• No results found

D YNAMISK STYRING

4 EMPIRI

4.11 D YNAMISK STYRING

No meio antrópico apreende-se a sociedade e sua relação estruturada ao longo do tempo, do espaço e com o meio ambiente. O instrumento de transformação apoderado pela coletividade, neste contexto é a ação coletiva em suas diversas formas, que a democracia favorece e propicia.

Giddens ajuda nesta apreensão, quando nos dá sua teoria da estruturação, que tem em vista articular as dimensões da ação social e da estrutura ou, em outros termos, articular indivíduo e sociedade, apresentando a reflexividade20 como uma chave para as questões sociais. Neste contexto, Giddens (1991) afirma que, estes agentes são responsáveis pelas mudanças contínuas destas estruturas, ao longo do tempo e

20 A reflexividade da vida social moderna consiste no fato de que as práticas sociais são constantemente examinadas e reformadas à luz da informação renovada sobre estas próprias praticas, alterando, assim, constitutivamente seu caráter, em Conseqüências da Modernidade. GIDDENS (1991, P. 45).

do espaço, da mesma forma que eles também se deixam tocar e modificar-se por elas.

Giddens (2003) propõe como pontos importantes e relevantes as dimensões do espaço e do tempo. A estrutura tem relação invariável no espaço e no tempo, e apresenta um espaço para a ação do sujeito. Ele defende que esta dualidade ação- estrutura é que dá à sociedade moderna o seu dinamismo; é um processo onde ela se estrutura ao longo do tempo e do espaço. Na relação entre a estrutura da sociedade e a ação do sujeito individual ou coletivo, pode-se identificar que a estrutura não persiste independente de suas atividades regulares e não é totalmente independente das ações dos atores sociais que a compõem em sua coletividade. A dualidade a que ele se refere tem considerável duração, no espaço e no tempo.

A partir de Giddens (2003), Asensi (2006) destaca que indivíduos agem coletivamente no sentido de modificar os padrões existentes, remetendo à força ontológica21.

Esta noção diz respeito ao fato do indivíduo, enquanto membro de uma coletividade, ter capacidade de transformar através de sua ação as coisas, atuando reflexivamente em uma estrutura. Em outras palavras, esta noção procura dar conta do grau de interferência do indivíduo nas transformações sociais. A ação coletiva seria uma forma de reforçar a capacidade transformadora do indivíduo, desde que consiga agir em coletividade.

Brasil (2004) aborda alguns conceitos pertinentes ao contexto das políticas urbanas. Entre eles, a noção de territorialidade, território e espaço social. Ela cita alguns autores para explicá-los.

21 (...) Sociologicamente, podemos destacar duas esferas de atuação dos indivíduos: institucionalmente ou particularmente. A primeira é aquela que acontece, em geral, em contextos de ausência, na qual os indivíduos agem em consonância com os sistemas abstratos. A segunda é aquela que acontece, em geral, no dia-a-dia e em contextos de co- presença, na qual os indivíduos agem diretamente no meio social. O que se procura evidenciar é que, na dimensão institucional, o sujeito carece de força ontológica, ao passo que na dimensão particular isto não acontece. Ou seja, ao interagir em sistemas abstratos, o sujeito singular não tem a capacidade de transformação suficiente para influenciar estes sistemas por si só, de modo que seria somente por intermédio de uma ação coletiva igualmente motivada que ele realizaria as transformações desejadas. A ação coletiva, desta forma, seria a maneira pela qual o individuo se faz presente nos sistemas abstratos, reforçando a sua capacidade transformadora desde que consiga agir em coletividade. Na dimensão particular, por sua vez, o indivíduo em sua singularidade tem a possibilidade de transformar o meio em sua volta sem o intermédio de uma esfera coletiva. (...). Portanto, na teoria da estruturação, a categoria de força ontológica se faz presente implicitamente, regendo as relações da coletividade e a sua atuação reflexiva. ASENSI, Felipe Dutra, Teoria da estruturação e ação coletiva: Uma exegese sobre a obra de Anthony Giddens, 2006. <http://www.duplipensar.net/artigos/2006-Q2/anthony-giddens- teoria-da-

Boaventura de Sousa Santos (2000, p. 263) define o espaço social como sendo o espaço socialmente construído e de relações sociais espacialmente construídas. Souza Santos entende que a sociedade contemporânea está estruturada a partir do espaço da comunidade22, fundada na vizinhança e nas organizações de base; tais lugares retratam estruturas de unidades e práticas espaciais; relações sociais autônomas de origens e destinos comuns.

O autor considera que o espaço da comunidade,

... se baseia na idéia de território físico e simbólico, como um espaço estrutural autônomo. É consensual a idéia de que o Estado moderno – uma entidade hiper-territorial – ao reivindicar o controle exclusivo sobre um determinado território produziu a fusão do espaço da comunidade, com o espaço da cidadania. Tendo em conta especificamente os processos históricos de formação do Estado na maioria das sociedades periféricas, sustento, em alternativa, que o espaço da comunidade se manteve como lugar autônomo de relações sociais, irredutível às relações sociais aglomerados em torno do espaço de cidadania (SANTOS, 2000, p. 276).

