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D ISCUSSION OF BONDING BEFORE EXPERIMENTS

6. DISCUSSION

6.2. D ISCUSSION OF BONDING BEFORE EXPERIMENTS

Quando pensamos acerca da administração escolar, devemos entendê-la a partir de seu conceito mais amplo, ou seja, apresenta-se como ato de gerir, de administrar, de gerenciar uma instituição escolar. Comumente, a gestão escolar é encargo do diretor, porém será por meio de suas ações administrativas que será revelada a qualidade de sua gestão, considerada como trabalho exercido em conjunto com os demais segmentos que compõem a comunidade escolar.

Elegemos para guiar nosso estudo no campo da administração escolar: Paro (1995, 1997, 2001, 2003), Ferreira (2006); Felix (1989); Hora (2006); Santos (2000, 2001), e outros, que apresentam suas análises a administração numa perspectiva que se opõe à ótica empresarial, conforme o que apresentamos na seção anterior.

De acordo com Ferreira (2006), a direção da escola tem sido tratada prioritariamente como questão política, no sentido de que sempre se considerou o diretor de escola como portador de um cargo de confiança da administração pública e, em consequência disso, fica a ela comprometido.

Paro (2001, p. 63) se opõe a essa forma de escolha e defende o processo de eleição direta para o cargo de diretor escolar, visto que, uma importante característica do processo de eleição é a participação e o envolvimento da comunidade escolar nesta ação, muito embora o processo eleitoral, também se constitua em ato político.

De acordo com Paro (2003), os estudos que vêm sendo desenvolvidos no Brasil, a partir da década de 1980, apontam a existência de duas tendências sobre a Administração Escolar: uma que defende a administração escolar a partir dos princípios da Administração das Empresas porque se relacionam à lógica do mercado e, outra, que se opõe a qualquer prática administrativa escolar sob esta lógica, visto que a escola é uma instituição social, cujo objetivo mais importante deve ser formar para a cidadania.

Paro (2003, p.18), em suas investigações, explicita que, para compreender a natureza da administração, convêm examiná-la inicialmente em sua concepção mais simples, deslocando-a de suas determinações historicamente situadas para qualquer estrutura social determinada conceituada, de forma genérica, como: “utilização racional de recursos para a realização de fins determinados”, entendendo que administrar é uma atividade que pertence exclusivamente ao homem e se materializa pelo trabalho, visto que, somente o homem projeta seus objetivos e suas ações, prevendo os resultados, diferenciando-a do trabalho realizado pelos animais.

Nesse sentido, Engels (1952, p. 1) afirma que o trabalho humano “[...] é condição fundamental de toda a vida humana. E, em tal grau que, até certo ponto, podemos afirmar que o trabalho criou o próprio homem”, manifestando que a formação do homem se deu pelo trabalho em sua relação com a natureza.

Para Marx (apud SAVIANI, 1987, p. 8), o homem, enquanto ser natural transcende a natureza, guiado por seus objetivos, exercendo domínio sobre ela, a transforma para produzir sua existência, ou seja, transcende sua condição natural para garantir sua existência adaptando a natureza às suas próprias necessidades, assim como, transforma-se a si mesmo produzindo história e cultura, diferente dos animais que não ultrapassam sua condição natural, agem instintivamente sobre a natureza se adaptando a ela:

[...] O que define a existência humana, o que caracteriza a realidade humana é exatamente o trabalho. O homem se constitui com tal, à medida que necessita produzir continuamente a sua própria existência. É isso que diferencia o homem dos animais: os animais têm sua existência garantida pela natureza e, por consequência, eles se adaptam à natureza; o homem tem que fazer ao contrario, ele se constitui no momento em que necessita adaptar a natureza a si, não sendo mais suficiente adaptar-se à natureza (MARX apud SAVIANI, 1987, p. 8).

Nessa visão, o homem, ao planejar suas ações, por meio do pensamento consciente, para alcançar seus objetivos, necessita dispor de meios de trabalho13 adequados para que suas ações se materializem, conforme o que foi pensado, determinando a necessidade de administrá-lo de maneira racional.14

Paro (2003, p. 19), ao afirmar que administração é uma atividade exclusivamente humana, porque se orienta por objetivos e somente o homem é capaz de planejá-los. “Torna-se imprescindível utilizar de modo racional, os meios de que esse homem dispõe para realizá-los, a fim de cumprir o que foi planejado”, isso porque a atividade administrativa além de ser exclusiva do homem, é necessária à sua sobrevivência.

