Reservation Blues: Effects of Reading Ambivalence
2.1 Coyote Springs
articulação do joelho. Os braços no prolongamento do corpo, junto ao tronco e mãos apoiadas no suporte lateral do aparelho. Partindo da posição inicial, o movimento começará com o executante fazendo a extensão máxima (180º) das duas pernas simultaneamente e finalizando o movimento ao voltar à posição inicial.
Figura 4 – Execução do movimento de extensão de joelhos cadeira extensora em sua fase inicial e final.
4.7.3 Percepção Subjetiva de Esforço (PSE)
A percepção subjetiva de esforço (PSE) foi registrada através da OMNI-RES (OMNI-Resistance Exercise Scale) desenvolvida por Robertson (2003) para utilização específica em exercícios com pesos (Figura 2).
A escala de percepção foi explicada e o teste só foi realizado mediante a compreensão dos descritores visuais, além dos descritores numéricos e verbais da mesma. Foi pedido para cada avaliado apontar na escala o esforço percebido imediatamente após o término de cada série de exercício.
4.7.4 Lactato Sanguíneo
As coletas das amostras de 25µL de sangue foram realizadas no lóbulo da orelha em repouso e 3 minutos após a execução das três séries de cada intensidade e intervalo de repouso seguindo-se as recomendações de McNaughton (2002). Para a coleta foram utilizados capilares de vidro heparinizados e calibrados, depositados em tubos ―Eppendorf‖ contendo 50µL de fluoreto de sódio (NaF 1%). As dosagens das concentrações de lactato sanguíneo foram realizadas a partir do analisador eletro-enzimático (YSI 1500 STAT).
4.8 Análise Estatística
A análise inferencial utilizada foi a Three-way ANOVA [tempo (pré e pós-intervalo) x intervalo entre as séries (30, 60 e 120 segundos) x Intensidade (5RM, 10RM e 15RM) de medidas repetidas (within x within)]. As diferenças significativas na ANOVA foram analisadas pelo teste post-hoc de Bonferroni. Para a caracterização da amostra foi utilizada a análise estatística descritiva, obtendo-se médias e desvios-padrão e a análise dos dados foi feita no pacote estatístico SPSS for Windows, versão 11.5 (SPSS, Chicago, IL). O nível de significância adotado foi de 0,05.
5 RESULTADOS
Na tabela 3 estão representados os valores médios das cargas obtidas pelos voluntários nos testes de RMs realizados na cadeira extensora.
Tabela 3 – Valores médios das cargas nos testes de RM (n=23).
5.1 Comportamento do lactato sanguíneo na intensidade 15RM comparado aos intervalos de recuperação
Em regra, quando se elevou o número de repetições, também ocorreu a elevação do lactato sanguíneo.
Em relação ao comportamento do lactato sanguíneo na intensidade de 15RM, mostrado na tabela 4 e figura 5, quando comparado aos intervalos de recuperação o lactato pré-exercício mostrou um decréscimo, porém sem apresentar diferenças significativas.
Tabela 4 - Comportamento do lactato sanguíneo na intensidade 15RM comparado aos intervalos de recuperação
Já o lactato pós-exercício apresentou uma pequena diminuição quando comparado o intervalo de 120s com o intervalo de 60s e um pequeno aumento quando comparado a 30s de intervalo de recuperação. As concentrações de lactato sanguíneo analisadas não apresentaram diferenças estatisticamente significativas.
Figura 5 - Comportamento do lactato sanguíneo na intensidade 15RM comparado aos intervalos de recuperação
5.2 Comportamento do lactato sanguíneo na intensidade 10RM comparado aos intervalos de recuperação
Diferente do que foi mostrado no intervalo anteriormente analisado, o comportamento do lactato pré-exercício na intensidade 10RM apresentou um pequeno aumento em suas concentrações de 60s quando comparado ao intervalo de 120s, voltando a reduzir suas concentrações no intervalo de 30s de recuperação (tabela 5) (Figura 6).
