3. THEORIES OF CREATIVITY
3.3 CREATIVITY AS A COGNITIVE PROCESS
Assumindo mais uma vez o grupo das categorias específicas e o grupo das categorias intrusas como o conjunto, respectivamente, de todas as categorias específicas e intrusas, para a mesma da dimensão em que estas surgiram, podemos dizer que apenas em duas questões (Com quem se aprende e Para que serve aprender), os sujeitos revelaram facilidade em se centrarem na questão colocada (ver gráfico nº7), tendo as suas respostas sido maioritariamente distribuídas por categorias específicas às respectivas dimensões. Contrariamente, nas questões O que é aprender, Como se aprende e O que ajuda aprender, os sujeitos tiveram dificuldade em responder directamente às questões colocadas,
tendo referido com maior frequência aspectos e outras facetas do fenómeno aprender.
Distribuição das categorias específicas / intrusas pelas várias Dimensões no TOTAL da AMOSTRA
0,00% 50,00% 100,00%
1 2 3 4 5
O quê Como c/quem Ajuda Serve para
Específicas Intrusas
Gráfico nº7
Considerando a totalidade da amostra, as respostas dos sujeitos às questões relativas ao Com quem se aprende (Dimensão 3) e Para que serve aprender (Dimensão 5) centraram-se significativamente em categorias específicas às questões colocadas, em 75% e em 70% respectivamente.
Tabela nº 1 – Respostas à questão Com quem se aprende: categorias específicas versus intrusas Dimensão 3 Específicas Intrusas
Alunos (5 categorias) 80,0% (4 categorias) 20,0% (1 categoria)
Pais (8 categorias ) 75,0% (6 categorias) 25,0% (2 categorias)
TOTAIS (8categorias) 75,0% (6 categorias) 25,0% (2 categorias)
Tabela nº 2 – Respostas à questão Para que se aprende: categorias espacíficas versus intrusas
Dimensão 5 Específicas Intrusas
Alunos (6 categorias) 83,3% (5 categorias) 16,7% (1 categoria)
Pais (10 categorias) 70,0% (7 categorias) 30,0% (3 categorias)
TOTAIS (10 categorias) 70,0% (7 categorias) 30,0% (3 categorias)
Considerando o grupo dos Pais, os sujeitos responderam centrando-se de forma significativa em categorias específicas às questões que lhes foram colocadas, verificando-se nas dimensões três e cinco as percentagens de 75% e de 70%, respectivamente. De igual modo sucedeu nos alunos, os quais responderam às mesmas questões com respostas distribuídas por categorias específicas em 80% e 83%, respectivamente. Desta constatação podemos considerar que,
relativamente às questões acima referidas, todos os sujeitos responderam maioritariamente, referindo aspectos específicos à questão colocada.
Nas questões O que é Aprender (Dimensão 1), Como se aprende (Dimensão 2) e O que ajuda a aprender (Dimensão 4), os sujeitos (quer se considere a totalidade da amostra, o grupo dos Pais ou o grupo dos Alunos) responderam acentuando vários aspectos do aprender, isto é, referindo categorias intrusas à dimensão correspondente à questão colocada.
Tabela nº 3 – Respostas à questão O que é aprende: categorias específicas versus intrusas
Dimensão 1 Específicas Intrusas
Alunos (12 categorias) 33,3% (4 categorias) 66,7% (8 categorias)
Pais (11 categorias) 36,4% (4 categorias) 63,6% (7categorias)
TOTAIS (14 categorias) 28,6% (4 categorias) 71,4% (10 categorias)
Tabela nº 4 – Respostas à questão Como se aprende: categorias específicas versus intrusas
Dimensão 2 Específicas Intrusas
Alunos (8 categorias) 50,0% (4 categorias) 50,0% (4 categorias)
Pais (10 categorias) 40,0% (4 categorias) 60,0% (6 categorias)
TOTAIS (13 categorias) 38,5% (5 categorias) 61,5% (8 categorias)
Tabela nº 5 – Respostas à questão O que é necessário aprende:categorias específicas versus intrusas
Dimensão 4 Específicas Intrusas
Alunos (9 categorias) 33,3% (3 categorias) 66,7% (6 categorias)
Pais (9 categorias) 44,4% (4 categorias) 55,6% (5 categorias)
TOTAIS (11 categorias 36,4% (4 categorias) 63,6% (7 categorias)
Curiosamente, é na questão em que se pergunta explicitamente o que é aprender que verificamos uma maior percentagem de respostas distribuídas por categorias adjacentes à dimensão considerada (66,7% no grupo dos Alunos, 63,6%, no grupo dos Pais e 71,4% na Amostra total), não definindo directamente o que é aprender.
