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Utvikling av nye systemer basert på tilgjengelig kommersiell teknologi

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A Educação do Campo é resultado das lutas dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, primeiro pelo direito a terra e como parte imprescindível dessa luta pela resistência desses sujeitos em permanecer no campo como camponeses. Nesse sentido, as Diretrizes Operacionais para Educação do Campo define no Art. 2º o que é educação na perspectiva da Educação do Campo:

É toda ação educativa desenvolvida junto às populações do campo e fundamenta-se nas práticas sociais constitutivas dessas populações: os seus conhecimentos, habilidades, sentimentos, valores, modo de ser, de ver, de viver e de produzir e formas de compartilhar a vida. (Brasil, 2002).

A ação referendada, diz respeito aos conhecimentos, habilidades, valores, modo de ser e de produzir e reproduzir a vida no campo, tendo como objetos do conhecimento a vida real, o trabalho, as potencialidades das pessoas e do seu território, enfim, a vida que cerca que está dentro e fora da escola. Compreende-se a escola e a comunidade

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como espaços de cultura e produção de conhecimentos, conhecimentos estes que devem cumprir sua função social e primordial que é a transformação da realidade, em uma realidade cada vez melhor.

Nessa perspectiva o direito à educação e o acesso ao conhecimento é uma forma de resistir para que suas formas de reprodução social a partir do trabalho na terra sejam garantidas.Caldart (2008, p. 81) apresenta no texto “Por uma Educação do Campo” a defesa da educação como direito e como princípio:

A Educação e o conhecimento universal devem ser garantidos como direitos inalienáveis dos povos do campo;

Que os povos do campo tenham acesso à educação pública gratuita e universal em todos os níveis e modalidades no e do campo.

Os movimentos sociais defendem outra proposta de campo, diferente do que estava posto e imposto pelo Estado/Nação para as escolas rurais. Nesse processo a Educação do Campo, assume um papel importante de compromisso com a formação e a emancipação dos sujeitos a partir da realidade do campo, “o reconhecimento de que há especificidades no modo de vida, cultura e organização social dos povos do campo”. (CALDART, p. 81).

A educação na perspectiva da Educação do Campo se apresenta de forma de maneira a estabelecer o reconhecimento dos sujeitos do campo em suas especificidades. A Educaçao do Campo apresenta possibilidades de contribuir para o embate os diversos projetos de campo que se apresentam, disputando o campo e seus sujeitos. Cabe a nós decidirmos qual projeto de campo e consequentemente de sociedade queremos. A Educação do Campo defende um projeto de campo que reconheça seus modos de produzir e reproduzir a vida no campo de maneira sustentável.

A Educação proposta pela Educação do Campo não se restringe à valoração e visibilidade dos conhecimentos locais, mas se apresenta como um instrumento importante e imprescindível no processo de emancipação dos sujeitos no que diz respeito à revolução que empreende nos campos de luta pelos direitos negligenciados, nesse caso específicos pelo direito à educação. Direito esse que não se alcança somente com a universalização do acesso à educação, mas que nesse acesso seja garantido o acesso ao conhecimento acadêmico construído historicamente.

O direito à educação está atrelado a todos os direitos básicos que uma criança, jovem, adulto ou idoso do campo possui, porque no direito a educação está o direito ao acesso e permanência, bem como o acesso ao conhecimento, para isso, defende

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princípios que fundamentam sua luta social e descortinam um cenário possível de reorganização da escola, de modo a assumir sua identidade de escola do campo. Aopropor uma educação que parta das demandas de um povo, a luta social se torna um princípio defendido pela Educação do Campo, pois, não há emancipação campesina se este não militar nos diversos movimentos de luta em prol de uma vida digna e de condições de permanecer no campo revertendo à lógica de que se estuda para sair do campo.

Assim, é importante que os sistemas de ensino reconstruam seus projetos de formação para o campo tendo como fundamento, “estudos a respeito da diversidade e o efetivo protagonismo das crianças, dos jovens e dos adultos do campo na construção da qualidade social da vida individual e coletiva, da região, do país e do mundo”. (BRASIL, 2003).

