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Cumulative, pathway and interaction effects of social indicators on child health and child care

3. RESULTS

4.1.5 Cumulative, pathway and interaction effects of social indicators on child health and child care

Outro tema importante na matemática escolar é a proporcionalidade. Para Post, Behr e Lesh (1994), a proporcionalidade envolve um raciocínio qualitativo e quantitativo, o que, de certa forma, pode gerar dificuldades nos alunos principiantes, os quais tendem a ir direto para as contas, sem antes analisar qualitativamente o que acontece. Os problemas de proporcionalidade não se resumem ao uso dos algoritmos que geralmente são empacotados sob o rótulo “regra de três”, mas envolve vários procedimentos analíticos, muitos deles utilizados ou com reflexos diretos na vida social mais ampla dos alunos. A proporcionalidade é importante em álgebra, além disso, porque se associa ao estudo das funções lineares, que servem de modelo matemático para as relações de proporcionalidade entre grandezas e englobam, assim, muitas ocorrências físicas. Segundo os autores, a ideia de proporcionalidade pode estar implícita nos gráficos e tabelas, além das fórmulas do modelo linear, o que requer, em qualquer caso, alguma forma de conhecimento algébrico.

De acordo com Post, Behr e Lesh (1994), o algoritmo padrão para se resolver um problema de proporcionalidade (essencialmente a “multiplicação cruzada”) não faz muito sentido no “mundo real” e sua introdução formal, sem o devido cuidado com as ideias qualitativas associadas, pode gerar dificuldades na aprendizagem. O processo de multiplicação cruzada é sustentado por uma lógica nada evidente e, por isso, não gera uma compreensão imediata da razão pela qual o algoritmo realmente funciona. Os autores sugerem sequências de ensino alternativas e também complementares à regra de três, no trabalho com a noção de proporcionalidade. Segundo eles, para introduzir a proporcionalidade, podemos começar com problemas de cálculo de taxas unitárias. As taxas unitárias nos informam sobre um valor determinado por uma divisão. A partir daí pode-se facilmente calcular o valor correspondente a k unidades, através da multiplicação por k. O problema a seguir exemplifica uma questão de proporção que se encontra no estudo de Post, Behr e Lesh (1994): Sally pagou R$ 4,50 por 5 disquetes. Quanto ela pagaria por uma dúzia? (p.95). Os autores chamam atenção que, para a resolução, neste caso, não é necessário, evidentemente, montar o algoritmo da regra de três, como é usualmente trabalhado esse tipo de problema. Basta, num raciocínio que pode ficar facilmente sob controle do estudante, encontrar o preço unitário e multiplicá-lo por 12. Observe-se que as contas são praticamente as mesmas, mas evita-se um algoritmo que se sustenta em uma lógica nem sempre (de fato, quase nunca) transparente para o aluno.

Existem várias formas de resolução de problemas de proporcionalidade que podem ser trabalhadas com os alunos, sempre levando em conta as iniciativas deles, mas o importante é que se chegue ao algoritmo da regra de três (simples ou composta), com base

no entendimento. Todos esses métodos podem ajudar a compreensão da lógica do algoritmo de resolução dos problemas de proporcionalidade, ainda que cada um deles tenha suas limitações práticas, o que acaba por recomendar a eventual abordagem através do algoritmo. Os autores recomendam também a abordagem gráfica da proporcionalidade direta entre duas grandezas, descrita por uma função linear, cujo gráfico é uma reta no plano cartesiano, passando pela origem. A inclinação desta reta aponta o comportamento no “longo prazo” ao mesmo tempo em que dá a variação de uma das grandezas quando a outra aumenta de uma unidade.

Post, Behr e Lesh enfatizam a importância da compreensão em detrimento da simples reprodução de algoritmos. Mas, para enfatizar a compreensão em detrimento da simples reprodução dos algoritmos é necessário que o professor esteja preparado para oferecer diferentes abordagens e para criar e conduzir tarefas e atividades que levem a essa compreensão, ou seja, precisa deter conhecimentos profissionais docentes associados a essa demanda da prática escolar. Eis as palavras dos autores sobre esse ponto:

O tipo de análise realizado aqui sempre pode ser utilizado para reinterpretar o algoritmo padrão ou a abordagem da multiplicação em cruz, seja como uma taxa unitária, seja como uma estratégia de fator. Isso o tornará mais compreensível para os alunos. Na realidade, quanto mais os alunos entenderem, mais perceberão a matemática como uma teia intrincada, e sempre em expansão, de ideias aprendidas anteriormente e inter-relacionadas, e não como uma coleção de regras arbitrárias, aparentemente sem qualquer relação ou fundamento lógico (Post, Behr e Lesh, 1994, p.101)

Isso parece repetitivo, mas é importante destacar que não adianta apenas recomendar a abordagem pela compreensão, é preciso estar suficientemente preparado (isto é deter conhecimentos específicos) para executá-la efetivamente em sala de aula. São esses saberes que se espera que o futuro docente incorpore num curso de formação inicial. São saberes que vão além do que se costuma chamar de “conteúdo matemático”, mas que não se reduzem, por outro lado, a um “como ensinar” genérico. Seria uma preparação que envolve simultaneamente o trabalho docente escolar com determinado tópico matemático, o que implica uma unidade funcional entre diversos tipos de saberes todos vinculados entre si e vinculados com a disciplina escolar “matemática”, o que tem sido condensado na forma de alguns nomes como Mathematical Knowledge for Teaching, MKT (Ball), conhecimento matemático específico para o ensino escolar (ver Ferreira, 2014) e ainda matemática do professor, como tem sido referido por Romulo Lins em alguns de seus trabalhos. É preciso deter conhecimentos importantes e fundamentais para ser capaz de levar os alunos a analisar, conjecturar, testar, avaliar etc., como partes da produção do

saber matemático na escola. Não basta estar aberto às recomendações curriculares ou ter “boa vontade”.

Assim vemos que o trabalho com a noção de proporcionalidade, de acordo com as demandas da prática expressas pela literatura especializada, não é contemplado no currículo de formação inicial do professor de matemática da UFMG.