Economic Evaluation
APPENDIX 4: COSTS Drug costs
O Psicodiagnóstico Interventivo, como dito, procura compreender o indivíduo em suas relações e por essa razão, está aberto a todo e qualquer tema importante para o cliente. Chama a atenção, contudo, que, em todos os trabalhos já escritos sobre o Psicodiagnóstico Interventivo (assim como nos estudos sobre psicodiagnóstico em outras abordagens) encontram-se mínimas referências à religiosidade das pessoas e à dimensão que ela ocupa em sua vida. De fato, nos principais textos sobre Psicodiagnóstico Interventivo publicados no Brasil, nada se fala sobre esse assunto.
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Constance Fisher, psicóloga norte americana, que em palestra proferida na PUC/SP em 1998, relatou o fato de dar devolutivas a crianças com poemas, músicas e cartas.
Embora na anamnese geralmente conste uma indagação sobre a filiação religiosa do cliente, não há observações que mostrem um aprofundamento sobre o assunto. Pelo contrário, essa informação e as experiências a ela associadas dificilmente são consideradas no conjunto do processo.
Um dos fatores que contribuem para isso, segundo Giovanetti (1999), é o fato de que até pouco tempo atrás não havia interlocução entre ciência e religião. Assim, qualquer processo ou procedimento psicológico, para ser considerado cientifico, deveria distanciar-se de questões de ordem religiosa. O autor chama a atenção para o fato de que, no século XX, assistiu-se à exclusão de Deus da vida do homem, e a inclusão da racionalidade como fator preponderante. Diz que a Psicologia “passou a contribuir, por meio de seus modelos operacionais para a idéia de que Deus não era necessário à realização do homem.” (p. 88). No entanto, no final do século passado e início desse século houve uma grande explosão de denominações religiosas. Nesse sentido, Giovanetti alerta para o paradoxo de que o psicólogo, ao lidar com essa crescente demanda em seu consultório, não está preparado para enfrentá-la, pois isso não fez parte de sua formação. E continua: “Todavia, podemos dizer sem medo de errar que os psicólogos, em sua maioria (se não buscaram uma formação específica), não se preocupam com a dimensão religiosa nem dão importância a ela; e mais; na clínica, quando atendem as pessoas ignoram o problema.” (p. 89). Prosseguindo em sua argumentação comenta que, diante dessa realidade “podemos elencar duas atitudes mais comuns entre os psicólogos quando se defrontam com a conduta religiosa de seu paciente. Em primeiro lugar, temos os psicólogos que simplesmente negam essa dimensão da vida dizendo que a religião é uma ilusão, e, conseqüentemente, todas as crenças daí decorrentes não merecem crédito. Negar a dimensão religiosa torna-se mais fácil do que procurar instrumentos teóricos para tentar entendê-la. Uma segunda posição, também radical, é reduzir a religiosidade a um mero aspecto do psiquismo, e não tratá-la como se fosse outra dimensão da existência humana” (p. 89).
A opinião de Giovanetti é compartilhada por Boehnlein (2000), para quem a consolidação de um modelo de pesquisa científico clássico criou uma ruptura entre ciência e religião, o que pode justificar o fato de que, nos dias atuais, os psicólogos manifestem dificuldades para lidar com questões religiosas.
Nessa mesma direção Klausner (1964) in Koenig, (1998) atribui as dificuldades do psicólogo clínico em lidar com as questões religiosas de seus
pacientes a questões ideológicas. Alega que essas posições são reducionistas e que em algumas delas, tanto a Psicologia quanto Religião reclamam para si a competência para lidar com a saúde mental. A posição dualista propõe que existem os dois domínios, o psicológico e o religioso e que um terapeuta qualificado pode dialogar com ambos. Outro entendimento é que existem problemas religiosos e problemas de saúde mental e que cada um deles deve ser tratado pelo respectivo especialista.
