4. Results
4.2. Evaluation of cropping system sustainability
4.2.1. Cropping system response to objectives
De acordo com a resolução do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente - artigo 48, decreto n.88351/83, resolução n.001/1986): "Impacto Ambiental significa qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas, que direta ou indiretamente, afetem: a saúde, a segurança e o bem estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e as qualidades dos recursos ambientais".
A poluição química é responsável por diversos impactos, sendo desta forma, uma questão de grande preocupação com o aumento da consciência púbica para problemas ambientais (IWATA et al.,1994).
Alguns poluentes químicos são chamados xenobióticos por serem compostos artificialmente elaborados, e portanto exógenos e estranhos ao ambiente biológico, principalmente se são biocidas (HASKELL, 1985).
O uso destes compostos xenobióticos muito contribuiu para aumentar o rendimento na agricultura, proteger os rebanhos e eliminar vetores transmissores de doenças (THAO et al.,1993). Porém, foi responsável por diversos impactos ambientais. Em muitas áreas, o impacto foi causado pelo uso intensivo desses compostos, em função do crescimento populacional e da crescente demanda pelo suprimento de alimentos (MAIA, 1992). Os herbicidas e nematicidas merecem destaque por serem contaminantes ambientais potenciais, devido à sua aplicação direta no solo e possível transporte ao lençol freático, através das partículas do solo e da água de chuva (MAIA, 1992).
É lícito supor que a intensificação da produção agrícola, o cultivo de monoculturas para a nutrição humana e o crescimento industrial, requerem a regularização do uso decompostos potencialmente tóxicos, visto que, águas naturais, solos, sedimentos, dentre outros, podem ser contaminados por esses ou por produtos de suas transformações. A simples proibição do uso destes compostos, se feita sem critérios, também pode ser responsável por diversos impactos ambientais.
Um exemplo que pode incorrer em ação proibitiva irregular é a tendência que há em julgar um grupo de compostos químicos, a partir de um representante da mesma classe, desconsiderando a especificidade e composição de cada composto, o que pode resultar na retirada do produto do mercado. Procedimentos como esses, podem não afetar as nações mais ricas, que rapidamente substituem os produtos proibidos por alternativos de maior custo. Por sua vez, nações pobres possuem graves problemas de saúde pública e provavelmente estão mais interessadas em solucionar seus problemas imediatos, sem considerar os efeitos ambientais em longo prazo, persistindo na utilização de tais substâncias (MAIA, 1992).
Dentre os poluentes químicos, os compostos organoclorados merecem destaque devido à contaminação e ao risco ecológico causado por seu uso indiscriminado e a sua produção em larga escala, desde a década de 50. Esses contaminantes ambientais têm sido considerados como onipresentes e persistentes em vários ambientes e biota (THAO et al., 1993).
Apesar de muitos países desenvolvidos terem proibido o uso de certos compostos altamente poluentes na década de 70, os organoclorados ainda são usados em países em desenvolvimento, principalmente na zona tropical (THAO et al., 1993).
Uma das conseqüências mais sérias do uso indiscriminado de compostos organoclorados é o desenvolvimento de resistência nas pragas, bastante comum nos sistemas biológicos que procuram, de alguma forma, uma resposta a condições adversas do meio. Alguns desses compostos podem ter persistência de 10 a 12 anos no solo (VICINO, 1993).
Os insetos raramente perdem a resistência que adquirem e esta não se restringe apenas a um único composto químico, mas sim a um grupo de inseticidas. A resistência adquirida só desenvolve-se após uma exposição prolongada. Então, se há permanência dos compostos na água e no solo, é inevitável esta exposição por longo tempo. O desenvolvimento da resistência adquirida pelos insetos, exige o emprego de compostos mais ativos, para obtenção do mesmo resultado, levando a uma maior contaminação ambiental (MAIA, 1992).
Em trabalho realizado nos estuários e ambientes costeiros marinhos das ilhas Fiji (região do Pacífico Sul), MORRISON et al. (1996) mostraram que nesses ambientes as populações estão particularmente suscetíveis às conseqüências do manuseio e disposição incorreta de compostos organoclorados. Os problemas são grandes devido à falta de registros formais relacionados aos tipos e quantidades usadas desses compostos. Assim, os autores (opt. cit.) indicaram que a primeira etapa para atingir a meta de proteção ambiental desse tipo de poluição na região, seria conseguir-se mudanças no uso dos compostos organoclorados, como a racionalização do emprego dos compostos nos países da região do Pacífico Sul e o monitoramento de produtos residuais e persistentes no meio.
