2. Cycling on the Agenda
2.3 The cycling policy on national level
Os primeiros meses do ano letivo foram desenhados em grande parte pelas jogadas dos tradutores que representavam os alunos, que convenciam outros colegas do seu ponto de vista, fazendo-os compartilhar comportamentos violentos pela escola. Este cenário teve uma reviravolta quando o diretor percebeu que a gestão escolar democrática era uma utopia, conforme descreveu Paro (1987), e resolveu usar as múltiplas linguagens para se comunicar com os alunos, dentre elas o afeto, atenção, disciplina e violência. Na grande parte dos dias não era difícil ver o diretor, os coordenadores e muitos professores mais jovens conversarem com os alunos ajoelhados, olhando nos olhos, demonstrando interesse, tocando no ombro e abraçando com carinho. Até mesmo depois de duras conversas, esta equipe tinha respeito, admiração e afabilidade dos alunos, pois muitos deles conseguiam perceber que a intenção dos atos, mesmo que eles não concordassem, era sempre visando o melhor para todos do ambiente escolar. Fica claro que os atos pedagógicos envolvidos de afetividades produzem efeitos positivos e negativos na subjetividade dos alunos, incentivando o professor a melhorar cada vez mais seus vínculos afetivos e a transferência de conteúdos, e, por consequência, tornando a escola um lugar mais agradável (LEITE, 2012) Em um grupo focal, José falou o que achava do diretor e da equipe: “Eu gosto de todo mundo aqui, o diretor é gente boa... sempre tenta agilizar as coisas aqui na escola pra ficar tudo melhor, fez até um Hallowin muito louco no dia das bruxas...”, Maria Lúcia também deu seu parecer: “...Olha, gosto muito do diretor, ele sempre conversa com a gente e trata todo mundo com respeito, teve ate um dia que eu estava bem triste e ele percebeu e me chamou para conversar ali no jardim... ele me ouviu e me senti melhor depois!”. Outros alunos também disseram o que pensavam: “... Acho ele um cara incrível, tem muita atenção na gente, tipo... se interessa pelo que fazemos, sempre pergunta como estamos. Nem meu pai faz isso todo dia (risos).”. Maria Clotilde também relatou: “Acho que o diretor faz um ótimo trabalho, pois coloca limite nos bagunceiros e é super ultra atencioso...”. O afeto parecia tão intenso que o próprio diretor contou em conversa informal que muitos alunos e alunas o chamam frequentemente de pai.
Falando a linguagem dos alunos, o diretor e sua equipe começaram a construir mais pontes comunicativas com os outros estudantes, deixando um pouco de lado a paranoia linguística e o formalismo que em muitos casos podem gerar um forte preconceito linguístico
e excluir muitos alunos ou aumentar a distância entre docentes e discentes (BAGNO, 2015). Com a intenção de aproximar professores e alunos, o diretor sugeriu que os novos tradutores juvenis passassem cada vez mais a integrar o time da escola. O apelo às meninas do bonde mais popular era fundamental para ajudar a colocar os trilhos certos nos outros alunos, como as mesmas também comentaram em entrevista: “...Acho legal que o diretor deixa nóis usar a camisa do nosso Bonde, e também pede ajuda para gente resolver algumas coisas, eu gosto, acho bem legal. Uma vez ele pediu para que eu ajudasse uma colega com dificuldade na aula de educação física, eu fui lá e ajudei. Foi massa!”.
Chamando os jovens para atuar com responsabilidades, o gosto por um protagonismo nunca experimentado antes dentro da escola aflorava em muitos alunos, refletindo-se na vida diária fora do ambiente acadêmico. O despertar do protagonismo entre os alunos, ao serem ensinados que precisam aprender constantemente, se mostra como um arquétipo primordial no ato educativo para o caminho da inclusão social e da diminuição das violências escolares (ZIBAS; FERRETTI; TARTUCE, 2006). Outro fator foi decisivo para firmar a nova conduta estabelecida pela equipe escolar, a saída de Maria Lúcia. A jovem que acusou um traficante de estupro, foi jurada de morte e teve sua rotina reduzida apenas a seu lar, até o dia que uma de suas colegas trouxe a informação que a adolescente havia se mudado da cidade. Outro fator colaborador para a melhora no comportamento dos jovens em direção ao controle da violência foi a saída de João de Santo Cristo, abandonando a escola para assumir seu novo cargo de dedicação exclusiva como vendedor de uma boca de fumo. A ausência destes jovens, que se mostravam lideranças extremamente negativas e persuasivas facilitou a atuação do corpo docente no convencimento de um comportamento menos violento.
