• No results found

COPD and VTE

In document Trond Børvik (sider 26-29)

1. Introduction

1.5 COPD and VTE

A diferenciação é abordada em teorias tanto da administração estratégica quanto do marketing, porém em escopos distintos. No primeiro, está normalmente relacionada à conquista de posições competitivas favoráveis no setor; no segundo, à diferenciação de produto e/ou imagem. Esse limite, no entanto, nem sempre é perfeitamente claro e há certa imprecisão no uso deste termo, como se demonstrará a seguir. Para os objetivos propostos nesta pesquisa, a abordagem explorada será aquela constante da teoria da estratégia.

Chamberlin (1950), ao discorrer sobre a imperfeições do modelo econômico contido na teoria clássica, já propunha algumas reflexões acerca da teoria competitiva, na medida em que

relacionou que a existência de todo e qualquer monopólio estaria incluído no conceito geral de heterogeneidade ou diferenciação. Um monopólio seria simplesmente um produto sob controle único e significativamente diferente dos outros na infinita cadeia de substitutos. A dificuldade aqui, prossegue Chamberlin (1950), não estaria em constatar o valor da diferenciação, mas sim em estabelecer os limites e fronteiras dos setores econômicos.

O fenômeno do isomorfismo mimético (DIMAGGIO; POWELL, 1983) acomete grande parcela dos setores econômicos mais maduros e constituídos há mais tempo. Trata-se de um processo de “homogeneização” entre organizações de um mesmo setor ou linha de negócios. Seria a explicação para que, no longo prazo, os atores organizacionais, com base em decisões racionais responsivas a diversas pressões ambientais, construíssem ao redor de si, em diferentes organizações, o mesmo corpo de soluções, aproximando a forma de atuação dessas mesmas organizações a um padrão. Nessa abordagem, na qual a diferenciação fica comprometida, as inovações seriam originalmente dirigidas a um incremento de desempenho. No entanto, uma vez geradas, a adoção dessas inovações promoveria mais uma legitimidade que propriamente um incremento no desempenho.

Para Schumpeter (1982), na apresentação de sua teoria, na qual o desenvolvimento econômico se dá por mudanças provocadas por inovações que se iniciam nos produtores8 – por exemplo, ao realizarem novas combinações dos meios de produção, função esta inerente ao empresário/empreendedor (tópico a ser detalhado a seguir neste trabalho em seção própria). A realização dessas combinações, a cargo do empresário nesta teoria, torna-o a força-motriz de um grande número de fenômenos econômicos significativos e promotor da "destruição criadora" (SCHUMPETER, 1994). O autor destaca que o empresário capitalista "conduz" os meios de produção para outros canais, arrastando para seu ramo outros produtores atrás de si, estando sempre motivado a criar e a fazer as coisas, exercitando a energia e a engenhosidade, imprimindo condutas e motivações não "racionais", tendo seu comportamento moldado pela influência exercida sobre ele pelos resultados de sua conduta (SCHUMPETER, 1982).

Porter (1989) destaca que a concorrência tem papel central na avaliação do desempenho empresarial, determinando a adequação das atividades que podem contribuir para seu desempenho como inovações, uma cultura coesa ou uma boa implementação. O autor define a

8 Produzir, aqui, como esclarece Schumpeter (1982), significa combinar materiais e forças que estão ao nosso

diferenciação como uma das possíveis estratégias corporativas genéricas. Nela, uma empresa busca ser única em sua indústria, ao longo de dimensões amplamente valorizadas pelos compradores. Marketing e vendas, incluindo publicidade e propaganda, podem oferecer contribuição à estratégia de diferenciação, representando o que o autor denominou “condutores de singularidade”, conceito detalhado mais à frente, nesta mesma seção.

A diferenciação provém, portanto, da criação singular de valores para o comprador e pode resultar da satisfação de critérios de uso e de sinalização, embora em sua forma mais sustentável origine-se de ambas. Uma diferenciação sustentável exige que a empresa execute uma gama de atividades de valor de maneira singular, de modo a influenciar os critérios de compra. A satisfação desses critérios exige que uma empresa execute bem apenas uma atividade de valor – por exemplo, uma publicidade talentosa (PORTER, 1989, p. 138).

2.2.1 Condutores de singularidade

Segundo Porter (1989), as empresas encaram as fontes de diferenciação de forma limitada, ao limitarem-nas em termos de práticas ou do produto físico, ao invés de considerarem que elas originam-se em qualquer parte na cadeia de valor. Nesse sentido, ganham relevância o que o autor chamou de “condutores de singularidade”, razões subjacentes pelas quais uma atividade é singular (PORTER, 1989, p. 115). Dentre os condutores de singularidade, a principal relacionada pelo autor é a escolha de políticas com relação às atividades a serem executadas e ao modo como devem ser executadas. Dentre essas políticas, Porter (1989) cita a escolha pelo índice de gastos com publicidade.

2.2.1.1 Critérios de uso e sinalização e propaganda

Os fundamentos do conceito de valor para o comprador de um setor em especial resultam da identificação dos critérios de compra do comprador, atributos específicos de uma empresa que criam valor real ou que é percebido pelo comprador (PORTER, 1989, p. 131). O autor os divide em:

• Critérios de uso: originam-se do modo como um fornecedor afeta o valor real para o comprador, por meio da redução do custo ou da elevação de seu desempenho.

• Critérios de sinalização: originam-se de sinais de valor, ou seja, dos meios usados pelo comprador para inferir ou julgar qual é o valor real de um fornecedor. Dentre esses critérios, encontram-se fatores como publicidade, atratividade das instalações e reputação.

Nessa abordagem, a publicidade poderia reforçar os critérios de sinalização para o comprador, os quais medem como os consumidores percebem a presença de valor. Isso ganha especial relevância nesta tese, em que se trata, como já mencionado, de um setor caracteristicamente de compra comparada, no qual os critérios de uso tendem a se tornar homogêneos. Os critérios de sinalização, que incluem reputação ou imagem, publicidade cumulativa, embalagens e rótulos, dentre outras, influenciam a percepção do comprador sobre a habilidade da empresa em satisfazer os critérios de uso. Os critérios de sinalização são da maior importância quando os compradores encontram dificuldades para medir o desempenho de uma empresa e a publicidade pode enfatizar as características do produto e reforçar aspectos relacionados à reputação da empresa (PORTER, 1989).

Para Tellis (2005), poucos autores, a despeito do grande volume de pesquisas realizadas a respeito da propaganda, realmente a consideram como uma força essencial nos mercados capitalistas modernos. Segundo a proposição do autor, pode-se concluir que a propaganda possui grande poder nos negócios – por exemplo, ao influenciar as decisões de compra do consumidor. Nesse processo, um aspecto em particular ganha especial relevância: os efeitos da propaganda nos processos mentais, tais como atenção, atitude em resposta à propaganda, atitude em relação à marca anunciante, recall, persuasão e intenção de compra.

In document Trond Børvik (sider 26-29)