Tabela 5 - Comportamento do lactato sanguíneo na intensidade 10RM comparado aos intervalos de recuperação
Na tabela 5 e na figura 6 foi possível observar também que o lactato pós-exercício na intensidade 10RM acompanhou o comportamento demonstrado na intensidade anteriormente estudada, apresentando uma pequena diminuição quando comparado o intervalo de 120s com o intervalo de 60s e um pequeno aumento quando comparado a 30s de intervalo de recuperação. As concentrações de lactato sanguíneo tanto em suas amostras pré ou pós-exercício não apresentaram diferenças significativas.
Figura 6 - Comportamento do lactato sanguíneo na intensidade 10RM comparado aos intervalos de recuperação
5.3 Comportamento do lactato sanguíneo na intensidade 5RM comparado aos intervalos de recuperação
Na tabela 6 e figura 7 foi possível verificar que o comportamento das concentrações do lactato pré-exercício acompanhou o que foi apresentado na intensidade 10RM, um pequeno aumento no lactato de 60s quando comparado ao intervalo de 120s, voltando a reduzir suas concentrações no intervalo de 30s de recuperação. Não foi verificada nenhuma diferença estatisticamente significativa nas amostras analisadas.
Tabela 6 - Comportamento do lactato sanguíneo na intensidade 5RM comparado aos intervalos de recuperação
Nas concentrações de lactacto sanguíneo analisadas no pós-exercício não foram encontradas diferenças significativas e foi possível verificar que houve um aumento do lactato no intervalo de 60s de recuperação quando comparado a 120s mantendo-se em uma concentração muito próxima no intervalo de 30s de recuperação (tabela 6) (figura 7).
Figura 7 - Comportamento do lactato sanguíneo na intensidade 5RM comparado aos intervalos de recuperação
5.4 Comportamento do lactato sanguíneo no intervalo de recuperação 120s comparado com as intensidades (RM)
Na tabela 7 e figura 8 foi possível perceber nas concentrações de lactato sanguíneo pré-exercício, referentes às três intensidades, uma proximidade muito grande nos níveis de lactato, demonstrando uma tendência linear.
Tabela 7 - Comportamento do lactato sanguíneo no intervalo de recuperação 120s comparado as intensidades (RM)
Foi possível constatar, analisando o comportamento do lactato pós- exercício, que à medida que as intensidades foram aumentando as concentrações de lactato também se apresentaram mais altas. (tabela 7) (figura 8). Foi observada diferença significativa entre as concentrações analisadas no lactato pós-exercício, quando comparado o intensidade de 15RM com 5RM.
Figura 8 - Comportamento do lactato sanguíneo no intervalo de recuperação 120s comparado as intensidades (RM)
*Efeito significante (p>0,05) comparado ao Lactato Pós em 5RM.
5.5 Comportamento do lactato sanguíneo no intervalo de recuperação 60s comparado com as intensidades (RM)
Analisando o comportamento do lactato sanguíneo pré-exercício no intervalo de recuperação 60s (tabela 8) (figura 9) foi possível perceber um pequeno aumento em suas concentrações, onde na intensidade de 15 RM apresentou menores concentrações, aumentando na intensidade de 10 RM e também, apresentando-se maior em 5RM. A ansiedade e níveis de stress podem ser
considerados como do aumento das concentrações pré-exercício do lactato sanguíneo.
Tabela 8 - Comportamento do lactato sanguíneo no intervalo de recuperação 60s comparado as intensidades (RM)
O comportamento do lactato pós-exercício no intervalo 60s apresentou semelhanças com a análise do lactato no intervalo 120s, onde também ocorreu um aumento das concentrações de lactato sanguíneo à medida que as intensidades também aumentaram. A análise desse intervalo de recuperação não apresentou diferença estatisticamente significativa (tabela 8) (figura 9).
