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D UAL AUTHORSHIP

In document ‘My lines and life’ (sider 36-40)

1. POSITIONING AUTHORITY

1.4 D UAL AUTHORSHIP

No estudo, daquilo a que decidimos designar como Dinâmica Organizativa do Debate, tínhamos intenção de abordar um vasto domínio que passa fundamentalmente por dois importantes vetores. Por um lado, estudar e analisar o modo como se processa a comunicação

interna e externa de cada Organização. Por outro lado, mapear ideológica e politicamente as Organizações e seus ativistas.

O exercício analítico aqui esboçado, passou pela colocação de uma questão prévia, para cada vetor. Assim, começámos por nos interrogar: qual o tipo de comunicação dominante nas Organizações e suas páginas de Facebook? Ora, tivemos oportunidade de apontar os constrangimentos e os desafios à circulação da informação e estabelecimento de um profícuo fluxo comunicacional.

É nesta linha de raciocínio, que pudemos apurar que é recorrente o uso da mailing list no seio das diferentes Organizações, pese embora o facto de este mecanismo ser maioritariamente considerado como um “mau” meio de comunicação interna e que inclusive, contribui de forma relevante para a própria ineficiência e afastamento de membros do seio da Organização.

Outras alternativas formam e estão a ser ensaiadas, nomeadamente experiências com o Google Groups, sendo é dito por vários ativistas, que o N-1 é um software mais-valia, ainda que seja lento. Olhando agora para os dados da análise de conteúdo, mais propriamente da 2ª dimensão, temos oportunidade de observar, um forte défice de interatividade da Organização com os seus seguidores. Ou melhor, após um primeiro fluxo de cima para baixo (Organização – Seguidores) verificamos que há um vazio em termos de feedback. Olhemos para o gráfico 8.

São escassos, desde logo os meios alternativos de estabelecimento de comunicação, como são os casos de sites, blogs ou endereço postal. Uma outra ferramenta e que se assume como uma idiossincrasia do Facebook, enquanto ferramenta e artefacto tecnológico, passa pela existência, uso e atualização do “Bloco de Notas”. O que se verificou na generalidade foi

ainda que existissem enquanto espaço, estavam quase sempre desatualizados e sem grande participação dos ativistas em nome da Organização.

Num terceiro indicador, procurámos aferir da qualidade do enquadramento feito aos vários posts de cada Organização. O que transparece é claramente, algum cuidado no que se pública e o tratamento que lhe é dado, basta olhar para as barras verdes, havendo quatro Organizações com avaliação máxima e uma outra perto. Nos dois últimos indicadores em que verdadeiramente fica patente é a tendência de verticalização dos fluxos comunicacionais, sobretudo no plano exterior. Nenhuma Organização atinge a pontuação máxima e apenas uma (Democracia e Dívida) obtém o segundo patamar de 16 pontos.

Finalmente no ponto 2.5 ensaiámos um possível interesse em particular num qualquer evento que estivesse agendado para o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades. Com esta questão tivemos oportunidade de aferir, que apenas quatro das oito Organizações responderam dentro do estipulado, obtendo assim pontuação máxima.

O gráfico 8 tem ainda a pertinência de nos remeter para uma outra perspetiva que é assumida a partir dos totais das avaliações, onde se destaca com 74 pontos a Organização Democracia e Dívida, como aquela que melhor e mais promove um tipo de comunicação horizontal, numa clara assunção dos princípios teóricos já enunciados do paradigma republicano e deliberativo. Num segundo patamar, surgem: 15 Outubro com 66 pontos, RiseUp Portugal com 64 e Indignados Lisboa com 60.

Deste modo, ensaiando uma resposta à questão inicialmente levantada nesta subsecção, termos de corroborar apenas parcialmente a hipótese: as Organizações em análise colocam em prática predominantemente um tipo de comunicação horizontal tanto a nível interno, como na respetiva página de Facebook. Dizemos parcialmente, porque se a nível interno é possível, que na generalidade das Organizações haja abertura e horizontalidade no debate realizado, já no que toca ao nível externo e particularmente na página de Facebook, constatamos que há grande heterogeneidade, com um grupo de quatro (Democracia e Dívida, 15 Outubro, RiseUp Portugal e Indignados Lisboa) a esboçarem claramente traços de comunicação horizontal, a verdade é que as restantes e especial enfoque para o Que se Lixe a Troika (que na 1ª dimensão obteve a melhor pontuação) ficou muito abaixo do expectável. Num outro importante domínio de atuação da presente pesquisa, procurámos indagar a realidade e os atores em contexto concreto acerca do seu posicionamento ideológico e das Organizações de que fazem parte, partindo para este desafio, colocando a seguinte questão: Como se posicionam política e ideologicamente as Organizações e seus ativistas?

Nesta vertente, apenas temos objetivamente dados originários das entrevistas, contudo uma observação mais atenta ao período de realização da análise de conteúdo, permite-nos verificar que há uma clara tendência de contestação, sobretudo ao regime e ao status-quo

político e institucional, o que no fundo surge na linha de algo que tivemos oportunidade de salientar na análise de dados, anteriormente realizada, em que de forma taxativa um ativista afirmava a postura “antissistema” e até de certo modo revolucionária, que aliás se repercute de forma muito inconsistente na ação e programa das respetivas Organizações, como pudemos constatar na 1ª secção do presente capítulo.

Dito isto, diríamos que os ativistas apresem claros indícios de identidade política e ideológica de esquerda radica e antissistema ou anarquista. Muitos deles e dos seus colegas, são militantes de outras Organizações como o MAS (Movimento Alternativa Socialista) de inspiração trotskista e que conseguiu na passagem do mês de Julho para Agosto a sua efetiva institucionalização. Acrescente-se ainda, que no perfil destes ativistas deve ainda ser incluído um longo percurso associativo, alguns deles inclusive, (embora seja necessário continuar a analisar a questão em futuras investigações) partilham militância em duas Organizações aqui objeto de pesquisa.

Com tudo isto, podemos considerar consistente a hipótese de trabalho exploratória: que ainda que abordem e tenham como ponto de partida questões e domínios de abordagem distintos, são Organizações fundamentalmente antissistema e que partem da crítica ao sistema político partidário, para a sua ação. Uma vez que emergem claros indícios, que apesar da ausência de uma ordem programática definida e sedimentada, estas organizações envolvem-se na luta política, sobretudo o pondo-se aos factos (como reação), partindo de pressupostos ideológicos revolucionários e transformativos da sociedade e do regime político vigente.

In document ‘My lines and life’ (sider 36-40)