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Criteria for selecting seabird biomonitors

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3 SEABIRDS AS MONITORS OF MARINE POLLUTION

3.6 Criteria for selecting seabird biomonitors

I POEMA

Você escolhe o lugar da ferida onde falamos nosso silencio. Você faz da minha vida

esta cerimônia demasiado pura. *

REVELAÇÕES Na noite ao teu lado

as palavras são senhas, são chaves. O desejo de morrer é rei.

Que teu corpo seja sempre um amado espaço de revelações. *

EM TEU ANIVERSÁRIO

Recebe este rosto meu, mudo, mendigo. Recebe este amor que te peço.

Recebe o que há em mim que é você. *

... em beijos, não em razões

QUEVEDO Me esconde do combate com as palavras

e apaga o furor do meu corpo elementar. *

AMANTES uma flor

não muito longe da noite meu corpo mudo

se abre

à delicada urgência do orvalho *

QUEM ILUMINA Quando me olha meus olhos são senhas, o muro tem segredos,

meu temor palavras, poemas. Só você faz da minha memória uma viajante fascinada,

um fogo incessante. *

RECONHECIMENTO

Você cria o silêncio das lilases que pairam em minha tragédia de vento do coração.

Você fez de minha vida um conto para crianças onde naufrágios e mortes

são pretextos de cerimônias adoráveis. *

PRESENÇA tua voz

neste não poder sair as coisas do meu olhar

elas me despojam

fazem de mim um barco sobre um rio de pedras se não é tua voz

chuva sozinha em meu silêncio de febres você me solta os olhos

e por favor não deixe nunca de me falar *

ENCONTRO

Alguém entra no silêncio e me abandona. Agora a solidão não está sozinha.

Você fala como a noite. Se anuncia como a sede. *

DURAÇÃO

e seu corpo teve que morar neste quarto onde soluços, passos perigosos

de quem não vem, mas sua presença está amarrada a este leito onde soluço porque um rosto chama,

incrustado no escuro, pedra preciosa. *

TUA VOZ

Emboscado na minha escrita canta em meu poema. Refém de tua voz doce

Petrificada na minha memória. Pássaro agarrado a sua fuga. Ar tatuado por um ausente. Relógio que late comigo para que nunca desperte. *

O ESQUECIMENTO na outra margem da noite o amor é possível

- me leva –

Me leva entre as doces substâncias que morrem a cada dia na tua memória *

OS PASSOS PERDIDOS Antes foi uma luz

em minha linguagem nascida a poucos passos do amor. Noite aberta. Noite presença. *

ONDE CIRCUNDA O ÁVIDO Quando chegar meus olhos brilharão da luz de quem eu choro

mas agora alenta um rumor de fuga no coração de toda coisa.

*

TE NOMEAR

Não o poema de tua ausência, só um desenho, uma fenda no muro, algo no vento, um sabor amargo. *

DESPEDIDA

Mata sua luz um fogo abandonado. Sobe seu canto um pássaro apaixonado. Tantas criaturas ávidas em seu silêncio e esta pequena chuva que me acompanha.

*

OS TRABALHOS E AS NOITES para reconhecer na sede meu emblema para significar o único sonho

para não me sustentar nunca mais no amor fui toda oferenda

um puro errar de loba no bosque na noite dos corpos

para dizer a palavra inocente *

SENTIDO DA SUA AUSÊNCIA se me atrevo

a olhar e a dizer é pela sua sombra unida tão suave a meu nome lá longe na chuva

na minha memória pelo seu rosto

que ardendo em meu poema dispersa maravilhosamente um perfume

*

II VERDE PARAÍSO

estranha que fui

quando vizinha de longínquas luzes guardava palavras muito puras para criar novos silêncios *

INFÂNCIA

hora em que a erva cresce na memória do cavalo.

O vento pronuncia discursos ingênuos em honra das lilases,

e alguém entra na morte com os olhos abertos

como Alice no país do já visto. *

ANTES

Para Eva Durrell

bosque musical

os pássaros desenham em meus olhos pequenas gaiolas

*

III ANÉIS DE CINZA

Para Cristina Campo

São minhas vozes cantando para que não cantem eles,

os amordaçados na cinzenta madrugada, os vestidos de pássaro desolado sob a chuva Há, na espera,

um rumor a lilás se rompendo. E há, quando raia o dia,

uma rebentação do sol em pequenos negros sóis. E quando é de noite, sempre,

uma tribo de palavras mutiladas busca asilo em minha garganta para que não cantem eles,

os funestos, os donos do silêncio. *

MADRUGADA

Nu sonhando uma noite solar. Fiz deitar dias animais.

O vento e a chuva me apagaram como a um fogo, como a um poema escrito num muro.

