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Considered by the Faculty Board in item ES Helsefak 7-13 on March 18, 2013

In document About the centre (sider 50-82)

Ramos (1997, p. 54) afirma, com base no trabalho de Thompson e Thetela (1995), que os papéis projetados por nomeação indicam uma das escolhas à disposição do falante/escritor para endereçar ou nomear explicitamente os dois participantes do evento de fala. Thompson e Thetela (1995, p. 23) reconheceram no corpus de sua pesquisa que as nomeações evidenciaram o modo explícito pelo qual os dois participantes do evento são referendados nas propagandas, no entanto, a escolha depende do foco que é dado ao produto anunciado. Esse dado citado é relevante para nossa pesquisa, pois notamos também a presença marcada dos participantes no contexto da formação inicial que os alunos do CLI projetaram nas entrevistas transcritas. Os participantes projetados por

nomeação, em geral, são os professores do curso e os colegas. No intuito de caracterizar os dados quantitativamente, elaboramos o Gráfico 7 que representa a porcentagem de frequência dos papéis projetados por nomeação:

Notemos que os alunos do 5P (Grupo 2) representam 43% do total de papéis projetados por nomeações. Em segundo, os alunos do 3P (Grupo 1) equivalem a 29%. Nas proporções menores, as menções foram dos alunos do 7P (Grupo 2), com 17%, e os alunos do 1P, com 11%. Abordaremos estes aspectos analisando os significados interpessoais que os papéis projetados pelos alunos do CLI realizaram ao expressarem as opiniões sobre o currículo.

Na análise dos papéis projetados, estamos considerando o estudo das relações dos papéis sociais e interacionais pontuados por Delu (1991). Ademais, as nomeações foram realizadas por meio do pronome Eu e das nominalizações, fato este que comprova a projeção clara dos dois participantes na representação de mundo do contexto dos alunos do CLI. O Quadro 15 apresenta as escolhas determinadas nas realizações dos significados interpessoais e dos papéis projetados por nomeações nos alunos do Grupo 1:

1P 11% 3P 29% 5P 43% 7P 17%

Gráfico 7 – Representação Percentual dos Papéis Projetados por Nomeações Fonte: Dados da Pesquisa

No Grupo 1, como se pode observar no quadro em destaque, os alunos realizaram 4 tipos mais recorrentes de papéis projetados por nomeação, consoante a este seguem-se 3 principais significados interpessoais. No caso dos tipos de nomeações, os alunos do 3P realizaram a estrutura Eu + a gente, 19 vezes em relação ao total. A mesma nomeação foi realizada 5 vezes pelos alunos do 1P. O segundo tipo, Eu + pessoa(s), ocorreu 8 vezes nas opiniões dos alunos do 3P, enquanto que somente 1 ocorreu nos dados dos alunos do 1P. Para a nomeação Eu + professor(es), os alunos do 3P realizaram 6 menções, e os alunos do 1P mencionaram 3 vezes. O quarto tipo, Eu + Universidade, ocorreu 1 vez no 3P e 2 nomeações no 1P.

Na sequência apresentamos a discussão dessa parte da análise seguindo os tipos de significados interpessoais identificados no corpus.

(a) As Avaliações sobre o Curso

Abordaremos o primeiro tipo de nomeação, Eu + a gente, acompanhado do significado da avaliação do curso expressa pelos alunos do CLI.

No contexto da formação inicial, os alunos projetam sua avaliação interligando eles mesmos aos outros de seu contexto. Nesse caso, notamos realizações interpessoais claras da simultaneidade em que os alunos nomeiam um participante para conotar relações do coletivo e individual. Essas relações se concretizam quando os alunos avaliam o curso em acontecimentos da aprendizagem com as disciplinas do currículo e com os colegas. Notemos o exemplo (75):

Alunos

do CLI Papéis Projetados Frequência

Grupo 1

Nomeações Significados Interpessoais 1P 3P Eu + a gente As Avaliações sobre o Curso 5 19 Eu + pessoa(s) O Processo de Aprendizagem 1 8 Eu + professor (es) As Perspectivas da Formação

