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CODE- CODE-SWITCHING

4. Descriptive and Analytical Account of the Spoken Data

4.2. Language Mixing

4.2.2.1. Intrasentential Code Switching

4.2.2.1.3 Congruent Lexicalization

Relativamente a este ponto, vamos debruçar-nos sobre as opções metodológicas que orientaram a componente investigativa que se incorporou neste trabalho. Assim, neste sentido, começamos por abordar a metodologia utilizada tanto no Pré-escolar como no Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico, os objetivos que procuramos alcançar ao longo da prática, as técnicas de recolha de dados e análise da informação. Ao longo deste trabalho tínhamos como objetivo final organizar o espaço educativo para realização de experiências de aprendizagem significativas potenciadoras da autonomia e sucesso educativo.

3.1. Natureza da Metodologia

O presente relatório tem como suporte uma investigação qualitativa de natureza interpretativa, isto porque os dados recolhidos não são em forma de números, mas de palavras ou imagens. Como nos referem Gerhardt & Silveira (2009, p. 32) em relação à pesquisa qualitativa, esta “não se preocupa com representatividade numérica, mas, sim, com o aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização, etc.” (p. 32). Segundo estes mesmos autores, quando os pesquisadores optam por utilizar os métodos qualitativos, têm como finalidade explicar o porquê das coisas e não quantificam os valores, visto que os dados analisados são denominados não-métricos.

Segundo Bogdan & Biklen (2013), a investigação qualitativa divide-se em três tipos: a investigação avaliativa e decisória, a investigação-ação e a investigação pedagógica. Tendo em conta estes autores, na investigação avaliativa e decisória “o investigador é frequentemente contratado com o objectivo de proceder à descrição e avaliação de um determinado programa de mudança, com o intuito de o melhorar ou eliminar” (idem,

ibidem, p. 266). Em relação à investigação-ação, estes autores mencionam que “os investigadores agem como cidadãos que pretendem influenciar o processo de tomada de decisão através da recolha de informações. O objectivo é o de promover mudança social que seja consistente com as suas crenças” (idem, ibidem). Por fim, na investigação pedagógica, na qual se insere este presente trabalho, compreende-se que:

O investigador é um praticante (um professor, administrador ou especialista educacional) ou alguém próximo da prática, que pretende utilizar a abordagem qualitativa para optimizar aquilo que faz. O indivíduo deseja tornar-se mais eficaz no trabalho pedagógico ou clínico, sendo determinados aspectos da abordagem qualitativa um contributo para a reflexão sobre eficácia pessoal e a sua optimização (idem, ibidem).

Considerando as ideias de Sousa (2009), “a observação é um acontecimento natural da vida quotidiana” (p. 108). Menciona também que “a observação em educação destina-se essencialmente a pesquisar problemas, a procurar respostas para questões que se levantam e

a ajudar na compreensão do processo pedagógico” (p. 109). Este autor ainda frisa que “a observação permite efetuar registos de acontecimentos, comportamentos e atitudes, no contexto próprio e sem alterar a sua espontaneidade (…). A observação será sempre apenas de uma parte do que se passa, jamais pretendendo abranger um todo” (p.109).

Quanto ao tipo de observação, optamos pela participativa, uma vez que envolve a interação pessoal entre o investigador e os participantes. De acordo com Gerhardt & Silveira (2009),

O investigador participa até certo ponto como membro da comunidade ou população pesquisada. A ideia de sua incursão na população é ganhar a confiança do grupo, ser influenciado pelas características dos elementos do grupo e, ao mesmo tempo, conscientizá-los da importância da investigação (p.75).

Segundo Sousa (2009), a observação participante oferece vantagens. Neste caso vamos mencionar três, que nosso ponto de vista são essenciais “Captar a situação vivencial que contextualiza os acontecimentos observados”, a segunda é “acesso rápido a dados sobre situações do quotidiano” e a terceira refere “maior compreensão dos pensamentos e motivações dos sujeitos” (p.113). Este autor ainda salienta que “as crianças são muito jovens e os únicos indicadores registáveis, manifestações motoras ou vocalizações espontâneas, só podem ser efetuados através da observação” (p. 109).

Assim, através do que mencionamos no parágrafo anterior foram algumas das razões que estiveram na base das decisões de orientação do estudo sobre a prática de ensino supervisionada abrangida no presente relatório, pois a mesma foi desenvolvida com um grupo de crianças de três, quatro, cinco anos de idade e outro grupo de crianças de oito anos de idade.

3.2. Identificação da Problemática e Objetivos do Estudo

Considera-se que a organização do espaço é um elemento-chave para a promoção da autonomia no processo de ensino-aprendizagem das crianças, tanto na faixa etária Pré- escolar como no Ensino do 1.ºCiclo do Ensino Básico. No entanto, por vezes, não lhe é dado o devido valor, o que fez com que, ao refletirmos sobre este aspeto, surgisse a seguinte questão problema: “Como organizar o espaço educativo do Jardim-de-infância e Escola do

1.º Ciclo do Ensino Básico para a realização de experiências de aprendizagem significativas potenciadoras da autonomia e sucesso educativo das crianças?”

