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Consistency and unbiasedness of FIC scheme estimators

Quanto ao desenvolvimento da capacidade de autonomia dos alunos, a investigadora considerou que nesta sequência de tarefas ela se desenvolveu, principalmente, em três domínios: utilização do

software, estabelecimento de conjeturas e realização de demonstrações. No que respeita à utilização

do software, essa capacidade foi sendo desenvolvida gradualmente. As maiores dificuldades surgiram na Tarefa 4 (Anexo 7), como era de esperar pela sua natureza e pela falta de experiência dos alunos, e foram-se reduzindo significativamente ao longo da tarefa.

Distribuído o enunciado da Tarefa 10, os alunos começaram de imediato a construir os quadriláteros sem solicitarem qualquer apoio. Necessitei apenas de auxiliar o Timóteo na construção do paralelogramo porque estava a trabalhar sozinho, dado que o seu colega Marco acabara de sair para ir ao médico.

A primeira dificuldade surgiu, para a globalidade dos pares, quando terminaram a construção dos quadriláteros.

(DB10, Anexo 33)

Na opinião da investigadora, as dificuldades de utilização do software, que surgiram na fase final da aplicação da sequência de tarefas, resultaram da leitura pouco atenta dos enunciados ou, possivelmente, do facto de terem construído as figuras apresentadas sem mesmo terem lido o enunciado.

Denise: Ó stora, aqui (pergunta 1.3.) nós não conseguimos concluir nada. Professora: O vosso quadrilátero é um paralelogramo?

Denise: Era. Agora já não porque arrastámos os vértices.

Professora: Cuidado, o quadrilátero deveria manter-se paralelogramo mesmo depois de terem arrastado os vértices. Seguiram as sugestões dadas?

Denise: Não e agora não conseguimos pô-lo de novo paralelogramo.

Professora: Parece-me que devem construir novamente o paralelogramo seguindo as indicações dadas no enunciado.

A seguir, dois outros pares, o Samuel e o Simão e a Gabriela e o Martim chamaram-me pelo mesmo motivo. Optei então por chamar à atenção da turma, para que verificassem se os paralelogramos construídos ainda se mantinham paralelogramos depois de terem arrastado os seus vértices. No entanto, pela reação dos alunos, a situação descrita não se verificou com nenhum outro par.

A área onde os alunos se tornaram mais autónomos diz respeito ao estabelecimento de conjeturas. Começaram por solicitar o apoio da professora na fase inicial da aplicação da sequência de tarefas, mas apenas para lhes validar as respostas; na Tarefa 7 (Anexo 10) ainda solicitaram o seu apoio, a partir daí não voltaram a fazê-lo. Esta convicção dos alunos sobre a veracidade das conclusões tiradas, veio a revelar-se um grande obstáculo na realização das demonstrações, como é evidenciado pelo excerto do diário de bordo que se segue:

Nesta tarefa, a maior dificuldade com que me deparei foi conseguir que os alunos aceitassem que na demonstração de uma dada conjetura, esta não poderia ser usada nas justificações dos passos. Vejamos um dos diálogos estabelecidos:

Denise: Mas não posso porquê? Está aqui (questão 3)!

Professora: O que aí está é o que concluíram depois de construírem o paralelogramo e de efetuarem medições, mas ainda não provaram essa propriedade. Estão a fazê-lo agora nesta questão.

António: Também não podemos usar estas (as conjeturas estabelecidas na questão 1.)? Professora: Essas podem. Reparem que já as provaram na questão 2.

(DB112, Anexo 35)

Realizar demonstrações foi a atividade em que os alunos menos desenvolveram a sua autonomia. A dificuldade referida anteriormente, de quererem usar a conjetura a ser demonstrada na justificação de alguns passos, nunca foi ultrapassada até ao final da aplicação da sequência de tarefas. Todavia, uma outra dificuldade na realização de demonstrações foi sendo superada, a da comunicação matemática dos raciocínios efetuados. Nas primeiras demonstrações, esta foi a mais evidenciada pelos alunos, pois várias vezes responderam à professora investigadora que não conseguiam escrever a resposta dada oralmente.