Com o aumento do número de tradutores a serviço da escola, o clima mudou radicalmente, como visto no discurso de Carla, uma das meninas do Bonde das Apimentadas: “...Gosto muito dela, minha amigona, mas depois que ela saiu o diretor pede mais coisas para gente, tipo... tipo para ajudar...por exemplo, na noite do pijama. Foi super legal, ajudamos a arrumar as coisas, organizar, diretor, ele deixa nóis se apresentar na hora do
recreio para a escola...”. Neste ponto, a escola foi de encontro com a perspectiva de Gomes (2005) quando afirma que o clima escolar pode fazer a diferença entre a escola bem-sucedida e a escola malsucedida, concluindo que o diretor e o corpo acadêmico têm papel estratégico no desenvolvimento do bom clima escolar, criando uma atmosfera de encorajamento, disciplina, cordialidade, relações mais próximas da família e dos alunos. Assim, ao mesmo
tempo em que o diretor exigia limites rígidos com relação a um comportamento adequado na direção do protagonismo e inclusão social, também era tolerante, flexível e atuava também inspirado em uma pedagogia do afeto (FREIRE, 1997). E assim justificou: “Para trabalhar o problema da violência, não podemos atuar em uma frente apenas, o problema é complexo e merece medidas complexas, se tivéssemos mais ajuda e menos politicagem, as coisas poderiam está melhor....”. Neste sentido, para além de todas as linguagens, o bom convívio entre os atores sociais era uma das grandes preocupações do diretor e sua equipe, organizando eventos como a noite do pijama, com a finalidade de regar as normas do bom convívio e maximizar as interações e relações sociais. O evento serviu também como festa de encerramento do semestre letivo. Sugerida pelos próprios estudantes, a festa foi de arrasar! Para que ela se materializasse foi sugerida uma simbólica contribuição de cada aluno e o resto da noitada foi bancada pelo diretor. As dezenove em ponto os alunos começaram a chegar e a equipe já os esperava com a escola toda ornamentada. A primeira atração foi um filme no telão, pipoca, balas e doces a vontade para todos, os olhos arregalados, apontados para a atração e as bocas que não paravam de mastigar eram um reflexo da alegria dos adolescentes. Após o cinema, a caça ao tesouro agitou a noite dos adolescentes, e assim que as surpresas foram encontradas, teve início a boate, com as músicas que eles mais gostavam, DJ profissional da comunidade, jogo de luzes e fumaça. A noite prosseguiu com jogos como pique esconde e Playstation, os colchões estavam arrumados, mas pouco foram usados pois a manhã chegou mais rápido.
Os alunos não pouparam elogios a noite do pijama: “...Achei o melhor dia da minha vida, foi fera de mais a noite do pijama!”, José de Arimatéia deu seu parecer: “Adorei a noite do pijama, passamos a noite acordados, brincando...”. Ao observar as múltiplas abordagens para atuar frente ao problema das violências, a lente vai focando quando se ajusta a uma sociedade em rede (CASTELLS, 2008) e paradoxal (LIPOVETSKY, 2007). Levando isso em conta, usar a linguagem da violência ao mesmo tempo que se fala a língua do amor não é algo impossível, como relatou o próprio diretor:
“...Muitas vezes eu preciso ser muito rígido e, ao mesmo tempo, flexível, pois a grande maioria destes alunos não tem culpa, e muito poucas opções de escolhas para uma vida melhor. Tento aqui dá a eles estas opções, mas só podem aproveitar isso se andarem na linha. É importante que eles aprendam a se portar em sociedade, a serem educados e pensarem nos outros também, e se só escutam e entendem a linguagem da violência, de que adianta falar outra língua? Falo a língua da violência para tira-los de lá.”.
