Foram produzidos os seguintes mapas temáticos: modelo digital do terreno (MDT), declividade, rede de drenagem, curvas de nível e cotas altimétricas, unidades geológicas, unidades geomorfológicas, solos e sistemas geoambientais.
Os mapas escanerizados foram lançados no Arc Gis 9.2 e georreferenciados utilizando o datum SAD 69 e projeção UTM. Após o georreferenciamento, os mapas temáticos tiveram os limites de suas classes ajustados, utilizando-se como suporte a imagem LANDSAT-7 (Mapa 01) e a carta planialtimétrica. Esse procedimento foi usado para aumentar a precisão dos mapas a compor a base digital de análise em SIG (Sistema de Informação Geográfica). Todos os mapas foram trabalhados na escala de 1:100.000 e apresentados na escala de 1:150.000.
Inicialmente obteve-se o limite territorial do município por meio do site do IBGE. Esse limite serviu para extrair dos mapas, em escala estadual e regional, as informações concernentes a área de estudo.
Da carta topográfica da SUDENE foram vetorizados os dados referentes a altimetria e respectivas curvas de nível com eqüidistância de 40m (Mapa 02), bem como toda a rede de drenagem e os corpos d`água existentes. Estas informações foram utilizadas, principalmente, na geração do Modelo Digital do Terreno (MDT) através da ferramenta Tin e, em seguida, na produção do mapa de declividade.
O mapa de declividade foi feito a partir do MDT, usando a ferramenta 3D Analyst e com intervalos definidos de acordo com as classes de Cottas (1983). A classificação adotada por esse autor está representada em porcentagem. No
entanto, por considerar o valor em graus mais aplicável e representativo da realidade do terreno, foi efetuada uma conversão dos dados de porcentagem para graus. Essa conversão foi baseada na regra de três, considerando o valor 100% como equivalente a 45 0. Feito essa correspondência temos (Quadro 01):
Categorias Classes em
porcentagem
Classes em graus
Relevo com declive suave Até 5 Até 2 Relevo ondulado 5 a 10 2 a 5
Relevo com superfície inclinada ou colinosa 10 a 15 5 a 7
Relevo com superfícies inclinadas a fortemente inclinadas
15 a 30 7 a 14
Relevo com superfície fortemente inclinada 30 a 45 14 a 20
Relevo íngreme de região montanhosa > 45 > 20
Quadro 01 – Classes de declividade em porcentagem e graus segundo as categorias de declividade de Cottas (1983)
Os contornos da rede de drenagem, extraídos da carta da SUDENE na escala de 1:100 000, foram refinados conforme se apresentou a drenagem do município na imagem LANDSAT – 7.
As informações concernentes a solos, geomorfologia e geologia foram extraídas no ambiente SIG dos mapas acima listados, passando pelo processo de georreferenciamento, vetorização e geração de “shapefile”. A imagem de satélite também foi utilizada no detalhamento dos limites dos sistemas geoambientais classificados pela FUNCEME (2006). Todo este material compôs uma base de dados de Sistema de Informação Geográfica para o município.
No mapa geológico extraído do mapa elaborado pela CPRM (2003) para todo o estado Ceará, numa escala de 1:500.000, foram feitas algumas modificações utilizando a imagem de satélite e a rede de drenagem. Desse modo, as áreas correspondentes ao aluvião tiveram seus limites redefinidos, bem como acrescentados outros não identificados na escala de 1:500.000. Ademais, também foram ajustados os contornos das áreas compreendidas pela intrusão granítica e linha de escarpa da chapada que define o topo.
Apoiado em Sousa (2000), no MDT, no mapa de declividade, na rede de drenagem e na imagem LANDSAT – 7, foi produzido um mapa das unidades geomorfológicas do município, considerando-se cinco unidades: Chapada do Araripe, Encosta da Chapada do Araripe, Depressão Sertaneja, Planícies Fluviais e Maciços Residuais. Esse mapa serviu de apoio para classificação dos sistemas geoambientais, tendo em vista que a geomorfologia foi a base principal para a classificação e individualização dos respectivos sistemas encontrados. O mapa das unidades geomorfológicas foi, então, elaborado no intento de espacializar as diferentes formas de relevo existentes no município em estudo.
Do mesmo modo que o mapa geológico, o mapa de solos produzido pela SUDENE na escala de 1:600.000, sofreu algumas modificações quanto aos contornos e adaptação no sistema de classificação atualmente em uso (EMBRAPA, 1999). Essas modificações foram feitas a partir da imagem LANDSAT – 7 e da rede de drenagem. Assim, as áreas de latossolo vermelho amarelo e de aluvião, conforme sua área de ocorrência, foram redesenhadas.
Com base nos mapas gerados sobre o meio físico, no mapeamento pré- existente realizado pela FUNCEME (2006) para toda a região do Cariri e na imagem de satélite, foi elaborado o mapa dos sistemas geoambientais para o município do Crato, tomando como referência a legenda preconizada pela FUNCEME (2006) e fazendo as devidas alterações conforme as características pertinentes ao município. O mapa dos sistemas geoambientais resultou, portanto, da integração do mapa geológico, de unidades geomorfológicas, de solos e da rede de drenagem. Esse cruzamento de informações apoiou-se, também, no mapa de declividade e nas informações sobre a cobertura vegetal e as condições climáticas. A estrutura geológica e geomorfológica constituíram a base para individualização dos sistemas e subsistemas geoambientais.
Para os sistemas geoambientais foi produzido um quadro síntese, contendo as principais características do meio físico como geologia, geomorfologia, hidrografia, clima, solos e cobertura vegetal. A partir do quadro síntese, foram discutidas as respectivas potencialidades e limitações de uso e ocupação do solo que estão, também, sintetizadas em um quadro síntese. Essas potencialidades e limitações resultaram do diagnóstico do meio físico com fins de subsidiar a
implementação e o desenvolvimento das atividades econômicas, conforme a capacidade de suporte dos recursos naturais.