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Uma informação muito interessante que aporta o banco de dados da ABA, e que não se pode deixar de mencionar, é a área geográfica pesquisada pelos investigadores. Para a disciplina de Antropologia, este é um dado importante de identificação dos trabalhos e está bastante relacionado com o tema ou assunto desenvolvido neles. Entretanto, o campo correspondente à ‘Área geográfica’, no banco, é um dos que apresenta menor número de informações, por falta de preenchimento. Ao todo são 743 registros que não trazem esta informação, dificultando bastante o levantamento das diversas áreas geográficas estudadas na disciplina antropológica brasileira.

Portanto, apenas 486 dos 1228 registros que integram o banco apresentam esta informação de forma completa. Cabe esclarecer que, dentro destes 486 registros, houve 36 para os quais foi impossível determinar a cidade, estado ou região correspondente. Nestes casos constava somente o nome da localidade de forma muito específica, muitas vezes relacionada a uma reserva indígena, dificultando a sua localização geográfica. Foram encontrados, ainda, alguns estudos abordando áreas geográficas situadas fora

do Brasil, sendo elas Nasca (Peru), Misiones (Argentina), Zaire (África Central), Caribe, América Central, África Ocidental e a Índia. Na tabela 13 estas áreas estão reunidas sob a denominação ‘Exterior”. Assim como foram também detectadas algumas pesquisas cujo caráter comparativo as levava a estudar duas ou mais localidades, estados, regiões ou até países diferentes. Por este motivo não há coincidência no número total de registros encontrados, já que para certos registros houve duas ou mais áreas geográficas contabilizadas.

Por outro lado, pode-se dizer que este campo foi o que apresentou as informações mais heterogêneas, com níveis de abrangência bastante diferenciados: existem registros onde o local de estudo é muito específico - reservas, pequenas localidades, zonas de fronteira -, e outros onde o local é muito amplo - países, grupo de países, macro-regiões, continentes -, sem qualquer parâmetro, dificultando sobremaneira a sua quantificação. Apesar disso, foi possível, mediante a realização de um processo de padronização, a identificação, classificação e posterior contabilização da informação contida neste campo. Assim, os estudos relacionados às áreas geográficas dentro do Brasil, que são a grande maioria, foram classificados primeiramente por região, como mostra a tabela 13.

Tabela 13 - Dissertações e teses em Antropologia defendidas no Brasil de acordo com a área geográfica de estudo (região) - 1945-1999

Área geográfica (região) estudada Dissertações e teses

Sudeste 180 Nordeste 100 Norte 73 Centro-Oeste 57 Sul 51 Exterior 8 Não localizado 36 Total16 505

Fonte: Elaborado com dados do Banco de dissertações e teses da ABA (2000).

Ao analisar a tabela 13, pôde-se perceber que a região Sudeste foi a mais estudada pelos pesquisadores. Relacionando esta informação com a tabela 9 que indica o ranking dos temas de pesquisa, nota-se uma certa coerência entre estas duas informações, na medida em que a escolha do tema, por parte dos pesquisadores, concentra um número maior de trabalhos em torno dos estudos urbanos, quando comparado com outros eixos temáticos. Sabe-se, precisamente, que as maiores metrópoles do Brasil - São Paulo e Rio de Janeiro - estão localizadas nesta região. Em segundo lugar, aparece a região Nordeste como a área geográfica mais estudada, seguida das regiões Norte e Centro-Oeste. Conforme os dados coletados, a região menos investigada pelos antropólogos brasileiros foi a região Sul.

Outro modo de interpretar estes dados, com o objetivo de alcançar um panorama mais apurado da questão, é mediante a classificação das áreas geográficas abordadas nas pesquisas por estado ou unidade da federação, independente da região à qual estes pertençam (tabela 14).

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O total é superior aos 486 registros que contêm esta informação, já que muitos deles apresentavam, no campo correspondente, mais de uma área geográfica.

