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Na introdução desde trabalho fizemos um preâmbulo sobre as pesquisas e levantamentos já realizados no Brasil com o intuito de mapear os estudos, existentes no país, no campo da tradução. Retomamos essa questão, levando em consideração, mais pontualmente, os estudos existentes relacionados à língua de sinais.

Como dissemos, Pereira (2010) fez um levantamento das pesquisas que envolvem a interpretação em língua de sinais existentes em programas de pós)graduação. Para construir esse acervo, a pesquisadora buscou informações sobre trabalhos concluídos na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e na Plataforma Lattes, além de buscas em listas de discussões de profissionais intérpretes da Libras e em acervos particulares, para o rastreamento de trabalhos ainda não publicados e/ou ainda em andamento. Com base no levantado, a pesquisadora constatou que as dissertações até então publicadas ou as que estão em andamento encontram)se distribuídas em oito áreas do conhecimento (Linguística, Letras, Literatura, Semiologia, Ciências da Linguagem, Educação, Estudos da Tradução e Linguística Aplicada), enquanto as teses encontram)se em apenas três (Linguística, Educação e Estudos da Tradução).

Vale ressalvar que nenhum dos trabalhos concluídos se insere no campo disciplinar dos Estudos da Tradução e que, por outro lado, entre as pesquisas em andamento, dissertações e teses, oito são trabalhos que se desenvolvem com o foco de pesquisa nessa área38. Segundo a autora, essa tendência nas pesquisas, além de evidenciar um crescente interesse sobre a interpretação em língua de sinais, indica também uma abertura dos Estudos da Tradução à pesquisa nessa área. O que era antes uma prática não reconhecida como atividade profissional, agora é vista como uma área promissora de pesquisas que busca se fundamentar teoricamente e legitimar a sua prática.

Grbic (2007), assim como Pereira (2010), fez uma busca por pesquisas desenvolvidas no âmbito da interpretação em línguas de sinais. Em um estudo bibliométrico, a pesquisadora fez um levantamento entre os anos de 1970 e 2005 de trabalhos publicados nessa área, com o objetivo de investigar o que estava sendo abordado enquanto questões de pesquisas, o que era

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central aos estudos da interpretação das línguas sinalizadas e de que maneira a produção científica nessa área tem)se desenvolvido desde a década de 1970. Para fazer esse levantamento, Grbic (2007) buscou informações em três bibliografias: “7

9 ' F > ” feita por Patrie e Mertz (1997), a versão de internet do “7 > 9 ' F & ' ' ' ” (s/d), compilado e organizado por Guido H. G. Joachim, Siegmund Prillwitz e Thomas Hanke, do Instituto de Língua de Sinais Alemã e Comunicação de Surdos em Hamburgo, e no banco de dados “ =, compilado pelo Departamento de Estudos da Tradução da Universidade de Graz.

Em sua busca, Grbic (2007) também constatou que há um grande número de pesquisas voltadas à grande área da surdez, mas ainda há uma escassez de investigações relacionadas à prática tradutória em língua de sinais.

Vasconcellos (2010) defende que as pesquisas em tradução e interpretação em LS devem se afiliar a um campo de estudo já consolidado: os Estudos da Tradução, ao justificar que esse campo disciplinar abriga “as diversidades das manifestações de estudos sobre línguas e culturas em contato; e [...] pode acolher investigações em interfaces que exploram o contato entre línguas de modalidades diferentes, tanto em termos linguísticos, quanto em termos culturais e políticos.” (VASCONCELLOS, 2010, p. 121). A afiliação a esse campo disciplinar seria estratégica, uma vez que pode fortalecer o empoderamento dos profissionais tradutores) intérpretes de língua de sinais (TILS), mantendo a sua especificidade e a sua visibilidade, pois estariam ancorados a um “porto” consolidado.

Vasconcellos (2010) e Souza (2010) apresentam em seus estudos, propostas de mapeamentos do campo disciplinar dos estudos da tradução, trazendo os desdobramentos desse campo disciplinar e o percurso que as línguas de sinais fizeram até começarem a ganhar visibilidade nessas propostas de mapeamentos.

