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3. Results

3.5 Critical analysis

Os profissionais de geologia e mineração adotam termos específicos para classificar os depósitos minerais. Esta classificação varia de acordo com os trabalhos realizados e métodos utilizados.

O DNPM trabalha para padronizar no Brasil6 o método de classificação criado e adotado pela Austrália conhecido como JORC7. Os objetivos da norma australiana são:

a) Padronizar a forma de reportar resultados das pesquisas geológicas; b) Definir os critérios necessários para classificação dos depósitos e

c) Definir as condições externas para a classificação dos volumes do depósito entre

recursos e reservas.

A definição das condições externas que podem variar de acordo com:

a) Questões técnicas relativas à explotação e beneficiamento do minério, b) Custos operacionais, volumes de investimento inicial e infra estrutura local, c) Preços das commodities e taxas de câmbio,

d) Questões legais, regionais, governamentais e ambientais.

A norma propõe duas classes de apresentação dos trabalhos de avaliação de depósitos minerais e dentro destas duas classes existem subclasses. As duas classes se relacionam de acordo com as condições externas relacionadas acima. A relação entre as classes é mostrada na Figura 2.2.

Fig 2.2 – Relacionamento entre Recursos Minerais e Reserva de Minério Fonte: The JORC Code (2004)

6

De acordo com a Portaria nr 229 de 29 de Abril de 2002 do Ministério das Minas e Energia.

7 JORC – Joint Ore Reserve Committee. Norma Australiana usada para determinação das de reservas de minério. Resultados das Pesquisas Geológicas

Recursos Minerais Reservas de Minério

Inferido Indicado Medido Provável Comprovado Aumento do Nível de Conhecimento Geológico e Confiança

Condições externas relacionam recursos e reservas:

explotação, beneficiamento, preços das commodities, comerciais, logística, legais, ambientais, sociais e de governo

A norma JORC busca diferenciar as duas classes de depósitos minerais e também o papel dos profissionais envolvidos. A norma determina o que é “recurso mineral” através do volume de trabalho de pesquisa realizado sobre o depósito mineral. A figura 2.3 mostra um exemplo de uma mina de ouro real. Trata-se de um corte em seção vertical que mostra parte dos trabalhos de pesquisa geológica. Estes trabalhos usaram o método sondagem que através de furos extrai amostras representativas da rocha no subsolo. Os furos de sondagem são identificados na figura pelas linhas nomeadas com códigos “FS” numeradas. Estes furos interceptam a mineralização que contém o minério aurífero. A cada interceptação as amostras indicam o teor de ouro e a espessura da mineralização: exemplo 3,6 m @ 4,1 g/t ou 3,6 metros de espessura com 4,1 gramas de ouro por tonelada.

A figura 2.3 mostra que onde foram realizados muitos furos (o desenho omite parte dos furos para facilitar o entendimento) é possível classificar o recurso mineral como “medido + indicado”. Nas áreas onde a densidade de furos é menor, o recurso é considerado “inferido” uma vez que a densidade de amostras é menor. Assim, na figura, o recurso medido + indicado é mostrado na cor verde enquanto o recurso inferido é mostrado na cor vermelha.

Para que os recursos inferidos recebam a classificação de indicados ou medidos, é necessário aumentar a densidade de amostras o que demanda maiores investimentos.

Fig. 2.3 Exemplo de classificação de recursos minerais Fonte: Imagem cedida pela MSOL

Para determinar os recursos minerais, são necessários quase que exclusivamente o trabalho dos geólogos. Entretanto os recursos minerais reportados pelos geólogos falam apenas da

descrição geológica do depósito, seu volume, sua forma, os teores dos minerais e informações geo-mecânicas8 do depósito.

Para que um recurso mineral se torne reserva de minério é necessário envolver outros profissionais para que estabeleçam as condições externas que serão usadas para determinar se o aproveitamento daquele depósito mineral é econômico e pode ser realizado de acordo com normas e regulamentos da região. Na figura 2.1 este processo acontece conforme é mostrado pelas setas bidirecionais. Um determinado volume de “Recurso Indicado” pode ser total ou parcialmente classificado como “Reserva Provável” se, após estudos de engenharia e avaliações econômicas, for viável economicamente. Os estudos de engenharia realizam a tarefa de determinar a forma tecnicamente correta de explotar o minério do solo e beneficiá-lo de forma que os custos totais sejam inferiores aos preços médios de venda e que o impacto do empreendimento não ultrapasse os limites legais. Entretanto, se alguma lei é alterada ou se os preços das commodities minerais caem, o que era classificado como “Reserva provável” pode voltar a ser classificado como “Recurso Indicado” ou então “Recurso Medido” por ter seus custos de operação superiores aos preços de venda. É importante notar que uma nova lei pode aumentar os custos de produção por demandar alterações do processo produtivo. Um exemplo em que o volume de recursos “Medidos” e “Indicados” é alterado para “Reserva Provável e Comprovada” é mostrado na figura 2.4.

Fig. 2.4 Exemplo da relação entre recurso mineral e reserva de minério

8 Condições geomecânicas do depósito dão conta da estabilidade da rocha e sua plasticidade aos métodos de lavra. Boas condições geomecânicas resultam em processos de explotação mais baratos de acordo com informações verbais passadas pelo Geólogo Jaime Duchini

Recursos Minerais Reservas de Minério

Inferido Indicado Medido Provável Comprovado 0,8/4 1,8/3 0/0 0/0 2,0/4 Totais 2,6/3,3 0/0

Preço: US$ 12,21/grama

Recursos Minerais Reservas de Minério

Inferido Indicado Medido Provável Comprovado 0/0 0,6/3 0,8/4 1,2/4 2,0/4 Totais 0,4/3 2/4

Preço: US$ 30,00/grama

Legenda: Volume em Milhões de toneladas 1,8 / 3

Teor de Ouro em Gramas/ tonelada

Avaliação e to

No exemplo da Figura 2.4 a mudança de recurso para reserva acontece quando o preço do ouro aumenta de 12,21 US$/grama no momento t0 para 30,00 US$/grama depois de certo

tempo no momento t1. Com um preço mais alto, os recursos minerais medidos e indicados

tornaram-se viáveis economicamente e recebem a classificação de “Reservas Prováveis e Comprovadas”. No exemplo da figura 2.4 nem todo o recurso mineral medido e indicado foi classificado como reserva após o aumento do preço do ouro. Isso se deve ao fato de que nem todo o recurso tornou-se viável economicamente já que os teores e as condições da mineralização variam ao longo do espaço.

Neste estudo trataremos apenas dos recursos minerais uma vez que nosso foco será o gerenciamento de portfólios de projetos de pesquisa geológica.