É hoje sugerido por muitos autores que os recursos naturais, como as áreas protegidas, são frequentemente visitados não só por pessoas com forte consciência ambiental, mas também por uma ampla gama de diferentes tipos de turistas (Wheeller, 2006), entre as quais se encontram visitantes cujo objetivo é participar em atividades de lazer e desporto proporcionadas pelo ambiente natural.
Identificar tipos de turistas distintos é fundamental para o planeamento, gestão e marketing do turismo, bem como para as entidades gestoras das áreas protegidas. As informações sobre a tipologia turística permitem aos gestores
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lidar com diferentes motivações, experiências e impactos de diferentes tipos de turistas e entender quais os que mais provavelmente poderão ser frequentadores de determinada área.
Com base nesta crescente complexidade, vários autores têm proposto tipologias turísticas baseadas na natureza que identificam diferentes segmentos de visitantes, concentrando-se, por exemplo, sobre as motivações dos visitantes e o grau do seu compromisso relativamente à proteção da natureza (Strasdas, 2006).
Muitas áreas protegidas são visitadas por um grande número e diversidade de praticantes e turistas, tendo ao longo do tempo sido apresentadas diferentes classificações de turistas de natureza (Brenner, Arnegger & Job, 2008). Weaver (2001) faz uma distinção entre o ecoturismo hard e soft e salienta que o ecoturismo e o turismo de massa não são mutuamente exclusivos. O Ecoturismo constitui um subgrupo do turismo de natureza relacionado com experiências em áreas naturais ou remotas que fomentam a compreensão e apreciação da necessidade de conservar o ambiente natural de forma a sustentar os recursos naturais, cultura, economia e a comunidade local (Priskin, 2001). Desta forma, segundo a classificação de Weaver, ecoturistas hard podem ser considerados visitantes com consciência ambiental, cujo objetivo é ter uma experiência direta com a natureza. Estes realizam frequentemente viagens longas e especializadas até locais fisicamente desafiantes, normalmente em pequenos grupos. O segmento de turistas soft, também descritos como ecoturistas de massa, inclui um maior número de turistas em experiências de turismo de natureza de curta duração, por exemplo, veraneantes que passam férias com tudo incluído num
resort costeiro, os quais podem visitar posteriormente uma área protegida
próxima numa excursão de um dia (Weaver, 2001).
Ao classificar os consumidores de turismo de natureza, Strasdas (2006) estabelece uma distinção entre seis segmentos diferentes, dependendo o seu compromisso com a natureza, bem como as motivações da viagem:
“Turistas comprometidos com a natureza”, um pequeno segmento de visitantes, semelhantes ao segmento hard de Weaver (2001) que, muitas
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vezes, para além da sua admiração pela natureza no seu estado selvagem, se encontram envolvidos em atividades de conservação; “Turistas interessados na natureza” que são informados e preocupados,
mas não necessariamente comprometidos com atividades ecológicas; “Turistas casuais”, muitas vezes conjugam uma viagem de férias clássica
(por exemplo, férias de praia) com uma visita de curta duração a uma atração natural próxima, de fácil acesso sendo, por isso, comparáveis à classe soft;
“Turistas da natureza com interesses culturais específicos” são semelhantes aos tipos de turistas descritos nos primeiros dois pontos, mas tendem a incluir elementos culturais nas suas atividades turísticas, como por exemplo, culturas indígenas tradicionais;
“Desporto/turistas de aventura”, os quais procuram a emoção, o risco, o desafio e a incerteza do resultado;
“Turistas de caça/pesca”, os quais consideram a natureza, principalmente, como um pano de fundo para suas respetivas atividades. Para além disto, é sugerido que o contínuo soft-hard deve ser expandido através da adição do segmento de “ecoturistas estruturados”, os quais demonstram um forte compromisso ambiental e são propensos a participar em atividades fisicamente desafiadoras mas, por outro lado, exigem serviços acima da média, no que respeita, por exemplo, às condições de alojamento (Weaver & Lawton, 2002).
Arnegger, Voltering e Job (2010) propõem um esquema de classificação baseado numa matriz bidimensional. Nesta classificação, um eixo incorpora motivações de viagem dos turistas em relação à relevância da natureza como um ponto de atração. Esta dimensão pode estar relacionada com as tipologias turísticas mais sociológicas apresentadas anteriormente, comparável ao contínuo hard-soft de Weaver (2001). O outro eixo representa a dimensão da oferta contratada pelo turista, ou seja, diferentes tipos de hábitos de consumo
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dos turistas em termos de serviços adquiridos (Pearce, 2008), a qual pode ir desde a aquisição de um pacote de serviços completo até à aquisição de cada serviço independentemente. Com quatro características diferentes em ambos os eixos, são descritos 16 tipos ideais diferentes para produtos de turismo de natureza. As fronteiras entre eles não se encontram claramente definidas e as respetivas categorias podem ser mais ou menos distintas entre si. Podem existir simultaneamente diferentes tipos, dependendo do tamanho e localização da área protegida.