A concepção de Educação do Campo que estamos construindo caracteriza-se por uma educação onde os sujeitos do campo sejam construtores da história, não como expectadores, mas como protagonistas que faz parte de um mundo, que inicia em seu entorno, na sua vida familiar, comunitária e se estende nas relações que se manifestam com esse mundo, mas mantendo sempre seu vínculo fecundo com a terra.

O princípio da organização coletiva apresenta o ser humano como ser que vive em sociedade, aprendeu a viver em grupos, mas, isso não garante que o princípio da coletividade seja vivido na prática, para isso, Caldart (2008, p.81) propõe “participação das comunidades do campo na construção de políticas públicas, no projeto político pedagógico e nos currículos”.

Viver em coletivo é diferente de viver juntos, coletividade exige uma intencionalidade de compartilhar e agregar-se ao outro. Viver em coletivo é partilhar o que se tem especialmente as utopias e ideologias de vida. É na consciência de que existem interessescomunsqueos sujeitosvalorizamo exercício da coletividade. Exercício, porque o princípio da coletividade é construído, não está posto.

Quanto ao princípio pedagógico da terra, este busca estabelecer as conexões entre a terra e o trabalho “a terra não está à nossa frente como algo distinto de nós mesmos. Temos a terra dentro de nós” (BOFF, 1999, p. 72).

O princípio da Cultura se faz presente em todas as manifestações dos povos do campo, contribui para a definição de como estes produzem e reproduzem suas formas de pensar e organizar a vida, portanto, deve ser considerado ao pensar a proposta de educação para os campesinos, “O povo do campo tem direito a uma escola do campo,

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política e pedagogicamente vinculada à história, à cultura e as causas sociais e humanas dos sujeitos do campo”.Santos (2006, p. 327) acrescenta:

A cultura popular tem raízes na terra em que se vive, simboliza o homem e seu entorno, encarna a vontade de enfrentar o futuro sem romper com o lugar, e de ali obter a continuidade, através da mudança. Seu quadro e seu limite são as relações profundas que se estabelecem entre o homem e o seu meio, mas seu alcance é o mundo. Essa busca de caminhos é, também, visão iluminada do futuro e não apenas prisão em um presente subalternizado pela lógica instrumental ou aprisionado num cotidiano vivido como preconceito. Nesse sentido a Educação do Campo vem para resgatar uma dívida histórica, valorizando e contribuindo para a preservação dos modos de produzir e reproduzir a vida no campo e para a garantia do direito à escola.

Pensar em Educação como direito dos povos do campo é colocar a educação no campo dos direitos, portanto, das políticas públicas. Assim, precisamos acumular força política para fortalecer essa luta no sentido de pensar qual é olhar que será direcionado a esse campo.

A Educação do Campo apresenta uma proposta de modelo de desenvolvimento para o campo, porque a questão do campo é um problema estrutural da sociedade brasileira. Para a emancipação de um povo é preciso formação política com base epistemológica. Sem essa formação, uma empreitada legítima pode ser perdida. É preciso propor a luta na teoria do conhecimento aliada à luta da classe dos trabalhadores e trabalhadoras o que requer uma lógica diferente de pensar a produção do conhecimento.

É preciso estudar, estudar e estudar para poder mobilizar e organizar com competência. Uma revolução não pode ser o arrebentar de uma represa de demandas reprimidas e de esperanças humilhadas. É sobre esse chão, sobre a indignação e sobre a revolta que corre a possibilidade de outro mundo. Mas ele tem que ser construído com cientificidade, competência e com uma palavra que está desgastada que a sabedoria. (NETO, 2015, p. 23)

Quando falamos do direito à educação aos povos do campo, precisamos nos indagar sobre qual educação estamos falando. Não é uma educação compensatória, tecnicista, tradicional, ou que continue reproduzindo os modos de vida da cidade.

Para garantir que a discussão da educação na perspectiva da Educação do Campo, adentre o chão da escola e contamine a comunidade com seus princípios se faz necessário que a formação dos profissionais da educação, especialmente dos docentes

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seja contemplado no campo das políticas públicas, só assim será possível assegurar conteúdos e metodologias que trabalhem com a realidade do povo.

