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D ISKUSJON OM KONSTRUKSJONEN AV CHATBOT I IKEA S KUNDESERVICE

6. DISKUSJON

6.2 D ISKUSJON OM KONSTRUKSJONEN AV CHATBOT I IKEA S KUNDESERVICE

O livro “A arquitetura de Terra em Portugal” com a primeira publicação em 2005, resulta de um projeto da Associação Centro da Terra (CsT), e foi o primeiro livro dedicado exclusivamente à arquitetura de terra construída em Portugal. O projeto surge da necessidade de recolocar o tema a nível nacional, e iniciar um novo rumo para o desenvolvimento da tecnologia construtiva, na preservação do património como na construção em novos edifícios. A publicação do livro trabalhado com um painel alargado de técnicos, ultrapassou as expectativas, assumindo o reconhecimento e dimensão internacional e afirmou-se como um marco de referência nesta temática. Atualmente surge com redobrada atualidade, resultante da tomada de consciência social, da necessidade de atuar de forma racional com o património edificado e agir na construção segundo os eixos orientadores da sustentabilidade.

Segundo Fernandes e Correia (2005) as técnicas construtivas tradicionais, reconhecidas pela utilização da terra como material de construção em Portugal são: a taipa; o adobe; e o tabique. Sendo possível observar um vasto património, representativo de qualquer uma destas técnicas em função da situação geográfica tal como se pode observar na figura 22.

Em Portugal, a maioria dos edifícios de habitação construídos nas últimas décadas não respondem, às necessidades dos seus ocupantes, no que diz respeito ao conforto térmico, acústico e qualidade de ar interior. Em consequência, verifica-se o aumento

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Distribuição geográfica da arquitetura de terra em Portugal (Correia e Merten, 2011).

significativo das necessidades de energia para o funcionamento dos edifícios e consequentemente um maior impacto ambiental na sua utilização.

A consciencialização para estas problemáticas começa a ser crescente, assistindo-se ainda, a práticas de reabilitação descuidadas, onde muitas vezes se encontra o desrespeito pela tipologia, forma e estrutura dos edifícios. A reabilitação deve ser encarada como uma oportunidade de promover uma construção, organizada segundo os conceitos da sustentabilidade, procurando a reutilização dos materiais, a redução do consumo de água e energia, atuando de forma concertada nas componentes social, económica e ambiental.

Em maio de 2013, o Centro de Inovação em Arquitetura e Modos de Habitar (CIAMH), promoveu na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto o seminário internacional Arquitetura de Terra, organizado pelo Professor Doutor Carlos Nuno Lacerda Lopes e pelas arquitetas investigadoras Ágata Terrão e Pilar Abreu e Lima. Na apresentação do evento, a terra é descrita como sendo o material mais utilizado na construção em todo o mundo, com vantagens económicas e ambientais que justificam a alteração do estigma que associa a construção em terra com a pobreza, e aponta a necessidade de criar mecanismos de formação profissional e de adaptação de legislação, que possibilitem a reabilitação do património existente e a melhoria da qualidade da construção atual. Tinha como objetivo, discutir e avaliar o estado da arte em Portugal, com um painel de oradores nacionais e internacionais.

O programa avançou com as temáticas da Construção em Terra - divulgação de investigações e ensaios que promovem o potencial da terra crua como solução construtiva, com benefícios para o conforto ambiental dos edifícios, e suas condicionantes.

A Arquitetura de Terra – foi ainda uma oportunidade para a promoção e divulgação de arquitetos e obras de arquitetura, que optaram pela utilização do material terra, tirando partido das suas características, tratamento, aplicação e desempenho.

A participação em projetos europeus resultantes de parcerias entre entidades ligadas à indústria da construção de vários países europeus, permitiu-nos o contacto com diferentes situações ligadas à preservação de técnicas tradicionais de construção em diferentes regiões da europa, onde o uso da terra na construção é uma prática tradicional. Assim, observando a realidade da utilização da terra crua, no sul de

Inglaterra, norte de França, norte de Itália, Estónia, e norte de Portugal, foi-nos possível concluir a existência de um vasto património de construção em terra, com diferentes sistemas construtivos, que urge preservar. Os níveis de intervenção exigidos pelos edifícios vão da simples manutenção dos revestimentos superficiais, a complexos processos de contenção e reforço estrutural.

