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O mosteiro está implantado num local com declives norte/sul e nascente/poente, a uma cota média de 43 metros e com a Ribeira de Caneças situada a poente, à cota de 40 metros. 174 A

captação de água potável fazia-se através de duas nascentes, uma situada na

Ramada e outra no Casal Ventoso, que confluíam na mãe d’água do Calçado. A partir daí a água era aduzida, também em canalização subterrânea, até ao lavabo do claustro, a partir de onde era repartida pelas dependências necessitadas. A água não potável era conduzida a partir de um desvio do caudal da Ribeira de Caneças até ao mosteiro, atravessava as instalações necessitadas (área de lavagens, latrinas, etc.) e era descarregada na Ribeira de Caneças. O sistema de evacuação fazia-se através de uma levada, derivada de um dique construído na Ribeira de Caneças, a cerca de 2.3 km a montante. Esta levada descia de Arroja até ao mosteiro e conduzia a água em aqueduto, passava sob as latrinas da enfermaria e dos dormitórios e descarregava os efluentes na mesma ribeira.175

É muito complicado reconstruir com exatidão o sistema hidráulico primitivo do mosteiro devido às vicissitudes por que passou este edifício ao longo dos tempos, e que já foram nesta trabalho mencionadas. O sistema hidráulico terá que permanecer hipotético e a ser confirmado por futuras investigações

arqueológicas. Atualmente as instalações são alimentadas a partir de um reservatório municipal localizado no mesmo sitio do primitivo manancial do Casal Ventoso e as

antigas nascentes estão protegidas por uma construção de calcário encimada por uma cobertura em cúpula.

173Idem, ibidem, p. 60.

174 TOMÉ, Manuela Justino et al – Aspectos da Hidráulica do Mosteiro Cisterciense de São Dinis de

Odivelas in Actas so Sinópsio Internacional Hidráulica Monástica Medieval e Moderna (...), p. 244.

175 Idem, ibidem, p. 241.

Figura 14: Esboço dos terrenos do mosteiro, de 1892, rede de abastecimento geral de águas e rede principal de saneamento.

Fonte: Análise Urbana – Odivelas. De Aldeia a Centro

Histórico da Cidade. CIAAM, Rogério Vieira de

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Figura 15: Desenho de reconstituição do território da região de Odivelas. Topografia e rede hidrográfica.

Fonte: Análise Urbana – Odivelas. De Aldeia a Centro Histórico da Cidade. CIAAM, Rogério Vieira de Almeida, Vitor Durão.

Figura 16: Odivelas, fotografia aérea. Assinalados estão o mosteiro, a Mãe-d’água do Calçado, a Arroja, a Ribeira de Caneças, a levada, a nascente do Casal Ventoso e o dique.

Fonte: TOMÉ, Manuela Justino; MONTEIRO, Maria Filomena; CORNACHO, Maria da Graça; JORGE, Virgolino Ferreira – Aspectos da Hidráulica do Mosteiro Cisterciense

de São Dinis de Odivelas in Actas so Sinópsio Internacional

Hidráulica Monástica Medieval e Moderna, (...), Hidráulica Monástica Medieval e Moderna. Lisboa: Fundação Oriente, 1996.

Figura 17: Desenho de reconstituição. O desenho das redes principais de fornecimento de água e a rede principal de esgoto que estavam implementados ao serviço do moesteiro.

Fonte: Análise Urbana – Odivelas. De

Aldeia a Centro Histórico da Cidade.

CIAAM, Rogério Vieira de Almeida, Vitor Durão.

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I.4.1

:

C

APTAÇÃO

O mosteiro era fornecido de água potável proveniente de duas nascentes: a do Casal Ventoso situada à cota de 117 metros e a da Ramada situada à cota de 100 metros. Estas duas nascentes confluíam na mãe-d’água do Calçado, implantada à cota de 63 metros. A captação da água era feita através de uma mina subterrânea com 1,80 m de altura e 0,55 m de largura. As paredes são de alvenaria de pedra e a cobertura é constituída por duas lajes de pedra montadas em V invertido em toda a largura e que se prolongam por toda a extensão da mina. A água recolhida pela mina era conduzida até à caixa de sedimentação de planta circular, construída em calcário, com diâmetro interior de 0,70 m e espessura de 0,25 m.176

Para necessidades que exigiam maior caudal, como latrinas, regas e lagares, era utilizada água não potável captada a partir de um desvio de caudal da Ribeira de Caneças, por um dique situado a 1,250 km a montante, e conduzida por gravidade até à zona Norte do Mosteiro (zona mais elevada) através de uma levada.

