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Os discípulos de João com um judeu ( $ 1 Jo 3,25) discutem a respeito da purificação (talvez sobre o próprio batismo). “O episódio (...) tem como função provocar o testemunho final de João”17.

Os discípulos de João Batista manifestam a seu mestre sua constatação pelo fato de que todos vão àquele do qual ele, João Batista, deu testemunho. “Percebe-se aqui um traço inconfundível de inveja e de competição”18. O quarto Evangelho serve-se deste ciúme19 a fim de prestar um esclarecimento.

Quando João Batista responde ( - % !! - $ 2 ! Jo 3,27), não se faz uso do pronome . Esta ausência remete a uma assistência maior do que seus interlocutores imediatos. É importante também chamar a atenção de que o verbo rege todo o discurso seguinte. Este último testemunho de João Batista parece ser um testemunho solene, de modo a confirmar os testemunhos anteriores e conduzir os leitores a crerem na pessoa de Jesus.

Chama a atenção o fato de que seus discípulos não digam: aquele que batizaste, mas sim, aquele “de quem deste testemunho” ( ,/ $ - Jo 3,26)20. De fato, se os discípulos falassem: aquele que batizaste; isto talvez levasse a pensar que João fosse maior. É interessante notar que em Marcos não há problema algum no fato de João Batista batizar Jesus Mc 1,9; Lucas o põe de relance (Lc 3,21) e recorda-se a solução apresentada por Mateus, que apresenta expressamente o batismo de Jesus da parte de João Batista. Mateus põe na boca de João Batista palavras que deixam claro que Jesus é superior a ele: “Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti e tu vens a mim?” (Mt 3,14). O fato do quarto

16 Neste último testemunho, usar-se-á como referência unicamente a Jo 3,22-30. Há autores, como X. LEÓN-

DUFOUR, que defendem que o texto de Jo 3,31-36, deve permanecer como palavras de João Batista (em LEÓN-DUFOUR, Xavier. Leitura do Evangelho segundo João I. São Paulo: Loyola, 1996, p. 250.). No entanto, parece que está mais de acordo com o texto, e “são mais fortes os argumentos a favor de que é Jesus o que fala” (son más fuertes los argumentos a favor de que es Jesús el que habla), como afirma R. Brown em BROWN, Raymond Edward. El Evangelio segun Juan I-XII. Madrid: Ediciones Cristiandad, 1979, p. 360. Neste estudo, preferiu-se optar por esta segunda solução. Uma outra hipótese, de que no texto de Jo 3,31-36 é o evangelista quem fala, é apresentada por GALIZZI, Mario. Vangelo secondo Giovanni. Commento esegetico-spirituale. Torino: Editrice Elle Di Ci, 1992, p. 55.

17 LEÓN-DUFOUR, Xavier. Leitura do Evangelho segundo João I. São Paulo: Loyola, 1996, p. 248. 18 BLANK, Josef. O Evangelho segundo João. 1ª. parte A. Petrópolis: Vozes, 1990, p. 294.

19 “A concorrência entre o movimento de Jesus e o do Batista durou enquanto existiam discípulos do Batista.

Somente com o desaparecimento total dos discípulos do Batista pelos fins do século II d.C. é que cessaram por completo as oposições com os discípulos de João”. BLANK, Josef. O Evangelho segundo João. 1ª. parte A. Petrópolis: Vozes, 1990, p. 123.

20 Neste caso, o uso do perfeito do indicativo do verbo : ---- , quer provavelmente indicar

Evangelho não apresentar o batismo de Jesus da parte de João Batista, provavelmente seja uma prevenção anti-batista21. O quarto Evangelho opta por uma expressão coerente com a sua estrutura: aquele “de quem deste testemunho” (Jo 3,26). Pode-se afirmar ainda que “João não fala de fato de um batismo, porque Jesus é o Cordeiro e, portanto, Cordeiro sem mancha através do qual pode ocorrer a remissão dos pecados”22.

Percebe-se que João Batista está totalmente empenhado na realização da promessa. Ele está a serviço do cumprimento das Escrituras. Não quer chamar a atenção sobre si. Com seu testemunho ele quer conduzir seus discípulos e até mesmo os leitores a aproximarem-se de Jesus. “No quarto Evangelho seu testemunho está mais detalhado e definido do que em Marcos”23. O quarto Evangelho “apresenta a João Batista unicamente na qualidade de testemunha de Jesus”24.

João Batista procura ainda educar os seus discípulos a compreender a sua missão. Diz a eles que “Um homem nada pode receber a não ser que lhe tenha sido dado do céu” (Jo 3,27). Ora, desde o primeiro testemunho já havia dito aos judeus que não era o Messias. Mas seus discípulos parecem não querer acreditar nisto. Desejam que seu mestre permaneça como uma pessoa de destaque. No entanto, João Batista reafirma a eles seu testemunho. Ele apenas foi enviado diante do Cristo (cf. Jo 3,28).

Neste último confronto entre os discípulos de João Batista a respeito da pessoa de Jesus, e o papel de seu mestre, chama a atenção de que a superioridade não está naquilo que eles fazem. No presente momento ambos estão batizando. Entretanto João Batista é o amigo do esposo, enquanto que Jesus é o esposo que vem receber sua noiva.

21 De acordo com R. Brown, é legítimo suspeitar de que algumas das negativas do quarto Evangelho acerca

de João Batista tenham a intenção de refutar certas pretensões dos partidários deste a respeito de seu mestre. BROWN, Raymond, Edward. El Evangelio Segun Juan I-XII. Madrid, Ediciones Cristandad, 1979, p. 77. R. Kysar apresenta uma outra hipótese na qual “o evangelista esteja replicando a uma acusação levantada pelos chefes dos judeus contra os cristãos”. (“l’evangelista stia replicando ad una accusa sollevata dai capi giudaici contro i cristiani”). KYSAR, Robert. Giovanni: Il Vangelo indomabile. Torino: Claudiana, 2000, p. 66.

22 “Giovanni non parla affatto di un battesimo, perchè Gesù è l’Agnello e dunque Agnello senza macchia

attraverso il quale può avvenire la remissione dei peccati”. ATTINGER, Daniel. Evangelo secondo san

Giovanni. Roma: Nuove Frontiere, 1993, p. 31.

23 En el cuarto Evangelio su testimonio está más detallado y definido que en Marcos. DODD, C. H.

Interpretación del cuarto Evangelio. Madrid: Ediciones Cristiandad, 1978, p. 294.

24 Juan presenta a Juan Bautista únicamente en calidad de testigo de Jesús. BROWN, Raymond Edward. El

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