8.2. Hvilke faktorer hemmer ressurssykepleierens rolle og funksjon
8.2.2. Dårlig utnyttelse av rollen og funksjonen
Em nossas interações, tinha a preocupação em acompanhar, além de minha própria atuação, a de cada um dos participantes. Por ser eu a professora dos alunos-participantes, e também participante da pesquisa, me via na condição de analisar o meu papel e também o papel deles.
Algo que me chamou a atenção foi a presença constante de dois dos participantes, diria que dos mais presentes nos eventos; entretanto, por vezes, eles pareciam estar completamente ausentes. Para esclarecer essa questão, embora pareça meio redundante, lembro que quando se ingressa em um evento de chat, por características da própria ferramenta, é possível estar ali “presente”, mas sem marcar essa presença linguisticamente.
Para mim, até então, o uso das palavras era essencial, pois acreditava que o chat só poderia ocorrer, no que se refere à materialização, a partir do momento em que duas ou mais pessoas se comunicavam, fazendo uso da língua, com a possibilidade do uso de outros recursos semióticos tais como os emoticons para indicar, por exemplo, alegria ou insatisfação (JONSSON, 1997). Portanto, considerava as marcas linguísticas de grande relevância.
Voltando aos participantes, percebia que estavam sempre ali nos eventos; mas, em algumas situações, praticamente não se manifestavam. Sempre pensava e me perguntava:
Parecem estar ausentes, mas sei que estão presentes. Por que será que às vezes não se manifestam? Resolvi que não os chamaria a participar, pois queria ver a possibilidade de se posicionarem espontaneamente.
Eu mesma procurava responder aos meus questionamentos, embora sentisse dificuldade em indicar com exatidão as causas que levavam os participantes a se “ausentarem” ou pouco se manifestarem durante as discussões. Mas, a primeira suposição que me veio em mente foi a multiplicidade de tarefas. Isso porque, quando se está utilizando a Internet, dependendo da atividade, é possível e comum executarmos ações múltiplas, simultaneamente, seja na própria Internet, ou em nosso ambiente físico-social. Assim, imaginava que tanto Fernando como Renato estavam sempre executando alguma atividade paralelamente às nossas interações, quando eu os percebia “quietos”, o que parecia afetar a atuação deles.
Imaginava que isso pudesse estar ocorrendo, embora acreditasse que tal atitude não se justificasse, pois eu mesma, às vezes, assumia outras tarefas ao longo dos chats, sem com isso
deixar comprometer a minha participação. No meu caso, procurava agir de forma a não afetar a minha atuação, até porque tinha uma função gerencial no desenrolar da discussão, conforme aponta Berge (1995) sobre o papel do professor no ambiente virtual. Já no caso de ambos os participantes, baseada em minha suposição, isso não acontecia.
Em um dos chats, foi possível encontrar indícios de minha suspeita quanto à execução de várias tarefas, conforme recorte (figura 23) que se segue.
Figura 23 – Recorte de chat 16 via Messenger
Fonte: Chat ocorrido em 2 dez. 2012
Conforme já mencionei, às vezes, eu realizava mais de uma tarefa, tal como se pode perceber por minha própria fala no momento da interação: I’m having lunch and talking to
you. Pela fala de Fernando, é possível perceber várias outras ações desenvolvidas ao mesmo tempo: estava almoçando, conversando conosco, assistindo a um jogo e ouvindo música. Fiquei analisando aquele comportamento de Fernando. A habilidade em executar várias ações simultaneamente, tal qual Fernando fazia durante nossa conversa, parecia uma necessidade natural, muito comum nas atuais gerações que parecem não conseguir desenvolver ações isoladamente. Essa questão talvez pudesse estar relacionada ao fato de o computador disponibilizar diversas opções de uso e isso se torna um atrativo aos usuários mais jovens, de
quem trato aqui, que acabam por aproveitar e usufruir dessas opções, até por terem uma necessidade inata para a multiplicidade e simultaneidade de ações.
Mas, ainda assim, não estava certa quanto às causas das ausências. Somente ouvindo o participante mais tarde, por meio de seu relato, pude compreender melhor a questão.
