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Apesar do largo emprego desta técnica no Brasil, em relação a outras técnicas de estabilização, a técnica de ancoragens é produto dos últimos 60 anos. As inovações na Europa na década de 50 chegaram ao Brasil e foram sendo absorvidas gradativamente, após o que as aplicações proliferaram e cresceram de forma gigantesca. Pode-se afirmar que esta técnica foi introduzida no Brasil quase que concomitantemente com o seu desenvolvimento na Europa, principalmente na França, Alemanha e Itália, tendo sido consequência direta do seu uso anterior em rocha (IESP, 2006).

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O engenheiro brasileiro Antônio Costa Nunes ficou reconhecido internacionalmente como o pioneiro mundial na aplicação desta técnica, no final de 1957 (Yassuda e Dias, 1996). Segundo Nunes (1987), no Rio de Janeiro após as chuvas catastróficas ocorridas em 1966 e 1967, impulsionaram o uso das ancoragens em diversas obras de estabilização das encostas na cidade e em estradas próximas, tais como a via Grajaú- Jacarepaguá e a estrada Rio-Teresópolis.

Com o passar dos tempos, a principal aplicação desta técnica restringiu-se à estabilidade de encostas, com cargas de até 250kN, porém sofrendo sérios questionamentos técnicos sobre a viabilidade de sua utilização em estruturas definitivas, como relata Ostermayer (1974), devido ao pouco conhecimento que se tinha na época dos efeitos do tempo no comportamento da ancoragem (More, 2003). Segundo Habib (1969, apud Porto, 2015), as conquistas como ganho de capacidade de carga das ancoragens foram muito mais decorrentes do espirito audacioso e progressista das empreiteiras do que o real avanço nos conhecimentos teóricos sobre a técnica.

Outro grande impulso ocorreu no início da década de 1970, com a implantação das obras do Metrô de São Paulo, na qual os engenheiros geotécnicos brasileiros se beneficiaram das novas tecnologias europeias advindas do consórcio HMD (Hochtief, Montreal, De Consult) encarregado do projeto da então designada Linha Norte-Sul. A evolução estava baseada na introdução do tirante reinjetável e protendido, sem a necessidade de injeção com alta pressão, com capacidade de transmitir aos solos esforços de até 150 tf.

A partir do empenho dos engenheiros brasileiros que atuavam nas obras da Cia do Metrô de São Paulo e das empresas responsáveis pelos projetos para a Cia do Metrô de São Paulo, e ainda sobre a influência da publicação da primeira norma no mundo sobre ancoragens na Alemanha em 1972, a então denominada DIN 4125 – Soil and rock

anchors, temporary soil anchors, analysis, structural design and testing, foi publicada

em 1975 pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a primeira norma de tirantes injetados e protendidos, NB-565. Nesta norma eram discutidos os termos de qualidade, desempenho e aceitação das ancoragens, além da regulamentação dos ensaios

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para os tirantes, a qual apresentava contornos muito próximos da norma atual NBR- 5629.

Em seguida, no ano de 1977 a NB-565 foi aprovada e denominada como NBR 5629:1977 – Estrutura ancoradas no terreno – Ancoragens injetadas no terreno (NBR 5629, 1977). Nesta versão da norma já eram estabelecidos os parâmetros obrigatórios a serem observados e seguidos para as estruturas ancoradas no terreno executadas tanto para fins provisórios ou permanentes.

Segundo More (2003), durante as décadas de 1980 e 1990 a técnica de execução de ancoragens reinjetáveis e protendidas em solo continuou em pleno desenvolvimento no Brasil, estimulada pela necessidade da realização de edifícios residenciais e centros comerciais com vários subsolos nas grandes cidades do país. Como exemplo o emprego nestas obras de paredes diafragmas com linhas de ancoragem com cargas de trabalho de até 1000 kN.

Posteriormente, no ano de 1996, a então NBR 5629:1977 sofreu nova alteração passando a ser chamada de NBR 5629:1996 – Execução de tirantes ancorados no terreno (NBR 5629, 1996). Nesta versão a norma determinava as condições para execução, tais como procedimentos, materiais, equipamentos, acessórios, tratamentos dos materiais, análise e conferência dos tirantes ancorados provisórios ou permanentes.

A última revisão ocorreu em 2006 sendo atualmente no Brasil a norma em exercício que regulamenta e direciona os projetos de cortinas atirantadas, a NBR 5629:2006 – Execução de tirantes ancorados no solo (NBR 5629, 2006). Porém, a norma já apresenta-se em revisão pelo Comitê Brasileiro de Construção Civil da ABNT (ABNT/CB-02, 2015). De acordo com Porto (2015), entre os principais motivos levantados para a necessidade de revisão estão: a inserção de novos tipos de tirantes, a utilização de sistemas de proteção adequados para a execução e os requisitos da recente norma de calda cimento, a NBR 7681:2013 (NBR 7681, 2013), que estipula o fator de água cimento inferior a 0,4, não sendo aplicável aos tirantes da atual norma em vigor.

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Ainda segundo Porto (2015), durante as reuniões sobre a norma, ainda estão sendo abordados questões como a possível alteração do nome do documento para “Tirantes ancorados no terreno – Projeto e execução”, discussão e revisão das definições a serem inseridas na nova norma, como por exemplo, a necessidade de permanecer a formulação teórica para a capacidade de carga geotécnica da ancoragem e o controle de corrosão das ancoragens, além da inserção de tirantes auto-perfurantes, entre outros assuntos.

Portanto, nos últimos anos a técnica de execução de ancoragem obteve um grande impulso no Brasil e ainda continua em pleno desenvolvimento principalmente pelo surgimento de grandes empreendimentos. Atualmente, ancoragens em solo são executadas intensamente em muitos países, principalmente nas grandes aglomerações urbanas, com cargas que em geral ainda não ultrapassam 1500 kN (More, 2003).

De forma sucinta, pode referir-se que as técnicas associadas às ancoragens evoluíram fundamentalmente nos últimos anos. Nos primeiros 20 anos desse período, entre 1953 e 1972 no mundo, considera-se relevante referir que foram registadas mais de 35 patentes de sistemas de construção de ancoragens em terreno, solos e maciços rochosos (Carvalho, 2009).

A utilização de obras ancoradas em solo ou rocha é hoje em dia muito empregada no Brasil, seja na execução de obras de contenção quanto na estabilização de encostas naturais ou que já sofreram intervenções.