Com o objetivo de diferenciar os turistas de natureza, podemos também concentrar-nos nas motivações que apresentam relativamente a diferentes produtos oferecidos. Assim, na primeira categoria, os consumidores de produtos de proteção da natureza, podem ser classificados como compradores de um produto de nicho absoluto, que oferece participação e envolvimento (direto ou indireto) em medidas de conservação. Todos os produtos de turismo de natureza dentro desta categoria podem também ser identificados como o ecoturismo hard. Na segunda categoria, a motivação pode ser descrita como a experiência relativa à natureza. Refere-se a turistas cujo principal interesse é a observação de paisagens, flora, fauna e habitats, sem se envolver ativamente em medidas de conservação. Para a terceira categoria de turistas, a motivação constitui a prática desportiva e a aventura. Neste caso, o ambiente natural é o cenário de fundo para as suas atividades (por exemplo, pedestrianismo ou escalada). Alguns casos envolvem uma utilização com objetivos de consumo direto da natureza, por exemplo, através da caça ou da pesca. Finalmente, a categoria motivação hedonista, que se concentra apenas em parte, em experiências relacionadas com a natureza. Para estes turistas, o espectro total da viagem também inclui outras características do destino, nomeadamente históricas, culturais ou etnológicas, bem como outros elementos típicos das férias, em que a visita a uma área protegida constitui um “add-on” (Arnegger, Woltering & Job, 2010). No âmbito do turismo ativo, os turistas podem também ser segmentados através da análise de experiências extraordinárias. Triantafillidou e Siomkos (2014) propõem segmentar o mercado grego de acampamento de verão com base na escala de experiências extraordinárias proposto por Arnould e Price (1993),
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utilizando uma metodologia através da análise de clusters. Neste estudo, foram identificados quatro segmentos distintos: os campistas social-naturalistas, os campistas indiferentes, campistas naturalistas puros e os campistas aventureiros-experimentais. Estes segmentos foram identificados com base em diversas variáveis obtidas após a visitação (ou seja, a satisfação, a intenção de voltar, a nostalgia, atividades).
De acordo com o anteriormente referido, as atividades de desporto de natureza baseiam-se na utilização de ambientes naturais (Buckley, Pickering & Weaver, 2003).
Segundo Cater e Cater (2007), as atividades de turismo de natureza podem ser classificadas em três categorias frequentemente descritas como atividades baseadas na natureza consumistas, de aventura e não consumistas. Todas elas podem incluir componentes terrestres ou marítimos. O turismo de exterior descrito como consumista refere-se à caça e à pesca recreativa (Buckley, 2010). O turismo de aventura utiliza os ambientes naturais como cenário de fundo para a recreação, raramente com o objetivo de apreciar a natureza (Buckley, 2010). Uma atividade pode ser classificada atividade de aventura, se possuir as seguintes características: resultados incertos, um elemento de perigo e risco, desafio, benefícios esperados, novidade, estímulo e excitação, exploração e descoberta e emoções fortes e contrastantes (Swarbrooke, Beard, Leckie & Pomfret, 2003). Os denominadores comuns do turismo de aventura constituem o risco e a incerteza dos resultados. No entanto, existe uma sobreposição considerável entre as motivações individuais e a conceção dos produtos comerciais, os quais incluem frequentemente, componentes culturais e de aventura na natureza num único produto (Stronza & Durham, 2008). A observação da vida selvagem e da natureza pode ser considerada tanto recreativa como educativa (Newsome, Dowling & Moore, 2005), e muitas destas atividades são realizadas em locais de extrema beleza. Existem pelo menos 45 atividades de exterior oferecidas como produtos de turismo de aventura (Buckley, 2010), entres as quais se incluem a realização de safaris, escalada, observação de recifes de coral e de aves, a prática de surf, rafting e parapente.
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O turismo de natureza não consumista inclui atividades baseadas na observação de animais ou plantas ou apenas a contemplação da paisagem (Buckley et al., 2003). Em termos globais, este subsetor depende fortemente dos parques nacionais, áreas selvagens ou outros terrenos públicos e dos oceanos (Hendee & Dawson, 2002). Estes podem ser visitados pelos residentes locais, viajantes independentes e clientes de operadores turísticos.
Utilizando um método de análise de clusters aplicado a visitantes de um parque nacional da Tailândia, Hvenegaard (2002) propõe a existência de quatro tipologias de turistas distintas baseadas nas atividades realizadas. Em primeiro lugar, uma tipologia de interação baseada em atividades primárias. Os visitantes que participam em caminhadas guiadas foram classificados como trekkers. Os visitantes que participam em atividades de observação de aves (com base em visitas a locais de observação de aves populares, usando binóculos e livros de aves) foram chamados de observadores de aves. Os restantes visitantes, que participaram de uma grande variedade de outras atividades, foram denominados como visitantes em geral. A segunda tipologia baseia-se na informação fornecida pelos entrevistados, em que estes escolhem a atividade que melhor se adapta a si, a partir de uma lista predeterminada de opções. Em terceiro lugar, uma tipologia de visitantes baseada em atividades em que os principais componentes foram os lugares visitados e as atividades turísticas realizadas. Esta tipologia utiliza variáveis dicotómicas, sendo as respostas possíveis (sim ou não) às questões colocadas (se visitou um determinado local e se realizou uma determinada atividade). Em quarto lugar, foi proposta uma tipologia cognitivo- normativa baseada em motivação. Os entrevistados foram questionados sobre qual a razão principal para visitar o parque.