4 Empirical analysis
4.3. Control variables
O Gráfico 1 representa: i) o total de ULC comuns aos corpora; ii) somente ULC do corpus CR; e iii) ULC exclusivas do CT. Já no Gráfico 2, os mesmos dados são apresentados em porcentagens. As ULC coletadas somam 390 unidades – lembrando que, dessa seleção, foram subtraídas 28 ULC por se tratarem de variantes (cf. Error! Reference source not found.), dentre as quais separamos, em pares, as que se encontram em ambos os corpora – como sal refinado e sal branco – das ULC variantes que ocorrem em corpus diferente – como carne suína (CR e CT) e carne de porco, presente apenas no CT.
Gráfico 1 Levantamento das ULC coletadas em CR e CT.
Fonte: elaborado pela autora.
Gráfico 2 Gráfico de ULC em porcentagens.
Fonte: elaborado pela autora.
As variantes denominativas da Culinária que foram identificadas no presente estudo somam 28 unidades, conformando, portanto, 14 pares: oito pares de variantes estão presentes em CR e CT; os outros cinco pares têm uma das variantes presentes em um único corpus, como é o caso de açúcar branco, ocorrido em CT, e
açúcar refinado, ocorrido em CR e CT. Há um caso exclusivo em que cada variante ocorre num só corpus, que é Rösti de batata e batata Rösti, como se pode observar no Quadro a seguir. 258 ULC comuns 69 ULC em CR 63 ULC em CT ULC coletadas em CR e CT ULC comuns: 66% ULC em CR: 18% ULC em CT: 16%
ULC em Porcentagem
Quadro 47 Casos de variantes denominativas da Culinária.
14 casos de variantes denominativas da linguagem culinária
Par Variantes obtidas nos corpora CR e CT
1 Açúcar refinado (CR e CT) Açúcar branco (CT)
2 Água fervente (CR e CT) Água fervendo (CR e CT)
3 Carne suína (CR e CT) Carne de porco (CT)
4 Farinha branca (CR e CT) Farinha de trigo (CR e CT)
5 Farinha de tapioca (CR e CT) Tapioca (CR e CT)
6 Farinha de trigo integral (CR e CT) Farinha integral (CR e CT)
7 Filé de frango (CR e CT) Filé de peito de frango (CR e CT)
8 Forno em temperatura moderada (CR e CT) Forno moderado (CR)
9 Massa de lasanha (CR e CT) Massa para lasanha (CT)
10 Massa de panqueca (CR e CT) Massa para panquecas (CR e CT)
11 Rösti de batata (CR) Batata Rösti (CT)
12 Sal refinado (CR e CT) Sal branco (CR e CT)
13 Azeite extravirgem (CR e CT) Azeite de oliva extravirgem (CR)
14 Queijo minas (CR e CT) Queijo de Minas (CR e CT)
Fonte: elaborado pela autora.
Os dados levantados se confrontam com a hipótese inicial, ou seja, a suposição de que haveria uma alta coincidência de unidades lexicais entre as modalidades e, portanto, nenhuma ou pouca produção de variantes, considerando os parâmetros de recorte adotados, é descartada por um conjunto de informações lexicais expostas até aqui. No mais, o fato de que as buscas por ULC partem das 40 ULS mais frequentes e comuns aos dois corpora e apontam para alto grau de similaridade entre as modalidades – 75% das unidades simples estão presentes em ambos os corpora e com alta frequência – não implica na mesma proximidade em termos de lexias compostas.
Disso se conclui que os preceitos de Freixa (2005; 2013), assim como de outros(as) estudiosos(as) da variação denominativa – de que o grau de especialidade influi decisivamente no nível de variação – se comprovam, ainda que aspectos comunicativos sejam tão peculiares, como no caso do nosso objeto de estudo: variação entendida não somente como potencial de geração de variantes, mas de variação
denominativa entre modalidades de um mesmo gênero, recortado a partir de uma mesma linguagem de especialidade.
