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Contributions and future research

Partindo da importância que a escola e os professores têm na transmissão e alteração de valores e atitudes ambientais, consideramos crucial averiguar também, no nosso estudo, o papel das metodologias e estratégias pedagógicas utilizadas pelos docentes na abordagem da Educação Ambiental. Fá-lo-emos na tentativa de conhecermos de que forma pode a escola, por intermédio dos professores e das suas práticas educativas, contribuir e influenciar positivamente os alunos não somente nas suas aprendizagens mas também nas suas atitudes e perspectivas face à protecção ambiental.

47 São muitos os autores que defendem diferentes métodos pedagógicos e estratégias de aprendizagem em função de cada faixa etária e dos distintos níveis de escolaridade. Mas qual os métodos e estratégias pedagógicos mais indicados para o 1º ciclo de ensino? Será também que estes métodos não devem variar de acordo com as especificidades e programas de cada escola, dependendo das suas componentes lectivas, extra-lectivas, da sua multidimensionalidade ou da sua envolvente física e social?

Marques (2001), defende um método pedagógico de ensino e aprendizagem organizado em três modelos, tendo em conta o contexto em que cada escola se insere. O primeiro modelo refere-se à aquisição organizada de conhecimentos e compreensão dos fundamentos científicos dos vários ramos de conhecimento. Neste modelo é feita uma primeira abordagem teórica aos conceitos e teorias mais pertinentes e posteriormente, o professor recorre a várias estratégias como demonstrações, fichas de trabalho e textos de apoio, que permitem ao aluno a aquisição de conhecimentos. O segundo modelo refere- se ao desenvolvimento de competências intelectuais, onde o autor defende uma componente mais prática, precedida da aquisição de conhecimentos a que nos referimos no modelo anterior. Neste modelo, o aluno adquire conhecimentos através do treino e da repetição de exercícios, jogos, ou outras estratégias e onde o professor identifica e corrige exercícios e orienta jogos impondo e verificando regras. O terceiro modelo refere-se à compreensão e desenvolvimento de ideias e valores já assimilados e adoptados pelos alunos, em função da escola e da sociedade onde estão inseridos e das suas heranças culturais e tradições. Esta compreensão de ideias e valores deverá ser orientada pelo professor através de uma metodologia de auto-descoberta com o recurso à experimentação, aos trabalhos de grupo, ao debate e discussão. Parece-nos, pois, que estes três modelos se complementam, mas devem ser bastante ecléticos e flexíveis, para se adaptarem às especificidades e programas de cada escola.

Fernandes (1983), além de corroborar a ideia de Marques (2001) relativamente à organização do espaço e à mobilização dos mais variados meios didácticos, reforça-a através da sugestão de trabalhos de campo e visitas de estudo. Este autor refere ainda outras condicionantes às estratégias educativas para uma educação de valores. A capacidade de aprendizagem e compreensão dos alunos bem como factores externos à escola como, por exemplo, o meio social onde os alunos estão inseridos ou a oposição familiar a novas ideias e valores contrários aos transmitidos em casa, seja por falta de conhecimentos ou por valores tradicionais e culturais fortes, existentes no seio familiar ou social. Estas representam algumas das condicionantes a que o autor faz referência.

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Marques (1999), refere que o pedagogo e filósofo Quintana Cabanas é defensor de uma teoria da educação moral integral que valorize a razão, as emoções e a vontade, que permita limitar e corrigir a criança, tanto nas suas apetências espontâneas como nas suas inclinações naturais influenciadas e condicionadas pela família e pelas tradições e costumes. Assim a criança aprende a respeitar, aceitar e seguir as normas morais.

O jogo é uma das outras estratégias utilizadas pelo professor para desenvolver competências e ajudar o aluno a adquirir os conhecimentos. É uma componente prática que motiva a criança e que lhe permite manipular materiais e estimular a aprendizagem de uma forma mais motivante e divertida (Santos, 1999). Esta estratégia pedagógica e todas as actividades lúdicas devem ser enquadradas no segundo modelo de aprendizagem do método pedagógico de ensino e aprendizagem de Marques (2001). Através do jogo, o aluno vai imitando e repetindo as acções ensinadas pelo professor e pelos colegas, treina incessantemente porque está motivado e divertido, descobre, questiona, põe hipóteses que vão estimular a aquisição de conhecimentos e aprende as regras e valores. “Pelo jogo, ela põe em acção possibilidades que dimanam da sua estrutura peculiar, realiza as potencialidades virtuais que afloram sucessivamente à superfície de seu ser, assimila-as e desenvolve-as, une-as e complica-as, coordena o seu ser e dá-lhe vigor.” (Chateau, 1975). Estas actividades podem ser realmente uma mais- valia nas estratégias pedagógicas a utilizar pelo professor, aproveitando o facto de os jogos representarem uma forma de divertimento totalmente típico da infância, ou seja, parte integrante da actividade natural de uma criança (Kishimoto, 1994 & Velasco, 1996).

É de toda a conveniência que os meios e estratégias aos quais o professor recorre para ensinar os conteúdos, sejam adequados e estejam até associados a esses mesmos conteúdos, sempre que possível (Monereo et al., 1995). Isto porque as actividades organizadas pelo professor que contemplam uma componente lúdica podem ser encaradas pelos alunos como uma simples brincadeira, mas, quando planificadas e orientadas de uma forma séria, com regras e valores bem definidos, são também encaradas pelos alunos como actividades sérias, onde eles têm de actuar de forma responsável, cumprindo as regras e assimilando os valores morais que daí advêm. Logo, cabe ao professor planear, orientar, ensinar regras e valores e corrigir, de forma que a criança encare o jogo como algo sério e responsável, para que retire dele o máximo de proveito e experiências, para que jogue, se divirta e aprenda, mas que não se corra o risco de que o jogo seja visto pela criança como um momento de relaxação e de simples

49 brincadeira. As aprendizagens serão ainda mais significativas se as crianças puderem associar certos conteúdos e temas a jogos e a divertimentos que experienciam na sua vida quotidiana, como pode ser o caso da separação de resíduos que é frequentemente encarada como uma actividade lúdica mas séria, tanto em casa como na escola.

Assim, compete ao professor proporcionar este clima de interacção e divertimento mas, e acima de tudo, de aprendizagem significativa e bem estruturada, de forma a proporcionar novas aquisições de conhecimentos e competências aos alunos ou a consolidar os conteúdos já anteriormente abordados noutras situações de aprendizagem.

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