdan & Biklen (1994), “uma entrevista consiste numa conversa intencional, (...) com a finalidade de recolher dados descritivos na linguagem do próprio sujeito” (BOGDAN & BIKLEN, 1994, p. 134). Os autores destacam a naturalidade com que essa ferramenta deve ser utilizada, semelhante a uma conversa entre amigos, embora sem perder o foco nas informações que se queira apurar.

É necessário, portanto, ter um plano de ação consistente, que englobe um roteiro de perguntas capazes de revelar as respostas que se busque enquanto pesquisadores. Ao mesmo tempo, tal roteiro precisa ser flexível, capaz de se adaptar às experiências e histórias dos entrevistados, bem como aos imprevistos. Este é o caráter de uma entrevista que podemos chamar de semi-estruturada. Em outras palavras, ela parte de certos questionamentos elaborados pelo pesquisador, mas, a partir dos retornos e comentários do participante, é reelaborada objetivando maiores esclarecimentos quanto ao assunto.

No presente trabalho, as entrevistas semi-estruturadas foram adotadas com a intenção de se investigar quais concepções e fundamentos norteavam as práticas pedagógico-musicais dos professores participantes, além de, como exposto anteriormente, nortear as observações.

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We interview people to find out from them those things we cannot directly observe… We cannot observe feelings, thoughts, and intentions. We cannot observe behaviors that look place at some previous point in time. We cannot observe situations that preclude the presence of an observer. We cannot observe how people have organized the world and the meanings they attach to what goes on in the world. We have to ask people questions about those things. The purpose of interviewing, then, is to allow us to enter into the other person’s perspective. (PATTON, 1990, p. 196 apud MERRIAN, 1998, p. 72).

Para tanto, as perguntas foram elaboradas em quatro temas amplos, excluindo os dados pessoais que envolviam questões quanto à formação acadêmica, especificidades do trabalho, como carga horária semanal e número de alunos por turma. Além disso, algumas perguntas foram direcionadas para o tema da pesquisa, levantando informações sobre os objetivos do ensino musical na escola de Educação Básica, concepções quanto ao planejamento e à prática pedagógico-musical, aos conteúdos e metodologias adotadas, dentre outras.

A primeira parte da entrevista teve como tema a formação musical inicial dos professores, ou seja, aquela que antecede a entrada na universidade. Nesse tópico, procurei investigar como foi a inserção desses no universo musical, quais suas influências para o aprendizado de um instrumento, por exemplo, e as características e detalhes dessa experiência. Indiretamente, as perguntas visavam a averiguar que saberes fizeram parte da formação musical inicial dos professores para, em outro momento, traçar paralelos entre tal experiência e a prática docente atual.

Fale sobre sua experiência inicial com a música. Você recebeu influências familiares, de amigos, midiátias, de algum professor, ou outras, para iniciar seus estudos?

Figura 2. Exemplo de pergunta da primeira parte da entrevista.

Na segunda parte da entrevista, direcionei as questões para a formação profissional dos sujeitos, visando a levantar dados que fundamentassem as escolhas profissionais desses. Uma constatação, ainda que preliminar, indicou que todos os participantes procuraram a universidade para uma formação performática-musical, ou seja, para aperfeiçoamento no seu instrumento particular e não propriamente com o intuito de se tornarem professores. Compreender como o campo da docência foi se clarificando na formação acadêmica desses professores foi possível graças a perguntas que envolveram as experiências de estágio e o envolvimento nas disciplinas da área educacional. Esta parte da entrevista também permitiu conhecer um pouco sobre a estrutura do curso de Licenciatura em Música, uma vez que todos os participantes da pesquisa frequentaram a mesma instituição de ensino, em períodos diferentes.

Fale sobre o motivo que o levou a cursar Licenciatura em Música. Quais expectativas você almejava do curso? Elas foram satisfeitas?

Comente sobre a estrutura curricular do seu curso. Quais disciplinas você considera mais importantes para sua formação?

Você participa ou já participou de alguma experiência no campo educacional, como Estágio ou similar, durante sua formação acadêmica? Como foi essa experiência?

Figura 3: Exemplo de perguntas da segunda parte da entrevista.

A terceira sessão da entrevista apresentou algumas questões sobre o ensino da música na escola. Essas objetivaram situar as concepções dos professores quanto ao espaço da música no currículo, bem como a relação que a comunidade escolar estabelece com a disciplina e com o professor. Esses questionamentos geraram dados relevantes para se pensar o ensino musical em um nível global, ou seja, considerando a municipalidade do programa de música nas escolas de Itabirito.

Em sua opinião, a música deveria ou não fazer parte do currículo escolar? Por quê? Como você vê a concepção da escola (direção, funcionários, professores regentes) sobre a aula de música na escola?

Em sua opinião, quais são os objetivos do ensino musical na escola? Figura 4: Exemplo de perguntas da quarta parte da entrevista.

Finalmente, a última parte da entrevista foi direcionada para a experiência docente dos participantes propriamente. As perguntas evidenciaram a prática pedagógico-musical dos professores, suas concepções sobre planejamento, conteúdos e atividades adotadas, bem como seu ambiente de trabalho e a problemática da carreira docente, lançando luz sobre como esses projetavam suas ações em sala de aula. Como exposto anteriormente, essa seção procurou estabelecer alguma referência para as observações que seriam realizadas em seguida, auxiliando nas interpretações.

Como foi sua introdução na carreira docente? Qual sua maior motivação para se tornar um professor de música?

Quais os referenciais didáticos e pedagógicos você utiliza em sua prática?

Você tem contato com outros professores ou outros profissionais da educação musical? Caso sim, existe uma troca de experiência e/ou materiais entre vocês?

Você poderia elencar algumas dificuldades de sua profissão?

Como é realizado o planejamento de suas aulas? Que princípios você busca para esse planejamento?

Figura 5: Exemplo de perguntas da terceira parte da entrevista.

Todas as entrevistas foram realizadas na cidade de Itabirito, em horários estabelecidos de acordo com a disponibilidade de cada participante e em locais também definidos por eles. Elas foram realizadas entre os meses de Agosto e Outubro de 2013. Com o intuito de facilitar a transcrição, todas as entrevistas foram gravadas. A seguir, apresento um quadro representativo do cronograma das entrevistas:

Dia da Entrevista Local da Entrevista Duração da Entrevista

Antônio 26/08/2013 Biblioteca Pública 77 minutos

Liddy 12/09/2013 Biblioteca da Escola 61 minutos

Heitor 28/10/2013 Lanchonete Café 58 minutos