Historicamente, a administração foi determinada, de acordo com Paro (2003), com o modo de produção de cada época, gerando contradições e conflitos que foram decisivos para superar uma forma de organização social substituindo-a por outra mais complexa e avançada.

13 Sobre meios de trabalho, Paro (2003, p.20) resume o pensamento de Marx e o define como

todas as condições objetivas necessárias à realização do processo de trabalho.

14 A expressão “utilizar racionalmente os recursos” - utilizá-los de acordo com a razão (PARO,

Expõe o autor mencionado que a administração da educação, na sociedade capitalista contemporânea, tendeu a desenvolver-se na perspectiva dos métodos oriundos da administração da empresa capitalista, cuja finalidade é alcançar a qualidade, por meio da racionalização científica da divisão técnica do trabalho e, na atualidade, apresenta a tendência de se adequar aos princípios da administração gerencial, em voga desde os anos 1990, cuja base é a Qualidade Total, com a finalidade de controle do trabalho como um todo, em oposição à concepção de Administração baseada na autogestão, entendida como o domínio do processo do trabalho como um todo pelos trabalhadores.

Paro (2001), com base nos estudos de Fidalgo, explica que a Gerência da Qualidade Total, possui como objetivo:

[...] o que a GQTE (Gerência da Qualidade Total em Educação) pretende é, de um lado, através da introdução de métodos e técnicas, buscar a contribuição ‘voluntária’ dos trabalhadores, impingindo-lhes o autogerenciamento e, de outro, padronizar estes conhecimentos no sentido de aumentar o controle sobre o trabalho (FIDALGO apud PARO, 2003, p. 26).

O autor, com o objetivo de superar os modelos tradicionais de administração escolar burocratizada e baseada nos modelos de administração aplicados nas empresas, propõe outra concepção de administração que atenda às finalidades da instituição escolar e envolva a comunidade escolar, a gestão democrática.

[...] Então, a escola básica [...] deve dar-se de forma a que, tanto as atividades-meio (direção, serviços de secretaria, vigilância, atendimento de alunos e pais), quanto à própria atividade fim, representada pela relação ensino-aprendizagem [...], estejam permanentemente impregnadas dos fins da educação. (PARO, 1997, p. 113).

Paro (2003 p. 103) defende uma administração escolar comprometida com a transformação social, entendida como “processo pelo qual a classe fundamental dominada, busca arrebatar a hegemonia social das mãos da classe dominante, construindo um novo bloco histórico sob sua direção”. Para tanto, considera necessário que a escola possua objetivos condizentes com os interesses daqueles que vivem do trabalho, para além dos discursos propagados pelos órgãos oficiais que deliberam sobre as políticas educacionais sem solicitar a participação dos mais interessados nesse processo.

Félix (1989, p. 35), ao investigar sobre a administração da empresa e sua relação com a Administração Escolar na sociedade capitalista, constata que são as Teorias da Administração Geral que fundamentam a Administração Escolar, e que assim constituídas, atendem aos interesses do capital. A autora aponta a semelhança entre ambas, no que se refere à função da administração que é a “de exercer pleno controle sobre as forças produtivas, o que ocorre desde o planejamento do processo de produção até o controle das operações executadas pelo trabalhador”, ou seja, na escola o planejamento cabe ao corpo pedagógico que, por sua vez, também tem a função de controlar o trabalho do professor – que, neste caso, executa o que foi demandado de cima.

Santos (2000) reafirma esse aspecto, explicando que a administração científica do trabalho se reproduziu na escola mediante várias funções especializadas, como a de administrador, supervisor e orientador, promovendo uma gestão e uma prática pedagógica fragmentada, burocratizada, onde as ações de planejamento eram executadas pelos administradores e supervisores, cabendo aos professores apenas sua execução.

Santos (2000) defende uma gestão voltada para a qualidade educacional que envolva administradores, professores, técnicos, funcionários, considerando suas participações em todas as fases de definição das políticas de educação, assim como o processo de ensino-aprendizagem como forma de garantir a qualidade, entendendo a qualidade no sentido de:

[...] uma educação socialmente includente, em todos os seus aspectos, uma qualidade de processo, em direção as mudanças requeridas notadamente em favor das populações sempre alijadas dos benefícios que a ciência e o progresso podem gerar. (SANTOS, 2000, p. 133).