É importante salientar alguns pontos levantados ao longo dessa pesquisa linguística e que dizem respeito a estruturas oracionais ou predicados e a unidades discursivas. Todos esses eventos linguísticos são importantes para se entender a denominação em terminologia, segundo o olhar de Seghezzi et al. (2011), Freixa (2005; 2013) e tantos outros estudos. Baseando-se nos preceitos da Teoria Comunicativa da Terminologia, Freixa (2005; 2013) explica que as escolhas lexicais da comunicação especializada são motivadas por múltiplos fatores, o que implica não apenas em preferências – conscientes ou inconscientes – dentro do léxico, mas também em arranjos diversos ao nível do período e do discurso, como demonstramos brevemente com os verbos plenos e os verbos suporte.
A partir de alguns apontamentos feitos ao longo deste estudo sobre predicados formados por verbo pleno e predicados formados por verbo suporte, as modalidades se distinguem em algum nível do ponto de vista léxico-gramatical, além da tendência à lexicalização na modalidade escrita, segundo afirmam Seghezzi et al. (2011).
Ilustrando as observações sobre a posição (função sintática) da unidade lexical simples na ULC, recuperamos os seguintes exemplos: forno médio, forno
preaquecido ou picanha ao forno, lasanha ao forno. Corroborando esses exemplos, incluem-se creme de cebola e consistência de creme ou ponto de creme. Nota-se que o valor denominativo da ULS muda na medida em que ela ocupa ora a função de núcleo, ora a de qualificador da ULC, como se constata em pano de prato ou prato de
Outro item lexical que salta aos olhos pelos dados apresentados é ponto, pela alta frequência em CT, em coocorrência com sintagmas verbais específicos (dar,
chegar ao, deixar/estar no), e baixa frequência em CR. Disso se conclui que, mesmo sendo utilizado em ambas as modalidades, há casos de prevalência de uso que são muito evidenciados pelas estatísticas e isso merece maior atenção por parte do pesquisador. Considerando que uma lexia apresenta alta frequência numa das modalidades e é irrelevante na outra, é provável que haja estruturas oracionais cumprindo o papel dessa unidade denominativa. Pode ser um predicado semântico (GROSS, 1981) ou uma estrutura oracional com verbo suporte que esteja na função denominativa da unidade lexical ausente.
Por ora, acreditamos no caso de equivalência entre “dar o ponto da massa” e “coloque farinha o quanto baste” (Figura 23), por exemplo, o que motivaria outra perspectiva de análise denominativa, incluindo a noção de denominação discursiva.
Figura 23 Ocorrências em CR com 'quanto baste' obtidas pela busca com os grafos <<bast>>.
Por fim, ressalta-se a ocorrência de preparo, a única unidade lexical deverbal dos corpora, com alta frequência e cuja função como componente da ULC é exclusivamente de qualificador: modo de preparo e tempo de preparo. Buscamos ocorrências com as ULS preparo e preparação para observar contextos que possam distingui-las semanticamente. Inserem-se alguns excertos do CT, a título de verificação, porém, o que se percebe é similaridade no emprego dessas ULS em ambas as modalidades. Tem-se, a seguir, alguns excertos como exemplo:
Eu mostro para vocês o resto do preparo [...] Eu tenho o pré-preparo do arroz [...]
No preparo do ceviche, a gente vai utilizar [...] Foi uma preparação muito rápida.
E nessa preparação vai também uma pitada de açúcar. Por isso eu resolvi te mostrar essa preparação em vídeo.
Entendemos que uma lexia simples, embora apresente alta frequência nas duas modalidades, nem sempre torna possível observar seus traços semânticos definitórios a ponto de distingui-la de outra eventual variante ou de um sinônimo. Esse apontamento reforça a ideia de que as análises de variação lexical rompem com a ideia de que semântica e pragmática são faces igualmente manifestas num mesmo elemento linguístico.
Finalmente, podemos concluir que o emprego de ULS e ULC como referência de análise para o estudo contrastivo a que nos propusemos, entre as modalidades oral e escrita, foi muito proveitoso e esclarecedor.