Um projeto pode ser definido, segundo Woiler e Mathias (1996), como o conjunto de informações internas e/ou externas à empresa, coletadas e processadas com o objetivo de analisar e eventualmente implantar uma decisão de investimento através da incorporação de informações quantitativas e qualitativas e da simulação das implicações da decisão de investir. Casarotto Filho (2002), por sua vez, entende projeto de negócio como um composto entre definição de estratégias e estudos de viabilidade, levando em conta a empresa de forma competitiva, e não isolada.
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A análise de projetos pode ser feita sob várias óticas, de acordo com Buarque (1991), Rezende e Oliveira (2001) e Woiler e Mathias (1996). Buarque (1991) analisa os projetos sob a ótica econômica e privada. A ótica econômica engloba análises dos efeitos do projeto sobre a economia global na realização do bem coletivo, apresentando os custos e benefícios do projeto em valores econômicos. Já a análise privada considera a geração de benefícios financeiros oriundos do projeto para a satisfação empresarial, considerando os valores em termos de mercado. O autor destaca que ambas as avaliações são incompletas, pois não consideram aspectos sociais.
Rezende e Oliveira (2001), por sua vez, considera que os projetos podem ser analisados pela ótica econômica (ou financeira) e social. Se os custos e receitas forem mensurados pelo valor privado, a avaliação será econômica ou financeira. A avaliação será social quando os custos e receitas forem mensurados sob esse ponto de vista, considerando seu custo de oportunidade. É importante destacar que, apesar da relevância da análise social, sua mensuração é complicada, uma vez que envolve aspectos subjetivos.
Woiler e Mathias (1996), por fim, consideram a análise econômica diferente da financeira, uma vez que a avaliação econômica é o foco dos órgãos financiadores enquanto os empresários devem atentar tanto para aspectos financeiros quanto para aspectos econômicos.
Este trabalho analisa a viabilidade do projeto sob o ponto de vista privado, na ótica de Buarque (1991), ou econômico/financeiro, na ótica de Rezende e Oliveira (2001), considerando as ressalvas feitas por Woiler e Mathias (1996).
Os projetos podem ser classificados, segundo Woiler e Mathias (1996), em função do setor econômico a que se refere (macroeconomia), em função do impacto na empresa (microeconomia), em função do uso que o projeto terá e em função da relação do projeto com demais projetos dentro de uma empresa.
De acordo com o setor econômico, o projeto pode ser macroeconomicamente classificado em agrícola, industrial e de serviços. Do ponto de vista microeconômico, os projetos podem ser de implantação, expansão/ampliação, modernização, relocalização e diversificação. De acordo com suas finalidades, os projetos podem ser de viabilidade, final ou de financiamento. Os autores classificam ainda os projetos como independentes e dependentes, assim como Gitman (1997). Os projetos independentes são aqueles cujos fluxos de caixa são independentes de outros projetos, o que não ocorrem com os projetos dependentes, que podem ser mutuamente exclusivos (substitutos) ou complementares. No
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primeiro caso, a escolha de um projeto elimina a implantação dos demais, e no segundo caso, a implementação de um projeto leva a um aumento nos benefícios associados a outro projeto.
De acordo com os critérios de classificação propostos, este estudo trata de projetos substitutos agrícolas, de implantação e de viabilidade. O Quadro 2, a seguir, sintetiza os critérios de classificação de projetos, de acordo com Gitman (1997) e Woiler e Mathias (1996).
Quadro 2 – Classificação de projetos
Critérios de classificação Classificação
Macroeconômico Em função do setor econômico
Agrícola Industrial De serviços
Microeconômico Em função do impacto do projeto na empresa De implantação De expansão/ampliação De modernização De relocalização De diversificação
Em função do uso do projeto para a empresa
De viabilidade Final De financiamento
Independentes
Complementares Em função da relação do projeto com outros
projetos Dependentes
Substitutos
Fonte: Elaborado pela autora, 2008.
As etapas de elaboração de um projeto compreendem análises quantitativas e qualitativas (estudos de mercado, definição de escala, localização e engenharia), determinação do fluxo de caixa, obtenção dos indicadores de rentabilidade e risco e por fim a avaliação em si do projeto, através da aplicação dos critérios, que resulta em conclusões acerca da viabilidade ou não do projeto. Todas as etapas são de suma importância, entretanto a determinação correta dos fluxos financeiros merece grande destaque, pois são a partir deles
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que são calculados os índices de viabilidade e risco, essenciais às avaliações e conclusões acerca do projeto.
Os principais indicadores econômicos citados pela literatura na avaliação de projetos são: Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR), Período de
Payback descontado (PPD) e Relação Benefício/Custo (B/C).
O VPL refere-se ao benefício líquido do projeto, a uma determinada taxa de desconto e a TIR determina o valor da taxa de desconto que torno o VPL igual a zero. A relação B/C é a relação entre os benefícios e custos atualizados e, por fim, o PPD informa ao tomador de decisão o tempo necessário para o retorno de um capital investido, descontado a determinada taxa.
O uso dos indicadores é complementado pela consideração do tempo na análise dos projetos. Nesse sentido, é importante analisar a taxa de desconto, o horizonte do projeto e o uso ou não de preços constantes no tempo. A importância da adoção de métodos de avaliação de projetos que considerem fluxos de caixa descontados é ressaltada por Rezende e Oliveira (2001), que destaca que tais métodos permitem a comparação de dados através do tempo.
A taxa de desconto permite que se façam comparações entre saldos financeiros presentes e futuros, uma vez que considera o valor do dinheiro no tempo, conforme ressalta Lana (2002). A determinação correta da taxa de desconto permite a correta determinação dos fluxos de caixa descontados. Para tal, Woiler e Mathias (1996) sugerem o uso do custo do capital empregado ou da média ponderada do capital próprio e de terceiros empregada no projeto. Já Buarque (1991) considera que a melhor forma de se determinar a taxa de desconto é a utilização do custo de oportunidade do capital investido, comparativamente ao seu melhor uso alternativo.
A determinação do horizonte do projeto também é um ponto de destaque na avaliação de projetos, pois quanto mais longos os períodos de duração do projeto, menor é a confiabilidade dos resultados e quanto menores os períodos considerados, maior é a omissão de fluxos de caixa futuros, que podem ser importantes para o projeto. Woiler e Mathias (1996) sugerem, para a determinação do horizonte do projeto, métodos como estipulação com base na vida útil do projeto, com base na depreciação fiscal do equipamento ou devido à obsolescência do projeto, que exige novos investimentos por parte da empresa.
Em relação aos valores monetários das variáveis de entrada e saída do fluxo de caixa, ao longo da vida útil do projeto, pode-se optar pelo uso de preços constantes ou
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variáveis ao longo do tempo. Quando se opta pelo uso de preços constantes, repete-se os preços coletados à época de elaboração do projeto durante todo período deste, pressupondo-se que a taxa de inflação e as forças de mercado afetem igualmente os preços dos insumos e dos produtos, ou seja, que os preços relativos e o nível geral de preços sejam constantes. Já quando se adota preços variáveis no tempo, deve-se proceder a uma previsão futura dos preços, método este menos empregado em virtude de ser mais arriscado e conduzir a possíveis erros de previsão, de forma que a adoção de preços constantes é mais usual. (NORONHA, 1987).