5. METODE
5.5 D ATAANALYSE
Neste item são apresentados os conceitos referentes ao desenvolvimento da definição dos “Elementos do mapa”, da “Análise da Cartografia” e “Simbologia”. Tais conceitos, de acordo com Furlanetti (2005), estão relacionados com a ideia de que para representar os diversos temas do conteúdo informacional de um mapa, devem-se satisfazer as condições de descrever as feições ou fenômenos além de localizá-las. Para tal a cartografia utiliza-se do arranjo de pontos, linhas e polígonos junto das características inatas de variações gráficas, como a cor, a forma, o tamanho e a textura.
Serão abordadas, nesta ordem, as primitivas gráficas, variáveis visuais, fenômenos geográficos, nível de medida, cor e símbolos na Cartografia.
3.2.1.1 Primitivas gráficas
Também denominadas “dimensão espacial do fenômeno”, são utilizadas na Cartografia para exprimir pontos, linhas ou polígonos (BERTIN, 1977; BOS, 1984; LOCH, 2005; ROBBI, 2000). A tabela 1 sintetiza as relações de representação.
Tabela 1 - Relações de representação das primitivas gráficas.
Primitiva gráfica Relação
Ponto Com um par de coordenadas (x, y)
Linhas Com mais de um par de coordenadas (x, y)
As vias e hidrografia são exemplos de representação em forma de linhas, com a direção e posição. Os polígonos podem ser utilizados para definir regiões, como limites político-administrativos e bacias hidrográficas.
3.2.1.2 Variáveis visuais
A partir das primitivas gráficas, é possível variar o grau de percepção visual de pontos, linhas e polígonos, através do emprego das Variáveis Visuais (FURLANETTI, 2005).
A proposta de variáveis visuais de Bertin (1977) parte de que se faz comunicação por meio de marcas no papel e leva em consideração: as duas dimensões do plano (x e y); tamanho; intensidade; granulação; cor; orientação e forma (Figura 6).
Figura 6 - Variáveis visuais disponíveis para representações. Fonte: Furlanetti (2005).
Robinson et al. (1995) afirmaram que as primitivas gráficas podem aparecer mais ou menos distintas e salientes, em função da forma, tamanho, orientação ou cor, e, também apresentou uma lista de Variáveis Visuais as quais foram chamadas de Variáveis Visuais Primárias. Uma vez que a variação no espaçamento dos elementos gráficos tenha sido interpretada como textura e a repetição dos elementos gráficos várias combinações das Variáveis Visuais Primárias, produz-se efeitos conhecidos como “padrões” (patterns) ou como “efeito de preenchimento”. Estes “padrões” apresentam características de arranjo, textura (espaçamento), e orientação, podendo ser chamados de Variáveis Visuais Secundárias (figura 7).
Figura 7 - As variáveis visuais secundárias. Fonte: adaptado de Robinson et al. (1995).
As variáveis visuais têm propriedades perceptivas que toda a transcrição gráfica deve levar em consideração para traduzir de maneira adequadas as relações fundamentais existentes entre os objetos representados, que são relações de: similaridade (≡)/diversidade (≠), de ordem (O) e de proporcionalidade (Q) (MARTINELLI, 1991).
3.2.1.3 Fenômenos geográficos
De acordo com Dent (1993), os fenômenos geográficos são distintos dos dados geográficos. Os dados geográficos são feições que descrevem (muitas vezes por medições diretas ou indiretas) os fenômenos geográficos.
Os dados que representam fenômenos discretos ocupam um lugar no espaço determinado, onde não ocorrem tais fenômenos. A escala espacial no qual se observa este objeto vai determinar se podem ser assumidos como ponto, linha, área ou volume. São exemplos: as vias, populações urbanas e etc. Os dados que representam fenômenos contínuos espacialmente ocupam uma área ou volume sem interrupção na superfície terrestre, como clima, pressão atmosférica, densidade populacional e etc. (KRAAK e ORMELING, 1996).
Loch (2005) afirma que a maneira primitiva de se organizar os fenômenos geográficos para facilitar o entendimento é feita em dois grandes grupos: a representação qualitativa, em função da diversidade dos fenômenos geográficos e a quantitativa seguindo a grandeza dos elementos representados, evidenciando relações de tamanho ou proporcionalidade entre os fenômenos.
3.2.1.4 Nível de medida
O nível de medida é basicamente mais uma maneira de se descrever os fenômenos geográficos segundo Dent (1996) (Quadro 1):
Quadro 1 - Tipos de nível de medidas e respectivas características e exemplos.
Tipo do nível de medida Características Exemplo de mapa Nominal Permite distinção entre as classes de atributos dos tipos de culturas agrícolas De solos, Ordenado Classificação hierárquica do fenômeno (baixa, média e alta) Fertilidade do solo Intervalar Permite a distinção entre os intervalos das classes Escalas de temperatura Celsius ou Fahrenheit Razão ou proporcional Eventos ordenados e distâncias entre as classes são conhecidas. Densidade demográfica MacEachren (1994) estabeleceu uma interessante adequação entre o nível de medida e as variáveis visuais (Quadro 2).
Quadro 2 - Variáreis gráficas adequadas aos níveis de medida. Fonte: Adaptado de MacEachren (1994).
