Para os profissionais da saúde, é importante a manutenção da independência e autonomia do indivíduo. A independência funcional é definida como a capacidade de realizar algo com seus próprios meios. Autonomia é a capacidade de decisão e comando sobre suas ações, independência moral e liberdade para satisfazer suas necessidades (NERI, 2001).
A dependência acentuada está diretamente relacionada com o elevado grau de incapacidade funcional. Uns dos fatores que leva à incapacidade funcional são redução da massa muscular, diminuição da força muscular, os déficits proprioceptivos, a integridade do sistema neuromuscular e a dor (HUXHAM et al., 2001), por ocasionar sensação de fraqueza, instabilidade e, consequentemente, a diminuição da sua confiança ao realizar as AVD’s (JOHANSSON , 1991), principalmente nos portadores de OAJ de casos mais avançados. Consequentemente ocasionará a estes indivíduos redução da sua mobilidade funcional, aumentando a dificuldade para realizar suas ADV’s, afetando negativamente a sua independência funcional. Além disto, estudos têm demonstrado que a massa muscular e a força de contração
diminuem com o envelhecimento (JANSSEN, 2006), aumentando ainda mais a pré-disposição dos portadores de OAJ à incapacidade física e à perda da independência funcional do que os não portadores.
Vários estudos relatam que a fraqueza muscular relacionada com a idade (AMATUZZI , 2004; FRONTERA , 2000) e a OAJ (HURLEY , 1997; PAI , 1997; WESSEL, 1996) afetam preferencialmente as extremidades inferiores, comprometendo diretamente o seu desempenho muscular, que é crucial para caminhar, manter o equilíbrio, subir escadas, levantar e mover objetos, levantar da cadeira, da cama ou do chão, limpar a casa, banhar-se ou se vestir, que são as primeiras atividades afetadas pela osteoartrose senil de joelho (DAVINI; NUNES, 2003; HENWOOD; TAAFFE, 2005; VREEDE , 2004).
Portanto, a incapacidade física pode levar à diminuição do nível de atividade física, resultando em diminuição do estímulo para o músculo, levando a uma significativa fraqueza muscular no decorrer dos anos (PEREIRA; GOMES, 2003). Desta forma, submete ao portador de OAJ e ao idoso um estilo de vida sedentário que, por sua vez, é um dos fatores que contribuem para a perda da independência funcional nas AVD`s (VREEDE , 2005). Além de prejudicar a sua qualidade de vida, bem como o expõem ao portador de OAJ e ao idoso ao maior risco de quedas, e conseqüentemente as fraturas (DAVINI; NUNES, 2003; REUBEN ,1995; VREEDE , 2004).
Atualemte, avaliação de capacidade funcional é realizada mediante o uso de instrumentos multidimensionais, os quais podem abrangir aspectos relacionados com a manutenção das habilidades físicas e mentais necessárias para uma vida independente e autônoma (GORDILHO , 2002), tal como teste de capacidade funcional, cardiorespiratória, flexibilidade, equilíbrio, força, resistência muscular e cognitivo, são exemplos de avaliações de funções específicas de sistemas orgânicos. Portanto, os indivíduos com bons escores nessas avaliações, pode-se considerar independentes nas AVD’s (GRAY ., 2006). No entanto, estas atividades dependem do contexto social, do ambiente e do psicológico em que o indivíduo vive (CLARKE, GEORGE, 2005). Desta maniera, não é correrente avaliar a desempenho dos idosos nas suas AVD’s sem levar em consideração o seu ambiente, pois o ambiente difere constantemente no desempenho das AVD’s da capacidade funcional para atividades motoras ou cognitivas específicas. Assim, os indivíduos com diagnóstico de OAJ, mas que tenham razoável capacidade de marcha, verificada em testes funcionais apropriados, poderão ser independentes na tarefa de ir
às compras ou de fazer uso de transporte público, se não encontrarem pela frente barreiras físicas, como escadas e terrenos irregulares. De modo similar, as pessoas sem doenças e com bom desempenho físico em testes de capacidade funcional poderão estar aptas a sair de casa e fazer as mesmas atividades, caso não se depare com mudanças climáticas que inviabilizem sua exposição ao ambiente externo em determinado momento (PAULA, 2007).
A marcha é outro fator imprescindível para a função física durante o envelhecimento e o avanço da OAJ. Estudos têm relatado que a simples percepção da dificuldade de caminhar é o ponto crucial do início do processo de declínio funcional (GRAF , 2005; JYLHÄ , 2001). Durante o processo de envelhecimento, devido às alterações neuromusculares há modificações da marcha, tal como diminuição no comprimento e na altura dos passos (que leva à diminuição da velocidade da marcha), diminuição da flexão de joelhos e tronco, perda de sincronismo de membros superiores e aumento da base de apoio. Assim ao considerar que estas alterações da marcha podem ser agravadas quando há presença de processo degenerativo das articulações de suporte, tal como a OAJ poderá favorecer o aumento da probabilidade de risco de queda nestes indivíduos em comparação aos indivíduos saudáveis da mesma faixa etária.
Outro aspecto importante na avaliação do desempenho físico é o equilíbrio, já intensamente debatido nos itens anteriores. Portando, a função física envolve quatro aspectos: a força muscular, a marcha, a destreza manual e o equilíbrio. Estes aspectos são amplamente reconhecidos como componentes fundamentais para a qualidade de vida e possibilita o maior indicador aceito universalmente como estado de saúde em idosos e em indivíduos com OAJ (KAWAMOTO , 2004).
Uma avaliação funcional pode ser constituída por vários itens,entre os mais citados pela literatura, estão incluídas questões referentes à mobilidade (deambulação em distâncias determinadas, mudanças no curso da marcha, levantar e se assentar em uma cadeira, mudanças de decúbito e transferências), a atividades básicas de vida diária (vestir-se, alimentar-se, tomar banho, etc.) e atividades instrumentais de vida diária (pegar ônibus, cozinhar, arrumar a casa e outras), além de algumas avaliações que contemplam o desempenho do indivíduo no trabalho, no ambiente social e no lazer (BUCHNER , 1995).
Paralelamente às escalas que estudam as AVD’s, percebe-se também a tendência ao desenvolvimento de testes para a mobilidade e o equilíbrio dos idosos, tendo em vista a participação fundamental desses fatores na determinação do bom desempenho nas atividades da
vida cotidiana. Com a intenção de oferecer um instrumento mais prático e de aplicação rápida para análise da marcha, Podsiadlo e Richardson (1991), que propuseram o : ?,
neste teste o indivíduo é orientado a se levantar de uma cadeira, a andar três metros e retornar à mesma, sentando-se, no tempo de realização do teste é registrado, permitindo a utilização de órteses, próteses ou os dispositivos auxiliares de marcha usuais dos pacientes (bengala, muleta, andador ou nenhum).
A capacidade funcional é um componente integral das atividades diárias, entretanto, seu controle é complexo e multifatorial, pois a tarefa que está sendo empreendida e o ambiente em que está ocorrendo, afeta a capacidade do indivíduo de controlar o equilíbrio, alterando a biomecânica do movimento e o processamento de informações (HUXHAM et al., 2001, GRAY et al., 2006). Assim, é de se esperar que indivíduo acometido por menor número de enfermidades apresente melhor desempenho nos testes de capacidade funcional e esteja menos sujeito aos riscos de depender de outras pessoas (GRAY et al., 2006). Desta forma, vários estudos têm sido publicados sobre os fatores de risco de queda em idosos, porém ainda não está claro se a condição da capacidade funcional é um fator essencial para o risco de queda em idosos, menos ainda em portadores de OAJ.