Chapter 6 Hierarchical Cell Complex and Homology Computation 130
6.4 Future developments
6.4.2 Current and future work
A existência de acampados que hoje estão na condição de assentados é grande, haja vista que 86,48% disseram que participaram do início da luta por terra na condição de assentados. Na Palmares I, 79,51% disseram ter participado de acampamentos na Palmares II, 90,47%, no Onalício Barros 83,33% e no Carlos Fonseca 91,11%. Ressalta-se o fato de 20,49% dos assentados entrevistados na Palmares I que não participaram de tal processo, seguido dos 16,67% do Onalício Barros que também não participaram.
3. 2 – O contexto das Associações no interior dos assentamentos
A capacidade de associação foi relevante para assumirem a condição de assentados e esta capacidade tem sido elemento relevante para contribuir na estabilização de sua estrutura produtiva, uma vez que a condição de assentado, no geral, os mantém vinculados às políticas públicas e, que sua capacidade de organização reflete a intensidade com que tais ações públicas favorecem o assentamento. Observar o grau de associativismo e verificar os assuntos mais discutidos dentro das associações confirmou que cada um dos assentamentos, apesar do grau elevado de elementos em comum, são espaços guardam peculiaridades internas.
A organicidade na forma de associação é importante nas relações que os assentados mantêm fora do assentamento. O governo exige a formalidade jurídica quando os assentados almejam qualquer forma de crédito ou financiamento. É por intermédio da associação que conseguem escolas, postos de saúde, áreas de lazer, transporte, estradas, como a própria questão da comercialização de suas produções.
A existência das associações ao mesmo tempo em que contribui para que os assentados queiram saber e lutarem juntos para alcançarem as melhorias internas, causa também divergências. De maneira geral, o quadro administrativo dos movimentos sociais, aqueles que tem o “poder” de decidirem quem receberá ou não os financiamentos ou qualquer outro benefício oferecido pelo governo, acaba com o tempo tomando para si responsabilidades que causarão hostilidades em relação a um grupo maior que ora tenha ficado de fora dos benefícios. Esta é uma das causas da existência de divergências internas nas associações.
Um outro fator que contribui na ocorrência de divergências internas é o próprio status que os representantes acabam conseguindo com suas ações, isso no sentido político da coisa. Isto contribuirá para a existência dos que estarão a favor e os que estarão contra suas atitudes, contribuindo para a formação de novos grupos pequenos no sentido de também almejarem o status alcançado pelo quadro administrativo. Deve-se deixar claro que este é um fator que ocorre quando o assentamento já esta além do seu período de estabilização. Estabilização no sentido de melhorias ganhas, grau de organicidade avançada, entre outras características.
Quanto ao assentamento Onalício Barros, fundado em 1998, se observou uma forma diferenciada de organização. A associação local, APROCNOB – Associação
de Produção e Comercialização do Assentamento Onalício Barros, tem sua presidência composta de 5 pessoas, sendo 2 no executivo ou tesoureiros e, 3 no conselho fiscal ou administrativo. Esta forma de organização da presidência, segundo os próprios membros, seria para melhor estruturar, fiscalizar e dar maior assistência aos assentados, pois alegam que experiências de outros assentamentos não foram tão positivas quando organizados pela estruturação imposta pelo MST ou pela FETAGRI. Além da presidência há o delegado que como o próprio nome já esclarece, delega funções a outros assentados através do coordenador de núcleo. Este tem a função de coordenar os 8 núcleos que compõe o assentamento Onalício Barros.
A estruturação em núcleos da associação no assentamento Onalício Barros é novo para os membros de sua junta diretiva e administrativa. Esta estruturação também é nova para assentados, que devido alguns serem oriundos de outros assentamentos, como Palmares I e II, que já conheceram outro tipo de estruturação, causa certa angústia interna, como colocou o próprio delegado, que em seu ponto de vista a associação não terá futuro. Mas, há que se considera que há formas de organização que em sua fase inicial conta com problemas de aceitabilidade por parte de seus membros diretos e indiretos. A associação do assentamento Onalício Barros é nova assim como o próprio assentamento e, na realidade o que se observa é um período em que os assentados almejam estabilização no que se refere à busca de crédito, de benfeitorias locais, como posto de saúde, escola, entre outros, e talvez seja natural encontrar entre os assentados aqueles que não acreditam nas ações da associação.
A carta imagem do assentamento Onalício Barros no município de Parauapebas, mostra sua delimitação com o rio Parauapebas e com a FLONA de Carajás. Observa-se o grau de devastação antrópica ocorrida no assentamento, devido sua própria atividade econômica basear-se em sua maioria na pecuária extensiva.
Mapa 4: Carta Imagem do Assentamento Onalício Barros
FONTE: Base Cartográfica IBGE/2004. Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA/2003.. Ponto coletado em campo com GPS de navegação. Imagem TM/Landsat 224064 de 12/07/2005 – SIPAM.
A associação do assentamento Carlos Fonseca denominada APRACF – Associação dos Produtores Rurais do Assentamento Carlos Fonseca -, fundado em 1999, teve seu início relacionado à história da Palmares I. A origem dos assentados do Assentamento Carlos Fonseca está ligada ao desmembramento que houve na Palmares I. Este assentamento a princípio contava com 320 famílias. Informações de membros da associação da Palmares I, APROVPAR – Associação dos Produtores Rurais da Vila Palmares Sul -, pode esclarecer a ausência de entrevistados para a pesquisa. Das 320 famílias que formavam o assentamento, no ano de 1999 saíram 98 famílias no intuito de formarem um novo projeto de assentamento, agora denominado Carlos Fonseca.
FOTO: Sheila Teixeira.
Foto 8: Sede da APRACF, associação do PA Carlos Fonseca,