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5. Data presentation

5.4. Cross tabulation of variables

A estratégia de pastejo caracterizada pela meta pré-pastejo de 95% de IL (equivalente a altura de 30 cm), independentemente da altura pós- pastejo de 15 a 20 cm, permite as melhores condições de renovação de perfilhos e densidade populacional de perfilhos, assegurando condições favoráveis para rápida recuperação e crescimento dos pastos.

O período de transição entre o Outono/inverno/início de primavera e o Final da primavera é crítico para o capim-mulato, função da elevada renovação de perfilhos. Erros de manejo que comprometam esse processo de reposição de perfilhos nessa época do ano podem afetar negativamente a produção e comprometer a longevidade dos pastos.

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CAPÍTULO 2

SOBREVIVÊNCIA E ESTABILIDADE DA POPULAÇÃO DE PERFILHOS EM PASTOS DE CAPIM-MULATO SUBMETIDOS A ESTRATÉGIAS DE

PASTEJO ROTATIVO

RESUMO

A persistência das pastagens é dependente da capacidade das plantas em renovar e substituir seus perfilhos mantendo a população de plantas estável. Esta, por sua vez, é determinada pelas variações climáticas estacionais e pelas estratégias de manejo empregadas. Nesse sentido, o trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar a sobrevivência e a estabilidade de populações de perfilhos em pastos de capim-mulato submetidos a estratégias de pastejo rotativo. O experimento foi conduzido em área do Departamento de Zootecnia da USP/ESALQ de janeiro de 2008 a março de 2009. Os tratamentos corresponderam a combinações entre duas condições de pré-pastejo (interceptação luminosa pelo dossel (IL) de 95 e 100% durante a rebrotação) e duas de pós-pastejo (alturas de resíduo de 15 e 20 cm) e foram alocados às unidades experimentais (piquetes de 1.200 m2) segundo um arranjo fatorial 2x2 e delineamento de blocos completos casualizados, com quatro repetições. Foi avaliada a demografia do perfilhamento e com base nos resultados foram calculadas as seguintes

variáveis-resposta: taxa de sobrevivência de perfilhos (TSP), o índice de estabilidade da população de perfilhos (IE) e o balanço entre as taxas de aparecimento e morte de perfilhos. No Verão-2008, Final de primavera e Verão-2009 os perfilhos sobreviveram menos tempo do que no Outono/inverno/início de primavera. No Verão-2008 observou-se uma menor TSP quando comparado ao Outono/inverno/início de primavera, mas o balanço entre aparecimento e morte de perfilhos foi positivo e o IE foi próximo de 1. No Final da primavera observou-se maior TSP quando comparado aos Verões 2008 e 2009, só não foi maior que no Outono/inverno/Início de primavera. O balanço entre aparecimento e morte de perfilhos foi positivo e também se observou uma tendência de aumento da população de perfilhos, ou seja, IE maior que 1 para os pastos manejados a 95% IL e IE próximos de 1 para os pastos manejados a 100% IL nessa época do ano. No Verão-2009 observou-se a menor TSP em relação às outras épocas do ano. Em relação às frequências de pastejo, observou-se que os pastos manejados a 95% IL apresentaram as menores TSP e valores de IE menor que 1 quando comparados com aqueles manejados a 100% IL. Não se observou diferenças entre as alturas pós- pastejo de 15 e 20 cm em relação à TSP, IE e balanço entre aparecimento e morte de perfilhos ao longo das estações do ano. A estabilidade e o equilíbrio dos pastos de capim-mulato foram alcançados com a meta pré- pastejo de 95% de IL (equivalente a altura de 30 cm), independentemente da altura pós-pastejo de 15 a 20 cm. Atenção especial deve ser dada ao manejo do pasto no período de transição entre o Outono/inverno/início de primavera e o Final da primavera, pois, pode afetar negativamente a produção e comprometer a estabilidade da população, podendo levar a degradação dos pastos.