De acordo com esses estudos, o primeiro mapeamento a incluir a interpretação, como área estabelecida e consolidada nos Estudos da Tradução, foi o mapeamento proposto por Williams e Chesterman (2002). De acordo com Vasconcellos (2010), esses pesquisadores agruparam em tópicos os diferentes tipos de interpretação, e entre esses tópicos estaria um classificado como: 7 % > . Estando incluída aí, pela primeira vez, a interpretação em línguas de sinais – seria o início de uma visibilidade para os estudos da tradução/interpretação nessa língua.

Em um mapeamento mais atual do campo disciplinar Estudos da Tradução – proposto pela Editora St. Jerome e apresentado por Vasconcellos (2010) – são apresentadas

27 áreas possíveis para a pesquisa em tradução/interpretação, conforme mostra o quadro abaixo:

Quadro 4 – Áreas para pesquisa em tradução/interpretação Mapeamento proposto por St. Jerome Publishing 1 – Tradução multimídia e

audiovisual

2 – Tradução religiosa e bíblica 3 – Bibliografias 4 – Interpretação para a

comunidade/ Interpretação de diálogo/ Interpretação para serviço público

5 – Interpretação simultânea e de conferência

6 – Estudos comparativos e contrastivos

7 – Estudos baseados em 8 – Interpretação legal e jurídica

9 – Avaliação/ Qualidade Avaliação/ Testes 10 – História da tradução e

interpretação

11 – Estudos Interculturais 12 – Estudos da interpretação 13 – Tradução literária 14 – Tradução (auxiliada) por

computador

15 – Trabalhos de múltiplas categorias

16 – Estudos orientados ao processo

17 – Metodologia de pesquisa 18 – Interpretação de Línguas sinalizadas 19 – Tradução técnica e especializada 20 – Terminologia e Lexicologia 21 – Gênero e tradução 22 – Tradução e ensino de línguas

23 – Tradução e política 24 – Tradução e a indústria da língua

25 – Políticas de tradução 26 – Teoria da tradução 27 – Formação de tradutor e intérprete

Fonte: Vasconcellos (2010).

No quadro acima, observamos o que temos colocado de maneira explícita – nos itens 4, 5, 8, 10, 12, 18 e 27 – as áreas destinadas à pesquisa em interpretação, ou seja, vemos uma abertura do campo disciplinar dos Estudos da Tradução aos Estudos da Interpretação propriamente dita. Com essa abertura, temos um “reconhecimento” à especificidade da interpretação e à existência de uma prática a ser investigada.

Em especial, no item 18 há um destaque para as pesquisas com interpretação de línguas sinalizadas, o que evidencia o crescimento e o amadurecimento dessa área de pesquisa e estudo. Além de ratificar o empoderamento das línguas de sinais – e dos profissionais tradutores)intérpretes que trabalham com essas línguas. A interpretação de línguas sinalizadas ganha mais um “credenciamento” para a pesquisa no momento em que passa a compor os quadros de uma renomada editora.

Estudos como os de Pereira (2010) no Brasil, e Grbic (2007), nos EUA e na Europa, apontam um crescimento, embora ainda tímido, dos trabalhos de pesquisa de mestrado e doutorado que investigam a atividade de tradução/interpretação em línguas de sinais, o que

nos aponta novamente um amadurecimento desse campo de estudo. Mas, como dissemos anteriormente, necessitamos de mais investigações acerca do processo tradutológico, que envolve as línguas de sinais. Nesse sentido, o nosso trabalho vem no intuito de também contribuir para o amadurecimento desse campo de estudo e de fornecer subsídios para novas investigações.

5 CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS

5.1 Introdução

Este capítulo tem o objetivo de apresentar o percurso metodológico de nossa investigação. Para isso está organizado em cinco partes, assim distribuídas: no primeiro ponto apresentamos as nossas questões de pesquisas que nos trouxeram até aqui; em um segundo momento, trazemos o método de abordagem e a natureza da pesquisa; no terceiro ponto, apresentamos os procedimentos e instrumentos utilizados na realização e análise da investigação; no quarto ponto tratamos do universo e da amostra de pesquisa; e no quinto ponto apresentamos o perfil dos participantes.