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D ESCRIPTION OF R USSIAN P OWER M ARKET

MARKET POWER ISSUES IN NORTHWEST RUSSIA

3 D ESCRIPTION OF R USSIAN P OWER M ARKET

Após o mapeamento etnográfico e aplicação dos questionários foram realizadas intervenções nos locais de sociabilidade de homens que fazem sexo com homens. Durante os finais de semana, a equipe composta por sete agentes multiplicadores, abordava homens em bares e boates, entregando folhetos educativos, preservativos e gel lubrificante, tirando dúvidas e fornecendo informações sobre prevenção de DST´s e aids. Foram confeccionadas camisetas do Projeto Sexualidades, com uma foto chamativa (na contra-capa dessa tese) e os nomes das entidades colaboradoras, como forma de chamar a atenção dos freqüentadores de tais locais e identificar os agentes multiplicadores.

Inicialmente pode-se observar uma grande diferença entre a região do Jardins e Centro. A receptividade das atividades no Centro era muito grande, especialmente da distribuição de preservativos. Não houve recusas, especialmente no centro da cidade, onde o poder aquisitivo de HSH era menor. Em alguns casos a insistência foi grande para que déssemos mais de um preservativo. Em todas as intervenções o gel lubrificante teve uma alta aceitabilidade. Ao encontrar os multiplicadores em outras ocasiões, os rapazes pediam para ganhar mais. O gel se mostrou um ótimo atrativo para a realização de pesquisas em locais de freqüência de HSH. Os agentes multiplicadores alegaram que o “cuspe” e “saliva” se tornavam os lubrificantes, na falta do gel à base de água, nesses locais de pegação.

Nos Jardins encontramos mais resistências ao trabalho. Muitos homens não paravam para conversar com a equipe, não tiravam dúvidas ou não demonstravam interesse pelo projeto. Alguns faziam “carão”, não davam atenção ou mal olhavam para os agentes multiplicadores. Alguns homens não pegavam o preservativo e alegavam que já tinham ou que sempre pegavam no COAS, que mantinha distribuição sistemática. O menor interesse talvez estivesse associado ao maior nível educacional e econômico desses homens, que julgavam que não “precisavam” de informações ou de preservativos. Deve ser levado em consideração que esses homens estavam em bares e boates para se divertir, encontrar amigos, socializar, paquerar ou até transar, sendo que muitos não estavam dispostos a pensar em aids. A estratégia utilizada foi “entrar no clima de ferveção” desses locais, incorporando a prevenção ao “agito” dos bares e boates. Um dos membros da equipe começou a se vestir de DRAGQUEEN, que foi batizada de Lolita Pegeout . Ao chegar nos locais, junto com outro agente multiplicador que vestia também a camiseta do projeto, distribuía folhetos e preservativos, fazia piadas e brincava com os freqüentadores. Essa abordagem, com o “estilo da noite gay do Jardins” chamou a atenção dos homens e quebrou as resistências. Os rapazes que faziam parte da equipe também incluíram alguns adereços no “uniforme” do projeto, com orelhas de coelhinhos, cenouras de plástico, chifres de diabinhos, dando um tom jocoso às intervenções. Observou-se que essa forma de abordagem quebrou as resistências e aproximou os homens do Jardins, que passaram a fazer perguntas sobre o projeto e prevenção de DST´s e aids.

No Jardins verificou-se que a dúvida mais recorrente era sobre a transmissão através do sexo oral e no sexo grupal. No Centro, os homens faziam mais perguntas relacionadas à falta de informação sobre os meios de transmissão, sobre o sexo oral e saliva como possível transmissor, teste HIV e o tempo após o risco para fazer o teste, tempo de sobrevivência com aids e tratamento. Durante as intervenções observou-se que os homens do Centro tinham mais dúvidas e falta de informação que no Jardins.

As atividades realizadas nos bares e boates foram avaliadas positivamente pelos homens das duas regiões. No Jardins, muitos homens elogiaram o trabalho e pediam informações sobre os estudos realizados na área.

“É um trabalho muito bom. Estávamos precisando de apoio pois às vezes não temos aqui no babado.” (sic - diário de campo).

“É bom porque a gente sempre está lembrando as pessoas da doença e isso faz pensar melhor na hora do rala e rola.” (sic - diário de campo).

“O preservativo chegou em boa hora porque eu não tinha aqui comigo.” (sic - diário de campo).

Os homens do Centro também avaliaram de forma positiva, elogiando a atuação do grupo e afirmando que mais trabalhos desse tipo deveriam ser realizados para conscientizar as pessoas sobre a aids e sanar as dúvidas sobre a transmissão do HIV. Alguns afirmavam que receber o preservativo era importante, pois às vezes não tinham dinheiro para comprar e acabariam transando sem camisinha.

“O projeto é legal pois a gente não tem camisinha e acaba transando sem. Na hora nem pensa que a aids existe, mas depois fica encanado.” (sic - diário de campo).

“A gente tá aqui na rua e nem pensa na camisinha. Acaba indo pra praça ou nos becos e nem dá tempo pra pensar...”(sic- diário de campo).

Além das atividades nos bares e boates, foram realizadas algumas palestras e workshops, nos quais os freqüentadores de ambas as regiões foram convidados a participar. No início houve dificuldade na realização dessas atividades, pois a adesão foi muito pequena. No final do projeto, em meados de novembro, foram realizadas três atividades em que se obteve uma participação maior, mas com a presença apenas de homens que freqüentavam os bares e boates do Centro. Essas atividades eram marcadas em dias da semana ou finais de semana, na sede do CAEHUSP no Centro, e na Faculdade de Saúde Pública nas imediações do Jardins. Os horários, datas e locais foram alternados para obter maior adesão aos workshops, mas não se obteve sucesso. A alternativa pensada foi marcar tais atividades dentro dos bares e boates, mas em virtude da finalização do projeto, não puderam ser realizadas.

Observou-se que a aceitação das atividades de intervenção e a participação em workshops foi maior no Centro do que no Jardins. Na aplicação dos questionários, comparando os participantes dos dois bairros observamos uma maior adesão dos homens do Centro nas palestras/debates e no Projeto

Bela Vista. Esse dado confirma as observações de campo, durante as intervenções nos bares e boates, onde os homens do Centro se mostraram mais disponíveis para conversar com os pesquisadores, pedindo preservativos e informações.

Tabela 7. Participação em trabalhos de prevenção de aids, entre homens que freqüentavam bares e boates gays de duas regiões da cidade de São Paulo.

Afirmações

Jardins Centro Total

(n=251) (n=247) (498)

Palestras/debates**

Sim

Não 33% 67% 43% 57% 37% 63% Projeto Bela Vista**

Sim

Não 4% 96% 9% 91% 6% 94%

6. CENÁRIOS, PAPÉIS E PRÁTICAS HOMOERÓTICAS