Os trˆes gr´aficos de distribui¸c˜ao de dose 3D mostram como ´e depositada a energia na ´agua (Figuras 7.29, 7.30,7.31).
As regi˜oes 1, 2 e 3 correspondem `as trˆes camadas correspondentes `a suspens˜ao celular, representada pela ´agua. A distribui¸c˜ao de dose ´e maior na regi˜ao 2 e 3 onde se pode verificar os picos de maior deposi¸c˜ao. No entanto, as doses depositadas n˜ao s˜ao muito elevadas porque os fot˜oes perdem uma consider´avel energia at´e chegar `a ´agua, atravessando o a¸co inoxid´avel, ar e vidro. A distribui¸c˜ao de dose n˜ao ´e uniforme segundo o eixo radial, e pela an´alise das figuras 7.29, 7.30, 7.31 o que indica que no centro do tubo de irradia¸c˜ao ocorre uma maior deposi¸c˜ao de energia.
CAP´ITULO 7. RESULTADOS E DISCUSS ˜AO
Figura 7.29: Distribui¸c˜ao da Dose 3D na regi˜ao 1.
Figura 7.30: Distribui¸c˜ao da Dose 3D na regi˜ao 2.
Figura 7.31: Distribui¸c˜ao da Dose 3D na regi˜ao 3.
Cap´ıtulo 8
Conclus˜oes
Este ´ultimo cap´ıtulo resume o trabalho realizado, os resultados obtidos e as perspectivas futuras que podem contribuir para o desenvolvimento de v´arias ´areas, com o uso de radia¸c˜ao ionizante.
O presente trabalho foi desenvolvido no equipamento experimental de60Co, Precisa 22. Foram utilizados os sistemas dosim´etricos de referˆencia (solu¸c˜ao de Fricke) e de rotina (PMMA) para determinar os d´ebitos de dose em diferentes posi¸c˜oes na unidade de irradia¸c˜ao (A, B e C).Verificou-se que nas posi¸c˜oes centrais (A2, B2) os d´ebitos de dose s˜ao superiores aos d´ebitos de dose das posi¸c˜oes laterais. Esse facto poder´a dever- se a uma contribui¸c˜ao ponderada das duas fontes, havendo uma maior deposi¸c˜ao nas partes centrais. Na posi¸c˜ao C n˜ao foi verificado o mencionado efeito possivelmente de- vido ao maior afastamento das fontes. No caso da Posi¸c˜ao I n˜ao foi poss´ıvel determinar os d´ebitos de dose devidos aos valores da dose absorvida se encontrarem fora da gama de valores do dos´ımetro de Fricke, de 40 a 400 Gy para os tempos de 10 e 15 minutos. Para efectuar as irradia¸c˜oes foram escolhidas as posi¸c˜oes A e I, do n´ıvel 2, com d´ebitos de dose de 2,6 kGy/h e 0,16kGy/h, respectivamente.
O objectivo deste trabalho consistiu na avalia¸c˜ao de um biodos´ımetro de radia¸c˜ao ionizante que se baseia na investiga¸c˜ao de altera¸c˜oes a n´ıvel celular e molecular (bioindi- cadores) induzidas pela radia¸c˜ao ionizante. Para tal, foram irradiadas suspens˜oes de Bacillus pumilus, Pseudomonas fluorescens e Stenotrophomonas maltophilia (≤ 10 kGy) e foram calculados os tempos de irradia¸c˜ao com base nos d´ebitos de dose de- terminados a partir do sistema dosim´etrico de referˆencia.