A fim de matar o mitológico dragão Hidra de Lerna que fazia brotar violências na escola, o diretor e sua equipe arregaçaram as mangas e trabalharam em uma pluralidade de frentes para atingir os alunos. Foram construídas pontes linguísticas para melhorar a comunicação intra e intergeracional, chamando para o protagonismo tanto estudantes quanto professores. A integração da família no ambiente escolar, também foi uma das jogadas para que o comportamento aprendido na escola fosse reforçado pelos pais em suas casas. O tédio e o aborrecimento, um dos maiores vetores para as violências e comportamentos de risco, também foram olhados com cuidado, foram montadas frentes de batalhas para evitar atividades sem orientações específicas, foi proposta a diminuição da distância entre o currículo escolar e o currículo das ruas por meio de atividades que fizessem sentido no cotidiano dos alunos, como a música, arte, linguagem e danças do gueto.
As atividades de direcionamento das violências, como as oficinas de hip hop e as aulas de lutas, surtiram efeitos muito importantes no desenvolvimento dos jovens, mostrando-lhes por meio de uma linguagem muito falada em sua sociedade, o caminho oposto ao do tráfico de drogas, cadeia e morte. Ao final do ano, o cenário preto e branco que havia sido pintado no início do semestre letivo já tinha algumas cores. Os casos de violência e comportamento de risco não deixaram de existir, entretanto, diminuíram sensivelmente, conforme narrado por um professor: “Acho que a esta altura do campeonato, com as condições que temos, fizemos foi muito, e com certeza as coisas melhoraram sensivelmente...”. Marcos também notou a diferença no ambiente escolar: “...Não vejo mais as meninas nem os meninos brigarem tanto, só os pequenos, que vivem se esbarrando e se batendo (risos)...”. De fato, o xeque mate foi dado e, no ano que vem, uma outra partida terá início.
6 À GUISA DE CONCLUSÃO OU O PROBLEMA DA ESPERANÇA
No início de tudo, Zeus e Prometeu fizeram o homem, moldado de barro pelo titã que os fez andar sobre duas pernas quando Zeus lhes deu o sopro da vida. Este ser criado pelos deuses era extremamente primitivo, não tinha armas, não dominava o fogo, e o plantio e vivia dos animais que conseguia matar. O primitivismo foi uma das formas de dominação que Zeus
encontrou para o ser humano não se rebelar contra seus superiores. Entretanto, Prometeu acreditava que sem o fogo o homem ficaria muito indefeso e para que não se voltasse contra os deuses, bastava ensinar-lhe as doutrinas corretas com amor e paciência. Assim, mesmo contrariando a Zeus, foi ao Olimpo, onde uma chama ardia por toda a eternidade e levou uma amostra deste fogo para os seres humanos. Com este novo elemento os mortais desenvolveram muitas capacidades que outrora não eram possíveis, como cozinhar, endurecer o barro, fabricar armas mais eficazes e duráveis dentre outras coisas. Certa noite, Zeus observava os seres humanos, quando viu uma chama de fogo arder. Neste momento perceberam que havia sido enganado por Prometeu e o chamou para uma séria conversa. Considerando o titã culpado decidiu puni-lo amarrando-o em uma pedra, com o fígado exposto para que todos os dias uma águia de rapina viesse comê-lo, no outro dia ele estava regenerado e a tortura se iniciava novamente. Mas não seria apenas Prometeu o único punido por este feito, Zeus resolveu castigar a humanidade também e ordenou a Efesto que esculpisse uma mulher com o barro e mandou Athena dar-lhe o sopro da vida, pedindo para Afrodite orientar a jovem dama na arte de encantar os homens. Após a mulher ficar pronta, foi levada até Zeus e ganhou o nome de Pandora, junto com ela veio uma bela caixa a qual recebeu a ordem de nunca abrir, mandou que Hermes a levasse para a terra e determinou que se casasse com Epimeteu, também avisado para não abrir a caixa. O tempo passou e a curiosidade de Pandora aumentou, certo dia, seu marido dormia com a chave em sua cintura, e movida pelo interesse de descobrir os segredos da caixa, Pandora conseguiu retirar a chave que Epimeteu carregava presa à cintura, sem que fosse detectada. No momento em que a caixa foi aberta um forte vento soprou, deixando sair todos os demônios, mazelas, doenças, sofrimentos, pobreza, inveja, velhice dentre outros malefícios. Percebendo isso, desesperadamente Pandora fechou a caixa deixando lá dentro apenas a esperança, que mantinha a chama da vida dos homens acessa, pois, com tantos males e mazelas permeando a os seres humanos, suas atenções passaram a se voltar para sua sobrevivência em meio a este cenário caótico, ao invés de se voltarem contra os deuses (POUZADOUX, 2001).