Figura 9 - Comportamento do lactato sanguíneo no intervalo de recuperação 60s comparado as intensidades (RM)
5.6 Comportamento do lactato sanguíneo no intervalo de recuperação 30s comparado com as intensidades (RM)
O intervalo de recuperação 30s apresentou na análise do lactato pré- exercício uma diminuição em suas concentrações quando comparada a intensidade 15 RM com 10 RM. Um aumento significativo (p>0,05) foi observado quando a intensidade 5 RM foi comparada com a intensidade 10 RM (tabela 9) (figura 10).
Tabela 9 - Comportamento do lactato sanguíneo no intervalo de recuperação 30s comparado as intensidades (RM)
*Efeito significante (p>0,05) comparado ao Lactato Pré em 10RM.
Na tabela 9 e figura 10 foi possível constatar que as concentrações de lactato sanguíneo analisadas pós-exercício foram semelhantes ao comportamento observados nos intervalos 30s e 60s, também ocorrendo um aumento do lactato sanguíneo quando se elevou as intensidades do exercício. A análise desse intervalo de recuperação não apresentou diferença estatisticamente significativa.
Figura 10 - Comportamento do lactato sanguíneo no intervalo de recuperação 30s comparado as intensidades (RM)
*Efeito significante (p>0,05) comparado ao Lactato Pré em 10RM.
5.7 Comportamento da PSE nos intervalos de recuperação comparado as intensidades
Na tabela 10 são apresentadas as estatísticas descritivas da PSE em diferentes intensidades por intervalo (120, 60 e 30 segundos).
Tabela 10 - Características descritivas da PSE em diferentes intensidades por intervalos (30, 60 e 120 segundos)
Com relação ao intervalo 120 segundos observa-se que 50% da amostra esta concentrada acima do escore 7,0 na escala OMINI-RES, independente das intensidades, tendo uma assimetria positiva, estando mais concentrada para lado direito da escala. Para o intervalo de 60 e 30 segundos observa-se a mesma tendência, porém a moda ficou a direita da mediana, ou seja, assimetria negativa demonstrando uma concentração para o lado esquerdo da escala OMINI-RES. Observa-se também, uma diminuição do desvio padrão em relação aos intervalos e intensidades. O coeficiente de variação, que é uma medida percentual, era 23% com o intervalo de 120 segundos e intensidade de 15RM, foi de apenas 11% no intervalo de 30 segundos e intensidade de 15RM. Isto poderia demonstrar que à medida que o intervalo diminui os níveis de fadiga são mais visíveis. Na análise de variância (ANOVA) verifica-se que não há diferença entre as médias de percepção entre as intensidades para o mesmo intervalo, ou seja, realizar 15RM, 10RM e 5RM, com intervalo de 30 segundos a percepção da carga é a mesma. Isto vale para o intervalo de 60 e 120 segundos.
5.8 Comportamento da PSE nas intensidades comparado aos intervalos de recuperação
Na tabela 11 são apresentadas as estatísticas descritivas da PSE em diferentes intervalos por intensidade (15RM, 10RM e 5RM).
Tabela 11 - Características descritivas da PSE em diferentes intervalos por intensidades (15, 10 e 5 RM)
#, § e *- diferença significativa (p<0,05) entre os intervalos nas mesmas intensidades
Ao invertemos a análise, observando o intervalo em diferentes intensidades foi constatado, como na tabela 10, que o intervalo de recuperação causa efeito na percepção dentro da mesma intensidade. Isso pode ser comprovado quando para a carga de 15RM os intervalos de 120 segundos apresentaram diferença significativa quando comparado ao intervalo de 30 segundos e quando o intervalo de 60 segundos foi comparado ao de 30 segundos. Pode ser observado também que a percepção de esforço nos intervalos de 120 e 60 segundos das intensidades de 5RM e 10RM são muito semelhantes, o que sugere que para essa população o desgaste desse intervalo seja bem próximo.
Figura 11 - Comparação da percepção subjetiva de esforço (PSE) com intensidades e intervalos de recuperação diferentes no exercício de cadeira extensora.
