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A faculdade de inventar, criar e conceber são os verbos que definem a imaginação. E o que só existe na imaginação é o que dá contornos ao imaginário, o quimérico.

A imaginação é, entre outras coisas, um recurso no qual se cria uma interação mental com o meio hipoteticamente real, esta interação é feita na mente através da construção de símbolos, como um signo, o símbolo é sempre algo que representa alguma coisa para alguém. Estes símbolos podem se apresentar de várias formas, seja em um desenho, uma imagem, um conto. Na mente da criança estes símbolos dão contorno a um imaginário e o quimérico projeta uma noção do real que está em formação e vice versa, qualquer objeto, história ou imagem pode gerar esta interação.

No entanto, o que relatos e estudos das crianças da guerra nos contam é essa forma de conseguir criar um mundo outro, nas condições da mais pura adversidade, através do jogo e da ficção de uma existência onde até o horror aparece transmudado em projecção imaginária de uma realidade alternativa. (SARMENTO, 2003, p.1)

Isto não significa que a imaginação não interfira na assimilação do real. O que acontece é que o real age sobre a imaginação e a imaginação sobre o real, pois provoca trocas simultâneas de informações que são transformadas em símbolos para a elaboração do imaginário, através disso a criança constrói sua ideia de real por intermédio do imaginário.

Entre as crianças que brincam com uma Barbie, ou que chutam um crânio humano, ou que empunham uma Kalashnikov de plástico, ou que jogam ao berlinde, ou lançam o peão, ou brincam as casinhas, ou se divertem na consola ou no écran do computador há todo um mundo de diferenças: de condições de social, de contexto, de valores, de referências simbólicas, de expectativas e possibilidades. Mas há também um elemento comum: a experiência das situações mais extremas através do jogo e da construção imaginária de contextos de vida.

O imaginário infantil constitui uma das mais estudadas características das formas específicas de relação das crianças com o mundo. (SARMENTO, 2003, p.2)

Ao brincar, a criança se capacita a vencer realidades adversas natureza de seus medos instintivos, através do simbólico criado pelo imaginário ela elabora o real.

Brincando, jogando ou assistindo a filmes de fantasia e desenhos animados a criança projeta seus sentimentos e emoções. Pode-se dizer que o imaginário infantil é o elo entre os processos cognitivos e o desenvolvimento social, pessoal e cultural da criança.

A educação lúdica, na sua essência, além de contribuir e influenciar na formação da criança e do adolescente, possibilitando um crescimento sadio, um enriquecimento permanente, integra-se ao mais alto espírito de uma prática democrática enquanto investe em uma produção séria do conhecimento. A sua prática exige a participação franca, criativa, livre, crítica, promovendo a interação social e tendo em vista o forte compromisso de transformação e modificação do meio (ALMEIDA, 1994, p.41).

O mundo infantil é diverso do mundo adulto, nele as crianças descobrem o real através da fantasia, do faz de conta, por meio da interação com brinquedos, filmes e desenhos a criança tem a oportunidade de construir sua identidade e constituir-se socialmente. É através da imaginação que o social da criança se consolida e a evidencia suas percepções do familiar e social, na medida em que evolui a criança ajusta a realidade que a cerca.

É na infância que inicia-se o fantasiar, fazendo um paralelo do mundo real com o imaginário. Devido à realidade ser difícil em ser assimilada e aceita, a criança cria seu próprio universo, onde encontra-se resoluções para tudo, através de seus personagens imaginários, super-heróis, princesas, fadas, monstros, bruxas, entre outros, atribuindo seus próprios sentimentos nos brinquedos e histórias. Por exemplo, é a boneca que está com raiva porque a mãe brigou com ela, ou o urso que está chorando porque o pai foi trabalhar, enfim, as crianças dão vida e sentimentos aos objetos inanimados como se fossem pessoas de verdades. . (MALAQUIAS; RIBEIRO, 2013, p. 5)

Por ser a infância a época de maior desenvolvimento da fantasia, temos que a rica imaginação da criança propicia a interiorização das ações, permitindo a aquisição da realidade de forma mais criativa do que acontece com o adulto.

Têm-se até hoje a opinião de que a imaginação da criança é mais rica do que a do adulto. A infância é considerada a idade de maior desenvolvimento da fantasia e segundo essa opinião, à medida que a criança vai crescendo, diminuem a sua imaginação e a força de sua fantasia. [...] Goethe dizia que as crianças podem fazer tudo de tudo, e essa falta de pretensões e exigências da fantasia infantil, que já não está livre na pessoa adulta, foi interpretada frequentemente como liberdade ou riqueza da imaginação infantil (...). Tudo isso junto serviu de base para afirmar que a fantasia funciona na infância com maior riqueza e variedade do que na idade madura. A imaginação da criança [...] não é mais rica, é mais pobre do que a do adulto; durante o desenvolvimento da criança, a imaginação também evolui e só alcança a sua maturidade quando homem é adulto.(MALAQUIAS; RIBEIRO, 2013, p.5)

Através do simbólico, a criança adquirir a capacidade de representação suas ações por meio do pensamento, onde o imaginário ganha forças ao transformas objetos e personagens em outras coisas que representam a realidade.

É através da imaginação e da elaboração do imaginário que as crianças trazem para o concreto seus desejos e anseios, como forma de facilitar sua compreensão da realidade, já que apresentam dificuldades em decodificar respostas realistas. Uma função dessas inúmeras fantasias elaboradas pelas crianças, é a de equilibrá-la facilitando o processo de aproximação com o real emocionalmente e permitindo um desenvolvimento melhor dos processos cognitivos.