Inicial

3 6

Eu + Universidade 2 1

Totais 4 tipos de nomeações 3 principais significados 11 34

Quadro 15 – Os Tipos de nomeações e os significados interpessoais do Grupo 1 Fonte: Dados da Pesquisa

(75) ...eu acho que a Fonética tem que ir um pouquinho devagar, porque a gente não teve tanta base assim... (1PA1)

Observamos que o aluno avalia a lacuna que possui ao cursar disciplinas específicas e de cunho teórico, como por exemplo, a Fonética e Fonologia. Nesse caso, 1PA1 marca sua projeção quando nomeia o papel na referência representada em Eu + a gente. O pronome Eu representa a personalidade do aluno ingressante na formação e que possui expectativas contrárias ao perfil do curso. A nominalização a gente representa a inclusão dos outros membros de seu grupo, os colegas que também ingressam no CLI com condições semelhantes.

Na metáfora de modalidade Eu achei que..., marcada no exemplo (76), o aluno avalia as disciplinas que considerava desnecessárias no currículo do CLI.

(76) ...no inicio eu achei que não fosse necessário todas as disciplinas que a gente tem... (1PA3)

O 1PA3 representa algumas das expectativas do aluno em esperar da estrutura do curso composta por disciplinas que ofereçam subsídios práticos para aprimorar as competências gerais do inglês. Este significado sugere uma projeção do aluno para os colegas de curso. No pronome Eu, notamos que o aluno se inclui no discurso e como participante ativo da interação, além de sustentar sua opinião nos outros colegas aqui realizados pela nominalização A gente.

Os alunos avaliam o nível curricular oferecido pelo CLI e priorizam a necessidade de cursarem disciplinas que vinculem aspectos didáticos da sala de aula de línguas. Isso é tratado por 3PA8 ao expressar o conteúdo do exemplo (77):

(77) Eu faço porque tem que ter no currículo, mas têm outras que é muito importante

pra que a gente saiba dar uma aula. (3PA8)

Observemos os itens em destaque, Eu faço porque tem que ter no currículo... representam a opinião de 3PA8 sobre a obrigatoriedade de disciplinas. A ideia é complementada no fragmento ...pra que a gente saiba dar aula, em que o aluno busca projetar o papel também nos colegas de curso que se beneficiarão não somente do aprendizado individual, mas de certa forma demonstra o anseio de conciliar trocas de conhecimento.

(b) O Processo de Aprendizagem

Analisaremos a realização semântica do segundo tipo de significado interpessoal relacionado ao processo de aprendizagem e representada pela estrutura Eu + pessoa(s). O papel projetado aqui nomeia os outros que fazem parte da comunidade do aluno, como por exemplo, os alunos de sua futura atuação na sala de aula de línguas, ilustrados pelos de (78):

Nesse exemplo podemos perceber que o Eu marca o significado de dois aspectos na expressão de 1PA6, a inclusão e a exclusão:

(78) ... eu acho que é como as meninas falaram, a gente vai ter aquela base mais fixa no primeiro período, porque quanto mais pessoas tem no curso, aí a gente vai tendo mais uma noção... (1PA6)

Na primeira característica infere-se que o aluno retoma a informação anterior comentada pelos colegas para sustentar sua afirmação a respeito da necessidade de introduzir disciplinas que consistam de uma carga horária extensa de inglês, por exemplo. A nominalização, pessoa(s), pode sugerir que o número de egressos ao continuarem o curso é importante para atrair um público que favoreça o envolvimento daqueles que já cursam a licenciatura.

Nos exemplos (79) e (80), pode-se inferir que a nominalização Pessoa(s) sinaliza duas projeções diferentes de papéis:

(79) ...eu entrei no curso particularmente como muitas pessoas, na ignorância. (3PA13)

(80) Eu não tinha noção do que estava por trás da pessoa que estava me ensinando,

muitas vezes eu dizia – “Ah! Essa professora, ela fala demais”. (3PA13)

A primeira representa a projeção do aluno em relação aos outros que tentam ingressar na licenciatura, desconhecendo o real propósito da formação de professores e a segunda representa a figura do professor de inglês. O trecho do exemplo (79), eu entrei no curso [...] como muitas pessoas na ignorância, demonstra que o aluno que inclui sua opinião considerando-a como parte do coletivo, ou seja, o Eu projeta sua ação por cursar a licenciatura em Letras desconhecendo a estrutura e a proposta da formação inicial. Todavia, as pessoas que aqui podem representar os colegas de curso e concorrentes no

vestibular comungam da falsa ideia de que o curso de Letras seja o lugar onde se aprenda a falar o inglês.