176TOMÉ, Manuela Justino; MONTEIRO, Maria Filomena; CORNACHO, Maria da Graça; JORGE,

Virgolino Ferreira – Aspectos da Hidráulica do Mosteiro Cisterciense de São Dinis de Odivelas in Actas so Sinópsio Internacional Hidráulica Monástica Medieval e Moderna, (Convento da Arrábida, 15-17 de Novembro de 1993), Hidráulica Monástica Medieval e Moderna. Lisboa: Fundação Oriente, 1996, p. 244.

Figura 18: Nascente do Casal

Ventoso, Odivelas

Fonte: Aspectos da hidráulica do

Mosteiro cisterciense de São Dinis de Odivelas, Manuela Justino Tomé,

Maria Filomena Monteiro, Maria da Graça Cornacho, Virgolino Ferreira Jorge. (...) Fundação Oriente, 1996.

Figura 19: Corredor da

mina do Casal Ventoso,

Odivelas

Fonte: FERREIRA,

Virgolino Jorge – Os Cistercienses e a água (...)

Figura 20: Arroja, aspecto

da levada.

Fonte: Aspectos da hidráulica do Mosteiro cisterciense de São Dinis de Odivelas, Manuela Justino Tomé, Maria Filomena Monteiro, Maria da Graça Cornacho, Virgolino Ferreira Jorge (...) Fundação Oriente, 1996

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II.4.2:

A

DUÇÃO

A água potável era conduzida em canalização subterrânea por gravidade até à fonte do claustro. A canalização partia da cota inferior das caixas, a um nível aproximado da sua base, que trabalhavam como tanques de decantação de impurezas porque permitiam a acumulação de partículas e poeiras no fundo e contribuíam para a purificação da água.

O abastecimento de água para as necessidades da comunidade monástica (latrinas, regas, lagares, etc.) exigiam um caudal maior e, para esses casos, era utilizada a água da Ribeira de Caneças, conduzida através de uma levada captada na ribeira, na localidade da Ramada, à distância de 2,3 km a montante. Ao longo do primeiro troço a levada tem forma de vala a céu aberto e acompanha as curvas de nível da topografia local e depois passa a um aqueduto que atravessa a Ribeira de Caneças na Arroja e continua até ao mosteiro. A altura do aqueduto molda-se à cota do terreno e da pendente necessária para a adução de água. A construção é de alvenaria de pedra onde assenta uma caleira cuja base é em lajetas de calcário com espessura de 0,15 m em toda a sua largura. Sobre estas lajetas estão aplicados, a cutelo, outros blocos rochosos, também de grande dimensão, com comprimento de 0,48 m (corresponde praticamente à secção interior da caleira) e espessura de 0,27 m. Sobre estas pedras que formam as paredes laterais da caleira está aplicado um capeamento de tijoleira cerâmica com as dimensões de 0,27 m x 0,13 m x 0,12 m. A caleira tem uma largura exterior de 1 m e dimensões interiores de 0,46 x 0,50 m.177

II.4.3:

D

ISTRIBUIÇÃO E EVACUAÇÃO

O complexo monástico primitivo ficou quase totalmente destruído com os terramotos sofridos (principalmente os de 1755 e 1758) e com as sucessivas ampliações que sofreu, sendo que não existem vestígios de reservatórios ou outras instalações coevas para distribuição de água potável.

Este mosteiro, tal como os outros da ordem, tinha um esquema de distribuição interna que conduzia a água potável em adução, através de canalização subterrânea, até ao lavabo, situado no claustro primitivo, de onde era repartida para a cozinha e outras dependências necessitadas.178

177Idem ibidem, pp. 244, 245.

47 A água não potável, conduzida pela levada, entrava no mosteiro do lado norte e passava sob as latrinas da enfermaria e dos dormitórios indo descarregar os efluentes na Ribeira de Caneças, a poente do mosteiro e a uma cota inferior à da implantação deste.179