Nessa direção, Santos (2001, 135-136) apresenta princípios que podem contribuir para uma gestão democrática como: a) autonomia – entendida com princípio norteador das práticas escolares, a fim de formar alunos que possam constantemente questionar as práticas escolares; b) participação – consiste em proporcionar a comunidade escolar condições para tomar parte dos objetivos educacionais, tornando-os co-responsáveis no processo educativo; c) legitimação – requer uma escola mais afinada com as mudanças científico-tecnológicas, no que se refere a novas concepções e linguagens, métodos de ensino-aprendizagem, que proporcionem ao aluno se abrir para novas fontes de conhecimento, participando das mudanças rápidas que ocorrem em nossa sociedade; d) diversidade – assegura o direito de ser diferente e se contrapondo a qualquer forma de

exclusão; e) formação continuada – consiste em permanente qualificação de acordo com o a proposta pedagógica escolar e que se realize dentro do espaço escolar; f) transparência e lisura nos processos de decisão e execução - consistem na exposição e satisfação da comunidade escolar e local e; g) acompanhamento periódico e organização do desempenho escolar – organiza um trabalho coletivo que vise melhor aproveitamento e desempenho docente e discente orientado pela coordenação pedagógica.

Kuenzer (2006, p. 35) contribui para esse debate, informando que a organização do trabalho na escola tradicional foi substituída, em virtude das transformações ocorridas no mundo do trabalho, solicitando desta, da administração escolar, uma nova forma de organização baseada no trabalho em equipe. Entretanto essa nova concepção de organização do trabalho, não é suficiente para modificar a realidade de uma sociedade e não contribui para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, pois:

[...] Do ponto de vista da nova concepção, tem-se clareza de que ela só será plenamente possível em uma sociedade em que todos desfrutem igualmente das mesmas condições de acesso aos bens materiais e culturais socialmente produzidos. (KUENZER, 2006, p. 35).

A autora acima defende a necessidade da gestão democrática, através da elaboração coletiva do projeto político-pedagógico: “[...] a partir de um amplo e aprofundado processo de diagnóstico, análise e proposições de alternativas, o que demanda a participação efetiva de todos os envolvidos: comunidade, pais, alunos e professores” (KUENZER, 2005, p. 47).

Nesse sentido, é importante relembrar a questão da democracia representativa abordada por Bobbio (2001, p. 63) no capítulo anterior, no que se refere à representação dos interesses, quando o autor explica que “existem situações que ela não é só desejável como inevitável”. Bobbio (2001) segue exemplificando “um conselho de faculdade ou um conselho de fábrica executam o seu encargo e tomam as decisões que lhes são próprias num campo bem delimitado”, isto significa que os membros chamados a decidir devem ser operários e professores e não políticos, pois as deliberações que serão tomadas estão relacionadas aos interesses comuns de classe. No entanto, no caso do conselho de faculdade não basta a representação dos professores, é necessário abrir espaços para os alunos, os funcionários serem igualmente representados.

Para Santos (2001, p. 1), a gestão é compreendida como “[...] coordenação, monitoramento, liderança de um processo”, entendendo que, no caso da gestão da

educação em instituições escolares, o gestor deve ser um líder que conduz o processo educativo e não um gerente voltado para o cumprimento dos objetivos empresariais.

Kuenzer (2005) comenta que o modelo de organização do trabalho na perspectiva taylorista-fordista tem como característica fundamental, a divisão entre planejadores, que detêm o conhecimento do processo de produção e os trabalhadores, que executam esse trabalho sem dominar como ele se organiza e se processa. Afirma também que a “[...] heterogestão é institucionalizada definitivamente como fundamento básico da organização capitalista do trabalho, tirando do trabalhador a possibilidade de pensá-lo, criá-lo, controlá-lo” (KUENZER, 2002, p. 30).

Segundo a autora (2002, p.31), a educação encontrou nos fundamentos taylorista/fordista as bases para a constituição da gestão escolar, na medida em que, o “[...] projeto pedagógico que ocorre no interior da fábrica articula-se com o processo educativo em geral, se desenvolvendo no conjunto das relações sociais determinadas pelo capitalismo”.