Esse é um ponto muito importante, porque quando os sujeitos envolvidos compreendem o real significado da educação e quando esta tem significância para seus sujeitos, eles terão condições de reivindicar seus direitos. Nessa luta por direitos lutamos contra o fechamento das escolas no campo, um entrave que estamos enfrentando cotidianamente. Portanto, para que a escola permaneça no campo, além do direito de seussujeitos ter acesso à educação escolar no lugar onde vivem, essa escola precisa ser significativa para os mesmos.

Compreender a educação partindo da diversidade presente no campo implica pensar políticas públicas de educação onde as diversas formas de produzir e reproduzir a vida no campo seja levado em consideração. Para Caldart (2008, p.82) “a educação do campo é um processo de formação humana8produzida em diferentes espaços”.

A luta por políticas públicas de acesso ao conhecimento e de um projeto educativo específico para seus sujeitos se faz legítima e se apresenta como uma das potencialidades da Educação do Campo na contramão da educação do rural que via seus sujeitos como atrasados, como mão de obra para abastecer as cidades vistas como moderna.

Pensar as escolas a partir das peculiaridades dos povos do campo é pensar que essa escola está situada em um determinado território, imbricado de vida,depessoas, de problemas,alegrias, lutas e conquistas.

Nesse sentido, é função da escola do campo, desvelar e revelar as relações impostas pelo mundo capitalista, mostrando como se dá na prática às relações de poder e de mais valia, Caldart (2008, p.82) diz que como princípio da Educação do Campo “a escola do campo deve estar socialmente referenciada na vida e na luta do povo do campo”. Nessa hora o (a) professor (a) da escola do campo deve selecionar conteúdos e metodologias que lhe permitam dialogar com as indagações e indignações de seu povo. Damasceno (1993, p. 57) “entende que a prática produtiva e política dos camponesessão as fontes básicas do conhecimento social”.Afirmação esta defendida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (2001, p. 34).

Nas Escolas do MST não pode ter um professor qualquer [...] O professor deve participar da vida do assentamento. Só dar aula não chega. Deve

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participar das discussões e ações principais do assentamento como um todo. O professor só será professor de verdade quando assumir de corpo, mente e coração [além de certos princípios pedagógicos] os princípios do MST. Qnado fizer sua a luta pela terra, pela produção, como a luta pela educação. Quando participar das lutas do assentamento e dos trabalhadores em geral. (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, 2001, p. 34).

Percebemos que de2001 a2015, quando no segundo Encontro dos Educadores e Educadoras da Reforma Agrária, a luta continua evidente e que lutar no viés da contra hegemonia não é tarefa fácil.

Vivemos numa sociedade capitalista cada vez mais desigual que produz riquezas para poucos e miséria para muitos. O capitalismo mundial é agora comandado pelo capital financeiro e pelas grandes empresas privadas transnacionais, que dominam e controlam a produção e circulação das mercadorias em todos os países. Neste contexto, tudo vira negócio: a produção de alimentos, a saúde, a educação, o lazer, e cada vez mais o espaço público é subordinado aos interesses das classes detentoras do capital pondo em perigo a vida humana e a natureza. (II ENERA, 2015, p. 01).

Ao propor outro projeto para o campo, a Educação do Campo diz que o modelo imposto pelo capitalismo não comunga com seus princípios, especialmente o princípio da manutenção da vida, seja ela no campo ou na cidade. “A Educação do Campo se constitui a partir de uma contradição que é a própria contradição de classe no campo: existe uma incompatibilidade de origem entre a agricultura capitalista e a Educação do Campo”. (CALDART, 2004, p. 13). Tal fato se justifica na luta do capitalismo pelo seu bem maior que é o próprio capital, relegando os sujeitos como meios justificados pelos fins.

Seguir na luta por uma escola que se vincule a vida de seu povo, suas lutas, seu trabalho socialmente produtivo, suas diversas formas de produzir e reproduzir avida no campo como matrizes que organizam a proposta da escola, engajada com o princípio da coletividade e gestão democrática, fortalecendo a autonomia da escola e seus atores é o que a Educação do Campo propõe nesse cenário atual.

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