3. DATA AND DESCRIPTIVE STATISTICS
3.3. D ESCRIPTIVE STATISTICS
Métodos de pesquisa que sintetizam os achados científicos que são necessários à evolução da ciência e da prática de enfermagem. Associado a isso, a expansão nas últimas décadas do universo de informações científicas na área da saúde, bem como do acesso rápido e fácil, vem favorecendo o uso de estudos de revisão de literatura (SEGURA-MUÑOZ, 2002).
No processo de validação de diagnósticos, na etapa de análise de conceito, recomenda-se que seja realizada uma revisão de literatura, visando buscar suporte teórico para a efetivação de todas as fases desse processo (FEHRING, 1987; HOSKINS, 1989; POMPEO; ROSSI; GALVÃO, 2009). Os métodos de revisão de literatura têm como principal propósito, buscar, avaliar criticamente e sintetizar evidências disponíveis do tema investigado, aumentando a capacidade de generalização dos dados acerca de um fenômeno (WHITTEMORE; KNAFL, 2005; POMPEO; ROSSI; GALVÃO, 2009). Dentre esses propósitos destacam-se:
1. Revisão narrativa → ampla apresentação e discussão do tema investigado, restringindo-se a estudos de relevância para o pesquisador, mas que forneçam sustentação para a pesquisa (BEYEA; NICOLL, 1998). Dificilmente parte de uma questão específica bem definida, não exigindo um protocolo rígido para sua confecção. A busca das fontes não é pré-determinada e específica e a seleção dos estudos é
arbitrária, provendo o autor de informações sujeitas a viés de seleção, com grande interferência da percepção subjetiva (CORDEIRO et al., 2007).
2. Revisão sistemática → tem como princípio geral a exaustão na busca dos estudos relacionados a um problema clínico específico, seguindo método rigoroso de seleção, avaliação da relevância e validade das pesquisas encontradas. Recomenda-se que os estudos incluídos neste tipo de revisão tenham delineamento de pesquisa experimental (WHITTEMORE; KNAFL, 2005).
3. Meta-análise → método estatístico utilizado para integrar os resultados dos estudos incluídos e aumentar o poder estatístico da pesquisa primária. Integra o conhecimento surgido por esta análise, assim como as inferências envolvidas na análise dos dados dos estudos primários, melhorando sua objetividade e validade (SOUSA; RIBEIRO, 2009). 4. Revisão integrativa: reúne e sintetiza as pesquisas realizadas sobre problemas idênticos ou similares, construindo uma conclusão a partir dos resultados evidenciados em cada estudo. Os estudos incluídos na revisão, experimentais e não-experimentais, são analisados de forma sistemática em relação aos seus objetivos, materiais e métodos, permitindo que o leitor analise o conhecimento pré-existente sobre o tema investigado (MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008).
A revisão integrativa é um método de revisão amplo, pois permite incluir literatura teórica e empírica, bem como estudos com diferentes abordagens metodológicas. Deve seguir padrões de rigor metodológico, os quais permitirão gerar uma fonte de conhecimento atual, verificar a aplicabilidade na prática clínica, além de oferecer subsídios para o avanço da enfermagem (MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008).
Essas autoras recomendam a revisão integrativa como etapa inicial nos estudos de validação de diagnósticos de enfermagem por proporcionar uma compreensão mais completa do tema de interesse, podendo a mesma ser aplicada para a definição de conceitos. Esse método de pesquisa, segundo Whittemore e Knafl (2005) contempla cinco passos, a seguir descritos:
1. Identificação da questão de pesquisa → consiste na escolha do tema e na elaboração da questão norteadora da pesquisa, que deve ser clara, específica e relacionada ao raciocínio clínico e teórico do pesquisador, com o escopo de facilitar as etapas subsequentes (WHITTEMORE; KNAFL, 2005).
2. Busca na literatura → é a busca exaustiva nas bases de dados para a obtenção dos estudos a serem incluídos e analisados. Whittemore e Knafl (2005) afirmam que a
seleção dos estudos para a avaliação crítica é fundamental, a fim de que se obtenha a validade interna da revisão. É um indicador para atestar a confiabilidade, amplitude e poder de generalização das conclusões da revisão. Segundo Pompeo, Rossi e Galvão (2009) essa fase deve ser claramente documentada, incluindo as palavras-chave utilizadas, as bases de dados consultadas, as estratégias de busca e os critérios de inclusão e exclusão delimitados para determinar pesquisas primárias relevantes. É importante que todas as decisões tomadas frente aos critérios de inclusão e exclusão dos estudos sejam documentadas e justificadas na descrição da metodologia da revisão (WHITTEMORE; KNAFL, 2005).
3. Avaliação dos dados → é o momento em que os estudos passam por uma análise detalhada, quanto aos critérios de autenticidade, qualidade metodológica, importância das informações e representatividade. No bojo das sugestões, está o uso de escalas e de critérios específicos, bem como o uso de modelos de análise de conceito, incluindo o de Walker e Avant, como meio para a avaliação metodológica (WHITTEMORE; KNAFL, 2005).
4. Análise dos dados → os dados da pesquisa primária devem ser ordenados, codificados, categorizados e sumarizados com o intuito de unificar e integrar as conclusões acerca do problema. Nesta etapa, é possível aprofundar a discussão das informações, levantar lacunas de conhecimentos e sugerir caminhos para novos estudos (GANONG, 1987). Consiste esse passo, de três etapas: a) Divisão – inclui a divisão em subgrupos de acordo com um sistema lógico para facilitar a análise, podendo ser baseada no nível de evidência, nas bases de dados, na cronologia, no cenário, e nas características da amostra ou em uma classificação conceitual pré-determinada; b) Exposição dos dados - os resultados poderão ser apresentados em forma de gráficos, diagramas, matrizes, tabelas ou quadros. O importante é a visualização para facilitar a etapa seguinte; c) Comparação – processo interativo com vistas ao exame dos dados para confrontar os padrões e as relações estabelecidos na interpretação dos dados. Criatividade, análise crítica dos dados e exposição dos dados são elementos fundamentais na comparação e na identificação de importantes e acurados padrões e temas (WHITTEMORE; KNAFL, 2005).
5. Apresentação dos resultados → neste passo são sintetizadas as evidências obtidas das pesquisas analisadas e apresentadas de forma clara e confiável. É um momento de extrema importância, já que produz impacto devido ao acúmulo do conhecimento existente sobre a temática pesquisada (MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008).
De maneira ilustrativa e mais pormenorizada, as etapas da revisão integrativa estão dispostas na figura a seguir.
Figura 1 - Componentes da revisão integrativa da literatura, descritas por Whittemore e Knafl (2005).
Frente ao exposto, acredita-se que a revisão integrativa, bem como a análise de conceito proposta por Walker e Avant podem contribuir de maneira substancial na validação do diagnóstico de enfermagem EVS.
1º Passo: Identificação da questão de pesquisa
2º Passo: Busca da literatura
3º Passo: Avaliação dos dados – foco na qualidade metodológica
4º Passo: Análise dos dados – inclui divisão, exposição e comparação