#, §, ¥ e Ω - diferença significativa (p<0,05) entre os intervalos nas mesmas intensidades. Intensidade 15 RM Intensidade 10 RM Intensidade 5 RM
120 seg 60 seg 30 seg
Intervalo 5,5 6,0 6,5 7,0 7,5 8,0 8,5 9,0 9,5 10,0 PSE (Omi n i) §; # § # ¥ ¥ Ω Ω
6 DISCUSSÃO
O estudo mostrou que ao elevar o número de repetições ocorreu também a elevação do lactato sanguíneo. Kraemer et al. (1987, 1990, 1991, 1993), corroboram com os resultados encontrados, mostrando a grande influência das intensidades analisadas nas concentrações de lactato sanguíneo. Os resultados também demonstraram uma relação inversamente proporcional ao intervalo de recuperação e a PSE, ou seja, quanto menor o intervalo, maiores foram os níveis de fadiga. Em linhas gerais, esse estudo demonstrou que a PSE possui uma relação linear positiva com a diminuição do tempo de intervalo de recuperação. Supostamente, a elevação das concentrações de metabólitos nos músculos exercitados seria o principal responsável pela elevação da PSE nesse tipo de tarefa (ROBERTSON et al., 2003).
Alguns estudos procuraram determinar o período ideal de intervalo de descanso entre as séries de treinamento, visando aumentar a produção máxima de força e mostrar que períodos relativamente curtos de intervalo não permitem uma recuperação adequada do músculo, afetando o desempenho durante as séries subseqüentes de exercício (WOODS et al., 2004). Simão et al. (2006) relataram no exercício de extensão de joelhos (cadeira extensora) uma diminuição a cada série subseqüente nos intervalos de recuperação de 45 e 90 segundos, entretanto, ocorreu diferença significativa apenas entre a segunda e terceira série quando o intervalo utilizado foi de 120 segundos. Alguns autores sugerem que o intervalo de recuperação para intensidades semelhantes ao do presente estudo devem variar entre 1 e 3 minutos (KRAEMER, 2002; KRAEMER e RATAMESS, 2004).Porém, os resultados encontrados no presente estudo divergem dessa afirmação, ao demonstrarem que não ocorreu redução do número de repetições nas séries subseqüentes.
Contrariando os resultados apresentados nos estudos citados anteriormente, onde prevaleceu a diminuição significativa do número de repetições subseqüentes nas séries de exercícios, Kraemer (1997) demonstrou em seu estudo que atletas de futebol americano nos exercícios de supino horizontal e agachamento, com intensidade de 10RM em três séries com intervalos de
recuperação de um e três minutos conseguiram manter o mesmo número de repetições nas séries subseqüentes, corroborando assim, com os resultados encontrados no presente estudo. Acredita-se que os resultados do presente estudo também possam ser explicados pelo nível de treinamento e condicionamento dos voluntários (KRAEMER, 1997). Outro aspecto que explica os resultados encontrados é a caracterização do treinamento resistido, na maioria das vezes, como uma atividade anaeróbia alática e, provavelmente, a manutenção do número de repetições nas séries subseqüentes possa ser explicada pela velocidade da glicólise anaeróbia em crianças e adolescentes ser limitada pela atividade de algumas enzimas, como a piruvatodesidrogenase e a fosfofrutoquinase, sendo que essa última apresenta uma menor atividade na célula muscular de 13 a 17 anos, quando comparados com adultos jovens (FOURNIER et al., 1982). Desta forma, o tempo ideal de intervalo de recuperação entre séries de exercícios em adolescentes e crianças pode não ser o mesmo que em adultos.
Analisando os estudos anteriores percebe-se uma tendência no que se refere a intervalos de recuperação reduzidos, assim como reportado por Simão et al. (2006), Willardson e Burkett, (2005), Kraemer (1997) e Richmond e Godard (2004). Os autores concluíram que quanto menor o intervalo de recuperação menor será o número de repetições completadas nas séries subseqüentes. Entretanto os resultados encontrados no presente estudo contrariam a tendência apresentada nos estudos anteriores. Vale ressaltar que foram utilizados exercícios, populações, intensidades, intervalos e metodologias diferentes, assim, uma padronização de métodos faz-se necessária para afirmar com clareza tais achados.
