O Gráfico 4 permite verificar que as importações vêm superando as exportações desde 2006 e, com isso, gerando saldos negativos na balança comercial do Maranhão. Em 2010, esse resultado negativo foi puxado pelas importações de combustíveis (83,13% do total de importações). Os principais produtos exportados: minérios de ferro, alumina, outros grãos de soja, ferro fundido, alumínio não ligado e ligas de alumínio (96,52% das exportações), não foram suficientes para evitar o déficit na balança comercial.
Gráfico 4- Balança comercial do Maranhão
Fonte: SECEX/IMESC (2010)
Em 2010, as três maiores empresas exportadoras foram a Vale S/A (50,37%), a Alcoa Alumínio S/A (9,05%) e a Alcoa World Alumina Brasil Ltda. (7,78%). Juntas representaram 67,20% do esforço de exportação. (IMESC, 2010).
No mesmo período, as três maiores empresas importadoras foram a Petrobras S/A (83,05%), a Vale S/A (3,38%) e a Alcoa Alumínio S/A (1,76%). Juntas foram responsáveis por 88,19% das importações. (IMESC, 2010).
Esses dados demonstram o que já vem ocorrendo desde que o Complexo Carajás entrou em funcionamento no final da década de 1980: a pauta de exportação maranhense é dominada por commodities de produtos de origem mineral (ferro e alumínio) e produtos de origem agrícola (principalmente grãos de soja e derivados). A predominância absoluta é de produtos semimanufaturados (bens intermediários). (IMESC, 2010).
Com esse perfil, as exportações maranhenses permanecem vinculadas à dinâmica econômica externa de seus principais compradores: países asiáticos (principalmente China), os Estados Unidos e a União Européia. (IMESC, 2010).
O mercado de trabalho maranhense, a exemplo do mercado de trabalho nacional e considerando o período circunscrito pela década de 1990 e até 2006, apresentou aumento de desemprego estrutural e crescente precarização nos novos
postos de trabalho criados. Segundo dados da PNAD (IBGE, 2010) o desemprego elevou-se no país de cerca de 3% da População Economicamente Ativa (PEA) ao final dos anos 80 para o patamar de 10 a 12% na primeira metade dos anos 2000. No Maranhão o desemprego avançou do patamar de 2,3% para 16,6% da PEA, sendo que o desemprego urbano elevou-se a 21,1% nesse mesmo período. Enquanto a PEA registrou crescimento anual médio da ordem de 2,31%, a população ocupada em termos globais (urbana e rural) evoluiu à taxa de 1,24%. (IBGE, 2010).
No setor urbano, elevou-se o peso relativo dos trabalhadores no setor terciário, que passou de 72,1% em 1980 para 77,4% do total dos trabalhadores urbanos em 2006. Percebe-se que o único setor a demonstrar ganho de participação na estrutura ocupacional no Estado entre 1980-2006 foi o de Comércio e Reparação, normalmente um setor que apresenta maior proporção de informalidade e precariedade nas condições de trabalho. O setor industrial perde participação na estrutura ocupacional no período da ordem de cinco pontos percentuais, sendo que a indústria de transformação foi a mais atingida, com a perda de cerca de três pontos percentuais. Outro aspecto importante é que os setores de Educação, Saúde e Serviços Sociais e a Administração pública, associados no plano nacional a ganhos percentuais de população ocupada no período pós-1990, no Maranhão demonstram estagnação e/ou ligeira involução no que se refere ao peso na estrutura ocupacional, como se observa na Tabela 6. (IMESC, 2010).
No que se refere ao grau de precariedade do mercado de trabalho maranhense observa-se que para cada um emprego formalizado gerado no Maranhão no período 1992-2006, foram gerados aproximadamente 1,7 empregos informais. Trata-se do principal impacto do elevado êxodo rural. (Tabela 7).
Tabela 7
O Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (IMESC) disponibilizou em 2008 o Índice de Desenvolvimento Municipal (IDM). O IDM é composto de 45 indicadores distribuídos em dois grandes grupos: 1) Índice de desenvolvimento Econômico – constituído dos indicadores de Infra-Estrutura, Qualificação da Mão-de-Obra e Produtividade, e de Produção Municipal; e 2) Índice de Desenvolvimento Social – constituído dos indicadores de Saúde, Educação, Oferta de Serviços Básicos e Meio Ambiente. O melhor IDM seria teoricamente 1,000 e o pior seria 0,000.
A partir do resultado do IDM divulgado para 2008, os 217 municípios do Maranhão foram divididos em cinco classes de acordo com o seu IDM obtido.
Tabela 8- Número de municípios de população estimada, segundo as classes do Índice de Desenvolvimento Municipal – Maranhão - 2008
A partir da análise da Tabela 8 pode-se observar que apenas sete municípios estão nas classes 1 e 2. Eles representam 25,17% da população. Os demais 210 municípios, que representam 74,83% da população do estado, estão nas classes 3, 4 e 5. Isso evidencia a concentração de desenvolvimento em poucos municípios.
Essa observação fica ainda mais clara quando se verifica que em 2004 esses sete municípios das classes 1 e 2 representavam 56,56% do PIB do estado do Maranhão.
O dinamismo da economia maranhense nos últimos 25 anos está integrado ao dinamismo da economia nacional e da economia internacional. Contudo, possui aspectos que lhe atribuem peculiaridades e, por essa razão, diferenciam o seu processo de desenvolvimento dos demais estados.
Esse dinamismo da economia maranhense não trás/produz o que afirmam, Cardoso e Falleto (1970): o desenvolvimento é em si mesmo como um processo social. Esse dinamismo, processo social da economia maranhense com a implantação dos Grandes Projetos não trouxe/concretizou a modificação na estrutura social do estado do Maranhão. Não representou nesses últimos longos quarenta anos o que Bresser Pereira (2003, p. 31, grifo nosso) visualiza como desenvolvimento nos aspectos econômico, social e político.
O desenvolvimento é um processo de transformação econômica, social e política, através do qual o crescimento do padrão de vida da população tende a tornar-se automático e autônomo. Trata-se de um processo social global, em que as estruturas econômicas, sociais e políticas de um país sofrem contínuas e profundas transformações. Não tem sentido falar-se em desenvolvimento apenas econômico, ou apenas político, ou apenas social.
Não existe desenvolvimento dessa natureza, parcelado, setorizado, a não ser para fins de exposição didática. Se o desenvolvimento não trouxer consigo modificações de caráter social e político, se o desenvolvimento social e político não for a um tempo resultado e causa de transformações econômicas, será porque de fato não tivemos desenvolvimento. As modificações verificadas em um desses
setores terão sido tão superficiais, tão epidérmicas que não deixaram traços.
Esse é o resultado do “discurso do modelo desenvolvimentista” no estado do Maranhão que não apresenta dados palpáveis de modificação/melhoria no tocante ao social, ao político e ao desenvolvimento como um todo, que beneficie sua população. Esse “desenvolvimento” não foi pensado e estruturado visando a melhoria do padrão de vida da população do estado do Maranhão, mas implantado como uma “camisa de forças”, para que bancasse o pagamento da dívida externa e para “alimentar o sonho de um Brasil forte e potente”, somente imaginado e embalado pela burocracia do governo militar. Deduz-se que as condições de vida dos maranhenses não apresentou/não apresenta dados concretos que possam ser ligados, como se pode constatar nos gráficos acima, do que se esperava da tão propalada, “ideologia do desenvolvimento”, “elevação da qualidade de vida”, dos “sonhos de grandeza”, com a implantação dos Grandes Projetos, avalizados pelos governos do estado e federal.