Quando Pandora pegou a caixa, feita de prata e com uma bela ornamentação acreditou que o presente carregava em seu interior coisas boas como joias e ouro, entretanto, ao abrir a tal caixa, todos os males que existem na humanidade saíram, ficando apenas a esperança. A pergunta que não quer calar é: por que dentro de uma caixa com todos os males haveria algo bom escondido no fundo? Independente da resposta, a esperança pode colocar uma venda no indivíduo, estimulando o arrastar de situações que podem trazer mazelas e sofrimento para o
ser. No caso dos problemas relacionados à violência, em específico na escola analisada, a esperança de construir um ambiente livre de violências limitava a busca para a resolução de um problema que provavelmente não teria fim, pois o uso da linguagem da violência contra a própria violência não poderia ser pensado sob os paradigmas tradicionais de erradicação deste mal. Com isso, uma guinada na lógica do pensamento poderia fazer emergir novas chances para guiar os adolescentes ao caminho do protagonismo.
Ao lidar com a problemática da violência sob a perspectiva da coerção direta, colocando barreiras para tentar parar o fluxo, o diretor da escola pesquisada percebeu que poderia estar indo na direção errada e abandonou a plataforma em que a esperança no fim das violências estava e resolveu subir na plataforma da violência para tentar guia-la. Assim, sem a pretensão de acabar com as violências, o diretor resolveu seguir caminhos diferentes dos já trilhados pela grande maioria das correntes pedagógicas que buscam realmente preparar o jovem para uma boa vida em sociedade. Com o lema “quem manda nessa porra sou eu!”. em sua bandeira, o problema da violência passou a ser encarado de forma diferente e, ao invés de erradicar tal fenômeno, feito até hoje impossível, o diretor resolveu direcionar o fluxo.
Com isso, os múltiplos fatores que engrossam o rio de violências devem ser bem observados, em especial dois destes afluentes, o do tédio e das influências familiares, pois injetam muita água no caudaloso e principal rio de violências. No que tange à questão familiar, foi observado que mais da metade dos jovens viviam em famílias recompostas, entretanto não foi percebida nenhuma relação direta entre os comportamentos violentos e recomposição familiar. No que tange à influência da família nos comportamentos violentos dentro da escola, o exemplo dado em casa foi muito mais relevante do que a recomposição da estrutura das famílias hydras. Muitos destes adolescentes reproduziam dentro do ambiente da escola o comportamento visto no interior de seu lar, e estes aprendizados eram socializados e reconfigurados, voltando para a sociedade de forma diferente, em geral mais violentos. Em muitos casos os exemplos de violências dados pelos familiares dos jovens eram reforçados pelo contexto de carências que os circundavam, limitando as possibilidades de bons exemplos e uma vida fora daquele contexto.
Aliado ao exemplo de violências familiares, o tédio no ambiente escolar foi outro motivo que a presente pesquisa identificou como um possível gerador e anabolizador de comportamentos violentos, pois deixava uma espécie de vazio, que em muitos casos era
preenchido com comportamentos inadequados. A infraestrutura da escola, provisória há mais de vinte anos, limitava de forma visível o trabalho dos docentes e o conforto mínimo de todos os atores sociais. O currículo, distante da realidade dos alunos, era um entediante motivo para que surgissem novas violências. Este fato se agravava quando os muitos professores se mostravam insatisfeitos com as condições de trabalho, financeiras e com sua própria formação, gerando uma apatia na hora de montar suas aulas, atualizar-se e até mesmo no convívio com as pessoas no ambiente escolar, distanciando mais ainda a educação dos objetivos propostos pela modernidade.