No fragmento do exemplo (80), Eu não tinha noção do que estava por trás da pessoa que estava me ensinando..., inferimos que o aluno passa a construir para si a real imagem do professor, após vivenciar na licenciatura experiências que o remetem ao simples repasse do conteúdo aprendido. Complementamos essa reflexão com as palavras de Alvarez (2010, p. 245), quando este afirma que os cursos de formação apresentam dificuldades em formar profissionais cientes das carências no ensino público.

(c) As Perspectivas da Formação Inicial

Conforme Thompson e Thetela (1995, p. 11), na análise dos aspectos interpessoais, é possível identificar um contínuo de formas explícitas, sejam de maior ou menor intensidade na realizações linguísticas. Sendo que o falante ou escritor podem ter propósitos interacionais com graus variados de visibilidade manifestados no discurso. Portanto, os significados analisados aqui abordam as relações delineadas pelos alunos do CLI ao incluírem referentes pronominais e nominalizações para satisfazer suas opiniões na figura de diferentes papéis sociais.

Para finalizar este item, apresentamos o terceiro e o quarto tipo de nomeação: Eu + professor(es) e Eu + Universidade que tratam das perspectivas da formação inicial desses alunos.

Como ilustram essas exemplificações, as opiniões dos alunos nomeiam relações de poder e distância social. Segundo Delu (1991, p. 290), os papéis estabelecem inter-relações determinadas por outros participantes da interação. Dessa interação manifestada no contexto social surgem fatores que, de acordo com o autor, podem facilitar a compreensão das relações dos papéis aos seus correlatos. Para esta subseção de análise, a correlação que estamos apresentando, dentre outras estabelecidas na sala de aula da formação inicial, é a do Eu (aluno nomeando a si mesmo) + (projetando-se no professor) e do Eu (aluno nomeando a si mesmo) + (projetando na Universidade).

(81) ...eu acho que é necessário o professor tem que ter na mente assim o conhecimento bem abrangente das coisas... (1PA3)

Notemos a relação social projetada pelo aluno, na qual é sugerida uma relação de poder. Em termos funcionais os papéis aqui se definem por meio do sistema de modalidade, conforme apresenta o fragmento, eu acho que é necessário o professor tem que ter na mente assim o conhecimento bem abrangente das coisas.

A esse respeito, Delu (1991, p. 290) acrescenta que as verdadeiras relações sociais emergem da complexa interação dos participantes que realizam por meio da linguagem seus julgamentos, opiniões e atitudes para definir seus papéis no contexto cultural em que vivem.

Logo após a ocorrência da nomeação para os professores, os alunos do Grupo 1 mencionaram os papéis projetados para expressar a opinião sobre a Universidade. A estrutura linguística localizada no corpus é representada por Eu + Universidade. Observemos os exemplos (82) e (83):

(82) ...eu acho que a Universidade deveria oferecer um curso mais amplo, que desse para você ter aquele contato mesmo com a Língua Estrangeira... (1PA3)

(83) ...uma visão também diferente que a gente tem que eu tive foi que eu não estou na

Universidade pra falar Inglês fluentemente. (3PA9)

A partir do fragmento do exemplo (82), ...eu acho que a Universidade deveria oferecer um curso mais amplo...., pode-se inferir que a Universidade nomeada pela projeção do aluno por meio de uma metáfora de modalidade representa a relação de poder desigual entre os alunos do curso e a Universidade.

O ensino de inglês na universidade é expresso para projetar a desilusão do aluno em esperar que o curso pudesse torná-lo fluente no inglês, conforme ilustra o trecho do exemplo (83), ...eu não estou na Universidade pra falar Inglês fluentemente. Infere-se, portanto, que o aluno esclarece sua opinião em reconhecer que as metas do curso não estão pautadas em preparar o futuro professor para falar o inglês.