TILLER POPULATION SURVIVAL AND STABILITY OF MULATO GRASS SWARDS SUBJECT TO STRATEGIES OF ROTATIONAL STOCKING

MANAGEMENT

ABSTRACT

Grazing persistence depends on the plant capacity of renewing and replacing its tillers keeping the plant population stable. This, in turn, is determined by seasonal weather changes and management strategies used. Thus, this study was to evaluate tiller population survival and stability of mulato grass swards subject to strategies of rotational stocking management. This experiment was conducted at the Department of Animal Science, USP / ESALQ from January 2008 to March 2009. Treatments corresponded to combinations between two pre-grazing (canopy light interception (LI) of 95 and 100% during regrowth) and two post-grazing conditions (grazing residue height of 15 and 20 cm) and were allocated to experimental units (1200m2 paddocks) according to a 2x2 factorial arrangement and a complete randomized block design, with four replications. Tiller demography was evaluated, and based on the results, the following response variables were calculated: tiller survival rate (TSR), tiller population stability index (SI) and the balance between tiller appearance and death. In summer-2008, late spring and summer-2009, tillers survived for less time than in autumn/winter/early spring. In summer 2008, there was a lower TSR when

compared to autumn/winter/early spring, however the balance between tiller appearance and death was positive and close to 1 SI. In late spring there was a higher TSR when compared to summer 2008 and 2009, only autumn / winter /early spring showed an even higher value. The balance between tiller appearance and death was positive and also revealed a tendency to increase tiller population, i.e., SI greater than 1 for swards grazed at 95% and LI and SI close to 1 for swards grazed at 100% LI this season. In summer 2009, the lowest TSR was showed compared to other seasons. Regarding grazing frequencies, it was observed that swards grazed at 95% LI showed the lowest TSR and SI values lower than 1 when compared to those managed at 100% LI. There were no differences between post-grazing heights of 15 and 20 cm in relation to TSR, SI and balance between tiller appearance and death throughout the seasons. The stability and balance of mulato swards were achieved with the pre-grazing target of 95% LI (equivalent to 30 cm), regardless of post-grazing height of 15 to 20 cm. Special attention should be given to pasture management in the transition period between autumn / winter / early spring and late spring, because it may affect the production negatively and impair the population stability, leading to pasture degradation.

1. INTRODUÇÃO

A degradação das pastagens constitui um problema grave na pecuária do Brasil, pois atinge cerca de 50% da área de pastagens formadas na Amazônia (DIAS-FILHO, 2005) e 80% no Brasil Central, região que responde pela alta produção de carne, representando entre 25 a 40 milhões de hectares de pastagens degradadas (BARCELLOS, 1996).

A persistência das pastagens é dependente da capacidade das plantas em renovar e substituir seus perfilhos mantendo a população de plantas estável. Esta, por sua vez, é determinada por variações climáticas estacionais e pelas estratégias de manejo empregadas (MATTHEW et al., 2000).

Um dos principais fatores que contribuem para degradação é o manejo inadequado da pastagem. Essas práticas inadequadas de manejo do pastejo, que não levam em conta o ritmo de crescimento do capim, constituem a mais importante causa de degradação, afetando consideravelmente a persistência e a longevidade da pastagem (DA SILVA; NASCIMENTO JR., 2007; DIASFILHO, 2005). Assim, a persistência das pastagens é um fator crucial para a sustentabilidade de sistemas pastoris de produção animal (GIACOMINI, 2007).

As variações sazonais nas taxas de aparecimento e mortalidade de perfilhos são fundamentais para a compreensão dos mecanismos envolvidos na dinâmica de perfilhamento em uma pastagem. Apesar disso, a simples

observação das taxas de aparecimento e sobrevivência de perfilhos não indica se numa dada época do ano a população de perfilhos foi mantida estável, ou seja, se o aparecimento de perfilhos foi suficiente para manter a população em equilíbrio (SBRISSIA, et al., 2010). No sentido de entender de forma integrada esse conhecimento, Bahmani et al. (2003) elaboraram, para azevém perene, um índice que permitisse avaliar de forma conjunta os efeitos do aparecimento e da mortalidade de perfilhos sobre a densidade populacional.