Realmente estava acompanhando toda a discussão, às vezes apenas concordando e em algumas situações expressava minha opinião. Quanto ao uso do inglês, tenho uma dificuldade em fazer construções linguísticas mais elaboradas (que envolvem o uso de certos tempos verbais, etc), acabando por tentar me expressar de forma simples.
(Relato do participante Fernando, 17 set. 2013)
Com base em seus esclarecimentos, percebi, então, os reais motivos. A questão do uso da língua teve um peso, em determinadas situações, principalmente quando o participante tinha que utilizar construções linguísticas mais elaboradas.
Já o caso do participante Renato, que também quase não se manifestava e não interagia com o grupo, embora estivesse on-line, revelou-se também diverso de minhas suposições. Ao indagá-lo sobre sua atitude inexpressiva nos eventos, assim relatou:
- Mas como, professora?! Eu estava presente em todos os encontros. Na verdade, eu compreendia tudo, tentava participar, mas tudo acontecia tão rápido que não consegui dar a minha opinião. Quando ia digitar, já havia outras opiniões e eu me perdia...
(Relato do participante Renato, 23 mar. 2013)
Com base em seu relato, percebi que lhe faltava letramento para lidar com a ferramenta
chat. Renato concebia a interação via chat de maneira equivocada, pois acreditava que deveria responder em uma sequência linear, seguindo uma lógica sequencial, a qual na maioria das vezes não se consegue praticar em uma discussão on-line por meio dessa ferramenta. O que se percebe é uma conversa com aspecto desordenado, em que todos “falam” ao mesmo tempo, embora as falas apareçam por vez, e podendo ocorrer a sobreposição de falas, tal qual aponta Marcuschi (2007), pois o final da sentença pode não indicar o término do turno.
A respeito das competências para lidar no ambiente de chat, também Pereira (2001) aponta a necessidade de o usuário ser capaz de sintetizar suas respostas, além de utilizar o raciocínio rápido para ler as mensagens. Segundo justifica o participante, essas competências não me parecem estar muito desenvolvidas nele, ao usar a LE; o que talvez não ocorra ao usar a língua materna.
Fiquei analisando o motivo de essas ausências dos participantes me incomodarem de alguma forma. Embora eu quisesse oferecer a eles a oportunidade de participarem espontaneamente de uma discussão, parecia querer controlar toda a situação. Percebi em alguns momentos que assumi, inconscientemente, a postura de uma professora controladora, muito embora quisesse ser facilitadora. Parece ser uma característica docente dar conta de tudo que se passa no contexto de ensino-aprendizagem, especialmente, a sala de aula.
Hoje percebo com mais clareza que, mesmo se quisesse, jamais conseguiria controlar o que se passava no contexto em que se situava cada um dos alunos-participantes, pois essa é uma tarefa extremamente difícil, também no contexto presencial. Parece ser consensual a concepção de que só se ensina a alguém se esse alguém tem consigo a intenção de aprender. E nesse processo de ensinar e aprender estão envolvidas várias questões que muitas vezes fogem ao “controle”, ou seja, não se pode querer alunos inteiramente dedicados e participativos o tempo todo. Mesmo porque, antes de tudo, todos somos seres humanos constituídos por nossas histórias de vida e continuamente envolvidos em experiências e na expectativa por experiências futuras que virão (DEWEY, 1976).
Em se tratando das ações necessárias a um aluno virtual tratadas pelos Illinois Online Network (2010) como “auto-motivado”, “auto-disciplinado”, “capaz de se comunicar por meio da escrita”, com “mente aberta para compartilhar informações”, “capaz de refletir sobre suas idéias antes de dar respostas”, “capaz de aprender não apenas na sala de aula tradicional”, pude perceber que nem todas estiveram presentes nos alunos-participantes desta pesquisa. Houve encontros em que faltou a auto-motivação de alguns para a participação dos eventos, assim como a capacidade de se comunicar por meio da LI, e de reflexão sobre as ideias. Isso porque o conhecimento linguístico pode ter exercido influência para o desenvolvimento dessas características. Por outro lado, acredito que tenha ocorrido a possibilidade de desenvolvimento da capacidade de aprender em um contexto diferente do tradicional e de auto-disciplina quando da participação nos eventos comunicativos.