Baseando-se nas considerações de Flávia Duque Brasil (2004) sobre os vínculos entre territórios, percebe-se que as segregações sócio-espaciais e a exclusão podem gerar mais problemas quando as condições internas e externas de moradias representam uma visão negativa para os moradores. Considerando-se sob o ponto de vista de vizinhanças, em relação às demais áreas das cidades, esta visão gera a estigmatização e a desqualificação dos moradores, aumenta a exclusão social e caracteriza bolsões de privação. As vizinhanças têm características particulares específicas tais como: localização, acessos aos serviços, bases sócio-econômicas, equipamentos urbanos e padrão habitacional que vão impactar opiniões, comportamentos, atitudes e reduzir oportunidades. Diante da imagem negativa e de precariedade, a área apresentará aos olhos da população uma reputação duvidosa que gerará degradação urbano-ambiental e sócio-espacial.

A Vila em questão tem características que se enquadram na descrição acima. Inserida em um meio social de classe média alta, apresenta-se neste contexto, como área espacial de exclusão, risco e degradação da paisagem urbana.

A inclusão social de camadas populacionais marginalizadas por meio da geração de emprego, capacitação e empreendedorismo é uma maneira de elevar o nível de oportunidades destas comunidades, amenizando a desigualdade social e econômica. Esta iniciativa será abordada ao se tratar da capacitação de multiplicadores, em ações da aplicação das argamassas como instrumento de revitalização das residências.

22 O espaço da comunidade como constituído pelas relações sociais desenvolvidas em torno da produção e reprodução dos territórios físicos e simbólicos, de identidade e identificações com referências as origens e destinos comuns. SANTOS (2000, p.263).

As oportunidades são limitadas: a Vila carrega um estigma de periculosidade, desemprego e subempregos, adensamentos irregulares, crianças e jovens sem espaço de lazer e becos de acesso estreitos, no lugar de ruas (FIG. 13).

FIGURA 13: Espaço comum, com becos de acesso ligando pontos do interior da Vila Paquetá e a rua de principal acesso. O largo representa o único espaço de lazer das crianças

FONTE: Fotos da autora, 2010.

Dados quantitativos das características sócio-econômicas da população foram coletados no Plano Global da Vila Paquetá (2007). Sua população é considerada majoritariamente jovem, ou seja, 54,7% da amostra tinham idade entre 0 e 25 anos. De acordo com as informações do Gráfico 1, verificou- se que a população em idade ativa (de 18 a 65 anos) da Vila Paquetá representou 59,2% da amostra. Todavia, também é significativo o percentual de pessoas que tinham idade inferior a 17 anos (37%).

Com relação aos aspectos sócio-econômicos, a situação na Vila Paquetá é preocupante. Segundo os dados da Pesquisa Amostral, 55,7% das famílias têm uma renda mensal de até 2 salários mínimos. Quando se consideram os moradores, 50% deles não possuem renda e, dentre estes, 22,9% são chefes de família, o que torna ainda mais grave a fragilidade econômica observada. Uma vez que os baixos rendimentos e o desemprego têm uma relação direta com o baixo nível educacional e com a falta de qualificação profissional, há que se pensar na indicação de cursos profissionalizantes e implementação de políticas públicas que facilitem a inserção produtiva dessa comunidade. (URBEL, 2007).

Quanto à necessidade de aumento da oferta de empregos para a melhoria da qualidade de vida dessa comunidade, a solução é bastante complexa e depende de

vários fatores; um deles é o despreparo dos moradores da Vila, tanto com relação à formação educacional, quanto à profissionalizante. Diante do mercado de trabalho cada vez mais exigente, a oferta de mão-de-obra de seus habitantes encontra-se desqualificada para a demanda de emprego, dificultando a inserção dos mesmos ao mercado de trabalho.

A organização da comunidade, através de lideranças locais, é essencial na busca de apoios junto ao Poder Público, nas implementações de ações que possam gerar renda à comunidade e também, nas lutas pela implementação das obras e demais ações previstas pelo PGE, por meio do Orçamento Participativo. Além do Orçamento Participativo, a comunidade deverá buscar outras possibilidades de captação de recursos junto ao Poder Público, como parcerias (URBEL e Regional Pampulha). A Vila Paquetá está assim organizada: ela possui representantes escolhidos, pela comunidade que constituem a Associação dos Moradores. Estes são representantes legítimos reconhecidos pela Regional, da qual fazem parte. A função da Associação dos Moradores Local está em atender todas as ações e reivindicações expressas por meio da Comunidade Local. A Gerência de Risco é a parceira e mediadora nas dificuldades e soluções da comunidade, junto à Regional, no caso de desabamentos, deslocamentos e assentamentos de algum dos moradores da vila.