Tabela 14 - Dissertações e teses em Antropologia defendidas no Brasil de acordo com a área geográfica de estudo (estado) - 1945-1999 Área geográfica (estado) estudado Dissertações e teses

São Paulo (SP) 87 Rio de Janeiro (RJ) 79 Pará (PA) 27 Pernambuco (PE) 26 Amazonas (AM) 24 Mato Grosso (MT) 23 Bahia (BA) 20

Rio Grande do Sul (RS) 19

Santa Catarina (SC) 17 Goiás (GO) 14 Maranhão (MA) 13 Minas Gerais (MG) 13 Distrito Federal (DF) 12 Paraná (PR) 11 Paraíba (PB) 9 Acre (AC) 7

Rio Grande do Norte (RN) 7

Piauí (PI) 6

Rondônia (RO) 6

Ceará (CE) 5

Roraima (RR) 4

Espírito Santo (ES) 3

Mato Grosso do Sul (MS) 2

Sergipe (SE) 2

Alagoas (AL) 2

Amapá (AP) 2

Tocantins (TO) 0

Total17 440

Fonte: Elaborado com dados do Banco de dissertações e teses da ABA (2000).

São Paulo é o estado mais estudado pelos antropólogos, seguido do Rio de Janeiro e Pará, segundo os dados do banco de dissertações e teses da ABA. Já estados como o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, não obstante pertencerem à região menos abordada - região Sul -, reúnem um número de pesquisas significativo que as colocam como oitavo e nono estados mais estudados das 27 unidades da federação brasileira, superando muitos outros

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O total é inferior aos 486 registros já citados devido a que em muitos casos, apesar de identificada a região, não foi possível determinar o estado específico.

estados, inclusive alguns pertencentes às regiões mais investigadas do Brasil. Por outro lado, o estado do Tocantins não foi nenhuma vez mencionado como área geográfica de estudo. Seguramente este fato se deve a que tal estado foi criado muito recentemente, não tendo sido ainda alvo de pesquisas por parte dos antropólogos depois de ter recebido este nome.

5 AVALIAÇÃO DO BANCO DA ABA COMO FONTE PARA UMA ANÁLISE CIENCIOMÉTRICA

Como já fora antecipado, nesta seção tentar-se-á avaliar, à luz da análise realizada no capítulo precedente, as potencialidades e limitações que oferece um banco de dados eletrônico disponível online, enquanto fonte de informação, para uma análise cienciométrica. Tal avaliação torna-se necessária na medida em que se verifica uma crescente tendência à apresentação da informação em formato eletrônico e via Internet, a partir do desenvolvimento das novas tecnologias. Esta necessidade de avaliação fica ainda mais evidente quando se pensa que, apesar desta expansão, existem ainda relativamente poucos estudos que se dedicam a analisar quantitativamente este tipo de fonte de informação. Dentre os quais, podem-se destacar os artigos de Moed (1988), de Wolfram et al. (1990) e de Hjortgaard Christensen & Ingwersen (1996,1997), autores que têm se preocupado e debruçado sobre estas questões.

Ao descreverem suas experiências de utilização de determinadas bases de dados online como recurso para análises quantitativas, eles apontam as dificuldades que usualmente são encontradas e as alternativas possíveis para lidar com tais problemas ou minimizá-los. Conseqüentemente, seguindo esta linha, cabe, no presente estudo, também dedicar um capítulo para discorrer sobre as vantagens, problemas e desafios gerados a partir da realização de uma análise cienciométrica em uma fonte de informação que possui certa semelhança com as estudadas por aqueles autores.

De tal maneira, será esboçado um balanço dos aportes e problemas que o banco de dissertações e teses da ABA apresentou para a realização desta análise. Para o qual é imprescindível, como passo prévio, desvendar e mencionar, de modo mais ou menos sistemático, quais são os benefícios ou oportunidades que se abrem, quer para o usuário quer para os gestores/administradores da informação, assim como as dificuldades e

limitações apresentadas pelo banco, muitas das quais são próprias desta modalidade de fonte de dados.

5.1 BENEFÍCIOS E LIMITAÇÕES DESTE TIPO DE FONTE DE