De seguida, um outro par deixou-me bastante surpresa. Havia cerca de 20 minutos que o Simão e o Samuel me tinham apresentado, oralmente, uma resposta totalmente correta para a pergunta 2.1. e, nesta ocasião, quando passei junto do par, ainda não a tinham apresentado por escrito. Quando lhes perguntei porque não escreveram a resposta, responderam:

Samuel: Não conseguimos!

Professora: Porquê? Onde está a vossa dificuldade? Simão: Não sei. Também não sou capaz.

Professora: Ora digam-me de novo a vossa resposta.

O Samuel explicou-me novamente, e a resposta continuava a estar absolutamente correta. Professora: Está muito bem. Agora só têm de escrever exatamente isso.

Samuel: Mas como?

Professora: Será que te estás a referir a novos símbolos? Samuel: Sim, não sei como se escreve isto matematicamente.

Professora: Assim já estou mais descansada. Basta usarem as palavras que utilizaste para exprimires oralmente a tua resposta, mas também podem substituir algumas dessas palavras pelos símbolos matemáticos correspondentes.

Samuel: E não fica errado?

Professora: Não, Samuel! Nas justificações matemáticas não temos que usar unicamente a linguagem simbólica. Também podemos usar a linguagem corrente, ou um misto das duas.

(DB82, Anexo 31)

Na opinião da investigadora esta dificuldade, de comunicar matematicamente os raciocínios efetuados numa demonstração, foi ultrapassada pelos alunos com a realização da Tarefa 8 (Anexo 11). A partir daqui não registou pedidos significativos de apoio nesse sentido e as produções dos alunos também

evidenciam que essa dificuldade tinha sido ultrapassada. A seguir apresenta-se a resolução do Samuel e do Simão (ver Figura 51), efetuada imediatamente a seguir ao diálogo anterior. Apesar de na resposta nunca referirem o critério de congruência utilizado, este está escrito ao lado da figura e a resposta dada é a justificação para a aplicação desse critério.

Fonte: Produções dos alunos na Tarefa 8 (Anexo 11)

Figura 51 – Resposta dada pelo Samuel e pelo Simão à pergunta 2.1. da Tarefa 8 (Anexo 11) Sequências de tarefas como esta, onde os alunos têm mais oportunidades para o desenvolvimento da autonomia em vários domínios, trazem problemas ao professor no que respeita ao controlo de alunos que por norma se distraem durante a realização das tarefas. No diário de bordo, a professora tem alguns registos dessas ocorrências envolvendo quatro alunos, menos do que habitualmente se registava nas aulas. Apenas um dos pares manteve essa postura até ao final da aplicação da sequência de tarefas, tendo sido várias vezes descoberto a navegar na Internet pela professora.

Voltando a girar pela sala apercebi-me, uma vez mais, de que o Timóteo e o Marco não estavam a desenvolver o esforço necessário à realização da tarefa, com sucesso. Só “mostravam algum empenho” quando me aproximava. Raramente solicitavam o meu apoio e o tempo que disponibilizavam para a realização do trabalho era muito reduzido. Quando me abeirava do par e lhes fazia qualquer pergunta, respondiam corretamente e começavam a trocar impressões, mas logo que me afastava abandonavam o trabalho. Como estava a ser muito solicitada, e este par era muito discreto, tornou-se muito difícil controlá-los. As advertências dadas, de cada vez que os encontrei a navegar na Internet, não surtiram grande efeito. Um dos alunos esteve sempre a controlar a minha posição na sala.

(DB82, Anexo 31)

Perante a postura descrita no excerto do diário de bordo, e depois de analisadas as produções dos alunos, o facto de este par ter apresentado o desempenho mais fraco nesta sequência de tarefas não, constituiu uma surpresa para a investigadora.