Esse tédio em muitos momentos também hiperbolizava as violências e alguns aspectos culturais que podiam também gerar mais violências como no caso da cultura que o funk ostentação impunha à muitos estudantes. Nos adolescentes mais jovens, o tédio deixava espaço para que brincassem à vontade, entretanto, como grande parte brincadeiras não eram orientadas por um especialista, visando desenvolver algum objetivo específico que beneficiasse os alunos, eles próprios criavam suas regras e compartilhavam valores por meio dos jogos e da linguagem construída por eles. Nestas atividades o contato físico era constante e inevitável, gerando muitas vezes alguns machucados e brigas. Os adolescentes mais velhos usavam o momento de tédio de forma bem diferente. No caso dos meninos, o gosto pela ostentação de bens materiais e namoradas gerava violências na medida em que muitos itens que possuíam podia não ter sido adquirido de maneira lícita. No que se referia às meninas, este espaço vazio era ocupado pelas violentas disputas pelos pátios escolares, pelas fofocas envolvendo namorados e rixas com outras garotas.
A dissonância existente nas linguagens entre docentes e discentes também apareceu como outro afluente gerador de tédio e violências. Dentro da escola, professores e alunos conviviam por quase oito horas diárias e pareciam falar idiomas diferentes. O cenário se desenhava em dois blocos distintos, separados por conceitos morais, e do lado dos alunos, brotava uma percepção líquida enquanto da parte dos professores uma ótica sólida como concreto, distanciando estes dois mundos e deixando com que cada um funcionasse de acordo com suas próprias regras e conceitos. Alguns docentes e discentes se destacavam neste cenário por sua capacidade de se comunicar fluentemente com estas duas extremidades, dominando e criando signos para manter o poder e o status de pessoa popular. Estes eram os tradutores.
Sem esperanças de acabar com o problema das violências no interior da escola, o diretor resolveu lidar de forma diferente com este fenômeno, aprendeu a falar a língua dos jovens para depois solidificar um ato comunicativo e direcioná-lo. Ao observar alguns fenômenos livre de suas múltiplas perspectivas morais, podemos tentar perceber o objeto em si, como no caso da violência; despida de seu fator moral, pode ser observada como uma linguagem muitas vezes instintiva. Neste caminho, o diretor e sua equipe incluíram em seus repertórios a linguagem das violências, ganhando o respeito, a admiração, e o carinho dos alunos além de colocar os trilhos para o protagonismo. Este elemento comunicativo instaurou mais pontes entre o bloco dos adultos e o dos estudantes, melhorando a comunicação e por consequência a relação entre os atores sociais.
A partir deste ponto, professores e coordenadores criaram alternativas para colocar os estudantes nos caminhos da autonomia, alteridade e reflexão, usando como instrumentos a cultura rap, as artes marciais, a linguagem corporal dentre outras formas de aproximar o aluno da escola, e mostrar, por meio destas linguagens, as funções das regras e a importância de se conviver de maneira cordial com o próximo. Como forma de treinar estes aspectos, o diretor, coordenadores e professores organizavam festas e eventos comemorativos, estimulando os alunos a compor todo o cenário. Ao final, contribuíam com a limpeza da escola, dando valor e interagindo socialmente durante todo o processo, na organização, na diversão e na arrumação. Projetos como esses, distantes do enquadramento formal das aulas cotidianas possibilitaram uma interação menos formal entre docentes e discentes, desenvolvendo e compartilhando uma sintonia nas linguagens, solidificação dos laços afetivos e muitos outros valores e comportamentos.
A mudança no ambiente escolar no decorrer do semestre letivo foi notória. Muitos professores se envolveram de forma mais profunda em seu ambiente de trabalho e com seus alunos. Certamente tal fato gerou consequências, muitos estudantes passaram a participar