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1-Karmem- [...] a Beth, ela tem uma experiência diferenciada dos outros, porque ela trabalha no fundamental 1, e eu, depois desses anos que estou aqui, esse ano foi que eu consegui descobrir que é muito mais enriquecedor você ficar lá orientação, com esse contato direto com o aluno, do que na avaliação. Você não conversa com o aluno na avaliação, você só entrega a prova. Então, a Beth, ela tem assim experiências bem mais ricas desse contato com o aluno que a gente, porque ela pega aqueles alunos que estão em maiores dificuldades, porque eles foram para lá para serem avaliados, o que eles sabem? O que não sabem? A gente vai avaliar de outra forma, vai avaliar de uma forma quantitativa. A Beth, ela chega a avaliar de uma forma qualitativa, porque ela avalia pela conversa, num é só pelas continhas, como os meninos dizem: ‘vou lá na Beth fazer continha.’ Nem só pra aprender um pouquinho de gramática. Pela conversa, ela vai notar bem mais coisa assim. Então aqui dentro tem essa diferença. Eu acho assim que

antes que eu saia da escola, eu vou fazer um estágio assim de um ano lá, porque eu acho assim que são muitas (...) (lições?).

2-Beth- Realmente é uma experiência, é enriquecedora para vida da gente. Para mim, realmente, isso aí foi excelente, e eu digo muito, me fez crescer esse contato com o aluno...

Cruzamentos da subcategoria a experiência diferenciada da Beth

1 e 2 convergem por considerarem a experiência diferenciada da Beth algo enriquecedor, porque ela trabalha na orientação. Lá, diferentemente dos outros educadores, ela recebe alunos que estão em maiores dificuldades para avaliar, mas não avalia só de forma quantitativa e sim qualitativa.

A experiência do São João

1- Júnior- Eu me lembrei de uma história de um menino, (...) a história do catarrento. Era um menino que queria... porque ele se apaixonou pela professora, e na festa de São João, ele olhava pra professora com aquela admiração, e a professora, tomada pelos seus afazeres, não olhava pro menino. Só que o menino, que acabou se apaixonando, e ele todo dia vinha sujo, com um catarrinho, que a turma, os outros meninos chamavam-no de catarrento, catarrento (Alguém diz: coitado), porque o catarro escorria, ficava (...), se melava [risos e demonstrações de asco do grupo] Então, a tia olhava para o menino horrorizada, e no São João, ela convida ele pra dançar. Ele convida ela para ser o par dela, e ele num se dava com mais ninguém, porque todo mundo via ele como catarrento, a única pessoa que ele podia, além de admirá-la, que ele podia convidar era ela. Aí ela recusa. E nisso, ele abandona a sala. E ele repete o ano, e no outro ano, ele chega penteado, de cabelo partido no meio (risos), está entendendo? Cheiroso, limpo, mas arrastava a chinela do mesmo jeito. Aí foi que enfim chegou o São João de novo, e ele chegou então perguntou pra ela, prestes a ter a festa de São João, ele diz; ‘e agora, tia, eu posso ser seu par?’ A diz que ela se cai em lágrimas.

2-Karmem: Eu já tive uma experiência parecida com essa aqui, com o do São João, sabe? Tinha um menino, que acho que ele era aluno da Beth, e ele tinha um cheiro. Não. Não era da Beth, porque tinha que fazer a prova na sala de avaliação, quando ele entrava na sala ninguém mais respirava, ele tinha um cheiro de suor, muito, muito forte, e aí, a Eulina, no microfone, convidou os alunos pra dançarem a quadrilha, e ele foi me convidar, e eu não tive como recusar, eu fui dançar com ele, e aí (risos) pra ir aqueles

passos, que aí é que fica suado mesmo, que levanta (risos do grupo), então quando era assim (...) e eu também, sabe? Mas eu fui dançar com ele....

Cruzamentos da subcategoria a experiência do São João

1 e 2 se opõem porque em 1, a professora mencionada na história de Júnior se recusa a dançar quadrilha com o aluno que tinha o estigma de catarrento; já em 2, Karmem aceitou dançar quadrilha com o aluno que tinha o cheiro forte de suor.

Atendendo com todos os sentidos

1- Júnior- Aí, quer dizer, o tempo que a gente num perde, às vezes, em olhar com todos os sentidos que a gente pode olhar, está entendendo? Ver, notar, ficar olhando as pessoas. É esse atendimento, como é que chama? Que a gente tem, que eu digo talvez não seja diferente do teu, quer dizer, como alguns autores da filosofia, pelo menos, chamam de vivência de choque, quer dizer, eu chego, e você despacha e escreve!

2- Auxiliadora- Aí com o tempo, quando ele [aluno] passa a ter contato com a escola, conosco, com as atividades, é que ele começa a se sentir melhor, e melhora a sua auto- estima. Nós somos como um espelho pra eles. Aí eu acho que tudo que a gente passa pra o aluno, ele começa a se enxergar em nós um pouco, você passa coisas boas, e ele também passa a ser uma pessoa melhor. (longo silêncio). Começa dar a sentido à sua vida a partir do que nós conseguimos transmitir a eles, certo? Ele vai estar melhor inserido na sociedade.

Cruzamentos da subcategoria atendendo com todos os sentidos

1 e 2 divergem porque enquanto 1 pensa que perdem tempo porque ao atender os alunos não olham com todos os sentidos, uma vez que prestam um tipo de atendimento que ele associa ao que alguns autores da filosofia chamam de vivência de choque, algo do tipo: “eu chego, você me despacha e escreve”; 2 avalia que quando o aluno passa a ter contato com os educadores, se torna uma pessoa melhor, melhora a auto-estima, começa à dar sentido à vida e se insere de forma melhor na sociedade.