DEL II Drøfting
8. Døme frå renovasjonssektoren
Fazer pesquisa social coloca o investigador diante da escolha metodológica entre realizar uma pesquisa qualitativa ou quantitativa. Nesta escolha deve-se superar a discussão que procura hierarquizar e atribuir valores científicos maiores ou menores a cada uma delas, pois as pesquisas de Bauer e Gaskel (2014) já fazem perceber que ambas têm seu valor e espaço em pesquisa social, cabendo ao pesquisador à sensibilidade de perceber àquela mais adequada ao seu objeto de estudo.
Desta forma considerando o objeto de estudo e o campo a serem pesquisados, a opção metodológica foi à pesquisa qualitativa, uma vez que segundo os autores acima citados, esta não só possibilita lidar com as interpretações dos atores sobre realidade social mas também viabiliza a demonstração da variedade de perspectivas dos participantes, trazendo as vozes dos professores, e além do mais conduz o pesquisador a ver “através dos olhos daqueles que estão sendo pesquisados” (Bryman,1988, p.61 cit. in Bauer e Gaskel,2014).
Sobre o viés qualitativo, considera-se o pesquisador o principal instrumento de investigação e promove a necessidade de contato direto e prolongado com o campo; possibilitando “descrições detalhadas de situações, eventos, pessoas, interações e comportamentos observados; citações literais do que as pessoas falam sobre suas experiências, atitudes, crenças e pensamentos; trechos ou integras de documentos” (Patton, 1986 cit. in Alves 1991 p.22).
Foi realizada, portanto, uma pesquisa de campo utilizando o estudo de caso. A pesquisa de campo segundo Gil (2008), proporciona maior familiaridade com o problema. Pode envolver levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas experientes no problema pesquisado. Segundo Goldenberg (2004)
“O estudo de caso não é uma técnica específica, mas uma análise holística, a mais completa possível, que considera a unidade social como um todo, seja um indivíduo, uma família, uma instituição, ou uma comunidade, com o
objetivo de compreendê-los em seus próprios termos” (Goldenberg ,2004, p.35).
5.1- Problemática
Considerando o processo de reorganização das redes de ensino, a fim de atingir os objetivos da inclusão plena e com a preocupação de garantir que inclusão se efetive num padrão de qualidade desejável a todos os educandos, e sabendo-se que a formação dos professores está diretamente relacionada a este fim, este estudo foi norteado pelas seguintes questões: Qual a avaliação dos docentes sobre a inclusão e sobre os seus efeitos no processo de aprendizagem dos alunos com necessidades específicas? Os conhecimentos construídos na formação continuada interferem nas diferentes formas de se avaliar os efeitos da inclusão escolar no desenvolvimento dos alunos com deficiência e com TGD/TEA? Há diferenças entre as avaliações dos professores que atuam no primeiro segmento do Ensino Fundamental (EF) das avaliações dos que atuam no segundo segmento do EF? Qual a importância da formação continuada para práticas inclusivas?
5.2- Objetivos:
Diante destas questões, esta pesquisa tem por objetivo geral:
Investigar a avaliação dos professores sobre os impactos da Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva na vida escolar dos alunos com deficiência e Transtornos Globais do Desenvolvimento/Transtornos do Espectro Autista.
Objetivos específicos:
Analisar a avaliação dos professores do 1º e 2º segmentos do Ensino Fundamental de uma escola do Município de São Gonçalo a respeito dos impactos da Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva na vida escolar dos alunos com deficiência e com Transtornos Globais do desenvolvimento/Transtornos do Espectro Autista.
Comparar as diferentes avaliações feitas pelos professores a respeito dos impactos da Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva na vida escolar dos alunos com deficiência e com Transtornos Globais do desenvolvimento/Transtornos do Espectro Autista.