[...] A pedagogia, tanto escolar quanto do trabalho, em decorrência, propôs conteúdos que, fragmentados, organizavam-se em sequência rígidas, tendo por meta a uniformidade de respostas para procedimentos padronizados, separando os tempos de aprender teoricamente e de repetir procedimentos práticos e exercendo rigorosamente o controle externo sobre o aluno. Essa pedagogia respondeu adequadamente às demandas do mundo do trabalho e da vida social organizados segundo o paradigma taylorista/fordista, que se rege pelos mesmos parâmetros das certezas e dos comportamentos que foram definidos ao longo do tempo como aceitáveis. (KUENZER, 2002, p. 32).

Hora (2006) explicita que a administração escolar deve se balizar como “coordenação de um esforço coletivo”, entendendo que o processo de democratização das relações administrativas no interior da escola não ocorre de forma espontânea, mas se dá como uma ação intencional que envolve a participação da comunidade, tendo em vista atingir a autonomia nas decisões e no uso de recursos na escola. Opõe-se à concepção de trabalho escolar que separa o administrativo e o pedagógico e afirma a necessidade da Administração Escolar envolver a comunidade escolar, assegurando sua participação por meio:

[...] de uma ação administrativa na perspectiva de construção coletiva que exige a participação de toda a comunidade escolar nas decisões do processo educativo, o que resultará na democratização das relações que se desenvolvem na escola, contribuindo para o aperfeiçoamento administrativo-pedagógico. (HORA, 2006, p. 49).

Ferreira (2006, p. 306) ressignifica o conceito de administração da educação e a entende como gestão, visto que é: “administração, tomada de decisão, organização, direção”. Nesse sentido, a gestão escolar é dotada de princípios sociais, os quais caminham em direção à formação humana e à construção de uma nova sociedade. A autora parte da concepção de que a gestão democrática escolar possui um caráter formador da cidadania, haja vista que se abre para a participação da comunidade na construção coletiva do projeto político-pedagógico, possibilitando a autonomia da escola para pensar e realizar seu processo educativo.

Então, para se obter uma melhor qualidade dos serviços prestados pela escola, é necessário que a gestão da escola trabalhe em conjunto com os professores, com os funcionários e com a comunidade que é composta pelos pais e pelos alunos. Quanto maior for a interação entre essas partes, maiores serão as probabilidades de se tirar vantagens de seus esforços e resultados.

Compartilhamos das análises dos autores apresentadas acima, entendendo que a gestão democrática na escola pressupõe fundamentalmente a participação, que se materializa na prática, num processo de construção coletiva. Para isso, deve envolver a comunidade escolar nas discussões e tomada de decisões no processo de organização do trabalho educativo, a fim de construir novas relações de poder.

Diante disso, para melhor entendimento sobre a temática da gestão, no quadro 2, pontuamos algumas diferenças entre as concepções de administração e de gestão com base nos autores estudados neste trabalho.

Quadro 2 - Diferenças entre administração e gestão

ADMINISTRAÇÃO GESTÃO

Centralização de poder Partilha de poder Divisão Técnica do Trabalho Cooperação

Responsabilidades centralizadas Responsabilidades compartilhadas Princípios econômicos Princípios sociais

Organização hierárquica Organização verticalizada Submissão Autonomia

Planejamento separado da execução Participação Organização do trabalho tradicional Aberta à criatividade Diálogo ausente Diálogo

Heterogestão Autogestão

Caráter Autoritário Caráter Democrático

Fonte: Elaborado conforme os estudos de MOTTA (2009); Paro (1995) Kuenzer (2005) e Santos (2000, 2001).

Percebe-se, conforme este quadro, que as diferenças são significativas entre as formas de administrar e gerir uma organização social pública. Daí entendermos que a

escola, para cumprir suas finalidades, deve trilhar por caminhos mais democráticos, estabelecendo relações mais flexíveis mediante o diálogo constante com os sujeitos escolares e a participação destes deve acontecer como via que possibilita a concretização da gestão escolar democrática.

2.3 PARTICIPAÇÃO NO ÂMBITO DA ESCOLA: DESAFIO PARA O PROCESSO