É de salientar a diferença entre as respostas dos Alunos e as respostas dos Pais à questão como se aprende. Nelas, verificamos um equilíbrio entre as categorias específicas e intrusas surgidas nas respostas dos alunos (50,0% e
50,0% respectivamente). No grupo dos Pais, constatamos um maior número de respostas distribuídas por categorias intrusas (60%) à questão colocada.
Independentemente das respostas dos sujeitos se centrarem mais na questão colocada (categorias específicas) ou em dimensões adjacentes à questão colocada (categorias intrusas), comparando o grupo dos Alunos com o grupo dos Pais, encontrámos na maior parte das questões (três em cinco: como se aprende, com quem se aprende e para que serve aprender), uma percentagem mais elevada de respostas distribuídas por categorias específicas no grupo dos Alunos (50,0%, 80,0% e 83,3% respectivamente), relativamente ao grupo de Pais ( 40,0%, 75,0% e 70,0%, respectivamente. Em duas questões, o quê e o que pode ajudar, as categorias específicas surgem ligeiramente mais elevadas no grupo dos Pais (36,4% e 44,4% respectivamente), contra 33,3% no grupo dos Alunos, em ambas as questões.
Os gráficos 8 e 9 resumem os dados relativamente a cada um dos grupos, verificando-se em ambos, tal como na totalidade da amostra, que apenas nas respostas às questões Com quem se aprende e Para que serve aprender, os sujeitos revelaram maior facilidade em se centrarem nas questões, com percentagem superior no grupo dos alunos.
Distribuição das categorias específicas/intrusas pelas várias Dimensões no grupo dos PAIS
0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% 80,00% 1 2 3 4 5
O qué Como c/quem Ajuda Serve para
Específicas Intrusas
Gráfico nº8
Distribuição das categorias específicas / intrusas pelas várias Dimensões no grupo dos Alunos
0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% 80,00% 90,00% 1 2 3 4 5
O que é Como c/quem Ajuda Serve para
Específicas ntrusas
Gráfico nº9
As respostas dos pais e dos alunos às questões Com quem se aprende e Para que serve aprender apresentam uma representação gráfica semelhante. Implicitamente todos os sujeitos parecem ter a ideia de que se aprende com a ajuda de alguém e de que os conteúdos aprendidos têm uma função.
Os alunos, na resposta à pergunta Como se aprende, referem várias facetas do fenómeno aprender. Nesta questão, apesar de existirem categorias que são referidas pelo grupo de alunos que não o são pelos pais e vive-versa, referem aspectos não só específicos do como se aprende, mas também do que é, do com quem, do que ajuda e da função (c.f. Quadro nº9). O Como se aprende foi, pois, a pergunta originou maior variabilidade nas respostas dos sujeitos. Exceptuando-se esta, em todas as demais os sujeitos responderam referindo aspectos, em média, de duas facetas do fenómeno aprender, para além da questão colocada.
Verificamos que cada dimensão se constituiu como uma intrusa numa outra(s) dimensões. A dimensão Definição foi intrusa nas dimensões Processo e Função. A dimensão Processo apareceu como intrusa nas dimensões Definição, Com quem, O que é necessário e Função. A dimensão Com quem surgiu intrusamente nas dimensões Processo e O que é necessário. A dimensão O que é necessário foi intrusa nas dimensões Processo e Com quem. E a dimensão Função apareceu como intrusa nas dimensões Definição Processo. Daqui resulta a existência de comunalidades entre as várias questões, pelo que podemos afirmar que o aprender
é um fenómeno complexo para alunos e pais, definindo-se como processo, dotado de funções, facilitado por várias variáveis e resultante da ajuda de vários agentes educativos.