Tendo em conta esta temática, e tendo em conta que o espaço tem vindo a ser alvo de estudo por parte de vários autores, bem como a autonomia, surgiu como propósito realizar-se uma investigação-ação baseada neste tema. Para tal, foi necessário delinear um conjunto de objetivos que passamos a enumerar, os quais serão devidamente focados ao longo deste relatório:

Averiguar a importância que o espaço assume no desenvolvimento da autonomia em crianças de Educação Pré-escolar e do 1ºCiclo do Ensino Básico;

Dinamizar as atividades de maneira a promover a participação das crianças;

Criar novos espaços conjuntamente com as crianças, baseados nas suas áreas de interesse.

3.3. Técnicas de Recolha de Dados

Num trabalho investigativo é importante recolher dados, sendo que estes devem ser adequados ao que se pretende analisar, como menciona Ponte (2002), num trabalho investigativo “o mais importante não é recolher muitos dados, mas recolher dados adequados ao fim que se tem em vista e que sejam merecedores de confiança” (p. 15). Desta maneira, no que diz respeito ao nosso trabalho, utilizámos duas técnicas de recolha de dados: primeiramente a observação participante e em segundo lugar a análise documental. Em relação ao registo dos dados, procurámos registar exatamente o que ocorria durante as atividades ou até mesmo anotar simples diálogos que achávamos pertinentes para esta investigação. Mas podemos afirmar que este duplo papel não foi uma tarefa nada fácil, principalmente para nós, visto que, quanto à experiência neste campo de ação e investigação somos uns “simples principiantes”. Porém, devemos salientar as vantagens desse papel, tendo em conta a ideia de Amendoeira (1999, as cited in Correia 2009). Este defende que:

Na observação participante, o investigador é o principal instrumento da investigação, sendo uma clara vantagem, dada a possibilidade de estar disponível para colher dados ricos e pormenorizados, através da observação de contextos naturais e nos quais é possível ter acesso aos conceitos que são usados no dia-a-dia, por se conhecer a linguagem dos intervenientes (p. 33).

É importante mencionar os instrumentos que foram utilizados ao longo da prática e é necessário refletir um pouco sobre eles, pois espelham o interesse, a motivação, a participação das crianças e a ação da educadora/professora estagiária, no campo da intervenção.

Os instrumentos utilizados ao longo do estágio tanto na Educação Pré-escolar como no 1º Ciclo foram os registos fotográficos, além da análise de documentos, como as planificações, as fichas de dados das crianças e as notas de campo. Todos estes instrumentos tiveram relevância para a compreensão e análise do processo de ensino- aprendizagem em que nos envolvemos. No âmbito da nossa investigação, as fotografias foram produzidas por nós e forneceram-nos estímulos para a produção de dados. Relativamente ao registo fotográfico, Máximo-Esteves (2008) menciona que são bastante importantes, na medida em que permitem ter a “informação visual disponível para mais tarde, depois de convenientemente arquivados, serem analisados e reanalisados” (p. 91).

Para outros autores como Bogdan & Biklen (1994), referem em termos investigativos, que a fotografia não é a resposta, mas sim uma ferramenta importante para chegar à resposta.

É importante considerar a análise das produções das crianças, particularmente, como sublinha Máximo-Esteves (2008), “quando o foco da investigação se concentra na aprendizagem dos alunos” (p. 92) ou até mesmo no processo de aprendizagem.

Como mencionamos atrás, também utilizámos a análise documental ou arquivística. Para Afonso (2005), trata-se de uma técnica que “consiste na utilização de informação existente em documentos anteriormente elaborados, com o objectivo de obter dados relevantes” (p. 88).

Importa referir, que também tivemos em conta o Projeto Educativo da instituição, o Projeto Curricular de Grupo dos dois contextos, documentos legislativos e os Programas das diferentes áreas do saber. Através de uma análise detalhada, procurámos incorporar e cruzar toda a informação que foi recolhida, para, desta forma, podermos comentar e compreender as diferentes situações registadas ao longo dos contextos.

Para finalizar, os registos dos dados foram feitos através de notas de campo. Estes dados, às vezes, eram registados durante a ação e outras vezes no final da amanhã ou da tarde. Tendo em conta as palavras de Bogdan e Biklen (2013), “as notas de campo [constituem] o relato escrito daquilo que o investigador ouve, vê, experiencia e pensa no decurso da recolha e reflectindo sobre os dados” (p. 150). Desta forma, as notas de campo possibilitam um registo diário e pessoal, podendo assim o educador/professor desenvolver mais eficazmente o seu ensino e fortalecer a investigação sobre o mesmo. Posteriormente, iremos analisar as notas de campo retiradas no âmbito do Pré-escolar e, posteriormente, do 1.º Ciclo do Ensino Básico.