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5. RESULTS AND DISCUSSION

5.5. THE ROLE OF THE EXTENSION SERVICE 1 The adoption process itself

5.5.6 Key constraints facing extension workers

A lida com os dados permitiu-nos verificar que o processo de escrita das quatro orientandas de Jacqueline foi rigorosamente acompanhado por ela. Todas as versões que as mestrandas lhe enviaram foram devolvidas com algum tipo de intervenção. Essa presença marcada de Jacqueline fez com que nos interessássemos pelo estudo dos aspectos da escrita das pesquisadoras que, em sua avaliação, precisaram ser alvo de sua maior incidência.

Ao tratarmos a respeito das avaliações quanto ao tipo de incidência que um orientador faz, principalmente no início do processo de orientação, cabe considerar que

a única certeza que o docente tem é a de desconhecer o quanto o orientando não sabe. Logo, torna-se impossível, a priori, traçar um programa do que será necessário ensinar para que a escrita do relatório e a realização da pesquisa sejam bem-sucedidas. Nesse caminho, caberá pautar-se no desejo de formar pesquisadores e de olhar para cada um deles, em sua singularidade.

Assim, se nem mesmo o pesquisador tem a dimensão daquilo que ele precisará aprender ao longo do percurso, a bússola do orientador será o próprio trabalho apresentado pelo orientando. É esse percurso que lhe dará pistas para avaliar o quanto precisará ensinar ao orientando e o quanto deixará a cargo dele aprender sozinho. O orientador estará, assim, pautado no princípio de orientar-se pelo que o orientando faz e não por aquilo que fala – princípio este depurado por nós na primeira parte deste trabalho. Lembremos ainda que, dependendo do tipo de relação que o professor estabelece com o saber, sempre na dimensão daquilo que ensina, o próprio desejo de ensinar e de pesquisar pode ser transmitido pela ação do orientador.

Levando a cabo o princípio de que tratamos aqui, optamos por acompanhar o processo de escrita das nossas informantes. A partir dele, notamos que, antes de o texto chegar às mãos da orientadora, passou por versões prévias, na maioria das vezes insipientes ou truncadas, ou mesmo, registradas apressadamente na forma de tópicos. Não há marcas nos textos que indiciem terem sido mostradas para alguém. São versões nas quais o próprio pesquisador trabalha com sua escrita, antes de mostrá-la a um leitor.

Verificamos que, no início do processo, a tendência é que o número de versões privativas seja maior do que o de versões que são partilhadas. Já na proximidade de etapas de finalização (exames de qualificação, apresentação em eventos ou a própria defesa), essa proporção se inverte, bem como diminui o espaço de tempo entre a partilha de uma versão e outra com o orientador. Para que se tenha uma ideia, se no começo do processo a tendência é que uma versão fosse mostrada a cada dois ou três meses; no fim, podia ser que aparecesse a cada dois ou três dias.

Os problemas de escrita se fizeram presentes em todo o percurso de formação das pesquisadoras. No que se segue, apresentamos o Quadro 7, no qual construímos, de maneira esquemática, a sistematização das maiores recorrências encontrados em nosso corpus. Importante salientar que para chegarmos à elaboração desse quadro, primeiramente fizemos um levantamento em nosso corpus destacando, em cada versão com intervenção de Jacqueline, sobre quais aspectos a orientadora incidia. Após esse levantamento feito no material de cada informante, fomos, por comparação, localizando

os aspectos que mais se repetiam nas versões das quatro informantes. Os aspectos comuns, portanto, foram inseridos no quadro, que se segue.

Aspectos Complicadores à escrita Facilitadores à escrita

Relativos à relação do pesquisador com

o saber

Inércia Iniciativa, Insistência

Dificuldade de se oferecer oportunidades de aprendizado

Busca deliberada por oportunidades de aprendizado

Dificuldade de calcular o tempo

necessário para executar as ações Inclusão da variável “tempo” no planejamento das ações

Desordem Tentativas de organização

Inconsequência Consequência, responsabilidade subjetiva

Colagem, paráfrase Tentativa de elaboração autônoma Fuga, isolamento Pedido de ajuda

Delegação de responsabilidade Assunção da responsabilidade

Relativos à elaboração intelectual

Tomar o secundário pelo essencial

Saber hierarquizar

Não conseguir descrever os dados Abandonar a emissão de opinião sobre dados e passar a analisá-los Tomar os textos lidos como

verdades absolutas

Colocar as afirmações dos textos lidos à prova nas análises realizadas Selecionar textos aleatoriamente,

a partir de suas preferências pessoais

Saber selecionar textos para serem lidos

Regredir ou permanecer em fechamento narcísico em sua elaboração

Buscar colocar suas elaborações à prova na comunidade (congressos, discussões em grupos de estudo etc.) Relativos à formulação das primeiras versões do texto Repetições de paráfrases de um mesmo conteúdo Ausência de repetições de

paráfrases de um mesmo conteúdo Utilização de argumentos

pautados no senso comum para sustentação de suas ideias.

Inclusão de argumentos calcados no estudo teórico ou a partir dos dados para sustentação de suas ideias.

Utilização de um registro escrito que não inclui a audiência

Utilização de um registro escrito que inclui os leitores e leva em conta suas especificidades Parágrafos que não apresentam

coerência lógica entre eles

Coadunação entre os parágrafos do texto

Imprecisão lexical Busca de maior propriedade lexical Falta de propriedade na

recuperação das principais ideias do texto lido

Resenha do texto lido coerente com seu programa narrativo principal Uso de exemplos ou citações

mesmo sem entendê-los.

Seleção de exemplos e de citações pertinentes com o raciocínio Relativos à revisão Falta de coesão Falta ou uso inapropriado de Propriedade no uso da coesão

pontuação

Propriedade no uso da pontuação Formatação inapropriada Formatação apropriada

Falta de apuro estético na apresentação do texto

Apuro estético na apresentação do texto

Falta de correção gramatical Correção gramatical

O Quadro 7, que vimos de apresentar, foi estruturado em três colunas. Na primeira, do lado esquerdo, estão colocadas as quatro grandes categorias de análise que criamos a partir da leitura dos dados desta pesquisa. A observação longitudinal do processo de composição das dissertações nos permitiu pontuar que as intervenções da orientadora incidiram nos seguintes aspectos: 1) Relativos à relação do pesquisador com o saber; 2) Relativos à elaboração intelectual; 3) Relativos à formulação das primeiras versões; e 4) Relativos à revisão.

Ao lado dessas categorias, está a coluna com os principais problemas que foram alvo da incidência de Jacqueline, nomeados aqui de aspectos complicadores à escrita. Por fim, com o intuito de traçar um “antes e depois” da incidência da orientadora nos textos, na terceira coluna colocamos os facilitadores à escrita, os efeitos que podem ser depreendidos do processo elaboração do trabalho das pesquisadoras, resultados da ação da orientadora. Cabe ressaltar que essa última coluna será discutida no próximo capítulo, contudo, inserimos neste momento da tese para que o leitor tenha uma ideia das mudanças ocorridas.

No que se segue, a partir dos dados retirados do corpus da pesquisa, vamos definir e exemplificar, na ordem em que aparece no quadro, cada categoria. É importante ressaltar que, por fins didáticos, preferimos separar em categorias as dificuldades mais proeminentes das mestrandas que foram alvo da atenção de Jacqueline. No entanto, isso não significa que uma dificuldade não tenha relação com outras. Assim, exemplos em que destacamos os problemas relativos ao modo como o pesquisador se relacionou com o saber, também poderiam ser incluídos em exemplos aspectos relativos à elaboração intelectual e vice-versa.