As necessidades de intervenção revelam um conjunto de situações comuns a todas as regiões, e que podem ser enunciados genericamente por:

 Falta de regulamentação específica de suporte para intervir de forma sistemática neste património;

 Incúria revelada pelos proprietários na preservação de estruturas de pequena e média relevância como sejam habitações ou estruturas agrícolas;

 Falta de mestres, com competências para intervir na manutenção dos edifícios de forma rápida e eficaz, com o conhecimento das técnicas tradicionais;

 Enquanto no Reino Unido a construção tradicional e a preservação das técnicas construtivas são encaradas como algo que sustenta uma sociedade coerente com o seu passado, a proteção do património edificado é culturalmente um dever de todos.

Neste contexto os edifícios construídos em terra empilhada (cob) e cobertos de colmo são preservados e habitados com todo o conforto, atingindo um valor elevado no mercado imobiliário. A sua preservação e recuperação desenvolvem o mercado de trabalho e a produção de materiais locais.

Dando resposta às necessidades de manutenção destes edifícios, o setor da construção apresenta pequenas empresas especializadas nos sistemas construtivos tradicionais, com capacidade de resposta adequada aos diferentes tipos de edifícios.

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Habitação rural construída com terra empilhada (cob), sul de Inglaterra.

No norte de França, na região da baixa Normandia a realidade apresenta-se diferente da observada no seu vizinho do outro lado do canal da Mancha. Aqui podemos encontrar edifícios em bauge, sistema construtivo idêntico ao anterior, sendo contudo observáveis muitas estruturas degradadas, com deficiente manutenção e reparação. Devemos referir que estas construções tornam-se muito frágeis quando as coberturas começam a necessitar de manutenção, expondo as alvenarias portantes em terra crua à ação direta da água da chuva. É frequente encontramos a chapa de ferro zincado a reparar coberturas degradadas e aplicação de blocos de cimento ou tijolo a estabilizar alvenarias parcialmente ou já colapsadas.

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Edifício vernacular na região da Normandia. Foto do autor.

Os edifícios de que falamos encontram-se maioritariamente em espaço rural ou de transição, porém, as alterações verificadas no setor de produção agrícola, no final do século XX, deixaram muitas destas estruturas de quinta desocupadas e abandonadas. Hoje instituições e organizações locais como o Parc naturel regional des Marais du

Cotentinet du Bessin, trabalham na promoção da qualidade ambiental para o

desenvolvimento local, na preservação do património arquitetónico, apoiando empresas e formando formadores, técnicos e artesãos, com competências para intervir na reabilitação deste conjunto de estruturas do património local. Por outro lado é necessária sensibilização dos proprietários, dos promotores no setor imobiliário para o potencial económico local, da reabilitação destas estruturas, tornando-as mais confortáveis e atrativas. Neste tipo de intervenção estão a promover a sustentabilidade do património edificado enquanto é assegurada a dimensão social, ambiental e económica.

Na Estónia a preservação do património arquitetónico em terra aparece também como uma prioridade nacional, sendo assumida maioritariamente por entidades locais de caracter social. Assim os edifícios em terra crua empilhada (cob), taipa, adobe ou tabique, são alvo de operações de manutenção e reparação, procurando devolver-l

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uma utilização adequada às necessidades e aos atuais padrões de conforto. Assim neste contexto é frequente o armazenamento de materiais de demolições, tais como traves e pranchas de madeira, caixilharias, vidros e elementos de revestimento e outros acessórios, que podem voltar a ser adquiridos com custos reduzidos para serem reutilizados quer em reabilitação de edifícios como na construção de obra nova. Esta dinâmica promovida por associações locais, permite com base em trabalho de voluntariado, intervir em situações de carência social, promovendo a formação nas técnicas tradicionais de construção, e dinamizando o emprego local. A terra quando apresenta boas características é utilizada só ou estabilizada com cal e palha, como elemento de enchimento de paredes, reboco de tabique, adobe ou em paredes portantes de terra empilhada.

Podemos referir que nestas latitudes o isolamento dos edifícios e a resistência à ação dos agentes atmosféricos como os ciclos de gelo e degelo, obrigam a que os materiais tenham de resistir a condições extremas de funcionamento, sem perderem as suas características funcionais.

No norte de Itália, na região da Vêneto é possível observar um vasto património arquitetónico onde a terra crua é o principal elemento construtivo. Nesta região é possível identificar a construção em terra empilhada (cob), taipa, adobe. Assim, a necessidade de responder à urgente recuperação de estruturas e edifícios construídos em terra crua, levou à mobilização de um conjunto de entidades e profissionais ligados à formação, construção, património, para de forma integrada restituíram ao território um elemento fundamental para a manutenção e reforço da identidade de espaços que naturalmente foram palco de grandes dinâmicas comerciais e culturais. Um território organizado em cidades estado, sugere uma grande racionalização dos recursos e um aproveitamento eficaz dos espaços rurais, na relação de equilíbrio com os ambientes urbanos mais mercantilistas.