• No results found

6.0 Discussion

6.2.1 Continuity in structure and a pro-active management

Ao longo dos anos a sociedade foi sofrendo mudanças sistemáticas de cunho econômico, social, tecnológico e cultural. Da mesma forma, a estrutura familiar também já não é mais aquela de antigamente, composta rigorosamente por: pai, mãe e filho(s). Assim, todas essas mudanças devem ser inseridas no contexto escolar: os novos modelos familiares, os novos casais, a cultura familiar e as demais orientações.

Braslavsky (1999) defende que a aliança entre as instituições educativas: escola, família e comunidade em geral, devam ter uma negociação simbólica. Isso significa dizer que é necessário que estas se conheçam, caso contrário, torna-se difícil formular um ensino atual e construir a identidade de cada escola.

Considerando esta proposta, da participação da família como colaboradora para os avanços do ensino, se pretende compreender e considerar os processos educativos que ocorrem em casa perante o Ensino de Ciências.

Refletindo sobre o que ocorre dentro das escolas, sabe-se que faz parte do cotidiano dos professores trabalhar com a diversidade em sala de aula. Algumas dessas podem ser facilmente identificadas visualmente pela fala, ou por alguma experiência diferenciada relatada pelo próprio aluno. Porém, a bagagem cultural e o meio social dos estudantes, na maioria das vezes, são desconhecidos pelos professores, sendo assim, acaba sendo uma incógnita saber para quem se está ensinando.

Nesta perspectiva, a relação entre escola e família é, sobretudo nos dias de hoje, uma das mais palpitantes questões discutidas por pesquisadores e/ou

gestores dos sistemas e unidades de ensino em quase todo mundo (Filho, 2000). Conforme Filho (2000), a forma e a intensidade das relações entre escolas e famílias variam enormemente, estando relacionadas aos mais diversos fatores (estrutura e tradição de escolarização das famílias, classe social, meio urbano ou rural, número de filhos, ocupação dos pais, etc.). Já para Montandon e Perrenoud (1987), a escola também influência na vida de cada família: “de uma maneira ou de outra, onipresente ou discreta, agradável ou ameaçadora, a escola faz parte da vida cotidiana de cada família” (p.7).

Alguns países apresentam a relação da família em suas políticas públicas, valorizando cada vez mais a participação e a cooperação das famílias junto às escolas. Para tal relevância, ilustram-se algumas iniciativas governamentais (COELHO, 2000):

• Países britânicos, em 1990: Os pais deveriam assumir compromissos e responsabilidades junto à escola, como assiduidade, disciplina e deveres escolares. Este plano foi chamado em português de “contrato Casa-Escola”. • Estados norte-americanos, em 1994: Família e escola tornaram-se a oitava meta da educação nacional;

• França, em 1998: O Ministério da Educação lança campanha nacional pela parceria Família-Escola.

• Comunidade Europeia, em 2002: Lança edital marcando o dia oito de outubro, o dia nacional do “Dia Europeu dos Pais e da Escola”.

No Brasil, as famílias estão pouco presente nas escolas. Algumas campanhas ainda tímidas foram lançadas pelo governo Brasileiro no ano de 2001. Pela televisão divulgou-se a campanha “Dia Nacional da Família na Escola”. As atividades deste dia foram de competência de cada instituição pública, na campanha, pais, alunos e professores pintaram e limparam as escolas.

No ano de 2004 dezembro e janeiro e fevereiro de 2005, o Ministério da Educação anunciou que as famílias recebessem em seus domicílios os pesquisadores do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP) para responder perguntas sobre o grau de satisfação para com o ensino da escola pública.

Sendo assim, a relação entre escola e família pode ser desenvolvida de diferentes formas. No entanto, nesta dissertação defende-se que a participação dos pais não é fazer com que estes se responsabilizem com as tarefas escolares de seus filhos, até porque alguns familiares não têm tempo e ademais, não são obrigados a ter conhecimento específico para resolver problemas de Matemática ou Física. Também não se compreende que a participação dos pais possa ser apenas física, como a limpeza e a pintura da escola. Sendo assim, ao longo do texto, compreende-se que os pais/mães/responsáveis (a família) deveriam dialogar com professores e pesquisadores e até mesmo participar de debates da área para em uma rede sólida e fidedigna com a realidade da comunidade escolar. Assim, poderá ser possível desenvolver uma educação verdadeiramente contextualizada.

Um momento oportuno para este diálogo poderia ser no início do ano letivo. Nesse espaço, além do professor apresentar o seu cronograma de conteúdos, ele pode vir a oportunizar com que juntos, pais, alunos e professor escolham os temas a serem estudados, que sugiram atividade ou, até mesmo, se possível um pai ou mãe participe de alguma aula, colaborando de forma teórica ou prática. No entanto,

Se, por um lado, é imprescindível a intensificação das relações entre a escola e a comunidade para a formação de cidadãos atuantes, por outro, é um absurdo ignorar o que têm a dizer os cientistas e pesquisadores e o que se conhece hoje sobre os processos de reforma curricular (KRASILCHIK, 2000 p. 92).

A partir dessa citação explica-se que não se quer anular todas as pesquisas de melhoria para o ensino de ciências realizadas até agora e sim, somar a estas a participação da família na tentativa de trazer os pais para dentro da escola.

.Para concluir, nenhuma pesquisa utilizando a opinião do aluno e a da família ao mesmo tempo sobre um mesmo tema, em particular sobre o ensino de ciências, foi encontrada até a data da publicação desta dissertação para ilustrar o referencial teórico.

4. ABORDAGEM METODOLÓGICA

O paradigma no qual se inclui esta pesquisa pode ser classificado a partir de uma abordagem naturalística-construtivista (MAZZOTI, 1996), pois buscou a compreensão do problema a partir do próprio contexto, no qual eles emergiram ao longo da investigação e estão expressos em metatextos, organizados em categorias e subcategorias, conforme referencial de Moraes e Galiazzi (2007).

Neste capítulo ainda apresentam-se os sujeitos e as ferramentas utilizadas para a coleta dos dados. Por fim, a apresenta-se a metodologia de análise.