Chapter five: Types of PMSCs in Somalia
5.5 Current militia, future PMSC?
A reflexão neste trabalho de investigação é articulada como uma proposta de formação docente que objetiva minimizar a dicotomia entre teoria e prática e ao mesmo tempo preparar os professores para a realidade educacional oriunda das mudanças sociais, democratização do acesso ao ensino, crise da profissão e conhecimentos que o professor necessita dominar em sua prática.
Foi tomada no curso, como base de todas as estratégias formativas adotadas, mantendo-se presente durante todo o percurso.
Para dialogarmos sobre reflexão, buscamos entre outros autores, Schön (1997), que declara que há a reflexão na ação, a reflexão sobre a ação e a reflexão sobre a reflexão na ação.
A primeira, reflexão na ação, ocorre simultaneamente à prática, na interação com as experiências, permitindo ao professor dialogar com a situação, elaborar um diagnóstico rápido, improvisar e tomar decisões diante do inesperado e das condições efetivas do momento.
A segunda maneira, reflexão sobre a ação, refere-se ao pensamento deliberado e sistemático, ocorrendo após a ação, quando o professor reserva um tempo para refletir sobre o que acredita ter acontecido em situações vividas em sua prática. É nessa reflexão sobre a ação que tomamos consciência do conhecimento tácito e reformulamos o pensamento na ação tentando analisá-la, percebendo que é um ato natural.
A terceira, reflexão sobre a reflexão na ação é aquela que ajuda o profissional a desenvolver-se e construir sua forma pessoal de conhecer. Trata-se de olhar retrospectivamente a ação, refletir sobre o momento da reflexão na ação, ou seja, o que
aconteceu, o que se observou, qual o significado atribuído e que outros significados podemos atribuir ao que aconteceu.
Frente a isto, acreditamos que Schön (1992), ao falar sobre ação-reflexão-ação, deve estar se referindo ao processo pelo qual os professores aprendem partindo da análise e interpretação de sua própria prática pedagógica, tornando-se um profissional reflexivo, crítico, autônomo e criativo, aberto a novas possibilidades, com o intuito de contribuir com o processo de ensino.
Segundo Freire (2006, p.39) “é pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática”.
No entanto, devemos lembrar que é fundamental que a reflexão seja encaminhada na perspectiva da aprendizagem e do desenvolvimento do professor. Alguns autores têm enfatizado esse caráter comprometido e político da ação reflexiva, entre outros, Zeichner (1993) e Imbernón (2000).
Zeichner (1993, p.24), descreve quatro tradições da prática reflexiva:
• Acadêmica, que se refere à reflexão sobre as disciplinas e a representação e a tradução do saber das disciplinas em compreensão do aluno;
• Eficiência social, que acentua a aplicação de determinadas estratégias de ensino, sugeridas pela investigação;
• Desenvolvimentalista, na qual o professor reflete sobre os alunos (ensino voltado aos interesses dos alunos);
• Reconstrução social, que acentua a reflexão sobre o contexto social e político da escolaridade .
Com relação a refletir sobre o contexto social e político da escolaridade, Zeichner (2008) declara que enquanto as ações educacionais dos professores nas escolas obviamente não puderem resolver os problemas sociais por si mesmos, eles podem contribuir para a construção de sociedades mais justas e dignas. Sob sua ótica na prática do ensino reflexivo, a atenção do professor está voltada tanto para sua própria prática quanto aos aspectos sociais nos quais está inserida; o professor não pode ignorar questões como “a natureza da escolaridade e do trabalho docente ou as relações entre raça e classe social por um lado e o acesso ao saber escolar e o sucesso escolar por outro”. (ZEICHNER, 2008, p.26)
Este autor considera que nenhuma das tradições sobre a prática reflexiva por si só garante este tipo de prática, para ele:
O bom ensino precisa ter em atenção todos os elementos centrais das várias tradições: a representação das disciplinas, o pensamento e compreensão dos alunos, as estratégias de ensino sugeridas pela investigação e as consequências sociais e os contextos do ensino. (ZEICHNER, 2008, p.25)
Frente a isto, devemos lembrar que no processo de ação-reflexão-ação, o professor mobiliza teorias internalizadas, saberes da experiência, do contexto, etc. Como vimos, é importante que essa reflexão ultrapasse o imediato e se alongue considerando o entorno, os aspectos sociais, a pertença a uma comunidade onde o seu trabalho e a sua vida se realizam e na qual essa relação deve ser de reciprocidade.
Marcelo Garcia (1992), com base em Weis e Louden (1989), afirma que o pensamento reflexivo e a ação podem ocorrer separada ou simultaneamente e com base nesta relação apresenta quatro formas de reflexão:
• Introspecção, implica uma reflexão interiorizada, pessoal, longe da atividade
diária;
• Exame, implica uma referência do professor a acontecimentos ou ações que
ocorreram ou que podem ocorrer no futuro. Está mais próxima da ação;
• Indagação, está relacionada com o conceito da investigação-ação e permite ao
professor analisar sua prática e buscar melhorar;
• Espontaneidade, é a que se encontra mais próxima da prática.
Para Fiorentini e Castro (2003) a reflexão seria parte integrante do processo de formação profissional, onde os saberes docentes são mobilizados, problematizados e ressignificados. Para os autores ressignificação seria o processo criativo do professor de atribuir novos significados a partir do que já é conhecido, validando um novo olhar sobre o contexto em que este professor está inserido. Segundo estes autores é nesse processo de reflexão e ressignificação de sua prática que o professor se constitui professor.
Uma característica da prática reflexiva é o compromisso com a reflexão enquanto prática social, envolvendo por exemplo, o trabalho em grupos, nos quais os professores apóiam e sustentam o crescimento uns dos outros e é com base nesta perspectiva, que trazemos a seguir, nossa segunda opção de estratégia de formação, ou seja, o trabalho em grupo.