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a) Monitoramento e Sinalização da Informação

A implantação do sistema de PI e o monitoramento do fluxo de informações são realizados pela cooperativa e pela certificadora, por meio do “Plano de Produção, Transformação e Exportação de Soja Não Transgênica”21, desenvolvido pela COTRIMAIO juntamente com seus parceiros – entidades públicas e privadas do Rio Grande do Sul. Neste plano, são previstas as ações para garantir a preservação de identidade das sementes multiplicadas pelos cooperados e, conseqüentemente, dos grãos produzidos. A seleção de produtores para o programa de soja não-GM é realizada pela própria COTRIMAIO, a qual, determina, por meio de contratos com seus cooperados, as especificações para plantio, colheita e armazenamento dos grãos. As vistorias nas áreas de plantio e instalações dos cooperados adeptos ao plano são realizadas por representantes da cooperativa e da entidade certificadora. No início do plano, a entidade certificadora era a Genetic ID, passando, posteriormente, para a certificadora Ecocert. A transição entre as certificadoras deve-se, principalmente, pelo fato da Ecocert gozar de forte reputação junto aos consumidores franceses, mercado-alvo da COTRIMAIO para produtos não-GM.

Embora a Cooperativa já havia desenvolvido um plano de PI para garantir a procedência genética das sementes e grãos cultivados, a certificação de uma entidade externa mostrou-se necessária para conferir legitimidade e sinalização ao atributo “não-GM”.

b) Incerteza

A incerteza a respeito do ambiente institucional, segundo o presidente da Cooperativa, não chega a afetar as estratégias da empresa para a exploração deste nicho de mercado. No entanto, na opinião do Sr. Wünsch, a definição de regras para plantio e comercialização de OGMs no Brasil poderia alavancar o mercado de produtos não-GM. Para a COTRIMAIO, o nicho de soja orgânica, além de possuir

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um mercado consumidor mais definido, possibilita maiores margens na comercialização do que a soja não-GM. A estratégia da COTRIMAIO é estimular a participação de seus cooperados na produção de orgânicos e ganhar maior participação neste mercado, ofertando produtos certificados.

c) Freqüência

A freqüência das transações envolvendo soja não-GM pode ser considerada, segundo critério exposto anteriormente, com grau de recorrência GR 3; ou seja, a COTRIMAIO já realizou mais que duas transações – seja para o mercado interno como externo – e contratos de fornecimento futuro de grãos e farelo de soja não-GM foram celebrados para um horizonte de 5 anos.

d) Competências adquiridas para coordenação

Por se tratar de uma cooperativa, a COTRIMAIO já desempenhava ações de coordenação de sistemas produtivos, cujas competências para coordenação mostraram-se com grau de influência GI forte. Neste sentido, a cooperativa é o principal agente coordenador da cadeia produtiva, possuindo capacidade para centralizar informações, ditar padrões para a implantação do sistema de PI e exercer poder de controle (enforcement) sobre os cooperados.

Um dos aspectos que influenciou a entrada da COTRIMAIO no nicho de mercado da soja não-GM foi o perfil de seus cooperados, o qual, sempre impulsionou a cooperativa a tomar decisões visando o aumento de margens na comercialização e, conseqüentemente, a sustentabilidade econômica do pequeno agricultor.

Neste sentido, a COTRIMAIO iniciou o programa de produção orgânica anterior ao de soja não-GM, porém, com a polêmica causada pelos alimentos geneticamente modificados, a cooperativa optou por também entrar neste mercado, visto que o período de conversão de sistemas de plantio convencional para orgânico demanda, em média, de 3 a 5 anos.

Outro aspecto que pode ser considerado é a opção por construir uma planta processadora dedicada ao esmagamento de grãos não-GM. A construção desta planta, cujo financiamento estava sendo pleiteado junto ao Recoop, poderia ser substituída pela continuidade do contrato de arrendamento da planta processadora ou, então, aquisição de uma planta já existente.

e) Especificidade de ativos

As principais especificidades de ativos do sistema de PI foram:

a) Domínio sobre a procedência genética da semente: a COTRIMAIO participa do programa de produção de sementes do Estado do Rio Grande do Sul, denominado PRÓ-SEMENTES-RS, o qual, garante o fornecimento de semente básica para multiplicação das sementes que irão ser cultivadas pelos cooperados. Além disto, são realizados testes de germinação, vigor, sanidade e identificação da presença de OGM através dos Kits rápidos que detectam a proteína e fornecem o resultado em 3 a 4 minutos (teste ELISA).

b) Áreas de plantio segregadas: os agricultores adeptos ao programa de soja não-GM se comprometem, por contrato, a adquirir e plantar apenas sementes de procedência comprovadamente não transgênica. Com a utilização de croqui da área, são feitas as fiscalizações pela cooperativa e entidade certificadora.

c) Estruturas de colheita, transporte e armazenamento: é exigido dos produtores envolvidos no Projeto, a limpeza das máquinas de plantio, colheita e dos caminhões e reboques transportadores, com o intuito de evitar qualquer tipo de contaminação do produto. A colheita deverá ser iniciada a partir da maturação fisiológica dos grãos, evitando o máximo possível a presença de impurezas. Após a colheita, o produto é transportado em caminhões dos próprios produtores ou contratados de terceiros, direto da lavoura para entrega nas unidades definidas pela COTRIMAIO. Em cada carga entregue pelo produtor é coletada uma amostra de aproximadamente 2,5 kg, devidamente identificada com o nome do produtor, localidade e variedade, que será enviada para a entidade certificadora. A amostragem é feita através de coletor pneumático, em seis pontos diferentes da carga, no momento da chegada do caminhão na unidade. A partir da entrega do produto na

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Cooperativa, o mesmo é beneficiado em equipamentos que farão a limpeza do produto e armazenado em armazém específico e que será mantido em sigilo, aguardando o momento de ser transportado para a indústria, uma vez o resultado da análise da presença de OGM seja negativo.

d) Planta Processadora: o processamento do farelo é efetuado pela empresa Giovelli & Cia Ltda., localizada no município de Guarani das Missões, selecionada pela COTRIMAIO por meio de um contrato de prestação de serviços. Neste contrato é previsto que a indústria deverá possuir um fluxo de entrada, esmagamento e expedição do produto totalmente segregado de outros processos industriais. A indústria também se compromete em não esmagar nenhum tipo de grão transgênico nesta planta industrial, fato este registrado no contrato de prestação de serviços celebrado entre as partes. Após o esmagamento, deverão ser coletadas amostras de 2,5 kg de farelo por tonelada para posterior realização dos testes de DNA pela certificadora.

e) Estrutura Portuária: O produto é embarcado diretamente dos silos da CESA, através de correias transportadoras até os porões do navio. Por não ser este terminal tradicional exportador de farelo, os riscos de contaminação durante o momento de embarque são menores.