No Quadro 16, a seguir, apresentamos os tipos de nomeações acompanhadas dos significados interpessoais que foram realizados por meio do referente Eu (maior ocorrência no corpus) e de nominalizações que identificam o contexto do qual os alunos do Grupo 2 projetam seus papéis:

Quadro 16 – Os Tipos de nomeações e os significados interpessoais do Grupo 2 Fonte: Dados da Pesquisa

Como podemos ver no Quadro 16, no Grupo 2 temos 4 tipos de nomeações seguidas de 2 principais significados interpessoais. No 5P, os alunos usaram 30 menções para a nomeação, Eu + professor(es), enquanto que no 7P temos 16 nomeações. Para a nomeação Eu + aluno(s) temos 21 menções no 5P e no 7P localizamos 6 ocorrências. No outro tipo de nomeação, Eu + você os alunos do 5P usaram 6 menções e os do 7P somente 2 vezes.

A frequência do 5P e 7P para a nomeação, Eu + professor (es), pode estar relacionada à transição curricular dos alunos do 5P. Com a reformulação do currículo de 2006 para o de 2009, algumas disciplinas necessitaram de equivalência, sendo assim ampliadas e acrescentadas como as de Conversação Básica e Metodologia do Ensino de Leitura e Escrita, por exemplo. Considerando os dados analisados, sugerimos tratar inicialmente das conotações que interpretamos das opiniões dos alunos do Grupo 2 que projetaram papéis relacionados às perspectivas da formação.

(d) As Perspectivas da Formação Inicial

Para este significado, os alunos realizaram 3 tipos de nomeações: Eu (projetado para si mesmo) + professor(es) (nomeando o professor), Eu (projetado para si mesmo) + aluno(s) (nomeando os futuros alunos e colegas da formação) e, por fim, Eu (projetado para si mesmo) + você (nomeando o aluno da formação figurado como professor no provável exercício profissional).

Alunos

do CLI Papéis Projetados Frequência

Grupo 2

Nomeações Significados Interpessoais 5P 7P Eu + professor (es) As Perspectivas da Formação Inicial 30 16 Eu + aluno (s) 21 6 Eu + você 6 2

Eu + colega(s) As Experiências da Aprendizagem 5 2

Para a nomeação Eu + professor, notemos os exemplos (84) e (85):

(84) Eu creio que o professor estaria mais preparado se ele tivesse mais oportunidade

não só de observar uma aula, mas de ele está ali inserido naquele espaço... (5PA17)

(85) Eu não sei, mas o currículo do curso, na minha opinião, preenche todos os

requisitos para preparar um bom professor... (7PA23)

No caso do exemplo (84) quando 5PA17 afirma: Eu creio que o professor estaria mais preparado se ele tivesse mais oportunidade..., projeta em si mesmo por meio de Eu creio que... expressando a provável opinião de que as oportunidades de formação inicial e continuada na região contribuem para o despreparo do profissional que é licenciado no CLI. Ao utilizar a referência pronominal Eu, o aluno ainda nomeia a figura do Professor. Assim, podemos sugerir que o aluno aponta uma relação assimétrica entro o papel projetado de si mesmo, por meio do pronome Eu em contraponto à nomeação do Professor. Notemos também que a expressão Eu creio que pode significar “Eu acho que”. Dessa forma, o aluno representa-se como o experienciador ao expressar, por meio do modal creio, suas proposições acerca do espaço formação do futuro professor.

No exemplo (85), o aluno projeta três aspectos que tratam de nomeações esperadas para o futuro profissional: (i) da possibilidade de tornar-se bom professor de inglês, (ii) de desenvolver a fluência oral e (iii) de construir sua formação baseada no treinamento. No fragmento Eu não sei, mas o currículo do curso, na minha opinião, preenche todos os requisitos para preparar um bom professor..., notemos a projeção mental incerta do aluno, ao julgar currículo do curso como atributo suficiente para satisfazer seus propósitos na formação. A nomeação é projetada em, preparar um bom professor, que contradiz as opiniões dos alunos quando relatam a necessidade de ampliar o tempo de algumas disciplinas como a Fonética e Fonologia e Conversação.