Em um dos primeiros estudos envolvendo intervalo de recuperação e concentrações de lactato sanguíneo, Kraemer et al. (1990) compararam dois protocolos de exercícios diferentes. Cada sessão de treinamento consistia em oito exercícios realizados com uma intensidade de 5 ou 10RM, onde as séries e exercícios foram separados por intervalos de recuperação de 1 ou de 3 minutos. Comparando a sessão de treinamento onde foi utilizada a intensidade de 5RM e intervalo de 3 minutos com a sessão onde a intensidade consistia em 10RM e 1 minuto de recuperação, foi possível observar que períodos curtos de intervalo de recuperação promovem fortes efeitos nas concentrações de lactato no sangue.
Quando comparados com o presente estudo os resultados citados anteriormente se assemelham aos resultados encontrados no presente estudo.
Kraemer et al. (1990,1991,1993) demonstraram que programas de exercícios com intensidades e intervalos de recuperação diferentes proporcionam mudanças nas respostas de lactato sanguíneo. Tais estudos também indicaram que as cargas mais elevadas não resultam em concentrações mais altas do lactato, porém o lactato mais elevado pode ser explicado pela maior intensidade empregada através do número de repetições em cada exercício executado, assemelhando aos resultados apresentados nesse estudo.
Os resultados do presente estudo reportaram que a atividade realizada com intensidades de 15RM apresentou maiores concentrações de lactato no sangue quando comparados com 5RM e 10RM de intensidade. Abernethy e Wehr (1997) demonstraram que protocolos que utilizaram 15RM apresentam maiores concentrações de lactato no sanguíneo quando comparado com 5RM.
No intuito de avaliar o comportamento da força e do lactato, Abdessemed et al.(1999) avaliaram 10 homens em 6 repetições máximas a 70% de 1RM, respeitando intervalos de recuperação de 1,3 e 5 minutos. Os resultados não apresentaram diferenças significativas quando comparados os níveis de lactato nos intervalos de 3 e 5 minutos, porém quando esses intervalos foram comparados ao intervalo de 1 minuto de recuperação diferenças significativas foram observadas. Estes resultados indicam que ambos, força muscular e os níveis de lactato, tendem ser afetados pela diminuição do intervalo de recuperação e que a acidose não foi a causa direta da fadiga durante o primeiro minuto de recuperação. Os efeitos concomitantes do acúmulo de lactato e tempo insuficiente para uma completa ressíntese dos níveis de reservas energéticas no músculo podem ter resultado em uma diminuição dos estoques de creatina fosfato. Esses resultados corroboram com o presente estudo, pois demonstrou que períodos curtos de recuperação podem elevar significativamente as concentrações de lactato sanguíneo quando comparados a períodos mais longos. .
Atividades realizadas em curtos períodos de tempo e com intensidades altas utilizam de forma predominante a via energética do sistema fosfogênio (FLECK e KRAEMER, 2004; FOSS e KETEYIAN,2000; McARDLE, KATCH e KATCH, 1998; WEISS,1991; WILMORE e COSTILL,1988).Esses resultados corroboram com o
presente estudo, onde foi observado que durante os intervalos de 30 segundos, durante as três intensidades avaliadas, o lactato pré-exercício mostrou-se igual ou inferior as coletas pós-exercício. Parece que tal resultado possa estar relacionado com o baixo custo metabólico da atividade realizada, o rápido reabastecimento de ATP, baixo comprometimento das reservas de creatina fosfato, alta capacidade de ressíntese dos níveis de creatina fosfato e a adaptação a atividade predominantemente anaeróbia alática, predominante no esporte praticado pelos jovens.
