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Perrenoud (1999, p.33  GHVFUHYH D QRomR GH FRPSHWrQFLD FRPR ³uma capacidade de agir eficazmente em um determinado tipo de situação, apoiada em conhecimentos, mas sem limitar-se a eles´ H DFUHVFHQWD TXH R WUDWDPHQWR GH uma situação, ou a manifestação de uma competência, pode exigir a articulação e sinergia de vários recursos cognitivos complementares, entre os quais estão os conhecimentos.

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O mesmo trabalho destaca a dificuldade de se encontrar uma definição clara e geral de competência, e admite que a palavra comporta significados variados. Dessa forma, produzir uma definição geral e abrangente é uma tarefa complexa e delicada, mas, por outro lado, é uma noção importante quando se trata sobre ensino e aprendizagem. Mesmo na ausência de uma definição que seja universal, o autor considera que a noção de competência deve ser construída.

Perrenoud (1999) desenvolve a noção de competência a partir de outros dois conceitos: hábito e esquema. O hábito é caracterizado como uma operação conhecida e dominada pelo sujeito que pode repeti-la, pronta e identicamente, sempre que necessária. O conceito de esquema é explicado da seguinte maneira:

Em sua concepção piagetiana, o esquema, como estrutura invariante de uma operação ou de uma ação, não condena a uma repetição idêntica. Ao contrário, permite, por meio de acomodações menores, enfrentar uma variedade de situações de estrutura igual. (PERRENOUD, 1999, p.23).

Ainda segundo o autor, os esquemas são construídos pela prática, mas podem se apoiar em saberes ou teorias, e conservam-se no estado prático, mesmo que o sujeito não tenha uma consciência precisa de sua existência, de seu funcionamento ou de sua criação.

A noção de competência é expressa assim:

[...] ela (uma competência) orquestra um conjunto de esquemas. Um esquema é uma totalidade construída, que sustenta uma ação ou operação única, enquanto uma competência com uma certa complexidade envolve diversos esquemas de percepção, pensamento, avaliação e ação, que suportam inferências, antecipações, transposições analógicas, generalizações, apreciação de probabilidades, estabelecimento de um diagnóstico a partir de um conjunto de índices, busca de informações pertinentes, formação de uma decisão, etc. (PERRENOUD, 1999, p.24)

As afirmações evidenciam a intenção do autor em destacar os conhecimentos como componentes de uma competência e, ao mesmo tempo, indicar que competência não se limita a eles.

Com essa visão, ao considerar-se a competência para a elaboração de algoritmos, pode-se apontar como um exemplo de esquema o par sintaxe- semântica das instruções da linguagem algorítmica empregada: o estudante deve dominar tal esquema (combinação adequada entre sintaxe e semântica), mas para a criação de um algoritmo outros elementos são requeridos.

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Em outro trabalho do mesmo autor, o conceito de competência é colocado como

[...] a aptidão para enfrentar uma família de situações análogas, mobilizando de uma forma correta, rápida, pertinente e criativa, múltiplos recursos cognitivos: saberes, capacidades, micro-competências, informações, valores, atitudes, esquemas de percepção, de avaliação e de raciocínio. (PERRENOUD, 2002, p.19)

Com esse entendimento, aflora a possibilidade de considerar-se competência como composição de micro-competências; essa visão mostra-se interessante quando se trata de criar atividades de ensino e aprendizagem, pois desdobrar uma competência em micro-competências pode facilitar a organização das atividades, a análise do desenvolvimento das mesmas e a avaliação dos resultados alcançados.

A composição da competência para a produção de algoritmos pode ser explicada a partir de outras competências menos complexas, ou seja: a partir de micro-competências, tais como: elaborar e vincular modelos abstratos a situações concretas, representar formalmente (linguagem algorítmica) o desenvolvimento de solução de um modelo, interpretar e validar a solução obtida, entre outras.