Verificar se a formação continuada influencia no processo de avaliação dos professores do 1º e 2º segmentos do Ensino Fundamental de uma escola do município de São Gonçalo a respeito dos impactos da Educação Inclusiva na vida escolar dos alunos com deficiência e com Transtornos Globais do desenvolvimento/Transtornos do Espectro Autista.
Verificar se os professores reconhecem a importância da formação continuada para a construção da escola inclusiva.
5.3- Participantes da pesquisa
A presente pesquisa foi realizada em uma escola da rede Municipal na cidade de São Gonçalo, região metropolitana do estado do Rio de Janeiro. Esta instituição foi fundada no ano de 1977. Quando fundado, o colégio era de pequeno porte com 08(oito) salas de aula. Em 17 de dezembro de 1982, foi consolidado o ato de criação através de uma solenidade para o reconhecimento do novo nome da escola.
A escola atualmente possui 02 pavimentos, sendo o térreo com a entrada principal onde estão localizadas a secretaria, sala de professores, salas de coordenação e direção com banheiros próprios, bebedouros, biblioteca e uma sala para as orientadoras educacionais. Há também no térreo, um espaçoso refeitório, ampla cozinha e banheiros. Neste pátio há um parque que serve de recreação para a educação infantil e um auditório. No andar superior há 11 salas, banheiros feminino e masculino, bebedouros e sala de professores.
A divisão das salas de aula se faz da seguinte forma: os alunos do 1º segmento assistem suas aulas no andar térreo, enquanto os estudantes do 2º segmento o fazem no andar superior. Essa questão é bastante complexa uma vez que os alunos com deficiência física que já estão cursando o 2º segmento ficam impossibilitados de
subirem, pois, a escola não dispõe de rampas, dificultando assim a acessibilidade destes educandos. A solução encontrada para tentar sanar este problema tem sido a de trazer as turmas que têm estes alunos para o térreo. De acordo com os atos oficiais da Prefeitura Municipal de São Gonçalo, em seu decreto Nº093/2014 no Capítulo III em que advoga sobre a acessibilidade, o Art. 7º declara que:
“Cabe a direção das unidades escolares com apoio da Secretaria Municipal de Educação, solicitar e realizar obras que adequem o prédio às exigências de acessibilidade do aluno com necessidades especiais, conforme descritas nas normas da Legislação em vigor” (Lei 093/2014).
Atualmente é um colégio de grande porte com um total de 1.100 alunos, distribuídos em três turnos. O primeiro com 26 turmas no horário das 07h00min às 11h30min; o segundo com 21 turmas das 13h00min às 17h30min e o terceiro com 08 turmas das 18h30min às 22h10min.
A escola funciona com alunos desde as séries da educação infantil ao ensino fundamental completo, possuiu também ensino para jovens e adultos que é a EJA trabalhando com 1°e 2° segmentos.
Faz parte da estrutura física do colégio a sala de recursos. Esta sala deveria ser equipada com materiais e recursos pedagógicos específicos à natureza das necessidades especiais do educando. Todavia, o que se pôde ver na escola pesquisada, é um espaço pequeno, com poucos recursos para dar apoio a estes discentes.
A sala de recursos visa contribuir para a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais. No texto das Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica (Brasil, 2001, p.50), encontra-se a importância de tal recurso: Serviço de natureza pedagógica, conduzido por professor especializado, que suplementa (no caso dos superdotados) e complementa (para os demais alunos) o atendimento educacional realizado em classes comuns:
[...]. Esse serviço realiza-se em escolas, em local dotado de equipamentos e recursos pedagógicos adequados às necessidades educacionais especiais dos alunos, podendo estender-se a alunos de escolas próximas, nas quais ainda não exista esse atendimento. Pode ser realizado individualmente ou em
pequenos grupos, para alunos que apresentem necessidades educacionais especiais semelhantes, em horário diferente daquele em que frequentam a classe comum. [...]. (Brasil, 2001, p.50).