Numérico Ordinal Nominal
Localização B B B Tamanho B B B Valor de cor M B P Saturação de cor M B P Matiz de cor M Ma Bb Textura M M B Orientação M Mc B Arranjo P P Md Forma P P B
Onde, B=bom, M=efeito marginal, P=pobre.
aOs tons devem ser cuidadosamente selecionados para que uma ordem ou hierarquia seja
percebida.
bAs texturas são boas para diferenciar somente duas ou talvez três categorias.
cA orientação fornece capacidade limitada para comunicar informações numéricas ordinais,
quando são usadas marcas padronizadas tais como: um símbolo de relógio para comunicar informações sobre períodos de tempo da ocorrência do fenômeno.
dA variável arranjo é mais bem utilizada como uma variável redundante, para representar a
diferença visual entre as categorias mais óbvias.
3.2.1.5 Cor
Robinson et al. (1995) apresentaram três funções para a cor no mapeamento. A primeira como agente de simplificação e esclarecimento, a cor pode ser utilizada na função de
representação e organização do espaço. Na segunda, a cor reflete a perceptividade do mapa, na função de legibilidade, acurácia1 visual e visibilidade. Por fim, a cor gera reações
subjetivas e pode ser utilizada na função de modificar tais sensações.
O fenômeno da percepção da cor é mais complexo que da sensação. Se neste entram apenas os elementos físicos (luz) e fisiológicos (olho), naqueles entram além dos elementos citados, os dados psicológicos que alteram substancialmente a qualidade do que se vê. Guiados pelos dados perceptivos, estudiosos puderam iniciar um levantamento de classificação e nomenclatura das cores segundo suas características e formas de manifestação (PEDROSA, 1999).
Seguindo a composição de suas estruturas, as cores são classificadas com as seguintes denominações (FURLANETTI, 2005):
Cor Primária: cada uma das três cores indecomponíveis que, misturadas em proporções variadas produz todas as outras cores.
Cor Secundária: é a cor formada por equilíbrio ótico de duas cores primárias.
Cor Terciária: é a intermediária entre uma cor secundária e qualquer das duas primárias que lhe dão origem.
Cor Complementar: São cores cuja mistura produz o branco, em Física, cores complementares significam par de cores, complementando uma a outra. O azul é a cor primária ausente; portanto, azul e amarelo são complementares. O complemento do verde é o magenta; e o complemento do vermelho, o ciano. Isso explica porque vemos outras cores além de vermelho, verde e azul. Em um girassol, vê-se o amarelo por que o comprimento de onda de luz vermelha e verde é refletido de volta, enquanto o azul é absorvido pela planta.
Há também o sistema RGB de cores primárias, que é um exemplo da síntese aditiva e pode ser representado graficamente através do cubo unitário definido sobre os eixos R, G e B. O sistema HSV descreve a cor através das variáveis que compõem o modelo, que são o Hue (matiz), Saturation (saturação) e Value (luminosidade). Este sistema é mais intuitivo do que combinações de um conjunto de cores primárias, portanto é mais adequado para ser usado na especificação de cores em nível de interface com o mesmo.
1 Grau de proximidade de uma estimativa com seu parâmetro (ou valor verdadeiro), enquanto precisão expressa
o grau de consistência da grandeza medida com sua média. A Acurácia inclui não só os efeitos aleatórios, mas também os sistemáticos (MONICO et al., 2009).
3.2.1.6 Símbolos
Delazari (2004) ressalta que o uso de símbolos em mapas digitais consiste uma questão a ser resolvida. Os símbolos utilizados em mapas impressos quando convertidos para o ambiente digital tornam-se ilegíveis ou muito grandes. O tamanho máximo de um símbolo na tela do computador não deve exceder 16x16 pixels para que os símbolos não dominem a imagem, e projetar símbolos deste tamanho não é uma tarefa simples. A utilização de textos também é um problema em projeto de mapas. Aplicar uma boa estética para textos em mapas digitais normalmente recai nos problemas já citados do tamanho da tela e da resolução.
Bos (1984) relata que além das características de dimensão espacial os símbolos cartográficos também podem ser classificados quanto à forma: pictórico ou descritivo; geométrico ou abstrato (Figura 8); ou, alfanumérico.
Símbolo Pictórico ou Descritivo: símbolo que costuma ocupar um espaço grande no mapa, maior que a dimensão da feição real e cobrindo outros detalhes, o que não necessariamente deve ser caracterizado como uma desvantagem.
Símbolo Geométrico ou Abstrato: ao contrário do símbolo pictórico, não se assemelha com a feição ou fenômeno representado, para isso, têm que ser explicados na legenda do mapa. Estes símbolos possuem uma exatidão relativamente boa na posição até o ponto em que o centro do símbolo coincide com a localização exata.
Figura 8 – Símbolos: Pictóricos (esq.) e geométricos (dir.). Fonte: Bos (1984).
Símbolo alfanumérico: este grupo de símbolos são os compostos por letras e/ou números. Quando aplicado á informação pontual, a localização do símbolo letra ou número não é exato. Quando aplicados a áreas, esses não precisam ser exatos, e em grandes áreas eles até se repetem.
Algumas fontes para texto podem ser utilizadas a partir do tamanho 6, por serem legíveis, como é o caso da fonte Sans Serif. A utilização de fontes grandes também pode influenciar esteticamente a apresentação do mapa digital, por dominarem a imagem. Por outro lado, a utilização de textos nestes casos torna-se mais fácil porque os textos podem ser visualizados ou não, de acordo com a escala ou tema em questão (ARLETH, 1999).
Associado à questão do projeto cartográfico para visualização cartográfica e tecnologia para visualização de dados do tipo espacial, tem-se a geoinformação e geotecnologia, que permite o acesso às informações representadas, assunto abordado na próxima subseção.