Richards & Bergin (1998) destacam o fato de que há o mito de que a religião do indivíduo não é uma área passível de interrogação, o que impede os psicólogos de se aprofundarem nesse domínio. Ainda destacam que a conseqüência desse modo de pensar é que não se produziu um conhecimento consistente e sistematizado sobre a compreensão da religiosidade que lhes dê suporte. Comentam que, embora muitos psicoterapeutas busquem rotineiramente informações acerca de aspectos múltiplos das experiências e do funcionamento de seus clientes quando fazem suas avaliações, é raro que busquem sistematicamente informações sobre a religiosidade. Entendem que esses fatores carecem de discussão, de divulgação e de sistematização para que a busca de conhecimento das experiências religiosas dos clientes se torne uma prática amplamente difundida. Propõem cinco razões para que haja essa investigação:
1- A compreensão da relação que os clientes mantêm com a religião pode contribuir para que os terapeutas compreendam melhor sua visão de mundo,
2- Pode ajudar a determinar se as crenças religiosas de seus clientes são saudáveis ou não, e qual o impacto em seus problemas ou distúrbios,
3- Permite ao psicólogo determinar se as crenças ou a comunidade religiosa do cliente podem ser usadas como recursos que o auxiliem a lidar com o mundo a sua volta, a crescer,
4- Ajuda os psicoterapeutas a determinar quais intervenções sobre a religiosidade podem ser usadas na psicoterapia,
5- Possibilita aos psicoterapeutas determinar se os clientes têm dúvidas, preocupações ou necessidades religiosas não resolvidas que devem ser trabalhadas na psicoterapia,
Lotufo Neto (1997) refere que os tratamentos psiquiátricos devem levar em conta as inclinações religiosas dos pacientes, fato que não ocorre na prática, pois o
profissional de saúde mental não está familiarizado com os temas religiosos, bem como com as atitudes religiosas de seu pacientes.
Ancona-Lopez, M. (1999) também comenta que os psicólogos encontram dificuldades para justificar a inclusão da religiosidade na prática da Psicologia Clínica. Para ela as reflexões sobre o material religioso que o cliente traz devem ser feitas à luz de uma abordagem teórica, entretanto, poucas delas contemplam o aspecto religioso: “o psicólogo encontra-se muitas vezes perdido e vai buscar referentes em outras disciplinas ou em sua própria experiência. O problema que o psicólogo clínico enfrenta é a ausência de eixos referenciais que o auxiliem a refletir e considerar as experiências religiosas quando elas aparecem na clínica.” (p. 77). O que dificulta a pesquisa do psicólogo no que diz respeito à relação que o cliente estabelece com a religião é o desconhecimento. Isto é, o psicólogo não sabe como abordar o assunto: teme criar algum desconforto ao discutir temas religiosos, esbarrando em situações para as quais não está preparado para atuar, pois “a inclusão da religiosidade na prática psicológica exige meios para pesquisar a religiosidade e manejar o tema no atendimento clínico” (p. 77).
Percebe-se que atualmente a Psicologia Clínica vive um paradoxo nas questões de ordem religiosa: ao mesmo tempo em que o mundo atual revela uma enorme busca e adesão das pessoas às religiões, os psicólogos não estão preparados para lidar com essas, tais questões em seus consultórios ou instituições. Entretanto, observa-se, no âmbito da Psicologia, o aumento de estudos e pesquisas sobre Psicologia da Religião, bem como sobre a religiosidade humana. Prova disso é que pela primeira vez na história da Psicologia no Brasil criou-se um espaço, na Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia, ou seja, um grupo de estudos voltado à discussão de Psicologia e Religião, configurado por professores doutores de diferentes estados da federação e em Programas de Pós- Graduação. Os estudos desenvolvidos no país, atualmente, visam à sistematização dos conhecimentos na área e a instrumentalização dos profissionais. É dentro dessa perspectiva que eu me incluo.