2. Industry review
2.3 Defining characteristics
2.3.3 Crunching the numbers (U.S. and Norway)
A perspectiva da totalidade, do olhar sistêmico na agroecologia, leva ao entendimento de que a transição agroecológica não envolve apenas a passagem de um modelo agropecuário industrial para outro ecológico, mas considera que essas transformações devem ocorrer na unidade produtiva como um todo, abrangendo a economia, a cultura, o social, o político e o agronômico. Apregoa que a unidade de produção não é um sistema fechado para o mundo externo e, por isso, as transformações que ocorrem no mundo interferem no local, na unidade de produção. Desse modo, a perspectiva da transição agroecológica não se limita ao sistema produtivo, por entender que essa transformação deve ocorrer de forma ampla, envolvendo, inclusive, os consumidores e a sociedade em geral.
Assim, define-se a transição agroecológica como:
Um processo gradual, multilinear de mudança, que ocorre através do tempo, nas formas de manejo dos agroecossistemas, que na agricultura, tendo como meta a passagem de um modelo agrícola químico de produção a estilos de agricultura que incorporem princípios e tecnologias de base ecológica.
[...]
Essa idéia de mudança se refere a um processo de evolução contínua e crescente no tempo, porém sem ter um momento final determinado.Entretanto, por se tratar de um processo social, isto é, por depender da intervenção humana, a transição agroecológica implica não somente na busca de uma maior
racionalização econômico-produtiva, com base nas
especificidades biofísicas de cada agroecossistema, mas também numa mudança nas atitudes e valores dos atores sociais em relação ao manejo e conservação dos recursos naturais (CAPORAL; COSTABEBER, 2004, p. 12).
Para Vitoi (2000 citado por ASSIS, 2005), a transição agroecológia possui um elemento educativo primordial, transformando o modo de pensar e fazer agricultura, o que implica não em mera substituição de técnicas, mas de um novo olhar sobre as atividades cotidianas, algo que não é trivial, constituindo em processo educativo.
Por isso, o planejamento do processo de transição é algo imprescindível para que os agricultores se adaptem a novos elementos em sua rotina e ocorra a efetiva aprendizagem de técnicas de base ecológica. Os aspectos econômicos e políticos, condicionantes da transição agroecológica, devem ser considerados, principalmente no início do processo onde ocorre perda de produtividade do sistema. Essa tende a se recuperar após a readaptação agroambiental, o que demanda políticas públicas6 que apõem esses agricultores em fase de transição (ASSIS et al., 2002 citados por ASSIS, 2005).
Numa perspectiva estritamente voltada para aos aspectos agronômicos, florestais e zootécnicos da transição agroecológica, os princípios e estratégias a serem adotados nos agroecossitemas devem conter os seguintes princípios, segundo Altieri e Nichols (2000, p. 29.):
6 Algumas dessas políticas públicas já se encontram em curso, como o PRONAF Agroecologia,
a reciclagem da biomassa e nutrientes;
assegurar condições no solo para o crescimento das plantas; entendimento do solo como organismo vivo;
minimizar perdas nos fluxos de radiação solar, ar, água; diversidade específica e genética no agroecossistema no tempo e no espaço;
melhorar as interações biológicas e sinergismos dentre os componentes da biodiversidade.
E as seguintes estratégias:
aumento da diversidade das espécies no tempo e no espaço pelo uso de culturas intercalares;
estímulo a espécies de flores e outras vegetações na cultura anual melhorando o habitat para inimigos naturais;
diversificação de sistemas perenes com agroflorestas incluindo o uso de culturas de cobertura em pomares;
incremento da diversidade genética por meio da mistura varietal e de germoplasma local e variedades que exibem resistência horizontal;
intensificação do uso de adubos verde para construção da fertilidade e conservação de solo;
aumento da diversidade da paisagem com corredores biológicos, bordas das áreas com vegetação diversa ou com mosaicos de agroecossistemas e manutenção de áreas de vegetação natural ou secundária como parte da matriz do agroecossistema (ALTIERI; NICHOLS, 2003, p. 147-149).
Em conformidade com Altieri (2002, p. 175-176 citando REINJNTJES
et al., 1992), os princípios-chave que a agroecologia utiliza para o redesenho
Aumentar a reciclagem da biomassa e otimização da disponibilidade e fluxo balanceado de nutrientes.
Assegurar condições do solo favoráveis para o crescimento das plantas, em particular através do manejo da matéria orgânica e o aumento da atividade biológica do solo.
Minimizar as perdas devido a fluxos de radiação solar, ar e água, mediante o manejo do microclima, coleta da água e o manejo do solo através do aumento da cobertura.
Diversificar específica e geneticamente o agroecossistema no tempo e no espaço.
Aumentar as interações biológicas e dos sinergismos entre os componentes da biodiversidade promovendo processos e serviços ecológicos chave.
De acordo com Altieri e Nichols (2000), a chave para a transição agroecológica está no incremento de biodiversidade no sistema, considerado pilar fundamental. Para isso, esses autores sugerem que se busque incrementar o máximo possível de diversidade (genética, taxonômica, estrutural, recursos) dentro do sistema. Para os autores, o aumento da biodiversidade associada conduz a uma polinização e controle de pragas mais efetivo; ciclagem de nutrientes mais adequada; minimização de riscos e estabilização da produtividade.
Uma sequência de passos para orientar a transição vem sendo bastante utilizada no planejamento da transição agroecológica, devido ao seu caráter didático e orientador para agricultores e técnicos envolvidos. Assim, os passos são assim descritos por Gliessman (2005, p. 574):
Incremento da eficiência das práticas convencionais ou otimização do uso de insumos externos.
Substituição de insumos e práticas convencionais por práticas alternativas de base ecológica.