A tabela a seguir demonstra o corpo acadêmico da escola pesquisada
Tabela 3- Corpo acadêmico do colégio pesquisado Corpo acadêmico E.M Ensino
Superior Lato Sensu Stricto Sensu Mestrado Total Professores do 1º Segmento 6 16 7 0 29 Professores do 2º Segmento 10 12 3 25 Professores da EJA 2 8 1 11 Professores de Apoio Especializado 6 6 Orientadores Pedagógicos 3 3 Orientadores Educacionais 3 3 Diretor 1 1
Além do que já fora explicitado, faz parte da equipe escolar 04 inspetores, 05 merendeiras, 02 equipes de limpeza, 01 secretária e 02 auxiliares administrativos. Devido à crise econômica que se encontra o município e também em todo Estado do Rio de Janeiro, a falta de funcionários tem sido um problema que se reflete na comunidade escolar.
Encontrou-se na referida escola vinte e quatro (24) alunos com laudo que os inclui no público alvo da Educação Especial, entre os quais, há um (01) em atendimento domiciliar. No momento, dez (10) alunos estão sem apoio especializado.
Segue abaixo tabela e o gráfico compostos com os vinte e quatro alunos (24) e suas respectivas classificações. Estes dados aqui expostos foram enviados para a
Secretaria Municipal de Educação de São Gonçalo (SEMED) sob a responsabilidade da diretora da instituição estudada.
Tabela 4- Classificação do público alvo da escola
Classificação CID Correspondente Quantidade
Transtorno Global do Desenvolvimento/ TEA
CID F84 10
Deficiência Intelectual CID 71 8
Deficiência Física (Hemiplegia)
CID G81 2
Síndrome de Down CID Q 90 3
Visão Subnormal CID H 54.2 1
5.4- Instrumento de coleta e análise de dados
Logo após a autorização da secretaria de educação para a realização da pesquisa, a mesma foi apresentada à direção e ao corpo docente da escola em reunião semanal. Neste momento perguntou-se aos professores regentes quais deles se disporiam a participar da pesquisa, e dos sessenta e cinco (65) professores, dez (10) demonstraram interesse em participar.
Como instrumento de coleta de dados foi realizada uma entrevista semiestruturada, que tem como finalidade reconhecer as percepções, as experiências, reflexões, críticas e problemas que os professores enfrentam no seu dia a dia com alunos com necessidades especiais.
De acordo com Manzini:
“A entrevista pode ser concebida como um processo de interação social, verbal e não verbal, que ocorre face a face, entre um pesquisador, que tem um objetivo previamente definido, e um entrevistado, que, supostamente, possui a informação que possibilita estudar o fenômeno em pauta, e cuja mediação ocorre, principalmente, por meio da linguagem” (Manzini, 2004, s/p.). Assim, tão logo houve demonstração de interesse dos professores foram marcadas as datas das entrevistas, que foram realizadas no local de trabalho, individualmente, após os participantes assinarem o termo de consentimento livre e esclarecido (em anexo). As entrevistas foram gravadas, posteriormente transcritas, e por fim analisadas de acordo com a análise de conteúdo de Bardin (2011).
Existem diferentes técnicas de organização e análise dos dados na pesquisa qualitativa, sendo a Análise de Conteúdo uma destas possibilidades. Para Bardin (2011,) a análise de conteúdo se constitui de várias técnicas onde se busca descrever o conteúdo emitido no processo de comunicação, seja ele por meio de falas ou de textos. Essas falas e textos servem para desvelar o que está oculto mediante a decodificação da mensagem.
Segundo a autora supracitada, a análise de conteúdo deve ter como ponto de partida a organização. Ela organizou a análise em 03 polos: A pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados: a inferência e a interpretação.
Seguindo o referencial teórico de Bardin (2011), uma vez transcritas as entrevistas, foi realizada uma leitura flutuante de seu conteúdo, para que posteriormente os discursos destas entrevistas fossem divididos em unidades de registros e estas agrupadas considerando a frequência simples das mesmas, para que finalmente fossem categorizadas.