A segunda nomeação, Eu + aluno é representada no exemplo (86):

(86) Eu percebi através das disciplinas mesmo desde o primeiro período que não é

muito focado para deixar o aluno fluente assim ficar no dia a dia conversando com nativo entendendo e respondendo... (7PA27)

No exemplo (86), Eu percebi através das disciplinas mesmo desde o primeiro período que não é muito focado para deixar o aluno fluente..., o papel projeta o anseio

do aluno em conquistar a pronúncia como recurso único para possibilitar a comunicação no inglês. Temos uma projeção mental da experiência com o currículo, ao passo que nomeiam a figura do Aluno no papel de um aprendiz inseguro na postura profissional. Ademais, inferimos que o aluno pontua a pouca importância atribuída às questões que desenvolvam sua fluência oral. De acordo com a nomeação explícita no exemplo em destaque, o aluno estabelece a sua visão de fora da sala de aula do CLI. Entretanto, o papel projetado por esse aluno pauta-se em não comprometer a si mesmo e, sendo assim, expressar a sua opinião resulta em nomear o outro, por sua vez personificado implicitamente no papel do aprendiz que deseja falar o inglês.

O exemplo (87), a seguir, apresenta o terceiro tipo de nomeação, Eu + você:

(87) ...eu acho que falha no currículo, deveria ter mais Inglês, mais prática, você treinar mais. (7PA26)

Observamos a relação é projetada no Eu (si mesmo) que pode opinar sem comprometer seu papel de aluno e no Você (o eu implícito na vontade do outro). Nesse papel projetado, a nomeação pode gerar inúmeros papéis que partem das representações e percepções desses alunos com o seu próprio contexto. O aluno sugere que o currículo do curso poderia oferecer mais disciplinas na área específica para praticar o inglês.

No próximo item, discutiremos as experiências de aprendizagem nomeadas pelos alunos na suposta relação constituída com os colegas do curso.

(e) As Experiências da Aprendizagem

Para este significado, temos um tipo de nomeação presente nas opiniões dos alunos do Grupo 2. Sendo assim, o papel é projetado utilizando a seguinte realização: Eu + colega(s). Essa nomeação dada pelos alunos justifica-se pela apreciação parcial partilhada para si mesmo e para com os outros. É o que podemos observar nos seguintes exemplos:

(88) Eu vou aprender assim como os outros colegas. (5PA15)

(89) ...eu entrei no curso de Inglês como a maioria dos meus colegas lá na minha sala... (5PA17)

Apesar de terem sido localizadas poucas realizações dessa nomeação, consideramos relevante analisar o modo como os alunos processam as relações sociais de si para com os

colegas. Estabelecem-se dois níveis na relação a partir da realização do referente Eu que projeta a noção de coletivo, Colegas.

Pode-se inferir que, no exemplo (88), o aluno representa seu estilo de aprendizagem comparado ao dos colegas e ainda identifica que tem dificuldades semelhantes no CLI. É o caso do trecho Eu vou aprender assim como os outros colegas. Outro significado localizado nas opiniões dos alunos do CLI pode ser visto no seguinte fragmento: ...eu entrei no curso de Inglês como a maioria dos meus colegas lá na minha sala. Conforme o fragmento, o aluno expressa que as decisões de ingresso na formação inicial foram semelhantes aos que convivem em seu grupo. O papel do aluno sugere que todos do grupo podem ser nomeados pelas mesmas limitações no aprendizado, de convivência no curso e das mudanças que decorrem durante sua formação.

Com relação ao exemplo (89), temos a projeção relacionada ao grau de ansiedade nomeada nos papéis de si mesmo e dos colegas, como apresentado no seguinte fragmento: eu tive vontade de desistir, mas como os colegas já falaram. O aluno sugere também a intenção de desistir do curso por não atingir as expectativas idealizadas e condicionadas pelo status social que possivelmente o aprendizado do inglês poderia oferecer no seu contexto.

Nesta subseção, analisamos os papéis projetados que foram nomeados pelos alunos do CLI. Pautamos a análise no recorte teórico de Thompson e Thetela (1995), que aponta para a análise das funções da linguagem, anteriormente propostas por Halliday (1994). Para complementar, nos fundamentamos em Delu (1991) que trata das relações dos papéis nas interações sociais. O item a seguir aborda os papéis projetados por atribuição.

In document About the centre (sider 50-82)