CAP´ITULO 8. CONCLUS ˜OES
para a determina¸c˜ao do D10. Para o Bacillus pumilus, na posi¸c˜ao A o D10determinado foi de 1,92 ± 0,39 kGy e na posi¸c˜ao I foi de 2,64 ± 0,33 kGy. A irradia¸c˜ao das Pseudomonas fluorescens nas doses anteriormente referidas levou `a sua inactiva¸c˜ao, o que demonstra uma grande sensibilidade `a radia¸c˜ao e por esse motivo n˜ao podem ser utilizadas como biodos´ımetro. A Stenotrophomonas maltophilia, quando a irradiada a 3, 5 e 7 kGy, tamb´em sofrem inactiva¸c˜ao total. Contudo, quando irradiada a 0,5, 1 e 1,5 kGy foi poss´ıvel obter a curva de inactiva¸c˜ao exponencial para a posi¸c˜ao I e determinou-se o valor de D10 de 0,20 ± 0,04 kGy.
Tal como para os Bacillus pumilus, a Stenotrophomonas maltophilia apresenta uma maior sensibilidade `a radia¸c˜ao na posi¸c˜ao A do que na posi¸c˜ao I. A explica¸c˜ao pode basear-se no d´ebito de dose das posi¸c˜oes, ou seja, o facto da posi¸c˜ao A ter um d´ebito de dose superior implica uma maior energia em menos tempo, o que n˜ao d´a aos microorga- nismos a capacidade de recuperar e de activar os seus mecanismos de repara¸c˜ao. Os valores D10 alteram consoante as condi¸c˜oes morfol´ogicas, fisiol´ogicas, nutricionais ou de cultura, substrato e parˆametros de irradia¸c˜ao [39]. O tempo foi um factor que n˜ao influenciou a inactiva¸c˜ao dos microorganismos.
Como as bact´erias estudadas s˜ao pigmentadas, foram efectuados os espectros de absor¸c˜ao numa gama de comprimentos de onda de 200 a 800 nm para avaliar a poss´ıvel correla¸c˜ao entre o pico de absor¸c˜ao da suspens˜ao bacteriana e a dose absorvida. No entanto, verificou-se que n˜ao havia correla¸c˜ao entre esses dois factores para as Pseu- domonas fluorescens. Para a Stenotrophomonas maltophilia verifica-se uma diminui¸c˜ao da intensidade de absor¸c˜ao quanto maior a dose absorvida pela suspens˜ao. Os espectros efectuados para as suspens˜oes n˜ao irradiadas demonstraram uma diminui¸c˜ao da inten- sidade de absor¸c˜ao ao longo do tempo. Assim, pelo que foi anteriormente referido, a Stenotrophomonas maltophilia poder´a possuir caracter´ısticas compat´ıveis com um biodos´ımetro para baixas doses, no entanto os resultados obtidos devem ser validados com novos ensaios de irradia¸c˜ao igualmente para avaliar a sua reprodutibilidade. Ao verificar-se uma rela¸c˜ao de linearidade entre a dose e a absorvˆancia, a an´alise espec- trofotom´etrica ´e um m´etodo de f´acil e r´apida execu¸c˜ao que poder´a avaliar poss´ıveis biodos´ımetros.
No estudo de simula¸c˜ao experimental foi poss´ıvel observar a distribui¸c˜ao de dose na ´agua. Verifica-se que as energias depositadas na ´agua s˜ao baixas pelo facto dos
fot˜oes serem atenuados por diversos materiais. Futuramente poderia ser efectuado um ajuste na geometria da cˆamara e realizar uma compara¸c˜ao com dosimetrias obtidas em estudos em Monte Carlo.
A utiliza¸c˜ao de dos´ımetros biol´ogicos ´e uma ´area que, apesar de pouco desenvolvida, revela grande aplicabilidade ao n´ıvel da esterliza¸c˜ao e preserva¸c˜ao [43]. Como trabalho futuro seria ´util experimentar a Stenotrophomonas maltophilia como biodos´ımetro para monotorizar a dose absorvida em alimentos, j´a que s˜ao utilizadas baixas doses. A irradia¸c˜ao de alimentos pode resolver problemas ao n´ıvel do controlo de doen¸cas e pode ser ´util na desinfesta¸c˜ao. Desta forma, h´a um aumento do tempo de conserva¸c˜ao e uma alternativa ao uso de conservantes [43].
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