Nos primeiros seis anos de atividade da CPE/Osesp, o Programa Formação de Professores contou com 27 docentes. Uma das profissionais convidadas passou a integrar a equipe fixa da CPE/Osesp de 2005 até os primeiros meses de 2006, quando se desligou devido à aprovação em concurso para professor universitário da rede federal de educação.
A seleção destes docentes dava-se de acordo com sua área de atuação, sua titulação (preferencialmente mestres e doutores), área de conhecimento, pesquisa e trabalho e, eventualmente, sua origem (estado, universidade – tendo em vista os custos). A CPE/Osesp também verificava se teriam disponibilidade e comprometimento para participar de todos os momentos do seu curso – aulas presenciais, correção dos trabalhos, participação nas atividades a distância (neste caso, a partir de 2005), entre outros fatores.
Apesar de buscar a diversidade de docentes, a CPE/Osesp considerou relevante analisar os caminhos pedagógicos e a fundamentação teórica dos docentes em suas atuações e publicações, para constituir um grupo complementar. Por exemplo, sabendo que a maioria dos participantes era leiga em música, considerava que não seria interessante que cada docente atuasse a partir de uma linha pedagógica distinta, devido à carga horária reduzida dos cursos e a impossibilidade de aprofundamento nos conceitos e práticas. Existia a hipótese de que, eventualmente, esta situação poderia dificultar as práticas e o próprio sistema de avaliação dos professores participantes, visto que os critérios de planejamento e avaliação seriam diferentes. Assim, apesar de oferecer uma visão geral das tendências educativo-musicais, a CPE/Osesp se declarava em uma linha pedagógica continuada e clara, apresentada nos cursos e nos programas (folders) dos eventos didáticos, na seção dirigida aos pais e professores.
Além disso, após cada Módulo dos cursos, os professores participantes realizavam avaliações quantitativas e qualitativas dos docentes e da organização geral. Estes dados eram analisados e serviam como base parcial para decisões sobre as participações futuras dos profissionais, decisões organizacionais, estruturais e de outras naturezas. Alguns docentes, muito bem avaliados pelos professores participantes, foram convidados em vários momentos subsequentes, mas devido a impedimentos profissionais e/ou pessoais, não puderam participar. Outros foram convidados e, pelos mesmos motivos, nunca puderam participar. Alguns cursos intensivos sobre tópicos específicos não diretamente relacionados aos cursos da programação regular ou eventos didáticos, foram cancelados. Em vários destes, as docentes ainda não haviam participado dos cursos regulares, e assim também não puderam participar em outros momentos. Ressalto que o início do uso da EaD aconteceu em 2005, e apenas nos cursos. Os professores participantes dos workshops ainda continuavam apenas com o Módulo presencial e a “reunião de encerramento”. Em resumo, os 27 docentes tiveram diferentes participações neste período.
Na tabela adiante podem ser verificadas características comuns entre os docentes, bem como a reincidência de participação dos docentes em momentos muito específicos – um ou mais Módulos ou cursos, em um ou dois anos. A coluna Situação apresenta 11 (onze) tipos de envolvimento dos docentes nos cursos, e as colunas seguintes detalham estas situações. A coluna Total de docentes demonstra a quantidade de docentes envolvidos em determinada situação; a coluna Anos (quantidade) demonstra quantos anos os docentes participaram daquela situação; a coluna Número de Módulos refere-se ao
número individual de Módulos ministrados por cada docente (não à soma dos Módulos de todos os docentes), e as colunas antes EaD/com EaD detalham como/quando estes Módulos foram ministrados pelos docentes. Apresento alguns exemplos para melhor compreensão. Na situação 6, vemos que sete docentes participaram apenas em um ano ministrando um Módulo cada um, e que todos estes Módulos foram ministrados nos cursos com EaD. Na situação 8, constatamos que dois docentes participaram em três diferentes anos e ministraram três Módulos cada um, sendo que cada um ministrou um Módulo antes da EaD e dois nos cursos com EaD. Além disso, um grupo de 14 docentes participou apenas dos cursos antes da implementa-ção da EaD nos cursos (situações 1 a 5), oito docentes participaram apenas dos cursos com EaD (situações 6 e 7) e cinco docentes participaram nos cursos antes e com a EaD.
Tabela 2: Resumo dos docentes de cursos e módulos
Situação Total de
docentes Anos (quant.) Nº módulos ministrados por cada docente
Módulos ministrados antes da e com a introdução da EaD 1 9 1 1 9 antes da EaD 2 1 2 3 3 antes da EaD 3 2 2 4 4 antes da EaD 4 1 2 2 2 antes da EaD 5 1 1 4 4 antes da EaD 6 7 1 1 7 com EaD 7 1 2 2 2 com EaD
8 2 3 3 1 antes da EaD 2 com EaD
9 1 3 3 2 antes da EaD 1 com EaD
10 1 3 10 1 antes da EaD 9 com EaD
11 1 5 7 6 antes da EaD 1 com EaD
Também verificamos que a atuação de vários docentes ocorreu apenas no período de 2001 a 2003, sendo que muitos não atuaram mais a partir de 2004 – isso porque, a partir desse ano, além de não atenderem a um ou mais fatores anteriormente mencionados, foram oferecidos menos cursos e buscados novos docentes. Se os critérios para considerar alguém como parte de um “corpo docente” mais estável e recorrente seriam atuar em mais de dois anos e em no mínimo três Módulos, teríamos um grupo de 5 docentes – os que ministraram Módulos de cursos antes e com a EaD. A relação completa pode ser vista no Anexo 3, demonstrada por docente.
Os 27 docentes que atuaram na CPE/Osesp de 2001 a 2006 residiam em diferentes estados: 37% (10 docentes) residiam no estado de São Paulo e 33% (9 docentes) no estado do Rio Grande do Sul. Estes também foram os que ministraram mais Módulos nos cursos realizados (São Paulo com 36% ou 24 Módulos e Rio Grande do Sul com 33% ou 23 Módulos). Cabe observar que a proporção de docentes localizados em São Paulo seria
muito maior se incluídos os workshops ou cursos ministrados pela coordenadora da CPE/Osesp residente em São Paulo (6 Módulos de cursos e todos os workshops de 2003 a 2006, compartilhados com uma colega da CPE/Osesp a partir de 2005, também residente em São Paulo). Os workshops ministrados em conjunto com a coordenadora da CPE/Osesp com esta segunda profissional da CPE/Osesp foram considerados como um evento apenas, de modo simbólico, devido a seu vínculo permanente com a CPE/Osesp.
Tal fato não se repete exatamente nas demais situações. Por exemplo, um docente que reside no estado de Santa Catarina foi responsável por sete Módulos e, por isso, sua participação nos cursos totaliza 11%. Enquanto isso, um docente do Rio de Janeiro foi responsável por três Módulos, um docente do Mato Grosso por apenas um Módulo, três docentes do Paraná foram responsáveis por cinco Módulos e dois de Minas Gerais, cada um responsável por um Módulo. É possível aferir que esta diversidade de localização dos docentes, juntamente com a produção científica apresentada pela equipe da CPE/Osesp neste período, tenham contribuído para a divulgação dos trabalhos educativo-musicais da instituição. Além disto, a riqueza dos contextos socioculturais das diversas origens bem como a sólida formação dos docentes, permitiu um rico intercâmbio entre eles e com os professores participantes, agregando valor ao trabalho efetuado.
A seguir, serão apresentados os referenciais teóricos norteadores da presente pesquisa, que também se relacionam, até certo grau, ao referencial teórico adotado na condução dos trabalhos da CPE/Osesp.