Perrenoud (1999) reforça a importância de diferenciar esquema e competência. Um esquema sustenta uma ação ou operação única que pode apresentar variação, mas que mantêm uma estrutura invariante. Uma competência engloba um repertório organizado de ações e operações possíveis de serem acionadas diante de situações análogas, mas variáveis, inclusive com aspectos inéditos, que se articulam em novas direções e além de pequenas acomodações ou variações. Uma competência se manifesta com o envolvimento de diversos componentes: percepção, pensamento, ação e avaliação, que sustentam inferências, antecipações, transposições analógicas, deduções, decisões.

Machado (2002) aborda a idéia de competência a partir de três características principais: a pessoalidade, o âmbito e a mobilização.

O autor explica a pessoalidade em função da existência do consenso tácito sobre a semântica da palavra competência, que admite atribuir competência a uma pessoa, mas não a um objeto ou artefato. Justifica tal fato com o argumento de que o conhecimento é sempre pessoal, ao considerar que cada pessoa, na

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sua individualidade, constrói o seu significado para um conhecimento. Novamente fica evidente a forte relação entre competência e conhecimento.

O âmbito de uma competência é descrito pela referência ao contexto em que a competência se manifesta, o autor afirma:

[...] as competências representam potenciais desenvolvidos sempre em contextos de relações disciplinares significativas, prefigurando ações a serem realizadas em determinado âmbito de atuação. (MACHADO, 2002, p.142)

Em outra parte do trabalho, o autor destaca a possibilidade de se traduzir uma competência como um feixe de habilidades, e caracteriza habilidade como uma forma de realização da competência em contextos mais específicos:

[...] é como se as habilidades fossem micro-competências, ou como se as competências fossem macro-habilidades. (Machado, 2002, p.145)

Como exemplo é válido citar, em relação à competência para a criação de algoritmos, a habilidade (micro-competência) para relacionar um modelo abstrato a alguma representação formal de sua resolução.

O terceiro aspecto indicado por Machado (2002), a mobilização, é explicado pela associação entre competência e a mobilização de saberes: uma competência não é o acúmulo de conhecimentos, é a possibilidade de realizar uma ação, é a possibilidade de recorrer ao conhecimento disponível para realizar algo que se projeta. O autor afirma:

[...] nenhum conhecimento deveria justificar-se como um fim em si mesmo: as pessoas é que contam, com seus anseios, com a diversidade de seus projetos. Assim como um dado nunca se transforma em informação se não houver uma pessoa que se interesse por ele, que o interprete e que lhe atribua um significado, todo o conhecimento do PXQGR ³QmR YDOH XP WRVWmR IXUDGR´ VH QmR HVWLYHU D VHUYLoR GD inteligência, ou seja, dos projetos das pessoas. (MACHADO, 2002, p.146)

A prática didática resultante das aplicações desses conceitos é denominada abordagem por competências (Perrenoud, 2002).

Uma abordagem por competências envolve: designar e escolher os alvos da aprendizagem vinculados às competências que se pretenda que o estudante desenvolva; planejar as atividades de ensino de tal forma que o eixo principal das mesmas seja definido pelas competências almejadas; planejar as atividades de avaliação de maneira que aquelas competências sejam os pólos principais. Tanto

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o professor como o estudante devem ter clareza sobre aquilo que se coloca como metas a serem atingidas e também sobre os recursos, estratégias e práticas que irão compor os cenários de ensino e aprendizagem.

Os conhecimentos, objetos da aprendizagem, devem sofrer um processo de enraizamento, de tal forma que possam ser colocados em funcionamento de forma rápida e adequada, em situações diferentes daquelas em se processou a respectiva aprendizagem.

Perrenoud (1999) ressalta que a abordagem por competências exige tanto a preparação e a postura especial do professor em suas várias práticas, como atenção dirigida ao risco de não se estreitar a finalidade do ensino apenas como utilitarista.