A importância desta etapa é também observada quando se considera a rápida dissipação de produtos tóxicos no ambiente. As regiões tropicais e subtropicais podem facilitar essa rápida dissipação devido às condições climáticas de alta temperatura e chuvas intensas. Desta forma, esses compostos podem espalhar-se por todo o globo, atingindo até mesmo, áreas remotas, como o norte e o sul polares, através de transporte atmosférico de longo alcance. A transferência de poluentes através de longas distâncias é feita por meio de movimentos atmosféricos e esses poluentes podem penetrar na atmosfera por vaporização ou por co-destilação com água. Acredita-se que até 50% dos resíduos de poluentes encontrados na atmosfera são transferidos desta forma (THAO et al., 1993).
De acordo com o trabalho feito por IWATA et al. (1994), a fim de elucidar a distribuição de alguns organoclorados persistentes em ambientes tropicais, analisou-se a distribuição de alguns organoclorados em amostras de ar, águas de rios e sedimentos da Ásia oriental e meridional (Índia, Tailândia, Vietnã, Malásia e Indonésia), bem como da Oceania (Nova Guiné e Ilhas Solomons), para elucidar sua distribuição geográfica em ambientes tropicais. Concentrações dos organoclorados em amostras abióticas coletadas em Taiwan, Japão e Austrália foram monitoradas com fins de comparação. As concentrações atmosféricas e hidrosféricas de HCHs (hexaclorociclohexanos) e DDTs [1,1,1-Tricloro-2,2- bis(p-clorofenil) etano] e seus metabólitos, em países tropicais em desenvolvimento, estavam aparentemente mais altas que as observadas em nações industrializadas, sugerindo o uso intensivo desses produtos em baixas latitudes. Os CHLs (compostos clorados) e PCBs (bifenilos policlorados) foram ocasionalmente observados em altos níveis nos trópicos, significando que seu uso nessas áreas tem-se expandindo para o sul. A distribuição de padrões de organoclorados em sedimentos mostrou pequenas variações espaciais em termos globais, indicando que esses produtos liberados nos ambientes tropicais são dispersos rapidamente através do ar e da água, e são menos retidos em sedimentos (IWATA et al., 1994).
Considerando o potencial poluidor dos recursos naturais por contaminantes tóxicos, os resíduos industriais e os provenientes das atividades agrícolas apresentam maior potencial que os efluentes sanitários, pois estes são relativamente homogêneos e mais facilmente tratados pela autodepuração dos sistemas aquáticos receptores ou pela instalação de processos simples de tratamento (MONTICELI et al., 1993).
Dentre os organoclorados presentes em efluentes industriais e oriundos da lixiviação de áreas agrícolas, o impacto causado pelo HCB (hexaclorobenzeno), PCB e por fenóis, particularmente os clorofenóis, torna-os de grande interesse ambiental.
Os clorofenóis destacam-se como potencialmente poluidores, tóxicos e persistentes, sendo comumente formados em diferentes processos industriais, biogeoquímicos e de transformação de compostos tóxicos (OUBINA et al., 1997).
Segundo PAASIVIRTA apud ALONSO et al. (1998), recentes estudos têm demonstrado que compostos fenólicos, em particular clorofenóis, são os mais tóxicos contaminantes de nematóides do solo, como a minhoca, que é um animal considerado como um bom indicador da taxa de impacto de compostos químicos orgânicos no solo.
Exemplos desta contaminação potencial dos clorofenóis são observados em países como o Brasil, em que o Pentaclorofenol (PCP) e seus sais, foram amplamente utilizados como pesticidas. Atualmente, pela resolução nº 005, de 20 de novembro de 1985, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), o PCP e o Pentaclorofenato de sódio, estão entre as atividades consideradas potencialmente poluidoras e seu transporte, estocagem e uso, dependem de prévio licenciamento por órgão estadual competente, integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente ou da Secretaria Especial do Meio Ambiente.
A presença do PCP também pôde ser determinada no ar, água e solo de várias partes da Europa como resultado do uso por várias décadas (MUIR & EDULJEE, 1999). Na década de 80, a preocupação com a toxicidade do PCP e potenciais efeitos adversos sobre o homem e o ambiente levaram a ações de regularização para limitar seu uso (MUIR & EDULJEE, 1999).