O presente estudo demonstrou que à medida que os intervalos de recuperação iam diminuindo a sensação de desgaste era maior. Esse fato foi percebido em todas as intensidades, independente do número de repetições executadas. Supostamente, a elevação das concentrações de metabólitos nos músculos exercitados seria o principal responsável pela elevação da PSE nesse tipo de tarefa (ROBERTSON et al., 2003).
A Percepção subjetiva de esforço PSE demonstrou que entre as intensidades e intervalos de recuperação ocorreram diferenças significativas, mesmo com a orientação de realizarem o máximo esforço em cada série, entre 9 e 10 da escala OMINI-RES. A PSE demonstrou que à medida que o intervalo de recuperação diminuiu os níveis de fadiga aumentaram, tornando-se assim, mais visíveis. O que contraria os resultados de Larson e Potteiger (1997) que reportaram PSE máxima em todos os intervalos de recuperação utilizados em 4 séries de agachamento a 85% de 10 RM. Pincivero et al. (1999) e Woods et al. (2004) também utilizaram a extensão de joelhos (cadeira extensora) no intuito de avaliar a percepção subjetiva de esforço, porém a 70% de 10RM e 40 e 160 segundos de intervalo de recuperação. Os resultados dos dois estudos também não reportaram diferenças significativas na PSE. Smolander et al.(1998) investigaram o comportamento da PSE em diferentes intensidades de treinamento no exercício resistido em jovens e idosos. Os voluntários realizaram extensão de joelhos a 20, 40 e 60% da contração voluntária máxima. Não foi observada nenhuma diferença significativa na PSE entre as diferentes intensidades. Os resultados encontrados não são semelhantes aos achados no presente estudo, já que a PSE apresentou diferenças significativas entre as intensidades analisadas.
Os resultados encontrados por Simão et al. (2007) e Simão et al.(2005) também discordam dos resultados aqui apresentados, pois ao avaliarem a PSE em uma sessão de treinamento no exercício resistido em ambos os sexos, porém, analisando a influência da ordem de execução dos exercícios, os autores reportaram não existir diferença significativa na PSE nas ordens de execução dos exercícios.
Utter et al. (2005); Wernbom, Augustsson e Thomee (2006) e Woods et al., (2004), são exemplos de estudos onde os resultados não apresentaram diferenças na PSE em diferentes protocolos de treinamento no treinamento de força. O fato de os estudos citados terem utilizado população adulta parece comprometer a comparação com o presente estudo, mesmo a escala de percepção tenha sido explicada aos adolescentes e o teste somente realizado mediante a compreensão adequada da mesma.
Corroborando com os resultados do presente estudo, Lagally et al. (2004) apontaram valores significativamente maiores na PSE quando avaliaram o treinamento resistido realizado a 60 e 80% de 1RM, o que concorda com os resultados encontrados pelo mesmo autor em estudo posterior (LAGALLY; ROBERTSON, 2006). Esses resultados também foram confirmados por outros estudos (GEARHART et al., 2002, SWEET et al. 2004; SUMINSKI; ROBERTSON; ARSLANIAN,1997), embora o presente estudo tenha executado apenas um exercício de forma isolada para coleta da PSE e nos demais estudos (GEARHART et al., 2001; LAGALLY et al., 2004; SUMINSKI; ROBERTSON; ARSLANIAN,1997; SWEET et al., 2004) foram feitas séries entre quatro e sete exercícios, supõe-se que os resultados semelhantes possam ter ocorrido em função do aumento do número de unidades motoras recrutadas afetarem diretamente a percepção do esforço realizado no treinamento resistido (GEARHART et al., 2001).
Esse comportamento da PSE parece ser explicado por um maior número de impulsos do córtex motor para o centro de controle cardiovascular, estando diretamente relacionado à sensação do esforço realizado durante o exercício, acreditando contribuir para o aumento da PSE (MITCHELL et al., 1980). Uma maior ativação dos sensores musculares (fusos musculares) e tendíneos (órgãos tendinosos de golgi), que parecem ser os principais responsáveis pela a percepção do esforço