No Brasil, esse índice foi utilizado pela primeira vez por Sbrissia (2004) em pastos de Brachiaria brizantha cv. Marandu manejados sob lotação contínua. A premissa básica para a compreensão e interpretação dos dados reside no fato de que se o índice de estabilidade for igual a 1 significa que a população de perfilhos está em equilíbrio e permanece estável. Valores inferiores a 1 significam que a estabilidade dos pastos está comprometida, indicando que a população de perfilhos tende a diminuir, pois, nesses casos, o aparecimento de novos perfilhos não seria suficientemente grande em relação a sobrevivência dos mesmos para manter a densidade populacional. Por outro lado, valores superiores a 1 indicam tendência de aumento na população de perfilhos (BAHMANI, et al., 2003).

O balanço entre aparecimento e morte de perfilhos também é uma informação importante para o entendimento dos mecanismos de persistência das plantas forrageiras em ambientes de pastagem, uma vez que é determinante da sustentabilidade da população de plantas (HIRATA; PAKIDING, 2001)

Para se compreender as respostas de plantas forrageiras sob pastejo é preciso ter conhecimentos mais específicas acerca do processo de perfilhamento e de sua relação com a dinâmica da população de perfilhos, esses são fundamentais para a definição de práticas de manejo que respeitem os requerimentos e os limites de resistência das plantas, favorecendo a persistência e produtividade da pastagem, evitando assim a degradação dos pastos (GIACOMINI, 2007).

2. MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado na Unidade Experimental de Plantas Forrageiras (UEPF), Departamento de Zootecnia, Escola Superior de Agricultura ―Luiz de Queiroz‖, Piracicaba, SP, cujas coordenadas geográficas aproximadas são: 22º42’ de latitude sul, 47º37’ de longitude oeste e 550 m de altitude (OMETTO, 1981). O clima, segundo a classificação de Köppen, é do tipo Cwa, mesotérmico úmido subtropical de inverno seco. Informações referentes às condições climáticas como precipitação pluvial, umidade relativa do ar e temperaturas máximas, médias e mínimas diárias durante o período experimental foram fornecidas pela estação meteorológica da Escola Superior de Agricultura ―Luiz de Queiroz‖, distante cerca de 500 m.

As médias mensais das temperaturas máxima, média e mínima e da precipitação pluvial no período experimental são apresentadas na Figura 1, e o balanço hídrico mensal na Figura 2 (THORNTHWAITE e MATHER, 1955). A precipitação ocorrida no verão de 2008 foi 39,1% mais intensa que no verão de 2009 (Figura 1), tendo ocorrido déficit hídrico de julho a dezembro de 2009 (Figura 2).

Figura 1 – Médias mensais das temperaturas média, máxima e mínima e da precipitação pluvial ao longo do período experimental, no município de Piracicaba, SP.

Extrato do Balanço Hídrico

-100 -50 0 50 100 150 200 250 300 350

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr

Lâ mi na d 'á gu a (m m) 2008 2009 Excesso Déficit Mêses

Extrato do Balanço Hídrico

-100 -50 0 50 100 150 200 250 300 350

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr

Lâ mi na d 'á gu a (m m) 2008 2009 2008 2009 Excesso Déficit Excesso Déficit Mêses 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr

Mêses P re c ipi ta çã o ( m m /m ê s) 0 5 10 15 20 25 30 35 T em pe ra tur a ( °C )

Precipitação (mm) Temperatura média (°C) Temperatura máxima (°C) Temperatura mínima (°C)

2008 2009 P re ci p ita çã o ( m m /m ê s) T em pe ra tu ra (C °) 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr

Mêses P re c ipi ta çã o ( m m /m ê s) 0 5 10 15 20 25 30 35 T em pe ra tur a ( °C )

Precipitação (mm) Temperatura média (°C) Temperatura máxima (°C) Temperatura mínima (°C)

2008 2009 2008 2009 P re ci p ita çã o ( m m /m ê s) T em pe ra tu ra (C °) T em pe ra tura (° C)

O relevo da área experimental é classificado entre suave a moderadamente ondulado e o solo é uma transição entre Chernossolo argilúvico órtico típico e Vertissolo hidromórfico órtico chenossólico de textura argilosa e eutrófico (EMBRAPA, 1999), de elevada fertilidade. Foram retiradas amostras da camada 0-20 cm e enviadas para análise química no Laboratório de Fertilidade do Solo do Departamento de Ciência do Solo da ESALQ. Os resultados revelaram níveis adequados dos nutrientes para espécies do gênero Brachiaria (Tabela 1), razão pela qual a única adubação realizada foi a nitrogenada. No período favorável ao crescimento, foi realizada a adubação nitrogenada nos piquetes, com um total de 270 kg ha-1 de nitrogênio distribuído em cobertura (Anexos I e II). A aplicação do adubo nitrato de amônio em cada piquete foi dividida por pastejo e aplicada sempre no pós-pastejo, sendo a quantidade aplicada por vez foi proporcional ao período de descanso, uma vez que os intervalos de pastejo não foram fixos e variaram com os tratamentos avaliados.

Tabela 1 – Características químicas de amostras da camada superficial (0-20 cm) do solo da área experimental

Bloco pH (CaCl2) MO (g dm-3) P resina (mg dm-3) K Ca Mg H+Al SB T V (%) mmolc dm -3 I 5,4 40 121 7,7 92 21 31 120,7 151,7 80 II 5,4 37 72 6,2 104 24 31 134,2 165,2 81 III 5,8 36 65 7,2 102 36 25 145,2 170,2 85 IV 5,5 41 71 4,8 118 40 34 162,8 196,8 83 Médias 5,5 39 82 6,5 104 30 30 140,7 170,9 82

Os piquetes foram estabelecidos em novembro de 2004 utilizando-se 5 kg de sementes puras e viáveis por hectare do híbrido Brachiaria cultivar Mulato (CIAT 36061). Desde sua implantação a área foi consistentemente utilizada sob pastejo em lotação rotativa para a cria e recria de bovinos de corte do Departamento de Zootecnia. Antes do início do período

experimental, após pastejo de uniformização, no dia 30 de novembro de 2007, a área foi rebaixada com auxílio de roçadora a uma altura média de 10 cm do solo. Após o rebaixamento foi realizada limpeza da área com rastelo para retirada do material roçado. Em seguida foram aplicados 60 kg/ha de N e os pastos começaram a ser monitorados para início de sua utilização de conformidade com os tratamentos experimentais. No dia 12 de janeiro de 2008 foram realizados os primeiros pastejos. O primeiro piquete a ser pastejado recebeu uma adubação de 30 kg/ha de N e os demais, a partir dessa data, receberam os mesmos 30 kg/ha acrescidos de quantidade proporcional ao número de dias em relação ao primeiro piquete pastejado. A taxa diária de aplicação utilizada como referência para o cálculo das adubações de piquetes individuais em relação a seu intervalo de pastejo foi calculada com base na quantidade de adubo planejada (270 kg ha-1 de nitrogênio) para ser utilizada durante toda a estação de crescimento (janeiro a abril) dividida pelo número de dias dessa estação (109 dias), tomando-se por base a data da adubação do primeiro piquete pastejado.

Os tratamentos corresponderam à combinação entre duas severidades (alturas pós-pastejo de 15 e 20 cm) e dois intervalos de pastejo (período de tempo necessário para o dossel atingir 95 e próximo de 100% de