RELÓGIO

Dama pequeníssima

moradora no coração de um pássaro

sai pela madrugada a pronunciar uma sílaba NÃO

*

EM UM LUGAR PARA SE FUGIR Espaço. Grande espera.

Ninguém vem. Esta sombra. Dar o mesmo que todos: explicações sombrias, não espantadas.

Espaço. Silêncio ardente.

Será que as sombras convivem entre si? *

FRONTEITAS INÚTEIS um lugar

não digo um espaço falo de

quê falo do que não é falo do que conheço

não o tempo

somente todos os instantes no o amor

não

sim não

um lugar de ausência um fio de miserável união *

O CORAÇÃO DO QUE EXISTE não me entregue

tristíssima meia-noite, ao impuro meio-dia branco *

AS GRANDES PALAVRAS

Para Antonio Porchia

ainda não é agora agora é nunca ainda não é agora agora e sempre é nunca

*

A morte sempre ao lado. Escuto o que diz.

Só me ouço a mim. *

PEÇO SILÊNCIO

... canta, minha pobre

CERVANTES embora seja tarde, é noite,

e você não pode.

Canta como se não fosse nada. Nada é.

* CAIR

Nunca mais a esperança num ir e vir

de nomes, de figuras. Alguém sonhou tão mal alguém consumiu por erro as distâncias esquecidas. *

FESTA

Desdobrei minha orfandade sobre a mesma, como um mapa. Desenhei o itinerário

até meu lugar no vento.

Os que chegam não me encontram. Os que espero não existem.

E bebi licores furiosos para transformar os rostos em um anjo, em vasos vazios. *

OS OLHOS ABERTOS Alguém mede soluçando a extensão da alvorada. Alguém apunhala a almofada em busca de seu impossível lugar de repouso.

*

QUARTO SOLITÁRIO Se te atreve a surpreender a verdade desta velha parede; e suas fissuras, rachaduras, formando rostos, esfinges, mãos, relógios d’água, seguramente surgirá

uma presença para tua sede, provavelmente partirá esta ausência que te bebe. *

A VERDADE DESTA VELHA PAREDE que é fria é verde que também se move chama ofega grasna é auréola é gelo fios vibram tremem

fios é verde estou morrendo

é muro é mero muro é mudo mira morre *

HISTÓRIA ANTIGA Na meia-noite

vêm os vigias infantis

e vêm as sombras que já têm nome e vêm os clementes

do que cometeram mil rostos meus no ínfimo destroço de cada jornada. *

INVOCAÇÕES Insiste em teu abraço redobra tua fúria,

cria um espaço de injúrias entre mim e o espelho, cria um canto de leprosa entre mim e a que penso ser. *

DESMEMÓRIA

Embora a voz (seu esquecimento largando náufragas que são eu) se estenda num jardim petrificado recordo com todas minhas vidas porque esqueci.

*

UM ABANDONO

Um abandono em suspenso. Ninguém é visível sobre a terra. Só a música do sangue

assegura morada num lugar tão aberto. *

FORMAS

não sei se pássaro se gaiola mão assassina

ou jovem morta entre círios

ou amazona ofegando na grande garganta escura ou silenciosa

mas talvez oral como uma fonte talvez trovadora

ou princesa na torre mais alta. *

COMUNICAÇÕES O vento tinha me comido parte da cara e das mãos.

Me chamavam anjo esfarrapado. Eu esperava.

*

MEMÓRIA

Para Jorge Gaitán Durán

Harpa de silêncio onde aninha o medo. Gemido lunar das coisas significando ausência. Espaço de cor fechado. Alguém golpeia e arma um ataúde para a hora, outro ataúde para a luz. *

SOMBRAS DOS DIAS POR VIR

Para Ivonne A. Bordelois

Amanhã

me vestirão com cinzas ao alvorecer, encherão minha boca de flores. Aprenderei a dormir

na memória de um muro, na respiração

de um animal que sonha. *

DO OUTRO LADO

Anos e minutos fazem amor. Máscaras verdes sob a chuva. Igreja de vitrais obscenos. Rastro azul na parede. Não conheço.

Não reconheço. Escuro. Silêncio. *

CREPÚSCULO

A sombra cobre pétalas olhadas

O vento leva o último gesto de uma folha O mar ao longe e duplamente mudo o verão que dá dó por suas luzes Um desejo daqui

Uma memória de além *

MORADAS

Para Théodore Fraenkel

Na mão crispada de um morto, na memória de um louco,

na tristeza de uma criança, na mão que busca o copo, no copo inalcançável, na sede de sempre. *

MENDIGA VOZ

E ainda me atrevo a amar

o som da luz em uma hora morta, a cor do tempo num muro abandonado. Em meu olhar eu perdi tudo.

Fica tão longe pedir. Tão perto saber que não há. *

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